Proposta da 505 Games é interessante, mas não se sustenta dentro do octógono

O MMA (Mixed Martial Arts, ou artes marciais mistas) está em alta. O esporte que por muito tempo foi estigmatizado como “pancadaria generalizada” ganha cada vez mais adeptos e difusão. A ascensão do Ultimate Fighting Championship — o famoso UFC — ajudou a promover os embates que ganham cara de show artístico, mas que não perdem a essência brutal das lutas.

Nos video games não é diferente, e novos títulos trazem o sangue o suor do octógono para o mundo digital. UFC Undisputed apresentou uma visão realista, com pinta de simulador o jogo trouxe o esporte ao universo virtual com bastante fidelidade. Na mesma entoada veio EA Sports MMA, também primando pela autenticidade, porém com um espetro ainda maior de lutadores a franquia parece que chegou para ficar.

Agora, Supremacy MMA entra no ringue oferecendo uma nova perspectiva sobre o esporte tão bem representado nos jogos. A proposta da 505 Games, desenvolvedora do título, é diferente e foge do estilo simulação. A aposta está no esquema mais dinâmico, menos exigente dos arcades, com uma jogabilidade acessível e recompensadora.

Em suma, Supremacy MMA é mais uma boa ideia pessimamente utilizada. O conceito de um jogo de MMA com estilo arcade é muito atraente, mesmo para quem não é fã do esporte.

Controles travados, visuais falhos e uma apresentação nada instigante derrubam as chances de sucesso do jogo. Você aproveitará muito mais seu tempo e dinheiro comprando uma edição de UFC Undisputed ou EA Sports MMA.

Mudando de “stance”

Supremacy MMA tem uma premissa muito interessante, um jogo de artes marciais mistas sem um esquema de controle muito exigente. Quem jogou UFC Undisputed e EA Sports MMA sabe exatamente do que estamos falando, apesar da simulação e esquema de controle elaborado ser destaque nos títulos citados, ele também é um fator extremamente limitante, afastando qualquer pessoa não iniciada no jogo.

Img_normalJá na produção da 505 Games as coisas são diferentes, o negócio é martelar os botões e socar seu oponentes sem qualquer misericórdia, especialmente porque a maioria dos embates termina com membros quebrados ou lutadores inconscientes; “imobilizar é para os fracos”.

Sangue na lona, ou melhor, no concreto

MMA é notório por sua brutalidade, porém, o que as lutas são sempre bem organizadas e são poucas os combates nos quais a técnica dá lugar a violência. Mesmo assim, não há como negar que o sangue, o suor e a virilidade da batalha são elementos inerentes ao esporte, assim fica fácil associar o estilo mais selvagem ao octógono, algo feito com muita propriedade em Supremacy MMA.

Rostos destruídos, punhos ensanguentados e ossos quebrados são elementos recorrentes nas pelejas de Supremacy MMA. As animações dos lutadores desmaiando ou segurando seus membros fraturados são o ponto alto do jogo.

Na verdade, toda a direção de arte do título contribui para esse clima. A estética à La “Clube da Luta” — com direito a ringue de concreto e cordame de arame farpado — passa essa essência brutal que realmente empolga o jogador.

Robôs no ringue

Sem sobra de dúvida a maior decepção de Supremacy MMA é o seu esquema de controle. Com a premissa de ser um jogo de MMA com viés arcade, uma jogabilidade ágil e controles de resposta rápida são essenciais. Todavia, o que vemos é algo bem diferente.

Os golpes parecem sofrer com um lag proposital que não adiciona em nada à jogabilidade. As entradas de imobilização são ainda mais ridículas: primeiro você executa o movimento, então deve esperar a oportunidade de reversão do adversário, para depois escolher qual será seu próximo golpe.

A mecânica de jogo é muito rígida e não passa a sensação de realmente estar no ringue. Na verdade, você se sentirá no meio de um duelo de robôs já que nenhum dos lutadores é capaz de executar um movimento fora do seu “script”, independente da categoria ou técnica preferida do seu personagem. Img_normal

Os movimentos de um kickboxer só diferem de um wrestler no visual, pois causam o mesmo dano e na prática agem da mesma forma, socando e chutando seu oponente imperdoavelmente.

Underground

Apesar da direção de arte trazer uma contribuição interessante, não há como ignorar os problemas gráficos que assolam o jogo. O sangue e os hematomas são bem representados e realmente inspiram a sensação de dor.

No entanto, o visual estilizado não esconde as limitações do título. As animações são mal produzidas e apresentam muito screen tearing. Além disso, a movimentação dos lutadores é “quebrada”, muito lenta — especialmente para um jogo arcade.

Para deixar tudo ainda mais ridículo, ainda temos que aturar uma trilha sonora nada inspirada. Faixas de metal genérico não empolgam o jogador, que ainda é obrigado a aturar o péssimo trabalho de dublagem durante as insossas cenas de corte do modo campanha.

Por fim, ainda temos que ressaltar o fato de que o título não conta com licenças oficiais, salvo pela presença das lutadoras Felice Herrig and Michele Guitierrez.. Ou seja, você não encontrará grandes nomes dos ringues como os brasileiros, Anderson Silva, Mauricio Shogun, Wanderlei Silva.

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