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Ritmo frenético faz de Strider uma releitura obrigatória para fãs e novatos

Bruno Micali

Em plena época de entressafra (e clima carnavalesco), Strider, com seu ritmo frenético e quase “dançante”, chega num período em que o debate em torno da dificuldade nos games está em alta. Para bem ou para mal, o game da Capcom faz jus à fama e traz uma belíssima releitura do jogo que se consagrou na década de 1990, sendo versátil o suficiente para agradar veteranos e novatos – e também gregos e troianos.

Com forte apelo ao nicho entusiasta e ao mesmo tempo um deleite para os novatos de plantão, Strider é um side-scrolling rápido que chega ao PlayStation 3, PlayStation 4, Xbox 360, Xbox One e PC como uma grande promessa da Capcom, dona da clássica franquia, que nasceu em 1989.

A frenética aventura mostra Strider Hiryu, que age como uma espécie de justiceiro num futuro distópico, em que robôs e engrenagens se misturam a decorações rústicas, muita neve russa e palácios gigantescos. Acredite: usar e abusar da Cypher – em inimigos mais inteligentes – nunca foi tão gostoso. A alta definição agradece.

Jogabilidade rápida, aprimorada e sem rodeios – com um belíssimo visual

Uma das principais características de Strider é seu ritmo incessante e cheio de armadilhas. É tarefa ferrenha não poder contemplar por muito tempo os lindos cenários de fundo, pois o trabalho que a Double Helix fez em parceria com a Capcom ficou refinado. Os inimigos não dão trégua e atiram no protagonista o tempo inteiro. Mas vejam só: a principal arma de Hiryu é a espada Cypher, ou seja, é preciso se aproximar dos oponentes para golpeá-los.

Essa é uma situação interessante que o game impõe ao jogador: o combate corpo a corpo. Parte do desafio jaz na habilidade de correr, pular e desviar dos tiros e obstáculos para alcançar os inimigos e derrotá-los. Não há necessariamente um “escudo” para Hiryu, ainda que o personagem colete diversos upgrades ao longo de sua jornada, que deve durar 8 a 10 horas para marinheiros de primeira viagem que não se dedicarem tanto à exploração. A ausência de uma defesa mais efetiva é um tempero apimentado.

O gameplay é frenético, sem pausas, o que acaba distanciando Strider de um mero conceito categorizado como plataforma. Aqui, temos um side-scrolling que não dá muitas brechas para hesitação do jogador, bem no estilo dos grandes clássicos do passado, como Ninja Gaiden, Shinobi, Gunstar Heroes, Contra e outros títulos.

Mas Strider tem o cobiçado tempero do “algo a mais”. Não é só a jogabilidade – que requer talento e reflexos aguçados – que diverte. O game oferece, em contraste, o fator exploração. O jogador precisa ter “sobriedade” suficiente para encarar um mapa gigantesco do mundo de jogo – bem no estilo “Metroidvania”, em que é necessário coletar upgrades lá na frente para retornar a um ponto prévio e acessar áreas antes inalcançáveis.

Admirável mundo novo – e como é explorável!

Conforme mencionado, fãs de Castlevania e Metroid (o neologismo “Metroidvania” vem daí) certamente se sentirão em casa com Strider. A fórmula do “pegue um item lá na frente e volte para alcançar pontos antes não acessíveis” é empregada com maestria no jogo da Capcom. E, aos moldes do Strider clássico, a Double Helix fez questão de deixar os colecionáveis bem ocultos aos olhos do jogador.

Há diversas localidades para serem exploradas na distópica Kazakh City, que se ramifica em Historical District, Residential District, Military Ring e mais. Cada local traz belas variações de cenários sem jamais perder o tempero da série: neve caindo incessantemente, arquiteturas colossais e palácios, muitos palácios. Seriam os “castelos” do jogo, pois o mapa inteiro é uma dungeon.

Apesar de existirem variações, há sempre uma constância na fórmula. Os cenários são lindos e contam com belas animações de fundo que vez ou outra se mesclam à ação principal, mas há sempre uma sensação de “déjà vu” em função da frequente paleta de cores e dos inimigos – em sua maioria, sempre atirando, atirando e atirando. Alguns podem entender essa proposta como uma repetição, outros podem encarar como um desafio – independentemente da interpretação, a diversão dificilmente será comprometida.

Cypher e Options: fatiando tudo com muito estilo e acrobacia

“Option” é a denominação que o jogo dá a uma espécie de arma secundária que pode ser acionada para que Hiryu ataque os inimigos à distância. Existe uma barra logo abaixo da energia do herói que representa o medidor desse ataque de apoio.

A ofensiva se mostrou excelente para enxugar uma tela abarrotada de inimigos, e o medidor tem recarga automática com o tempo. Existem variações dos Options, cada qual trazendo vantagens para determinadas situações. Esse recurso adicional é uma mão na roda para elaborar estratégias contextuais.

O consagrado pulo duplo, habilidade imprescindível em praticamente qualquer jogo do gênero, também está presente em Strider e, seguindo a fórmula tradicional da exploração, é um upgrade que deve ser encontrado. Após absorver a habilidade, o jogador pode retornar a trechos prévios do mapa para alcançar locais antes inacessíveis e buscar mais upgrades – que podem aumentar a energia, a barra de Option, diminuir o tempo de recarga etc.

Há também colecionáveis estrategicamente escondidos que desbloqueiam artes conceituais, fichas dos personagens, descrição de cada localidade e mais. Os exploradores de plantão certamente levarão mais de 15 horas para terminar o jogo com o mapa destrinchado na íntegra.

Por falar em upgrades, aliás, você dificilmente vai querer deixar que eles passem batidos. Alguns chefões são consideravelmente desafiadores e requerem que Hiryu esteja bem equipado para enfrentá-los. Strider é difícil, porém justo: à medida que o grau de dificuldade aumenta, o protagonista também fica mais forte.

Chefões em doses épicas

Não muito tempo após um novo jogo ter sido iniciado, o chefão Ouroboros MKIII, ou “The Armored Dragon”, aparece. Trata-se de uma espécie de dragão gigante que requer que seus tubos frontais sejam destruídos para ser derrotado. O animal robótico não é muito difícil, mas requer timing e paciência por parte do jogador – e a paciência é uma arte aqui, pois o ritmo é rápido e não dá brechas para contemplação ou hesitação. Atire (ou melhor, fatie) antes e pergunte depois.

Outro épico chefão é o caçador de recompensas Rival Solo, que sobrevoa o cenário e ataca Hiryu com ao menos cinco variações de golpes. Ao longo do jogo, outros membros do exército de Meio, governado pelo tirano General Mikiel, tentam deter Hiryu. É Mikiel, aliás, que controla as forças policiais de Kazakh City, as operações do governo e quaisquer outros procedimentos militares, digamos, corruptos. O habitat é completamente hostil.

Poucos puzzles, e bem simples

Tomando por base seu precursor de 1989, Strider não se resguarda a fórmulas complexas ou outros ingredientes utilizados nos games de side-scrolling da atualidade. O segredo aqui é ter bons reflexos e timing para dilacerar inimigos e passar por sequências de plataforma.

A proposta é essa: deixar o jogador “vulnerável” o tempo todo, com uma sensação de desconforto onipresente. Portanto, não há muitos puzzles ou estratégias mirabolantes para atravessar determinados trechos ou abrir certas portas. Isso está mais para uma característica de Strider do que para um defeito, ainda que alguns – talvez os novatos – possam chiar com a ausência desse tipo de desafio.

Modo Survival: longevidade ao título

Para aumentar a longevidade do game, Strider conta também com um modo extra chamado “Survival”, ideal para aqueles que curtem um desafio masoquista.

O modo segue a fórmula clássica em que ondas de inimigos brotam na tela e aumentam à medida que o jogador progride. Só que não há qualquer recuperação de energia ao longo do processo – a não ser uma ou outra coisinha que algum inimigo derruba –, ou seja, poupe suas energias e calcule seus movimentos friamente, pois o modo definitivamente garante longevidade ao título e confere uma experiência que pode ficar insanamente difícil.

Atual geração vs. próxima geração: evolução gráfica significativa

Apesar de não haver uma disparidade gráfica entre o game da atual geração (ou já seria anterior?) e a versão next-gen, há diferenças típicas que podem ser notadas nas duas experiências.

A começar, é claro, pela fluidez. Ao rodar a versão de PS4, o impacto que os 60 fps em 1080p têm ilustra bem a cratera de qualidade entre os hardwares. O jogo é ainda mais rápido na próxima geração, sem apresentar qualquer slowdown ou problemas com buildings de texturas, com melhor fluidez e sagacidade nas partículas.

Partículas que, aliás, estão presentes com mais volume na versão next-gen. A neve caindo incessantemente está praticamente intacta nas duas versões, mas o preenchimento dos cenários, principalmente nos planos de fundo, está maior.

Os eventuais serrilhados também aparecem com menos frequência na próxima geração, outro reflexo natural de um produto que usufrui de um hardware superior. Não arrisco dizer que uma versão é "rascunho" da outra – a natureza side-scrolling de Strider aproveita bem qualquer hardware, seja da atual ou da próxima geração –, mas ouso pincelar melhores tons de iluminação e shading no game para PS4 e Xbox One.

Independentemente da opção que estiver ao seu alcance, a essência frenética de Strider jamais é posta em xeque.

Um brinde aos nostálgicos e convite aos novatos

Utilizei essa mesma frase que você leu acima na primeira prévia de Strider, e a repito aqui. O game é maduro, robusto e perigosamente viciante, com todos os ingredientes que os fãs de plataforma/ação em side-scrolling esperam – e com todo o charme da Double Helix em parceria com a Capcom.

Ainda que exista uma constância no ritmo frenético – gerando margem para a repetição – e a ausência de um desafio mais “cerebral” por quase não ter puzzles (os que existem são muito simples), a releitura da saga de Hiryu será degustada com louvor e diversão por aqueles que curtem o gênero.

A trilha sonora nostálgica e condizente com os temas do jogo original, as mecânicas de gameplay e o grau de dificuldade certamente vão agradar os entusiastas que buscam um desafio maior numa era em que os games estão cada vez mais didáticos.

Ao mesmo tempo, Strider convida os jogadores novatos a experimentarem um tempero pouco usual nos games de plataforma atuais e oferece diversão na mesma proporção.

Strider está disponível para PlayStation 3, Xbox 360, PlayStation 4, Xbox One e PC.

85 ps4
Ótimo
"Maduro, robusto e perigosamente viciante, Strider é uma releitura imprescindível com todos os ingredientes que fãs de ação em side-scrolling esperam."

Pontos Positivos

  • Bela releitura de um clássico
  • Side-scrolling com ritmo frenético e chefões épicos
  • Muitos colecionáveis e upgrades num mapa gigantesco a ser explorado

Pontos Negativos

  • Desafio que se restringe ao combate, com poucos e simples puzzles
  • Ação pode se tornar repetitiva em alguns momentos

Outras Plataformas

80 ps3
80 xbox-360