Agora suas histórias podem literalmente ganhar vida.

O salto da Maxis com Spore foi inegavelmente ambiciosos. Quer dizer, que outro sistema de criação antes permitiria que você criasse algo com três pernas, quatro bocas e mais um sem número de adereços? E, mais importante, que outro jogo poderia tornar isso tudo tão incrivelmente natural, dando a impressão que uma bizarrice semelhantes realmente pudesse existir?

Mas é claro que a conquista evolutiva da Maxis e da EA não ficaria por aí. Naturalmente, deveria existir uma expansão que pudesse tanto aproveitar um pouco mais o inusitado nicho estreado pelas criaturas conquistadoras ($$$), quanto aumentar ainda mais a experiência para os já ávidos fãs de uma densa comunidade online — inquestionavelmente um dos pontos mais fortes da franquia.


Bem, Spore: Galactic Adventures é a resposta a esses anseios. E o melhor, a sequência aqui soa realmente como algo novo, uma experiência nova, passando longe das famigeradas expansões caça-níqueis que tanto se vê em franquias de sucesso mal aproveitadas.

Basicamente, se antes você pode atuar como um deus, moldando suas criaturas, conduzindo-as através de uma linha evolutiva e moldando os seus universos, agora você poderá se tornar um contador de histórias, definindo onde e como se darão as aventuras das suas criaturas.

Posteriormente, uma boa pedida é compartilhar as suas aventuras com a comunidade online do jogo, havida por conhecer a sua recriação dos 12 trabalhos de Hércules ou, quem sabe, o seu Blade Runner versão “freak show”.

Um novo delírio criacionista

É claro, antes de sair batendo a cabeça com os complexos modos de criação de Galactic Adventures, convém dar uma olhada nas aventuras que já compões o título, ou mesmo naquelas criadas por outros jogadores particularmente inspirados.

Como parte integrante, algumas aventuras básicas ainda poderão acostumá-lo ao estilo de desafios proposto pelo jogo. O seu capitão aqui poderá ser jogado tanto no meio de uma batalha espacial — devendo abater uma nave-mãe para que as tropas aliadas possam alcançar a sua posição —, em uma clássica visão “shooter” de Spore, quanto em uma misteriosa barraca onde um enigmático anfitrião convida para a realização de um puzzle.Hora de contar suas próprias histórias

Uma vez que já se esteja mais inteirado do andamento das coisas, é hora de tentar a sorte com o modo de criação de aventuras. Em primeiro lugar, vale dizer que a curva de aprendizado aqui é realmente grande, e provavelmente vai demorar algum tempo até que você possa criar uma aventura realmente digna de nota.

Entretanto, estando as ferramentas dominadas, descortina-se um amplo horizonte de possibilidades para jogadoras com a criatividade à flor da pele. Assim como a ferramenta de criaturas, o modo de criação de cenários é robusto, detalhado e, por vezes, até bastante intrincado.

Mas a idéia básica é razoavelmente simples: você deve contar uma história. Uma história protagonizada por um capitão de sua escolha, e que conterá oito atos no total. Em cada ato, o seu protagonista terá um máximo de três objetivos, que tanto podem ser falar com alguém, proteger algo ou pura e simplesmente matar um vilão.

Para compor a história, você deverá escolher o planeta que será o pano de fundo, bem como os elenco que vai interagir com o herói e os vilões. No que diz respeito ao elenco da sua história, as opções são realmente vastas. Uma personagem pode ser um aliado, vilão, ou neutro, e ainda pode ser orientado a dizer algo, patrulhar uma área, segui-lo por toda parte ou simplesmente vaguear pelo cenário. Você também poderá definir as suas personalidades, tornando-os agressivos, neutros, territorialistas, etc.

Da série Herdeiros do RPG Maker...

Vários elementos de cenários ainda podem tornar a experiência mais verossímil, conforme você coloca uma névoa purulenta em um lugar, ou define uma música sinistra para ambientar uma parte específica de um ato. Isso sem valar em veículos, construções e uma bem provida ferramenta de alteração da topografia do solo.

Não obstante, os seus devaneios criacionistas aqui tem um limite bastante claro. Afora os oito atos (nenhuma aventura pode ter mais que isso), e mesmo as boas possibilidades para os comportamentos das criaturas acabarão limitando as coisas em um determinado ponto. No mais, há constantemente a necessidade de aplainar os terrenos para que se adaptem as construções colocadas no cenário — o que realmente cansa um bocado depois de algum tempo.

A forte comunidade online

Caso você consiga dominar as ferramentas de criação para realmente fazer surgir algo digno de nota, uma boa opção é compartilhar as suas criações com a prolífica comunidade online de Spore. Ademais, ainda será possível baixar aventuras prontas do desenvolvedor sem nenhum custo adicional.

...agora é só compartilhar online! Jogar através das aventuras prontas ainda adiciona outra dimensão a Galactic Adventures: o seu capitão aqui poderá evoluir constantemente, ganhando novas armas, armaduras e mesmo acessórios sociais. Embora não seja um ponto tão chamativo quanto as ferramentas de criação, trata-se de um bom adereço para conferir um senso de progressão ao jogo.

Por fim, Spore Galactic Adventures, embora seja algo ainda totalmente Spore, não falha em entregar algo novo aos fãs da franquia. Embora visualmente (convenhamos) as coisas não tenham mudado muita coisa — de fato, uma série de “bugs” menores ainda despontam aqui e ali —, a nova ferramenta deve não apenas cair como uma luva para os jogadores mais criativos, quanto ainda pode aquecer um pouco mais as coisas na já bem sucedida comunidade online de Spore.

Assim sendo, caso as simpáticas bizarrices da Maxis façam o seu tipo, é hora de passar de criador para arquiteto do universo. Enfim, uma bela possibilidade para criar a sua versão Spore de 007, ou Star Wars, ou o que quer que seja. A imaginação aqui é o limite.

84 pc
Ótimo