Exclusivo do Wii aposta em novos controles, mas atola na neve

Se você já teve um PlayStation, provavelmente deve se lembrar de alguns jogos radicais que arrasaram no console. Tony Hawk, obviamente, é o título que mais chama a atenção. Entretanto, antes do lançamento de um dos maiores games do gênero, outros títulos também radicalizavam no console da Sony. Felizmente, nem todos apostavam nos skates, o que gerou uma grande variedade para o público.

Patins, patinete, esqui e snowboard são apenas alguns dos exemplos que também fizeram bonito no PlayStation. Afinal, é impossível não se lembrar do clássico Coolboarders, que mostrou aos brasileiros o quão bacana era deslizar sobre a neve. O sucesso desta série foi enorme, gerando uma série de sequências e abrindo portas para o gênero.

Com o passar do tempo, diversos outros títulos de snowboarding foram aparecendo. Talvez um dos mais notáveis seja SSX, que debutou no PlayStation 2 como um dos primeiro jogos da plataforma, no ano 2000. O jogo trazia gráficos incríveis para a época — um dos atributos que mais chamou a atenção do público —, mas também fornecia uma jogabilidade agradável e muita diversão. Logo, SSX se tornou um dos melhores exemplos de radicalidade.

Após várias sequências da franquia, muitos jogadores diziam que a série já estava defasada. Poucas novidades surgiram nos game lançados posteriormente à SSX, mas, mesmo assim, a série continuou em frente. Em 2007, após dois anos de inatividade, a franquia retorna com SSX Blur, exclusivamente para Nintendo Wii.

Com a chegada de Blur, os fãs esperavam por uma revitalização da série. Afinal, trata-se do Nintendo Wii, console com controles peculiares e inovadores. Será que, desta vez, teremos novidades boas o suficiente para reerguer a imagem da franquia? É isso que você confere nesta análise.

Deslizando para a glória

Bem, se você acha que vai encontrar algum tipo de história em SSX Blur, então é melhor ir tirando o cavalinho da chuva. Quem conhece a série sabe que a narrativa definitivamente não é o ponto forte de SSX, e em Blur as coisas não são diferentes. Existem alguns elementos que dão uma leve noção da linha de tempo do game dentro da franquia, mas é só isso.

Kaori, por exemplo, tem apenas 19 anos no jogo, enquanto em SSX On Tour a personagem contava com 21. Isso indica que o título retrate eventos que precedem On Tour, lançado para PlayStation 2 e outros consoles em 2005. Fora Kaori, diversos outros personagens fazem um retorno.

Deixando a trama de lado, SSX Blur é um jogo de snowboard que segue uma fórmula semelhante à SSX 3, para PlayStation 2. Basicamente, há um mundo aberto e diversas opções de eventos para o jogador participar, incluindo half-pipes, slalom, corridas e outros. O jogador escolhe seu personagem e parte para o modo carreira, no qual deve se manter entre os três primeiros colocados nos eventos para desbloquear outros picos com mais desafios.

Além de abrir novas fases, uma boa qualificação também pode desbloquear novos personagens. Ao todo, existem 12 atletas jogáveis, cada um com sua personalidade e estilo Fora isso, você também tem a chance de abrir várias pranchas diferentes para deixar o jogo com a sua cara.

Uma das novidades de SSX Blur são as Ubertricks. Sim, elas já estavam disponíveis em SSX 3 e em vários outros títulos da série, mas, desta vez, estas manobras são relativamente diferentes. Para realizá-las, o gamer tem de imitar os desenhos exibidos na tela com o Wii Remote. Existem vários desenhos diferentes, e leva um tempo até pegar o jeito.

Com estas manobras, sua pontuação vai às alturas — literalmente. Mas, fora isso, você também pode executar os movimentos convencionais movimentando o Wii Remote para os lados. Para saltar, basta levantar o Nunchuk, que também é utilizado para guiar o personagem. O jogador também pode lançar bolas de neve nos oponentes e fazer ajustes em suas manobras, como grabs e nosepress.

Várias manobras para sua diversão

SSX Blur ainda fornece um modo multiplayer e uma sessão para jogo rápido. Entretanto, o modo mais importante para quem acaba de embarcar no game é o Tutorial. Como sugere o nome, esta modalidade explica um pouco cada um dos elementos do game. Ela é altamente indicada, pois Blur possui uma jogabilidade relativamente complicada e repleta de possibilidades.

No tutorial, você encontrará detalhes sobre cada uma das funções do game, incluindo as Ubertricks e como utilizar o Groove Meter, que fica no canto direito da tela. Fora isso, você aprenderá a realizar cada um dos tipos de manobras do game, algo essencial para se dar bem no modo principal.

Os eventos da campanha são comuns para quem já é fã da franquia, com exceção de Slalom, que é uma novidade na franquia. Neste modo, o jogador deve contornar as bandeiras no menor tempo possível, obtendo assim a melhor qualificação. Há também o já citado Half-Pipe, além de Race, Slopestyle, Big Air e Freeride.

Em suma, SSX Blur é um jogo com controles complicados, mas com uma proposta bacana e digna da franquia. Entretanto, não há como negar que o nível de frustração é alto para quem procura um jogo com jogabilidade intuitiva, principalmente quando o assunto é Ubertricks. Talvez controles convencionais dessem conta do recado, pois a EA explorou os recursos do Wii de maneira exagerada.

SSX Blur poderia ser uma revitalização perfeita da série, mas a falta de capricho dos desenvolvedores, assim como a má utilização dos recursos do Wii, fez do game uma decepção. A jogabilidade complicada e as Ubertricks quase impossíveis impedem que o jogo deslize perfeitamente, assim como a falta de inovações em relação aos modos e estilo geral. Existe sim um pouco de diversão, mas uma avalanche de erros simplesmente acoberta qualquer vestígio.

Tipicamente arcade

Fãs dos primeiros jogos da série Tony Hawk notarão muitas semelhanças nesta última edição de SSX Blur. Primeiramente, existem diversos eventos distintos, mas cada um deles exige que o jogador faça o maior número de pontos possível — ou que permaneça entre as primeiras colocações. Além disso, as manobras fora desta realidade também relembram bastante o primeiro sucesso de Hawk, garantindo a diversão para quem curtiu o título.

O próprio modo carreira do game pode ser considerado como tipicamente arcade. Não há foco na narrativa, e tudo que o jogador tem de fazer é procurar novos eventos e vencê-los para continuar a desfrutar de novas pistas. Tudo isto ocorre em um mundo aberto, permitindo que jogador fique apenas brincando pelas montanhas enquanto não decide qual evento deseja participar.

Para selecionar o evento, basta deslizar até a região em que ele acontece, a qual pode ser facilmente identificada graças às placas disponibilizadas pelo game. Basicamente, trata-se de uma espécie de menu interativo, em que o jogador é como um cursor e as opções estão espalhadas pelas montanhas.

Outro fator que chama a atenção no game são os próprios menus convencionais. SSX Blur apresenta um estilo bacana e arrojado, trazendo desenhos modernos e repletos de estilo. Ao visualizar a capa do game é possível ter uma ideia do que estamos falando.

Pontos e mais pontos!

Modos para todos os gostos

Durante a campanha do título, você terá diversos modos diferentes à sua disposição. Um deles é o Race, que, conforme o nome indica, consiste em uma corrida em que o objetivo é simples: chegar em primeiro lugar. Neste modo, é possível lançar bolas de neve nos oponentes e também aproveitar-se do Groove Meter utilizando-o como turbo — basta pressionar o botão Z.

Há também o Slopestile, no qual o jogador deve fazer a melhor pontuação em uma só linha de manobras interruptas. No Half-Pipe, os atletas têm de adquirir velocidade e saltar o mais alto possível, permitindo assim a execução de manobras completamente insanas. Para validar seus pontos neste modo você deve cruzar a linha de chegada, algo que adiciona mais desafio ao evento.

No Big Air o objetivo é fazer aéreos de outro mundo para adquirir o máximo de pontos possível. SSX Blur também conta com Slalom, já mencionado, e o Free Ride, que deixa o jogador livre pelo mapa para encontrar Ubercollectibles — itens que, em certa quantia da mesma espécie, resultam em novos Ubertricks —, desafios 1 vs. 1 e testes para habilidade.

A maioria dos modos traz uma experiência interessante, oferecendo um bom nível de desafio. Destaque para Race, Slopestile e Half-Pipe, que conseguem explorar os recursos do jogo.

Falta de coordenação? Não, Ubertricks

Sem dúvidas, o maior problema de SSX Blur são as Ubertricks. Em nossa sessão de testes, ficou bem claro que o sistema não funciona direito. Vamos rever como ele funciona: basicamente, você deve simplesmente imitar os desenhos que aparecem na tela com o Wii Remote enquanto seu atleta está no ar. Teoricamente, muito simples, e algo até comum nos demais jogos para console.

Entretanto, na hora da execução, todo o conceito vai por água abaixo. Os movimentos mais simples, como desenhar um Z na tela, acabam se tornando extremamente complicados devido à imprecisão da captura. Mesmo realizando o movimento exato da exibição do tutorial, a manobra simplesmente não funciona. O jeito é treinar, treinar e treinar até conseguir descobrir um modo de fazê-lo funcionar.

Esqueça estes desenhosAs Ubertricks deixarão até mesmo os jogadores “hardcores” — que estão acostumados com desafios intensos — frustrados. Os desenhos posteriores são simplesmente absurdos, exigindo movimentos complexos em um período de tempo normalmente curtíssimo. O pior de tudo é que para progredir no game as Ubertricks passam a ser essenciais a partir do segundo pico.

Nem mesmo o tutorial consegue salvar o jogador da frustração. Mesmo treinando, os Ubertricks sempre causarão problemas. Poucos jogadores conseguem dominá-las precisamente, pois é necessário descobrir a maneira exata de como realizar o movimento — a qual, infelizmente, é diferente da ilustrada.

Complexo demais

Definitivamente, SSX Blur não é um jogo do estilo “pegar e jogar”. Mesmo contando com um estilo arcade, é impossível jogar o game de primeira. Isso ocorre devido à complexidade dos controles. Aprender sozinho, sem a ajuda do tutorial, é algo que leva muito tempo, pois a EA utilizou quase todas as funções dos controles do Wii.

Alguns movimentos exigem uma sacudida no joystick, enquanto outros pedem para o jogador pressionar um botão. Contudo, há também ações em que o jogador deve apertar um botão e movimentar o controle ao mesmo tempo, o que acaba complicando sua vida. O tempo de aprendizado de SSX Blur é muito alto para um jogo no estilo arcade.

Você terá muitos problemas com os controles se não passar pelo modo Tutorial — que também deixa a desejar com sua metodologia pobre — e só deve dominar os controles depois de algumas horas, dependendo de sua habilidade. Sinceramente, a EA colocou comandos onde não deveria, abusando muito dos recursos do acelerômetro e do sensor infravermelho do Wii, fazendo de SSX Blur um jogo não indicado aos casuais.

Esquerda, direita, cima, 
sacode, gira, B, Z, C e a manobra está feita!

Faltou feijão

Outro problema que pode incomodar os jogadores em SSX Blur é a falta de profundidade. Para realizar manobras durante o Half-Pipe, por exemplo, tudo que o jogador tem de fazer é ficar sacudindo o Wii Remote e pressionando outros botões de modo aleatório. Resumidamente, não há profundidade nestas ações, e muitas vezes o jogador mal sabe o que está fazendo, mas deve continuar para ganhar pontos. Você simplesmente não se sente realizado quando faz determinada manobra — além das aterrorizantes Ubertricks, é claro.

Além disso, o modo multiplayer deixa a desejar pela falta de variedade, assim como pela ausência de suporte às partidas online. A variedade de manobras também decepciona por ser inferior aos games anteriores. Outro fator que merece ser mencionado é a similaridade dos ambientes em relação ao SSX 3. A equipe de desenvolvimento parece ter copiado as montanhas, algo que deixará muitos fãs, que esperavam por novos locais, furiosos.

Em termos de gráficos, o jogo também não chama a atenção. Além da direção de arte bacana, o título conta com texturas simples e muitas animações completamente mal feitas. Quanto ao som, JunkieXL dá conta do recado, mas logo as trilhas se tornam repetitivas. Os efeitos sonoros se limitam ao barulho da neve. Os personagens não falam e nem emitem qualquer som com suas vozes.

E, por último, a introdução do modo Slalom não é nada bem-vinda. Esta modalidade é extremamente tediosa, pois é necessário diminuir a velocidade de maneira brusca para conseguir progredir. Seria muito melhor se pudéssemos descer da prancha e realizarmos o percurso à pé.

68 wii
Regular