Mesmo com cara de atualização, ainda é divertido brincar com o absurdo

Com tantos jogos sendo lançados quase que diariamente, é difícil encontrar algo que seja realmente novo. Porém, isso não significa que todas as possibilidades criativas dos video games tenham sido exploradas. E foi exatamente isso que chamou tanto a atenção no primeiro Scribblenauts.

Considerado por muitos como um dos melhores títulos do ano passado, o game trouxe diversos quebra-cabeças em que o jogador tinha total liberdade para criar uma solução da maneira que achasse melhor, já que uma infinidade de objetos poderia ser invocada. Eram milhares de substantivos que tornavam a experiência praticamente ilimitada.

Img_normalOu quase, já que ainda parecia existir uma pequena barreira que impedia o real poder da imaginação nos puzzles. A impossibilidade de utilizar qualidades era um pequeno empecilho na jogabilidade, mas incomodava os jogadores mais criativos que viam em “chave gigante” e “zumbi radioativo” a resposta para qualquer problema.

Pois a 5th Cell parece ter atendido às reclamações dos fãs. Super Scribblenauts dá ao protagonista Maxwell um caderno muito mais poderoso, capaz de utilizar os mais diversos tipos de adjetivos e levar as múltiplas possibilidades de criação ainda mais próximo do infinito. Pode parecer um pequeno recurso a mais, mas as qualidades fazem com que realmente qualquer objeto seja criado e da forma que você deseja.

Img_normalSem sombra de dúvidas, Super Scribblenauts é um jogo divertido e superior ao seu antecessor. A utilização de adjetivos era o elemento que faltava para potencializar a liberdade criativa do game, o que permite que as fases tenham características e objetivos muito mais variados.

Entretanto, o título deixa a desejar por não trazer algo que faça com que esta versão pareça uma sequência e não uma simples atualização. Por mais que algumas novidades tenham sido adicionadas, a mecânica, o visual e até mesmo vários problemas continuam.

No final das contas, fica claro que os adjetivos não são o suficiente para sustentar Super Scribblenauts como uma continuação. A sensação que dá ao avançar cada uma das fases é que você aguarda uma grande novidade que nunca chega.

Entretanto, isso não torna o game frustrante ou menos divertido que a primeira versão, mas muito pelo contrário. Como todo DLC – a melhor definição do que a nova aventura de Maxwell representa –, os novos recursos realmente expandem as possibilidades de criação.

Quem gostou do jogo anterior, certamente vai curtir reviver a experiência. Até mesmo quem desconhece a série ou não se interessa pelo gênero vai se divertir com as possibilidades oferecidas.

As falhas são facilmente deixadas de lado, pois novamente a 5th Cell conseguiu criar uma aventura em que aquilo que realmente importa não é como o jogo parece, mas o que ele é capaz de proporcionar: diversão quase ilimitada. Independente de soar repetitivo em determinados pontos, Super Scribblenauts é desafiador e capaz de fazer você não largar o DS enquanto não obtiver todas as Starites.

Liberdade criativa dos adjetivos

Como dito anteriormente, o grande destaque de Super Scribblenauts é a inclusão de adjetivos no léxico do jogo. Se no primeiro título já era possível explorar as mais variadas situações apenas com substantivos, o que dizer agora que você pode qualificá-los?

A princípio, o recurso é utilizado simplesmente como um elemento a mais de diversão, em que você descreve o que você deseja criar e vê seu objeto personalizado surgir magicamente. Porém, mais adiante, existem fases em que a novidade é fundamental na hora de resolver o puzzle. Img_normal

Mesmo que as adjetivações não sejam obrigatórias logo de início, é impossível ficar indiferente a elas e não criar combinações improváveis pelo simples prazer de brincar com o absurdo. Por mais inúteis que suas criações sejam, é divertido fazer aparecer um ovo flamejante ou uma doninha explosiva.

Além disso, não existe limite para o uso de qualidades, o que permite invocar, por exemplo, um “rinoceronte metálico alado gigante gentil” e ainda utilizá-lo como meio de transporte.

Img_normalEssa interação entre criador e criatura é fundamental em Super Scribblenauts. A grande maioria dos objetos que são criados – absurdos ou não – pode ser utilizada como ferramenta para que Maxwell atinja seu objetivo em cada fase. Assim, você pode alcançar o topo de uma montanha com um foguete, uma mochila alada ou ainda com um texugo voador. 

Outro ponto bastante interessante é que não há restrições na hora de combinar substantivos e adjetivos. Isso significa que você pode adicionar qualidades humanas a objetos inanimados para dar origem a um “livro inteligente” ou uma “mochila invejosa maligna”. Tudo depende unicamente de sua criatividade.

Soluções criativas

De que adianta você explorar ao máximo sua imaginação e criatividade em cada fase se elas não oferecem um desafio que realmente faça valer a pena o esforço? Esse era o principal problema do primeiro Scribblenauts, já que bastava um objeto voador e uma corda para que se conseguisse resolver qualquer quebra-cabeça, o que o tornava bastante repetitivo.

Já em Super Scribblenauts isso deixa de ser um problema. Existe uma grande variedade de estilos de fases, que vão desde encontrar a Starite (pequena estrela necessária para concluir o nível) até interagir com personagens e objetos do cenário. Todavia, tudo é feito de forma que você realmente tenha de pensar muito para conseguir resolver o puzzle, sendo preciso, em alguns momentos, “viajar” muito além do que as dicas dizem. Img_normal
Um exemplo bastante divertido é o estágio em que você deve criar uma nova forma de extinção dos dinossauros. Então esqueça os asteroides e os meteoros gigantes e pense em algo realmente divertido para pôr um fim aos grandes répteis. Quem sabe um monstro com cara de polvo e com cheiro de cheddar, não é mesmo, “Cthulhu de queijo”?

Contudo, as fases que mais exigem da criatividade do jogador são os chamados “Níveis do adjetivo”, em que é preciso usar o novo recurso para obter a Starite. Eles são realmente complicados, pois suas resoluções estão além do senso comum, ou seja, as próprias fases brincam com o absurdo. Img_normal
Já viu, por exemplo, uma casa cabeluda ou um velociraptor-robô por aí? Muito provável que não, mas eles são peças-chave para a resolução de determinados desafios.

Além disso, quem jogou o primeiro Scribblenauts vai perceber que o conceito de “Par” foi removido. Agora as fases não possuem mais o limite aceitável de criações para cada estágio, o que forçava o jogador a resolver os desafios com poucos objetos. Sem esse elemento, você pode fazer surgir o que desejar sem se preocupar em ser ou não bonificado ao final do estágio. Em outras palavras, sua imaginação pode ser explorada sem medo.

Opções de controle

Se você, assim como muitos outros jogadores, detestava a imprecisão da touchscreen na hora de movimentar Maxwell, pode ficar tranquilo. Ao iniciar uma partida em Super Scribblenauts, o próprio game pergunta de que modo você quer controlar o personagem: se pela tela sensível ou por meio do D-pad. Se não gostou da escolha, basta trocar a qualquer momento ao apertar o botão Start do portátil.

Correções e reformulações

Img_normalAlém da proposta inovadora, o primeiro Scribblenauts também agradou a todos por permitir que o jogador escolhesse o português como idioma padrão do game. Entretanto, a tradução de alguns termos parecia não ter ficado bem resolvida, sobretudo quando a palavra possuía mais de um resultado.

Em vez de explicar as diferenças entre os significados, o jogo oferecia uma lista numérica em que era preciso adivinhar o que ia aparecer. Dessa forma, não era muito simples diferenciar uma mangueira de um pé de manga, por exemplo.

Contudo, Super Scribblenauts corrige este pequeno problema, o que torna a jogabilidade bem mais simples e menos irritante, já que agora ficou mais fácil de identificar cada objeto. Apesar de ainda ser possível encontrar alguns termos que possam gerar dúvida, não se comparam à enigmática “Opção 2”.

Outro problema que foi consertado nesta sequência é a edição das palavras que você insere quando há um erro de digitação. Em vez de apagar tudo para reescrever a palavra, basta utilizar a touchscreen ou o D-pad para ir direto ao erro e corrigi-lo.

O sistema de “Méritos” também foi reformulado, funcionando de forma semelhante aos troféus e conquistas da Sony e Microsoft, guardadas as devidas proporções. Apesar de ser um recurso já existente no primeiro jogo, em Super Scribblenauts ele ganhou mais destaque e ficou muito mais definido. Agora é possível conferir todos os objetivos em uma lista em vez de tentar adivinhá-los, o que funciona como uma espécie de estímulo.

Uma fase para chamar de sua

Se você acha que as 120 fases não são o suficiente para sua criatividade ou que o nível de dificuldade não chega a ser um desafio ao seu intelecto, talvez signifique que você não nasceu para resolver quebra-cabeças, mas para criá-los. E Super Scribblenauts traz todas as ferramentas necessárias para isso.

Quem tentou ser o deus de seu próprio mundo no primeiro jogo deve ter se decepcionado, já que o sistema era muito mais um editor do que uma ferramenta de criação propriamente dita. Desta vez, em vez de fazer com que você crie níveis baseados em outros já existentes, o game oferece diversas ferramentas para personalizá-los completamente.Img_normal

Além de permitir que você configure o cenário da maneira que desejar, Super Scribblenauts oferece dez opções de objetivos a serem cumpridos no estágio. Assim, é possível fazer com que a Starite surja após uma corrida ou quando um determinado ser é derrotado. Quem decide é você.

O sistema de ajustes é bastante completo, mas sem trazer opções complicadas. Ao executar o modo de personalização pela primeira vez, um pequeno tutorial explica o funcionamento de cada recurso. Após explorar todos os elementos, você está apto a criar seu próprio mundo e compartilhá-lo com seus amigos pela internet.

De Cthulhu a Keyboard Cat: o retorno dos memes

Um dos pontos mais divertidos do primeiro Scribblenauts era a presença massiva dos hits da internet, os chamados memes. Além do monstro criado por H.P Lovercraft, Cthulhu, diversos outros sucessos, como Longcat e Rick Roll, marcaram presença e fizeram um enorme sucesso entre os jogadores. 

Pois eles podem ser novamente encontrados nesta sequência, mas com uma ótima novidade: agora não é mais preciso traduzir seus nomes para invocá-los. Agora é possível criar o Keyboard Cat, o felino tocador de piano popular no YouTube, por meio de seu nome em inglês em vez do famigerado “gato tecladista” do primeiro game.

Apesar de um ou outro termo ter recebido uma versão em português, a grande maioria mantém o original em inglês, o que facilita a vida dos jogadores que já estão acostumados a utilizar a palavra.

Mas Super Scribblenauts vai mais longe. Além dos sucessos da internet, existem diversas outras referências espalhadas pelas fases. Algumas são bem explícitas, como o nível inspirado em “O Mágico de Oz”, mas outros precisam de um pouco mais de atenção para serem vistos. As homenagens a “O Exterminador do Futuro” e aos games do Mario são um exemplo disso.

Onde foi que eu já vi isso antes?

Por mais que os adjetivos tornem a experiência de Super Scribblenauts muito mais variada, a sensação final que fica após algum tempo de jogo é que ele é apenas uma versão melhorada do primeiro jogo. Isso não chega a ser ruim, mas ainda falta algo para que ele seja considerado uma continuação. É como se tratasse de um “Scribblenauts 1,5”.

Com exceção da adição das qualidades ao vocabulário do game, não há nada que justifique o “Super” no título. A mecânica e o visual são exatamente os mesmos, sem nenhuma melhoria significativa. Perceba que a maioria dos pontos positivos apontados se refere a correções de pequenos problemas, sem algo que seja completamente novo. Img_normal

Por mais que não atrapalhe a diversão, isso torna a brincadeira um pouco menos prazerosa, pois você já sabe o que esperar de cada nova palavra. No fim das contas, Super Scribblenauts parece mais um grande DLC para corrigir os problemas do título original e ampliar seu léxico.

Objetivos repetitivos

Não, não estamos loucos. Por mais que tenhamos elogiado a variedade das fases de Super Scribblenauts, isso não significa que elas não sejam repetitivas. Pode parecer algo incoerente, mas faz muito sentido durante o jogo.

É verdade que os estilos das fases são bem diversificados. Existem níveis realmente muito criativos, como o que você deve bancar o James Bond e se infiltrar em uma festa para roubar um item. Contudo, à medida que você avança, a mesma fórmula começa a se repetir, mas em cenários diferentes.  

Img_normalUm exemplo disso é a fase em que você deve completar as diversas etapas da vida de um soldado, conseguindo um uniforme e completando tarefas da carreira militar. Mais para frente, você encontrará o mesmo estágio, mas com um policial. Em resumo, há uma repetição de objetivos que faz com que fique aquela incômoda sensação de dejà vu.

Isso se torna ainda mais perceptível nos níveis dos adjetivos, em que o cruzamento de objetos é encontrado em pelo menos três momentos do jogo. Para um jogo que busca explorar a criatividade do jogador, faltou o mesmo por parte dos designers de fases.

Além disso, algumas situações soam bastante forçadas, em que o absurdo vai além do aceitável. São momentos em que a solução do quebra-cabeça simplesmente não faz o menor sentido e você nunca adivinharia sem uma ajuda externa. Afinal, quem utiliza alvejante para pintar um cabelo de loiro em vez de tinta?

Tudo é possível, mas nem tudo se encaixa

Como dito anteriormente, os adjetivos de Super Scribblenauts são capazes de modificar qualquer objeto criado, desde sua cor até seu tamanho e consistência. Porém, em alguns casos é perceptível que determinados elementos não combinam ou que simplesmente o game não está preparado para tanta imaginação.

Ao tentar criar um “urso cego”, por exemplo, surge o animal usando óculos escuros que se encaixam perfeitamente em seu rosto. Porém, ao usar a mesma condição a um tiranossauro, o que surge é um réptil com o acessório em uma posição impossível em seu rosto. É como se o jogo compreendesse o significado, mas não soubesse onde encaixá-lo no personagem. Img_normal

Pode parecer besteira ou apenas um detalhe, mas incomoda. Em alguns casos isso é ainda mais absurdo, principalmente quando ele adota um padrão ao adjetivo que foge do que você pretendia criar. Se você usar a qualidade “militar” em qualquer item, vai fazer com que ele apareça armado. Em determinados pontos isso pode fazer sentido, mas em outros não. Uma “bota militar” deveria ser uma espécie de coturno, não um calçado com metralhadoras giratórias.

Traduções mal feitas e falta de revisão

Já falamos sobre a possibilidade de jogar Super Scribblenauts em português e no quanto isso é divertido, porém nem tudo é perfeito. Da mesma forma com que palavras que possuem mais de um significado não eram claras o suficiente e dificultavam a vida do jogador no primeiro game, os erros de tradução e falta de revisão fazem com que você perca a paciência nesta continuação.

Apesar de não serem tão frequentes, esses problemas incomodam quando percebidos, além de dificultarem a resolução de certos puzzles. Um dos méritos, por exemplo, é colocar todas as 12 constelações zodiacais no céu, porém o jogo simplesmente não reconhece “Touro”, fazendo com que surja um animal, sem a opção para selecionar as estrelas. A única forma de obtê-las é alterando o idioma para o inglês.  Img_normal

Mais grave ainda é a situação da palavra “imã”, que faz surgir um árabe em vez do objeto magnético. O erro já estava presente no primeiro Scribblenauts e volta a se repetir, mesmo sendo um item bastante utilizado e essencial em algumas fases. Outro exemplo é com a palavra “Queijo”, que precisa ser escrita em espanhol para que o game a reconheça.

Isso deixa explícito que realmente faltou uma revisão nos termos, o que é algo que deixa bastante a desejar, principalmente quando é possível encontrar palavras trocadas, como no caso de “salsicha”. Ao selecionar a opção “Mamífero”, eis que uma linguiça surge na tela, enquanto “Comida” traz um cão da raça basset. Nada grave, mas que poderia ter sido facilmente corrigido.

87 ds
Ótimo