Análise de Star Wars: The Clone Wars - Republic Heroes

Nem mesmo o próprio Yoda poderia transformar Republic Heroes em algo aproveitável!

Star Wars: The Clone Wars — Republic Heroes é a prova cabal de que mesmo a maior simplicidade necessita de uma boa dose de talento. Após jogar o novo “shooter” da Krome Studios, você realmente entende que existia muito talento e empenho por trás de cada adaptação histriônica da série Lego Star Wars. Isso porque, basicamente, a proposta aqui é a mesma (excluindo-se, talvez, o humor despretensioso); mas o produto final é muito... muito diferente.
 
Até que a idéia é boa...Da mesma forma que acontecia nas adaptações em cubos de montar, a ideia por aqui realmente não vai muito além de destroçar dúzias e mais dúzias de inimigos dispostos em ondas potencialmente infinitas. Tudo bem. Até aí nenhum problema. Até por que, diversos outras franquias já deixaram uma boa marca apoiada em jogabilidades menos elaboradas — é só lembrar de Splosion-Man ou, voltando “um pouco” mais no tempo, Contra.
 
O problema é que nada aqui funciona como deveria. Não que a coisa toda não inicie com o pé direito, já que o conceito geral de Republic Heroes encontra-se firmemente ligado à história desenvolvida em torno das Guerras dos Clones — com todos os personagens clássicos da série, como Anakin Skywalker, Obi-Wan Kenobi e o padawan Ahsoka Tano, ou ainda o famigerado Conde Dooku (cuja tradução, a fim de evitar ambiguidades óbvias, transformou em Dookan).
 
Entretanto, no momento em que você assume o controle do ainda politicamente correto Anakyn Skywalker, é fácil perceber que não se trata de mais um projeto simplista da Traveller’s Tales. Os comandos são pouco responsivos, os gráficos quase geram saudosismo — já que lembram os bons dias do PlayStation 2!
 
No mais, todo o cenário se apresenta completamente confuso às vezes, tornando parte da jogabilidade um constante salto de fé, conforme você se pergunta: eu devo pular sobre aquele cano, ou sobre a plataforma ao lado?
Aí depende. Se você comporta bem a ideia de jogar algo simplesmente para rir dos infindáveis “glitches”, “bugs” e afins, ou ainda para compartilhar algumas horas de batalhas genéricas e mal elaboradas com aquele se bom amigo, então talvez até valha. Do contrário...


Star Wars: The Clone Wars — Republic Heroes é provavelmente um dos aportes mais frustrantes da fórmula simples e emblemática cunhada pela Traveller’s Tales para a marca Lego. Não que a ideia original não seja boa: guerras clônicas, clima afinado com a concepção original da série, diversão multiplayer, etc.

O problema é que nada aqui saiu como deveria, revelando-se antes como um espetáculo de erros gráficos, inimigos genéricos e jogabilidade equivocada. Nem mesmo o próprio mestre Yoda será capaz de evitar que Star Wars: The Clone concorra ao inglório título de “pior jogo de 2009”.

Fiel ao estilo das séries animadas

Conforme mencionado acima, talvez um dos poucos pontos positivos de Republic Heroes seja o fato de o título se manter consideravelmente fiel aos ambientes, história e personagens da série televisiva Star Wars: The Clone Wars. Mesmo a estética dos personagens e cenários respeita os traços originais das séries animadas — perceba, nós não estamos falando da qualidade dos gráficos aqui, apenas do estilo geral.

Para quem não acompanhou muito de perto as complexas reviravoltas que envolvem o arco de histórias de Clone Wars, vale aqui um breve resumo. As chamadas Guerras dos Clones (ou Guerras Clônicas) abarcam uma série de conflitos durante um período de aproximadamente três anos entre a República Galáctica e a Confederação dos Sistemas Independentes. Os conflitos tiveram o seu início no intervalo entre os episódios II e III da série principal de filmes.

Basicamente, essas guerras devem o seu nome à imensa quantidade de clones do mercenário Jango Fett que abarrotam as linhas de batalha. Trata-se de um exército geneticamente modificado que é programado para ser um tanto mais submisso que a sua matriz genética. No final desse arco de histórias, surge então o Império Galáctico.

Bem, e isso ajuda a tornar as coisas pelo menos um pouco mais interessante em Republic Heroes? Infelizmente, não. Mas, de qualquer forma, trata-se de um bom apelo para aqueles fãs mais ferrenhos da série; fãs dispostos a deixar de lado uma jogabilidade sofrível, gráficos primários e um uso nitidamente falsificado da Força.

Pelo menos é multiplayerDividindo a coisa toda com um bom amigo... fica quase divertido

Republic Heroes ao menos é capaz de suscitar uma filosofia parecida com a de Scooby-Doo: First Frights. Basicamente, o que você pensa é: “tudo bem, a qualidade é questionável. Mas pelo menos eu posso compartilhar isso com alguém!”. Quer dizer, embora não traga nenhuma possibilidade de jogatina online, pelo menos você poderá chamar alguém para dividir os controles e as escorregadas do jogo.

Até por que, depender de um parceiro controlado pela I.A. de Republic Heroes realmente não é uma boa alternativa — confira maiores detalhes no tópico “Reprovados”, abaixo.

Estilo gráfico: a intenção pelo menos foi boa

Sim, é verdade que Republic Heroes compete em quantidade de quadriculados com alguns dos melhores jogos do finado Atari 2600. Mas não se pode negar que pelo menos a intenção da desenvolvedora Krome Studios foi legítima. Em suma, todos os traços característicos dos personagens — cabeças gigantescas e traços estilizados —, ambientes (Genosis, corredores de naves megalômanas, e tudo o mais que sempre trouxe a assinatura de Star Wars).

Que tal trocar esse boné pela cabeça Chewbacca?

Não que seja realmente um quesito de muita qualidade. Entretanto, é inegável que as diversas possibilidades de personalização acrescentam um pouco de humor ao jogo.

Em outras palavras, quando você não estiver rindo dos péssimos gráficos, da jogabilidade confusa ou do Q.I. de rúcula do seu parceiro controlado pela I.A., pode se divertir um pouco trocando a prosaica cara do protagonista pela cabeça de um Wookiee ou ainda de um lorde Sith.

Vaí aí uma máscara de Lorde Sith? Preço de banana!No mais, a simpática loja in-game de Republic Heroes ainda traz diversos combos, armas e mais um grupo de estranhíssimos “itens” que fazem com que um androide dance de forma absolutamente patética pelo cenário. Mas, cá entre nós, no fim das contas o que vale mesmo a pena é pagar alguns milhares de pontos para desfilar entre “glitches” e inimigos genéricos utilizando a cabeça do mestre Yoda — realmente impagável.

Jogabilidade: Um Jedi obtuso


A bem da verdade, isso pouco importa, já que para ambos os casos a jogabilidade é, no melhor das hipóteses, risível. Mas, basicamente, a coisa funciona da seguinte forma: as mais de 30 missões trazidas por Republic Heroes são divididas entre fases com cavaleiros Jedi e fases com Clones. Tão óbvias quanto as diferenças entre ambas as jogabilidades são os “bugs” terríveis que permeiam cada movimento, cada salto, cada arma imprecisa.

Nas fases em que você controla um Jedi, o problema maior serão realmente os buracos — abundantes e, aparentemente, magnéticos! Isso se deve à movimentação terrivelmente frouxa dos personagens. Em outras palavras, é praticamente impossível que mesmo o mais talentoso Jedi consiga entender comandos absolutamente simples do controle, como andar e parar em um local específico.

No mais, os personagens trazem aqui simplesmente uma utilização das mais genéricas da Força, o que absolutamente não condiz com a história original — mesmo que você resolva considerar a controversa explicação baseada em midi-chorians trazida por Star Wars Episódio I: A Ameaça Fantasma.

Jogabilidade: Um clone com sérios problemas de visão

Bem, eis que surgem então as fases em que você deve controlas um dos infindáveis clones de Jango Fett. Em primeiro lugar, magicamente, você simplesmente deixará de pular, limitando-se a — na melhor das hipóteses — rolar. Para atirar, é possível tanto utilizar o gatilho do controle quanto o direcional analógico direito. O problema é que nenhuma das duas formas realmente funciona.

Basicamente, mirar aqui é simplesmente impraticável. Encontrar uma linha de tiro é praticamente impossível, novamente pelos já mencionados problemas com os comandos. Dessa forma, a atitude mais sensata é simplesmente sair atirando freneticamente pelos cenários. Afinal, a munição é infinita mesmo. Enfim, absolutamente frustrante, mesmo para quem jogava títulos como Super Turrican ou Contra nas gerações mais antigas de consoles.

Cenários e câmera: uma dupla verdadeiramente tenebrosa

Conforme mencionado em tópicos anteriores, parte fundamental da “idiossincrática” jogabilidade de Republic Heroes vem do design muitas vezes equivocado dos cenários do jogo. Em alguns momentos você simplesmente não vai saber o que fazer, se pular sobre um cano, ou se arriscar até uma plataforma improvável. Quer dizer, o que exatamente o jogo espera que você faça? Surgem então os saltos de fé: tente a sorte! Caso a sua aposta não seja a correta, o chão é o limite.

Relaxa. A câmera é sua amiga... ou não!Entretanto, justiça seja feita, os cenários mal desenvolvidos não são os únicos responsáveis pela jogabilidade confusa de Republic Heroes. Existe também a câmera. Algumas vezes ela estará muito longe, outras vezes pegará o personagem de costas quando é necessário pular entre plataformas. Em outras ocasiões ainda rodopiará sem prévio aviso ou motivo aparente, levando o infausto herói novamente para um dos vários buracos do jogo. Trágico.

Inimigos a granel

The Clone Wars — Republic Heroes realmente conferiu novo sentido aos termos “inimigos genéricos”. São ondas e mais ondas dos mesmos inimigos, que atacam sempre do mesmo jeito, e se comportam sempre da mesma forma. Simplesmente não há mais absolutamente nada para se fazer. Ou melhor, há.

Em alguns momentos, caso não esteja cansado de metralhar inimigos com o seu clone, você poderá... metralhar mais alguns inimigos! Isso porque, em determinados pontos do cenário, você e o seu companheiro — seja ele de carne e osso ou a atrapalhada I.A. do jogo — serão convidados para uma rápida (e cansativa) fase “rampage”.

O ideia é absurdamente simples: em meio às infindáveis ondas de inimigos genéricos, o jogo traz novas ondas de inimigos genéricos. Mas tudo bem. Pelo menos agora você terá um timer limitando a dolorosa experiência!

Terrivelmente fácil

Embora no início de Republic Heroes apenas o nível de dificuldade mais fácil (padawan) esteja disponível, mesmo o nível mais intrincado não será capaz de disfarçar uma característica óbvia do título: o jogo é simplesmente tão fácil que beira o ridículo! Mesmo com diversos inimigos na tela, mesmo com androides maiores, e mesmo com os chefões. A única forma de se conseguir um pouco mais de dificuldade aqui é compartilhando as fases com a atrapalhada I.A. do jogo.

I.A. (idiotice antológica)

Sem meias palavras: a I.A. (inteligência artificial, na sua concepção original) de Republic Heroes é uma comédia à parte. O seu descerebrado companheiro controlado pelo computador faz de um tudo: estagna na frente de chefes tomando raios sem esboçar reação; cai em buracos repetidas vezes (tudo bem, você também vai cai, então essa até passa); ou, finalmente, executa movimentos absurdos sem prévio aviso. Um primor, realmente.

Puzzle, para quê te quero!

Puzzles: qualquer Q.I. maior que 20 resolve sem problemas

Talvez para acrescentar algo um pouco mais pensante, a Krome Studios resolveu acrescentar a Republic Heroes alguns puzzles aqui e ali. Ledo engano. Tais desafios se resumem a: (a) enfiar a espada na cabeça de androides para controlá-los utilizando a Força — alguém lembra de ter visto isso em algum filme? — e (b) abrir geringonças e ligar mecanismos através de combinações lógicas absurdamente primárias.

Enfim, não é divertido. Trata-se simplesmente de algo para separar uma leva de inimigos genéricos de outras, acrescentando alguns minutos a mais à tortura do modo campanha.

43 ps3
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