Mecânicas emprestadas e visuais antiquados resultam em decepção

Criado por Minh "Gooseman" Le, um dos principais responsáveis pelo sucesso de Counter-Strike, Tactical Intervention possui uma proposta ambiciosa. O game foi criado baseado na ideia de que o game da Valve não atingiu seu verdadeiro potencial e que muitas das ideias reservadas para ele nunca puderam ser desenvolvidas plenamente.

Disponibilizado de forma gratuita pela empresa OGPlanet, o jogo apresenta elementos pouco usados pelo gênero FPS. Durante os confrontos, você pode empregar a ajuda de cães treinados para operações de combate e ferramentas como cordas de rapel, responsáveis por oferecer novos meios de interagir com o cenário.


Mas será que somente isso torna Tactical Intervention um título capaz de acabar com Counter-Strike ou as perspectivas de Minh Le foram otimistas demais? A resposta você confere em mais uma análise do BJ.

Embora Tactical Intervention possua uma grande quantidade de defeitos, não dá para dizer que a experiência proporcionada pelo título não é divertida. As partidas do game possuem um ritmo muito bom, que incentivam continuar voltando a ele para tentar uma nova tática de combate ou simplesmente para descobrir um novo mapa ou armamento.


O principal problema é que a parte boa do jogo é totalmente baseada naquilo que já foi visto há tempos em Counter-Strike. Embora o game conte com novas mecânicas e opções de interação inéditas, elas aparecem de forma tão discreta que fica a sensação de que não estamos jogando um produto novo, mas somente uma pequena atualização de algo lançado há mais de 10 anos.

Em geral, quem apostar no título não deve se decepcionar, já que não é preciso pagar nada para começar a jogá-lo. Porém, quem espera por uma evolução real da fórmula consagrada pelo antigo mod de Half-Life vai ter uma experiência melhor investindo em Counter-Strike: Global Offensive ou até mesmo continuando a jogar o antigo Counter-Strike 1.6.

Diversão descompromissada

Embora seja ruim falar dos elementos de um jogo tomando como base a experiência fornecida por outro título, é difícil entrar em Tactical Intervention e não detectar várias semelhanças com Counter-Strike. Exemplo disso é a maneira como os combatentes e as missões são apresentados: dois lados (terroristas e contraterroristas) são colocados em uma fase na qual é preciso plantar uma bomba (ou desarmá-la), lidar com reféns, cuidar do transporte de uma figura importante ou simplesmente lutar até a morte.

Devido ao tamanho limitado dos mapas, os confrontos ocorrem em ritmo acelerado, o que resulta em rodadas que costumam durar no máximo cinco minutos. Jogadores eliminados pelos adversários são forçados a esperar até que um dos grupos obtenha a vitória para voltar ao combate, embora seja possível acompanhar a ação através de um sistema de “killcams”.

Para tornar os confrontos ainda mais ágeis, o game incorpora um sistema em que você define quais armamentos irá usar antes que as partidas sejam iniciadas. Ao todo, é possível configurar três perfis diferentes que podem ser alternados livremente a cada rodada, o que resulta em uma maior liberdade na hora de bolar táticas de ataque e defesa.

A velocidade da ação faz com que a vitória em Tactical Intervention tenha mais a ver com quesitos como posicionamento e trabalho em equipe do que com sorte. Dominar o design de cada mapa é essencial na hora de bolar um plano de ação, já que o game está repleto de cantos que um oponente habilidoso pode usar para surpreender o jogador.

Free to play feito de maneira certa

Quando se fala em jogos gratuitos baseados no sistema “free to play” (gratuito para jogar), sempre bate aquele medo. Afinal, games do estilo costumam ser sinônimos do termo “pay to win” (pague para ganhar), situação na qual quem investe dinheiro real na compra de itens sempre tem uma vantagem absurda em relação aos demais jogadores.


Felizmente, Tactical Intervention evita cair nessa armadilha ao não restringir as melhores armas e acessórios somente a quem está disposto a abrir a carteira. A não ser que você queira novos visuais para seu personagem ou deseje usar um escudo tático para operações antiterrorismo, é possível aproveitar tudo o que o game oferece sem pagar nada por isso.

Outro ponto que colabora para uma experiência satisfatória é o fato de que você já começa o jogo com uma quantidade considerável de dinheiro virtual. Com isso, é possível escolher novos equipamentos (em um sistema de aluguel que varia entre 1 a 30 dias) sem necessariamente ter que participar de várias partidas dependendo somente das opções básicas oferecidas pelo título.

Ideias novas mal-aproveitadas

Na tentativa de adicionar elementos que vão além da experiência básica de Counter-Strike, Tactical Intervention acompanha novos comandos que não se mostram exatamente úteis durante o combate. Exemplo disso é possibilidade de atirar às cegas, opção que se mostra tão pouco útil que raramente é usada por qualquer jogador.


Outro exemplo é o sistema que permite utilizar reféns como escudos humanos, ação que limita você a usar somente pistolas para atacar — justamente o tipo de equipamento mais fraco de todo o título. Com isso, acaba se mostrando mais prático utilizar antigas táticas de combate do que tentar explorar os novos sistemas disponibilizados pelo jogo.

Um game bonito... Para 1999

Embora o motor gráfico Source já esteja bastante velho, a Valve provou que bastam algumas modificações para que ele ainda possa ser aplicado em títulos modernos sem nenhum problema. Assim, se torna difícil justificar os visuais antiquados apresentados por Tactical Intervention.


A falta de detalhes do jogo é chocante, seja nos cenários povoados por superfícies com texturas sem graça ou nos próprios personagens, que se assemelham a manequins desengonçados. O sistema físico é o destaque (negativo), fazendo com que os personagens respondam de maneira estranha aos tiros adversários e interajam de forma bizarra com os ambientes.

A única parte boa disso é o fato de que é possível dar boas risadas com as situações estranhas apresentadas pelo título, especialmente quando o modo “killcam” é ligado. Porém, nem mesmo isso compensa a baixa qualidade gráfica do jogom que se mostra semelhante a muitas produções lançadas na década de 1990 — quando se leva em consideração a existência de games como Tom Clancy’s Ghost Recon Online, nem mesmo a gratuidade de Tactical Intervention justifica sua apresentação medíocre.

Nada de novo abaixo do Sol

Embora o jogo proporcione uma experiência divertida, isso não se deve exatamente a méritos próprios de sua desenvolvedora. Isso porque, do começo ao fim do título, é impossível não ficar com a sensação de que estamos experienciando somente uma versão remodelada de Counter-Strike.


Mesmo que Tactical Intervention apresente gráficos e cenários diferentes, o ritmo dos combates, a maneira como as armas respondem aos comandos e os objetivos básicos do título são exatamente os mesmos já disponíveis há tempos no clássico da Valve. Por mais que um dos criadores do mod para Half-Life esteja envolvido no projeto, fica a sensação de que o novo título abusa demais de mecânicas conhecidas para tentar chamar a atenção.

65 pc
Regular