A violência gratuita não é o suficiente para salvar Splatterhouse

Muitos clássicos dos games simplesmente marcaram a infância de muitos jogadores. Durante a década de 1980 e até o final dos anos 1990, o universo do entretenimento eletrônico recebeu centenas de títulos revolucionários, que deram o pontapé inicial para novos gêneros e conceitos.

Seguindo uma tendência semelhante à indústria dos cinemas, várias publicadoras dos jogos resolveram reviver grandes clássicos, trazendo todo o auge para as três dimensões da geração atual. Infelizmente, ao contrário de alguns belos exemplos das telonas, nem todos os remakes em alta definição se saem como a versão original.

Golden Axe, por exemplo, é um dos maiores clássicos do Mega Drive. Em sua nova versão, lançada para Xbox 360 e PlayStation 3, o título falhou em proporcionar aos fãs uma experiência equivalente à versão original. Bugs desastrosos, um sistema de combate repetitivo e um jogo nada caprichado. Isso é o Golden Axe da atual geração.

Dentre as demais franquias famosas que receberam, ou ainda vão ganhar, uma revitalização, temos Splatterhouse. Para quem não sabe, esse título é um dos mais polêmicos do início da era 16-bits. Lançado em 1988 nos arcades do Japão, Splatterhouse trazia uma história inspirada fortemente em filmes como Sexta-Feira 13 e Uma Noite Alucinante.

Img_normal

O resultado? Um dos jogos mais violentos de todos os tempos. Antes da febre de Mortal Kombat, Splatterhouse já causava espanto em algumas famílias devido ao pesado conteúdo gráfico, que trazia entranhas e muito sangue espalhado pela tela. Além disso, o jogo também contava com a clássica fórmula side-scroller, algo que, aliado à boa jogabilidade, só contribuiu para o sucesso.

Posteriormente, o game também apareceria em outras plataformas, como TurboGrafx-16 e Mega Drive, com ports e sequências. Em 1993, é lançado o último jogo da série: Splatterhouse 3. Será que a dilaceração coordenada por Rick Taylor, o protagonista, finalmente teria chegado ao fim?

A Namco, responsável pela distribuição de toda série, decidiu reviver o personagem como a própria Máscara do Terror já havia feito. Em 2010, um novo Splatterhouse é revelado. E, novamente, temos um jogo regado pela violência exagerada, resultando em sangue, entranhas e muitos membros espalhados pelos cenários.

A grande questão é: será que o novo Splatterhouse fará jus ao nome que ostenta? Sem dúvidas, temos um jogo com uma proposta boa e bem brutal. Os fãs da franquia certamente vão se identificar com vários atributos deste reboot. Entretanto, por falta de capricho e de recursos da desenvolvedora, Splatterhouse não consegue gerar uma fórmula completamente afiada e satisfatória.

O resultado é um jogo que esbanja violência, mas não consegue esconder seus problemas técnicos ou deixar de ser repetitivo. Uma boa tentativa, mas que, infelizmente, não consegue se sobressair como um título fresco para a nova geração, sustentando-se apenas pela nostalgia evocada em certos jogadores ou pelo excesso de brutalidade banal.

Splatterhouse era um título esperado por muitos jogadores, principalmente pelos fãs da clássica franquia. Contudo, o resultado final ficou bem abaixo das expectativas. Mesmo com muita brutalidade e um esquema de pancadaria bacana, o jogo falha em conceber uma experiência fluída, principalmente por problemas técnicos e tentativas falhas em retratar a nostalgia do clássico.

O game pode até ser uma boa pedida pra quem busca bastante destruição desmiolada, mas não oferece muito mais que isso. A violência domina Splatterhouse, mas este definitivamente não é um jogo que domina o jogador.

Quebrando um galho

Sem dúvidas, o que mais chama a atenção em Splatterhouse é a pancadaria. Afinal, não poderia ser diferente, já que é ela a principal característica de toda a franquia, desde os tempos do saudoso Mega Drive.

Mas então quer dizer que não há uma história por trás do sangue que jorra na tela? Calma lá, não é bem assim. Na realidade, o título traz sim um contexto para justificar toda a brutalidade. Basicamente, você controla Rick Taylor, que novamente aparece no game como o personagem principal.

A vida de Rick, um rapaz “metaleiro” e magrelo, ia aparentemente bem. Um dos principais motivos do cara ter um sorriso no rosto é Jennifer, sua namorada. Contudo, no início do game Jen é sequestrada e Rick acaba gravemente ferido — esses acontecimentos são detalhados posteriormente no game.

Sangrando e prestes a morrer, Rick decide apelar para a última saída: fazer um pacto com a Terror Mask (Máscara do Terror). Imagine aquela máscara usada por Stanley Ipkiss — personagem do filme O Máscara, interpretado por Jim Carrey —, mas com uma proposta muito mais sangrenta. A Terror Mask funciona quase da mesma maneira, controlando seu usuários e transformando seu corpo da maneira que bem entender.

Nesse caso, Rick passa de magrelo para um cara “bombado”, capaz de esmagar facilmente qualquer coisa usando apenas suas mãos. Com isso, o protagonista ganha forças para perseguir Henry West, o misterioso criminoso que raptou Jennifer.

A trama do jogo até sofre algumas reviravoltas, mas nota-se claramente que ela está lá simplesmente como motivo para toda a destruição e fúria de Rick. Nada mal, principalmente se considerarmos os fragmentos em game no qual a máscara conversa e tira sarro de Rick, adicionando uma boa dose de humor ao título.  

Bater e bater!

Então, Splatterhouse se resume a pura pancadaria? É isso mesmo. Quem tem estômago fraco deve tomar cuidado com o game. Agora, se você está procurando por muita violência gratuita, finalizações que parecem inspiradas nos Fatalities de Mortal Kombat, e decapitações, então não tema.

O sistema de combates do título é familiar para qualquer um que já tenha jogado um game do estilo hack ‘n slash. Essencialmente, temos dois botões para ataque. Um deles desfere golpes mais fortes, que são um pouco mais lerdos, mas contam com um resultado devastador. Há também os golpes fracos, que são uteis para combinações rápidas e serão exaustivamente utilizados pelo jogador. Por fim, temos o agarrão, que é bem-vindo quando o jogador deseja manipular um oponente ou então partir para um ataque mais íntimo.

Conforme você avança em sua aventura, novos combos são desbloqueados. O título oferece várias possibilidades de aprimoramento, permitindo que o jogador faça um upgrade em seus ataques rápidos e pesados, agarrões, além de outros golpes.

Isso dá mais dinamicidade ao game e é realmente bacana desbloquear novas habilidades para conferir qual será o resultado da próxima pancadaria. Em pouco tempo, você estará utilizando vários deles durante o combate, o que torna a experiência realmente satisfatória — principalmente para os espectadores.

Novamente, temos as armas, que são encontradas espalhadas pelo ambiente. Esses brinquedinhos são extremamente poderosos, podendo derrotar inimigos com pouquíssimos golpes. Clássicos como a tábua e o facão voltam a roubar a cena, assim como as espingardas e até mesmo canos de ferro. Um verdadeiro show de destruição.

Mas, tome cuidado: as armas têm uma duração limitada. Ou seja, nada de pegar um facão e sair decepando todos os seus inimigos até o final de uma fase. As armas “gastam” com o tempo e se tornam inutilizáveis. Felizmente, o jogador pode aumentar a durabilidade de seus brinquedinhos através do sistema de aprimoramentos previamente mencionado.

Splatterhouse ainda traz finalizações totalmente brutais, que mais parecem Fatalities. O jogador deve ficar atento aos personagens que, depois de apanharem bastante, apresentam um contorno vermelho. Essa é a hora para finalizá-los de uma vez por todas. Para isso, basta se aproximar e pressionar o botão B (círculo no PlayStation 3) e executar os comandos do mini game — que, normalmente, utilizam os dois direcionais do controle.

Essas finalizações isoladas geram ainda mais Blood para o jogador, elemento essencial para adquirir novas habilidades e upgrades. Além disso, temos golpes uns mais brutais que os outros, com Rick arrancando os braços, os pulmões e até mesmo realizando atos que você nem queria ter visto — coitado daquele bicho com a poupança exposta...

Em suma, o sistema de combates de Splatterhouse é satisfatório. Você sente que está danificando seus oponentes e a variedade de combinações só torna a destruição ainda mais divertida. Isso parece sádico, mas lembre-se que você só está aniquilando criaturas horrendas, infernais e que não desperdiçariam a chance de acabar com você, sua namorada e com toda sua família. Então, não tenha piedade.

Chefes de verdade

Os chefes de Splatterhouse realmente merecem destaque. Mesmo não sendo grandes desafios, não há como negar que temos que enfrentar algumas criaturas realmente bizarras. Além de apresentarem um design bem bacana e variado, a mecânica de jogabilidade é alterada, tornando os combates bem distintos do restante da experiência do game.

Para ilustrar, temos o exemplo de uma boneca satânica que parece ter vindo diretamente dos pesadelos de Hellraiser. A pequena criatura já é bizarra, mas se torna ainda mais violenta quando Rick decide provocá-la. Com isso, a boneca, que parece ter forças sobrenaturais resolve simplesmente sugar móveis, estruturas e qualquer coisa que esteja em sua volta para formar seu próprio corpo ao estilo Megazord. Bizarro é pouco.

Arte espetacular

Tecnicamente, Splatterhouse não é uma grande maravilha. Entretanto, não há como negar que a direção de arte do game surpreende. Você já deve ter uma noção do nível da criatividade dos designers do game, já que mencionamos um dos chefes do título acima.

Entretanto, o jogo continua surpreendendo a cada fase. O design das criaturas é bem bacana, seja nos inimigos convencionais, que aparecem abundantemente durante o game, ou nos próprios cenários.

Img_normal

Há uma boa variação de ambientes, todos decorados com detalhes que roubam a atenção. Em um deles, por exemplo, temos a Estátua da Liberdade contaminada por uma bizarra criatura, que decide usar a cabeça do monumento como uma máscara. O resultado é bizarro, mas muito criativo.

Detalhe também para o próprio Rick, que tem seu corpo estraçalhado conforme sofre danos. É possível ver as costelas do personagem e parte de seus órgãos, dependendo de como estiver sua situação. Em alguns casos, Rick até chega a perder o braço, mas o jogo continua, já que a máscara permite que o corpo do jovem se recomponha — no fim, você pode até usar seu braço caído como arma!

Caindo aos pedaços

Infelizmente, um dos principais problemas de Splatterhouse é bem explícito. O motor gráfico do game não dá conta de toda ambição da direção de arte e o resultado são problemas nas animações e na própria concepção de alguns elementos. O game peca em capricho, principalmente quando o assunto são os líquidos, como o sangue, vômito e até mesmo a água.

Todo o clima brutal do game é denegrido pela ausência de uma qualidade gráfica que suporte os litros e mais litros de sangue que jorram na tela. Os efeitos não agradam e, mesmo assim, a taxa de quadros por segundo cai significativamente durante vários momentos do game.

Em suma, temos uma proposta ambiciosa e boa, mas que falha gravemente nos quesitos técnicos, resultando em um jogo que parece mal acabado. Ou, melhor dizendo, caindo aos pedaços. Isso consegue acabar com boa parte da empolgação.

Img_normal

Quebrado

Em alguns momentos, Splatterhouse traz seções que imitam os antigos side-scrollers. Ou seja, você vê o personagem de lado e avança apenas para a esquerda ou para direita, eliminando os oponentes de maneira semelhante aos clássicos da franquia. O grande problema é que, aqui, os controles pioram significativamente.

Nestes eventos, é normal encontrar vários obstáculos, que devem ser evitados pelo jogador com saltos e rolagens. Entretanto, o salto de Rick é extremamente mal feito, com um atraso esquisito e uma física incoerente. O personagem vai deslizar, o pulo não vai sair como você queria e você vai acabar morrendo várias vezes durante estas etapas do game. Uma parte que poderia trazer excelentes momentos de nostalgia, mas acaba sendo apenas extremamente frustrante.

Fora isso, nos momentos convencionais de terceira pessoa a câmera também pode arruinar sua jogatina. Várias vezes nos perguntamos o motivo de a Namco não ter adotado uma visão fixa, como acontece em God of War III, o que, supostamente, facilitaria muito os combates. Em vez disso, você controla a câmera e muitas vezes fica difícil acompanhar toda a ação. Os momentos de plataforma também não são muito precisos.

Img_normal

Loading, de novo?

Inexplicavelmente, Splatterhouse traz loadings logo após acabar de completar um loading. Como assim? Bem, imagine que você acaba de carregar um cenário e, por um infortúnio da jogabilidade, acaba caindo em um precipício. O certo seria um reinicio no último checkpoint, sem outro longo loading, não é mesmo? Mas não é isso que acontece. Splatterhouse traz vários loadings longos e frequentes. A repetitividade do jogo se reproduz nos loadings.

65 ps3
Regular

Outras Plataformas

65 xbox-360