Descerebrados, sim. Desunidos, jamais!

Alguns títulos contam entre suas características um mérito interessante: o de devolver aos video games aquela sua dimensão de “jogo”. Embora fosse algo bastante comum entre as primeiras gerações de consoles, tal característica tem cada vez mais dado lugar ao que se poderia chamar de “cinema interativo”, conforme somos constantemente arremessados — blockbuster após blockbuster — para dentro de histórias restritivas e superlotadas de inúmeros checkpoints.

Bem, Swarm sem dúvida é um belo representante daquele primeiro grupo. Assim como vários outros jogos “simples” que são lançados apenas em formato online (PSN, XBLA, App Store etc.), Swarm não demonstra nenhum pudor ao enviá-lo para dentro de um desafio dirigido unicamente por pontuações absurdas e dificuldade punitiva. É claro, ainda existem checkpoints... O que, entretanto, não chega a “refrescar” muito as coisas.

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Eis o conceito: aqui você controle um exército de criaturas descerebradas. O jogo tem início com uma bolha azul misteriosa desembarcando em um planeta devastado e espalhando seus tentáculos gradualmente através do território. De cada tentáculo emergem 50 Swarmites, pequenos bípedes azuis com um olhar vazio semelhante ao que se pode encontrar em Angry Birds.

Em relação à história — que realmente não é muita —, os Swarmites devem buscar continuamente amostras de DNA para ajudar a sua bolha-mãe (carinhosamente chamada de “Momma”) a crescer e se espalhar cada vez mais.

Em termos práticos, a coisa muda um pouco de figura. A princípio, conforme ilustra o prático tutorial do jogo, não se trata de algo assim tão complexo. Basta controlar o seu exército azul — sempre como um conjunto — em direção ao final da fase.

Img_normalÉ claro que haverá bombas, serras, precipícios... Mas sim, você consegue chegar ao final. Até porque, as suas criaturinhas são sempre regurgitadas em 50 irmãos; basta que um chegue vivo ao final do percurso. O problema é que, embora seja condição necessária, chegar ao final da fase não é o suficiente. Para abrir novas fases e dar continuidade ao jogo, você terá que atingir uma pontuação mínima. É aí que a coisa toda vira um “jogo de video game” no sentido mais clássico.

Além disso, nem mesmo os chefes do jogo podem ser acessados sem que se verifiquem alguns pré-requisitos — nesse caso, são estruturas de DNA. Em outras palavras, caso você realmente queira avançar através da aventura alienígena nonsense de Swarm, é bom estar pronto para calejar os dedos.

Qualquer fã saudoso dos anos dourados dos videogames deveria pelo menos dar uma olhada em Swarm. Trata-se aqui de uma homenagem óbvia a uma época em que mesmo o jogador mais contido às vezes sentia vontade de arremessar console e TV pela janela.

Em outras palavras, a dificuldade às vezes punitiva de Swarm traz um pouco daquele clima essencialmente “jogo” que se podia encontrar abundantemente nos títulos das primeiras gerações de consoles. Aqui realmente não existe nada parecido com o cinema interativo que tem tomado os blockbusters atuais.

O negócio iniciar e reiniciar uma mesma fase diversas vezes, até que os descerebrados Swarmites possam alcançar seu objetivo — às vezes representado por pontuações verdadeiramente absurdas. Caso sobre algum tempo, ainda é possível contemplar toda a excentricidade da desenvolvedora Hothead Games na criação de alguns dos cenários mais absurdos que já se viu em um game.

Mas há uma consideração a ser feita: caso você não faça parte daquele seleto grupo de jogadores particularmente pacientes/insistentes — aquele tipo acostumado ao padrão de “tentativa e erro” dos títulos mais antigos —, é bom pensar duas vezes antes de empenhar seus trocados. Isso porque Swarm pode realmente ser impiedoso às vezes, deixando para trás uma fila interminável de Swarmites decepados, triturados, queimados etc.

Cuidado com o multiplicador!

Conforme mencionado anteriormente, chegar ao final de cada fase não representa um desafio particularmente digno de nota. É bem verdade que a estrutura do misterioso planeta devastado de Sworm não é das mais amistosas — conforme deixam claro as serras circulares, as bombas e os jorros de material incandescente. Mas você terá sempre 50 Swarmites à disposição, time que ainda pode ser recompletado nos “geradores de Swarmites” espalhados em pontos-chave das fases.

O grande problema é mesmo a pontuação exigida para se passar de uma fase a outra. Após terminar tranquilamente o primeiro trajeto do jogo, algo fica imediatamente claro: será preciso uma ajuda divina para alcançar os pontos pretendidos pelo jogo!

Bem, fique sabendo que essa sua divindade aqui tem um nome: multiplicador. Parece pouco, mas aqui os tradicionais “x2” e “x10” são a única forma de cumprir o que é exigido pelo jogo. Naturalmente, isso encerra também o maior desafio de Swarm.

Quer dizer, como atravessar cautelosamente um terreno cheio de armadilhas se os multiplicadores são zerados caso se passe muito tempo sem acumular pontos — aqui representados por estruturas abstratas de DNA e pequenos objetos brilhantes? Por outro lado, atravessar em disparada um cenário é uma das formas mais rápidas e catastróficas de acabar com todo o seu contingente de Swarmites. Mas calma. Há, é claro, algumas cartas na manga.

Descerebrados, sim. Desunidos, jamais!

É melhor encarar a verdade: em termos de Q.I. (quociente de inteligência) os seus Swarmites não vão muito bem. Para ser sincero, mesmo os minions  de Overlord são verdadeiros intelectuais quando comparados às criaturas azuis da Hothead Games. Entretanto, os Swarmites ganham pontos em um quesito em particular: eles são incrivelmente unidos.

Em termos de jogo, isso se traduz em algumas mecânicas tão interessantes quanto vitais — pelo menos quando se busca aquele fabuloso pote de ouro no final do arco-íris, o multiplicador. Isso por que você sempre controlará as pequenas criaturas como um conjunto (a menos que alguma atrocidade tenha deixado apenas uma sobrevivente).

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Eis alguns exemplos: Segurar o gatilho esquerdo do controle fará com que os Swarmites se espalhem pelo cenário, algo bastante útil quando a ideia é captar o maior número possível de orbes (e objetos afins). Já o gatilho direito fará com que as criaturas acumulem-se, o que é particularmente útil quando se quer atravessar trechos estreitos ou cheios de minas terrestres — sem contar que, ao liberar o gatilho, a sua equipe ganhará um boost instantâneo de velocidade, pré-requisito necessário para alguns saltos.

E te mais: Swarmites reunidos podem ainda formar uma torre “humana” tremendamente útil, tanto para transpor armadilhas quanto para alcançar orbes que, de outra forma, seriam inacessíveis. Além disso, as criaturas ainda podem ser ordenadas a coletar bombas e outros itens de particular interesse — como lâmpadas em cenários desprovidos de luz natural.

Que vença a melhor morte!

Img_normalCaso os orbes comecem a rarear pelo cenário, há ainda uma solução para manter o seu multiplicador satisfeito — mesmo que a contragosto dos pequenos Swarmites. Caso tudo o mais falhe, é só sacrificar algumas criaturas.

Mas o clima maquiavélico (os fins justificam os meios) de Swarm não fica por aí. De fato, sacrificar Swarmites será algo bastante recorrente aqui, já que, em determinados cenários, será necessário que alguns poucos morram heroicamente — explodindo-se ou se jogando de um precipício — para que outras criaturas alcancem aquele grande tentáculo que aguarda na extremidade oposta do cenário.

Para tornar as coisas ainda mais interessantes, Swarm traz ainda as chamadas “Death Medals”. Conforme o nome sugere, trata-se de medalhas ligadas a cada tipo de morte associado aos Swarmites — que tanto podem ser queimados, quanto empalados e mesmo serrados ao meio. Dessa forma, quanto mais mortes de um tipo específico forem ocasionadas, mais próximo você estará de uma “Death Medal”.

Paralelamente, Swarm ainda garante alguma longevidade distribuindo os clássicos troféus/conquistas (PS3 e Xbox 360, respectivamente) e mantendo um ranking online — no qual é possível conferir algumas pontuações realmente estratosféricas.

Estranhamente criativo... Ou Criativamente estranho?

Trazer conceito estéticos “alternativos” parece ser uma prerrogativa comum à boa parte dos títulos lançados apenas em formato digital. Bem, Swarm não é diferente. Em primeiro lugar, porque os elementos que compõem o cenário aqui escapam facilmente a qualquer tipo de definição lógica: trata-se simplesmente de uma temática absurda vagamente ancorada em clichês alienígenas — o que é ótimo!

Visualmente, esse clima nonsense é representado por tubos e geringonças mecânicas, além de um conjunto de criaturas que fariam o próprio ornitorrinco parecer perfeitamente normal — certamente um complemento perfeito para a jogabilidade criativa de Swarm. Enfim, é PSN/XBLA na sua melhor forma.

A dificuldade exagerada pode afastar alguns

É bem verdade que a dificuldade às vezes brutal de Swarm representa a proposta principal da desenvolvedora Hothead Games para o jogo. Afinal, é justamente a busca ensandecida por pontos que confere ao game aquele “quê” de título antigo — de uma época em que uma minhoca metida em um traje espacial podia fazer muita gente arrancar os cabelos.

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O problema? Esse estilo de jogo punitivo — no qual você às vezes precisa repetir uma única fase dezenas de vezes antes de conseguir algo — pode facilmente afugentar alguns jogadores menos pacientes. Talvez o acréscimo de alguns níveis de dificuldade pudessem evitar esse cenário.

Como assim, já acabou?

Desconsiderando-se aquelas fases em que você terá que se lançar por várias dúzias de vezes, Swarm é inegavelmente um jogo curto — mesmo para os padrões das redes de distribuição digital (PSN e XBLA). São apenas algumas fases com temáticas variadas e dois chefes. E fica por aí mesmo.

80 ps3
Ótimo

Outras Plataformas

80 xbox-360