Tequila volta à ação mais violento do que nunca no Xbox 360.

John Woo é considerado um dos grandes diretores de filmes de ação da atualidade. O chinês, que iniciou sua carreira em Hong Kong no início da década de 70, dirigiu sucessos Hollywoodianos como “A Outra Face”, “A Última Ameaça” e “Missão Impossível 2”.

Entretanto, apesar de ter dirigido atores de renome mundial como Jean Claude Van Damme, John Travolta, Nicolas Cage e Tom Cruise, os fãs do cinema de John Woo reconhecem grande parte dos seus méritos num ator de muito menos renome: Chow Yun-Fat é a grande estrela dos primeiros filmes de John Woo.

Um dos filmes em que o ator chinês foi dirigido pelo cineasta antes de sua fama chegar ao Ocidente foi Hard Boiled, em que Chow Yun-Fat encarna o inspetor Yuen — cujo apelido é Tequila — um agente da polícia de Hong Kong combatendo a temida máfia chinesa Tríade.

Stranglehold surge como uma seqüência deste filme: nele o jogador entra na pele do Inspetor Tequila, que desobedece ordens diretas do seu capitão e vai em busca de informações sobre o tráfico de drogas em Hong Kong. O que ele encontra, porém, o conduz a uma sangrenta viagem até Chicago.

Enredo que nada! O assunto é sangue!

Se Hard Boiled já demonstrava certa tendência para a violência gratuita em um enredo que servia, basicamente, como uma desculpa para tiroteios sem fim, sua versão para videogame não poderia ficar atrás.

O jogo da Midway Entertainment se passa vários anos após os eventos de Hard Boiled, porém quase nada mudou: Tequila ainda é um agente da polícia de Hong Kong e mantém sua arrogância no nível máximo.

O jogo inicia quando uma ligação para o distrito de polícia em que o protagonista atua avisa que há uma informação sobre o paradeiro de um policial desaparecido presa no painel abaixo de uma placa, mas que apenas um homem deverá adentrar o bairro — conhecido por sua violência — para buscar a pista.

Apesar do capitão decidir que um esquadrão treinado irá invadir o beco e conferir a veracidade dessa informação, Tequila o ignora por completo e ruma em direção ao ponto de encontro. Já era de se esperar que essa atitude resultasse num belo tiroteio e, daí para a frente, o jogo é regido a um sonoro concerto de pistolas, espingardas e fuzis.

O gatilho mantém-se pressionado do começo ao fim

Stranglehold esbanja de muita ação em batalhas onde acabar com a munição é apenas para o mais descuidado dos jogadores e, em contrapartida, oferece um enredo pouco envolvente que chega a ser dispensável.

Porém, ainda que jogadores mais interessados em histórias bem elaboradas do que numa pancadaria infinita demonstrem-se contra esse tipo de jogos, poucos irão reclamar que Stranglehold não oferece diversão de alto nível.

O jogo consiste basicamente em invadir, matar e, vez ou outra, destruir o local. Porém a Midway cuidou para inserir uma leve variação entre os níveis, aumentando consideravelmente a vida útil do jogo, que não enjoa fácil.

Apesar de ser um game de tiro e não oferecer muita variação nos modos de ataque, a realização dos combos foi muito bem desenvolvida e realizar uma chacina em situações adversas poderá contar pontos importantes para que o jogador complete os níveis com perfeição.

Esses pontos de combo são contados pela forma da morte do adversário. Atingir, por exemplo, a testa, conta pontos diferentes aos de um tiro nas partes íntimas do mafioso, que por sua vez diferem de uma seqüência de perfurações no peito. E pelo jogo ser voltado para o público adulto, o segundo exemplo é o que mais pontua entre os três.

Outra coisa que poderá render mais pontos de combinação são ataques usando o Tequila Time, bem como realizar frags durante um salto ou algum tipo de interação especial com o cenário do jogo.

A câmera do jogo é a única coisa que atrapalha sua jogabilidade. É difícil combater hordas de mafiosos entrando de todos os lados girando a câmera e o personagem ao mesmo tempo. O mesmo problema é constatado ao subir ou descer escadas de encontro aos adversários.

A jogabilidade de Stranglehold parece, em suma, um aperfeiçoamento da série Max Payne, que apresenta os mesmos tipos de saltos, assim como o slowmotion — que aqui ganhou o nome Tequila Time, mesclando referências ao apelido do protagonista e ao efeito Bullet Time, do filme Matrix.

Cardápio variado

Existem, entre alguns dos níveis, espécies de minigames que oferecem uma experiência um pouco diferente para cada fase, quebrando a repetitividade de simplesmente matar mafiosos num jogo em terceira pessoa.

Em um deles, a câmera se aproxima de Tequila, que fica parado mirando os adversários com suas pistolas e deve então atingi-los na seqüência definida pelo jogo. O herói pode desviar das balas, inclinando seu corpo num movimento de origem bem conhecida: Matrix.

Noutro, Tequila sobe em um helicóptero e usa a metralhadora fixa da máquina. Neste momento o jogo ganha perspectiva de primeira pessoa e você deve atacar barcos ao redor do mapa, aniquilando o maior número possível de adversários.

Além dos minigames, outra forma de variação entre os níveis foi utilizada: enquanto no primeiro nível o jogador só precisa furar os criminosos e sair vivo, a partir do segundo capítulo isso muda de figura.

Tequila ainda precisa dar conta dos adversários, mas também destruir as mesas de produção existentes no laboratório de drogas. Isso representa uma leve mudança na experiência, prolongando a diversão e adiando o cansaço por repetitividade. Além disso, a seqüência deste nível envolve plantar bombas em alguns pontos estratégicos do cenário.

No terceiro capítulo, quando o investigador resolve fazer uma visitinha a um restaurante da máfia chinesa, ganha dois cases de guitarra repletos de armas (lembram de “A Balada do Pistoleiro”?).

Este nível é uma arena onde Tequila esvazia o pente nos adversários, mudando totalmente o esquema de jogo com relação às fases anteriores, que traziam uma sensação de plataforma. Defina dois pontos estratégicos e posicione seus cases ali, passando por eles de tempos em tempos para recarregar munições, bem como sua vitalidade.

Um arsenal convidativo

As armas do jogo também chamam a atenção, e nelas consiste um dos poucos defeitos visíveis de Stranglehold: Como as duas Beretta são uma marca registrada do protagonista e, por conseqüência, do jogo, elas estão presentes em todas as cinematics, e o jogador sempre perde  uma das armas que detém no início de cada nível para ganhar o par de pistolas novamente.

Ao invés disso, poderiam ter criado mais um slot para as pistolas, afinal, se o tira consegue carregar um lança-foguetes e uma M249 — a metralhadora do Rambo — ao mesmo tempo, qual é a diferença de portar um par de pistolas?

Fora essa falha técnica, o arsenal está realmente caprichado, com dois pares de pistolas — sendo uma delas a poderosa Golden Gun —, um fuzil de assalto, uma espingarda calibre .12 e diversas outras armas poderosíssimas.

O interessante é que, como Stranglehold não procura, em momento algum, ater-se à realidade, vai ser bem difícil acabar com sua munição, afinal o jogo é baseado nos típicos filmes de ação onde os pentes são praticamente infinitos.

Por incrível que pareça, isso não revolta nem mesmo os jogadores mais sérios, que ficam entretidos na experiência de arrasar o cenário junto dos adversários, e nem percebem a munição quase interminável.

Tequila Time e Tequila Bombs são o que fazem do jogo uma atração.

A grande diversão do jogo está nas habilidades especiais que Tequila adquire. Desde o início do jogo, está disponível o Tequila Time, onde a tela toda fica num tom vermelho pulsante e o tempo desacelera, permitindo ao jogador analisar melhor suas ações em ataques a vários inimigos simultâneos.

Mais três habilidades são adquiridas no decorrer dos níveis — chamadas Tequila Bombs — e cada uma delas pode ser ativada pressionando um dos lados do direcional do controle. Para poder utilizar as Tequila bombs, é preciso encher uma barra circular verde que permite

O primeiro, “Precision Aiming”, oferece um zoom acompanhado da câmera lenta, e quando o jogador atira, a câmera acompanha o projétil, apresentando um ângulo bastante interessante da morte do adversário, que gira lentamente rumo ao outro mundo.

A segunda habilidade adquirida chama-se Barrage, e é uma chuva de balas que não utiliza os projéteis do jogador. O personagem troca o pente da arma e usa projéteis de maior dano, além disso o tempo desacelera numa taxa quase insignificante, e o jogador pode lavar o cenário de sangue, atirando aleatoriamente ao melhor estilo dos filmes de John Woo.

A última dessas habilidades é um giro (para variar, em câmera lenta) chamado Spin Kill em que Tequila fuzila todos os “bandidões” presentes no cenário, enquanto pombas brancas — uma das marcas registradas do personagem ao lado de seu par de pistolas — levantam vôo em torno do tira.

Acabe com o cenário, peneirando tudo com fuzis e espingardas.

O forte de Stranglehold definitivamente não está nos gráficos, que apesar de consistentes e sem bugs, trazem texturas pobres e um jogo de iluminação que deixa muito a desejar, principalmente nas cinematics. Mas se por um lado o visual do jogo não agrada muito, por outro, a interação com o cenário impressiona.

Essa interação é notada ao descer uma escada escorregando pelo corrimão ou escorar-se em colunas e mesas para usá-las como escudo, mas isso não é o que o cenário oferece de melhor, e sim, sua destrutibilidade.

No primeiro nível do jogo, por exemplo, enquanto o jogador luta contra membros da Tríade em um mercado a céu aberto, é possível atirar em botijões de gás de cozinha para matar os criminosos, bem como destruir a sustentação de plataformas repletas de caixas e barris para amassá-los.

As colunas também são destrutíveis — até demais, em alguns casos —, bem como as paredes improvisadas das construções (lembrando uma favela) próximas à praia no laboratório de produção de drogas que é cenário para a segunda fase de Stranglehold.

Efeitos de áudio e trilha sonora excelentes.

O que faltou de atenção às texturas do jogo coube de sobra em sua trilha sonora, bem como nos efeitos de áudio, dignos de cinema. Talvez por ser baseado em um filme, e seguir o gênero de John Woo bem de perto, o game introduziu uma ambientação excelente que faz o jogador mergulhar no tiroteio com toda sua atenção.

Não pense duas vezes e lave sua honra com o sangue dos culpados!

Se sua sede de sangue é superior à de um enredo complexo e o que você gosta mesmo é de incursões movidas apenas a tiros, onde a única estratégia é lançar os corpos adversários ao chão, Stranglehold foi concebido especialmente para você.

Nos tempos atuais, mesmo jogos tão violentos quanto God Of War II exigem estratégia e raciocínio lógico, além de contarem com um enredo complexo e muito profundo, pode soar estranho elogiar tiroteios como os deste game, mas pondo de lado as convenções sociais, o fato é que videogames foram feitos para entreter o jogador, e Stranglehold cumpre essa função com louvores.

Dar muitos tiros só para matar traficantes malvados e ouvir discussões repletas de arrogância entre Tequila e seu capitão, portanto, são motivo de sobra para qualquer fã de violência gratuita deixar de lado os gráficos empobrecidos e mergulhar na experiência profunda do jogo produzido por John Woo.
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Bom