Como um bom jogo de zumbis deve ser

Pare e pense, por um momento, no que realmente representaria um apocalipse zumbi. Digamos, se um exército de carne putrefata faminta por cérebros de fato despontasse no horizonte enquanto você ouve aquele seu álbum favorito, assiste a um filme noir... Ou pesca com um bom amigo em algumas preciosas horas longe do caos da cidade grande.

Parece um pouco mais assustador do que encarnar um Rambo genérico pesadamente armado? Bem, pois esse é exatamente o caso de State of Decay, um título de US$ 20 (cerca de R$ 45) que, embora cometa sua dose de deslizes, certamente é capaz de mostrar a alguns figurões da indústria o “feeling” necessário para se criar um bom game de zumbis.

Aqui você assume o papel de Marcus, um sujeito que cai justamente no terceiro dos cenários hipotéticos acima. Juntamente com seu bom camarada Ed, Marcus parte para um camping para dar sossego aos nervos e tentar fisgar alguma coisa — Ed, por outro lado, parece menos interessado nos peixes do que em uma atendente “com bigode” encontrada na cidade próxima.

Em suma: sujeitos comuns, com “armamentos” comuns e que, mesmo quando a $#!@ toda é atirada ao ventilador, nem sequer imaginam o porquê de pessoas com feições e comportamentos animalescos terem invadido o acampamento. E é aí que a coisa toda parece realmente merecer o título de “survivor” — um jogo de sobrevivência.

Você precisará lançar mão do que tiver mais próximo para acertar as cabeças descarnadas dos seus inimigos, e também será obrigado a formar uma pequena “sociedade” com quem quer que se possa encontrar pela floresta — possivelmente na mesma condição de desespero e desinformação que você e seu amigo atraído por bigodes. Mas há mais nesta proposta singular da pequena Undead Labs.

Em meio a um verdadeiro oceano de carne putrefata que perpassa o cinema, a TV e, naturalmente, os video games, State of Decay realmente consegue apresentar uma fórmula nova e coerente envolvendo zumbis. E mais: mesmo sendo um game relativamente pequeno (e barato), o título da Undead Labs consegue merecer plenamente a categoria de “jogo de sobrevivência”.

Você aqui é um sujeito comum, com armas comuns diante de uma verdadeira infestação de zumbis. Sim, há alguns equívocos, há paredes “atravessáveis” e por aí vai. Mas, ainda assim, é impossível não reconhecer um genuíno esforço criativo aqui. Certamente vale a pena deixar aquele seu blockbuster de zumbis de lado, pelo menos um pouco.

Um verdadeiro jogo de sobrevivência

Conforme mencionado acima, State of Decay é realmente um jogo que se pode chamar de “survivor”. Aqui você é um sujeito comum, com armas comuns (a maior parte improvisada) e com um sidekick também incrivelmente normal. Mas os zumbis estão à espreita e, portanto, algo precisa ser feito.

Dessa forma, seguindo em uma completa ignorância do que realmente pode se passar ao seu redor, você precisará coletar tudo o que puder — acomodando dentro da sua pequena mochila —, a fim de sobreviver por tempo suficiente para entender alguma cosia. Sim, isso pode ser muito divertido.

Ninguém vai te pegar pela mão aqui

State of Decay faz parte de uma safra relativamente recente de jogos que, no bom sentido, “não dão a mínima para o jogador”. O tutorial aqui é mínimo, de maneira que você precisará aprender as coisas “na raça” — na base da tentativa e erro, realmente.

E essa inclinação perpassa também a história. Não há uma animação inicial explicando como um laboratório desconhecido do governo deixou escapar um terrível vírus “zumbificador” — o que seria seguido por um convite ao herói, um militar de alta patente e pesadamente treinado... Nada disso.

Nesse ponto, State of Decay segue a tradição de contar histórias indiretamente — o que pode ser encontrado, por exemplo, em Demon’s Souls e Dark Souls. É apenas aos poucos, e procurando ativamente, que você finalmente começara a entender o que houve com o mundo.

Um belo mundo aberto

Há um belo mundo de jogo aberto aqui, algo que com certeza não é muito comum em jogos de zumbis. Há diversas áreas para explorar, todas forradas de recursos, pessoas para salvar etc.

E há também os carros: embora a mecânica não seja exemplar, trata-se de um belo recurso para dar mobilidade ao jogo. Além do que, destroçar zumbis com a porta de um sedã é realmente divertido.

Paredes atravessadas e cores cambiantes

Sim, trata-se de um jogo de US$ 20. Mas, mesmo assim, é impossível fazer vista grossa para a qualidade gráfica aqui. É bem verdade que gráficos tridimensionais como o de State of Decay seriam completamente impensáveis para jogos de menor porte há alguns anos. Só que isso não elimina a aporrinhação de atravessar paredes, de encontrar inúmeros pop-ins e de ver zumbis atravessando paredes.

Um modo cooperativo faria muito bem

Justiça seja feita: a Undead Labs realmente “tentou” incluir um modo cooperativo aqui. Entretanto, acabou não ocorrendo... E é realmente difícil evitar a decepção por essa ausência. De fato, o formato é incrivelmente favorável à jogatina compartilhada. O negócio é esperar por uma sequência — uma com um pouco mais de verba no cofre, possivelmente.

85 xbox-360
Ótimo