Uma verdadeira viagem no tempo desenvolvida por Ron Gilbert

Concebido por Ron Gilbert, responsável por clássicos como Maniac Mansion e Day of the Tentacle, The Cave representa a volta do designer ao mundo dos adventures. Na aventura, cabe a você selecionar três pessoas (em um grupo de sete) para explorar uma caverna conhecida pelos perigos e tesouros que oferece.

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Conforme a história progride, você vai descobrindo detalhes sobre o passado dos personagens, que sempre escondem alguma espécie de segredo terrível ou trauma em suas vidas. Tudo isso apresentado pela voz da própria caverna, que assume o papel do narrador da trama.

Apesar de apresentar diversos problemas, The Cave é um game que precisa ser conferido por todos os fãs de um bom adventure. O título não tem medo de utilizar mecânicas que muitos considerariam até mesmo antiquadas para entregar uma experiência em que é preciso ter bom raciocínio e uma capacidade de observação apurada para ser finalizada.

Mesmo não atingindo o mesmo grau de excelência que os clássicos Maniac Mansion e Day of the Tentacle, o jogo definitivamente possui a cara do criador Ron Gilbert. As 12 horas necessárias para terminá-lo com todos os personagens do game são bastante divertidas, embora dificilmente elas tenham potencial para gerar discussões entre os jogadores.

Em resumo, The Cave é um game competente, mas que sofre com problemas básicos que o impedem de se tornar realmente marcante. Embora ele seja imperdível para os fãs do gênero adventure, quem não está acostumado com as estruturas das antigas produções da LucasArts dificilmente verá motivos para adquiri-lo.

Bom humor

Assim como acontece em outros games que têm o envolvimento de Ron Gilbert, The Cave é marcado por um senso de humor peculiar. O narrador da aventura sempre está pronto para fazer alguma espécie de comentário irônico sobre os desafios que surgem na aventura, além de não ser incomum ele decidir brincar com os erros cometidos pelo jogador.

Img_normalO humor também está presente na forma como a história do personagem é contada, embora não sejam todas as pessoas que vão se divertir com a maneira como verdadeiras tragédias são mostradas. Embora o tom geral do título não vá fazer você sair gargalhando, não se espante se em diversos momentos da trama um sorriso surgir em seu rosto de forma involuntária.

Puzzles desafiadores

Felizmente, The Cave em nada decepciona no que diz respeito ao principal elemento que constitui um adventure: os puzzles. Para progredir no game, é preciso usar todo seu poder de raciocínio para resolver quebra-cabeças que crescem em complexidade e dificuldade conforme você se aprofunda na história.

Destaque especial deve ser dado aos segmentos que exploram as motivações pessoais de cada um dos personagens disponíveis. Nessa hora, é preciso usar com sabedoria as habilidades especiais possuídas por cada um deles, que variam entre a capacidade de respirar debaixo d’água até a criação de clones feitos de fumaça que podem manter alavancas seguradas enquanto você corre em direção a uma passagem secreta.

Como o título adota um sistema de áreas fechadas para cada um de seus desafios, não ocorre de você encontrar momentos em que é preciso voltar um longo trecho para pegar um item que ficou para trás. Embora isso implique uma ligeira queda na dificuldade do game, os desafios que ele apresenta são suficientes para deixá-lo nervoso em frente à televisão (ou monitor) enquanto busca uma solução.

Fator replay aguçado

O emprego de histórias e puzzles específicos para cada um dos sete personagens faz com que você se sinta estimulado a jogar The Cave várias vezes para descobrir os seus mistérios. Para conseguir destravar totalmente os elementos oferecidos pelo jogo, é preciso terminá-lo no mínimo três vezes, sendo que a experiência vai ser diferente em cada uma delas.

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Vale notar que, devido à temática diferente apresentada por cada um dos aventureiros que estrelam o título, o grau de dificuldade apresentado por cada uma de suas tramas varia bastante — com destaque para o trecho que acompanha a viajante do tempo.  Embora muitas áreas do game permaneçam as mesmas a cada jogatina, revisitá-las se mostra um processo agradável, contanto que você dê uma pausa do game após chegar a seu final.

Controles desengonçados

Embora The Cave seja em sua essência um adventure, a navegação pelos ambientes ocorre de forma semelhante a um título de plataforma. E é justamente nesse quesito que reside um de seus principais pecados, já que muitas vezes é preciso refazer certas ações devido à má resposta dos controles.

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O problema se mantém independentemente se você está usando um controle convencional ou a combinação de mouse e teclado (no PC). Embora não existam mortes permanentes no game, não é incomum se ver tentando repetir o mesmo pulo diversas vezes antes que ele seja realizado com sucesso — tarefa que se torna ainda mais desgastantes devido ao fato de que é preciso esperar uma animação de aproximadamente dois segundos toda vez que uma nova tentativa é exigida.

Vai e volta exagerado

Ao abandonar totalmente qualquer sistema de inventário, The Cave restringe seus personagens a carregar um item de cada vez. Aliado a uma filosofia de design no qual as partes que ajudam a solucionar um desafio estão espalhadas por cantos distintos do mesmo cenário, isso faz com que muitas vezes seja preciso percorrer várias vezes a mesma fase antes de finalizá-la.

Isso se torna especialmente cansativo quando é preciso reunir os membros de seu grupo em um mesmo lugar para conseguir. Não raro, você vai ter que realizar exatamente as mesmas ações três vezes seguidas simplesmente para conseguir atingir o objetivo que deseja — situação que continua a acontecer mesmo que a aventura já tenha sido completada múltiplas vezes.

Multiplayer mal-incorporado

Embora seja possível compartilhar The Cave com mais dois amigos através do multiplayer local (não há opções online no game), a maneira como o modo é implementado não é exatamente confortável. Como não há divisão de tela, é preciso combinar com seus companheiros para que vocês realizem constantemente a troca dos personagens controlados.

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Assim, enquanto uma pessoa joga, as demais vão passar seu tempo simplesmente assistindo ao que está acontecendo. O único momento em que isso não ocorre é quando os três personagens estão próximos um do outro, algo raro de acontecer devido à estrutura básica do jogo, que estimula que cada um siga caminhos distintos na hora de solucionar problemas.

75 pc
Bom

Outras Plataformas

75 ps3
75 xbox-360