“Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao Vosso nome dai a glória”

The First Templar apareceu sem muito alarde na Electronic Entertainment Expo do ano passado. Abordando temas como a Ordem dos Cavaleiros Templários e a eterna busca pelo Santo Graal, o jogo acabou chamando a atenção de alguns jogadores presentes na feira.

Sob os cuidados da desenvolvedora Haemimont e com distribuição da Kalypso Media — empresas conhecidas por sua parceria na série Tropico — o título promete muita ação, bem como uma jogabilidade variada e, de fato, cumpre o que promete. Entretanto, apesar de interessante, The First Templar não traz nada de novo à mesa dos jogadores.

A trama é o ponto alto, enquanto que o sistema de combate tem altos e baixos. Os visuais são belos, mas nada excepcionais e, no final, temos como resultado um jogo mediano que agrada, mas que não vislumbra momentos de grandeza.

A pergunta que não quer calar é bem simples: vale a pena jogar The First Templar? A resposta é igualmente simples: SIM. O jogo tem vários méritos e mesmo não se destacando em nenhum aspecto particular, ainda rende alguns bons momentos de diversão.

A história é inteligente e certamente prova que Haemimont pode sonhar com coisas maiores e melhores. Os erros de First Templar não prejudicam tanto o seu desempenho; o principal ponto negativo é a forma como o jogo simplesmente reproduz características de outros títulos, sem acrescentar nada de novo ao jogador ávido por novidades.

Mesmo assim, The First Templar ainda consegue entregar uma jogabilidade sólida, com direito a multiplayer cooperativo local — algo tão natural, porém, escasso nos jogos atuais. Se você tiver a oportunidade, pode conferir First Templar — mas prefira emprestar o jogo de alguém.

"Leões de guerra e cordeiros no lar”

Sem sombra de dúvida, o ponto mais forte de First Templar é a sua história, mesmo que as dublagens não ajudem nem um pouco na hora de desenvolver a trama. A Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão, ou simplesmente Ordem dos Templários, é um tema recorrente nos video games.

Os mistérios por trás dos Cavaleiros Templários e suas missões na Terra Santa extrapolaram os livros de história e se transformaram em uma mitologia própria. Contos sobre a descoberta da Arca da Aliança e do icônico Santo Graal estão incrustados na cultura popular.

Img_normalPara quem não sabe, os Templários foram uma peça fundamental do santo exército cristão durante as Cruzadas. No entanto, os segredos da ordem levantaram muitas desconfianças entre os nobres europeus, especialmente do rei Filipe IV de França — que acumulava vultosas dívidas com a Ordem, que enriqueceu muito durante as campanhas no oriente.

Em tempo, a própria Igreja começou a temer os Templários, que se tornavam mais famosos e poderosos do que a instituição em si. Assim, o Papa Clemente V atende aos apelos de Filipe IV e começa uma verdadeira guerra contra os Cavaleiros da Ordem, culminando na infame sexta-feira 13 de 1307 — quando, por ordem do Papa, a Ordem é dissolvida pela Igreja e seus membros presos e torturados por heresia.

Em The First Templar você acompanha Celian d'Arestide, um templário francês, e Marie d'Ibelin — neta de Guy of Ibelin, personagem histórico notório por ser o condestável do Reino do Chipre, Estado Cruzado conquistado por Ricardo Coração de Leão durante a Terceira Cruzada. É interessante ver como a trama promove a congruência de realidade e fantasia, misturando fatos e mitos, como na franquia Assassin’s Creed, porém, com um viés mais realista.

Durante a sua aventura, você e Marie d'Ibelin — proclamada herege pela Inquisição Dominicana — descobriram a grande conspiração que pretende acabar com os Templários, enquanto exploram os vários mistérios da Ordem e do afamado Santo Graal.  Não queremos entregar muitos detalhes da trama para não estragar eventuais surpresas, mas se você gosta do tema, o jogo é um prato cheio.

Celian, Marie e Roland formam uma carismática tríade de protagonistas. Cada um com uma personalidade distinta que rende alguns diálogos bem interessantes. Roland é o tradicional brucutu, cujo pobre traquejo diplomático é compensado por exímias habilidades de combate. Marie é uma verdadeira assassina, criada na guerra e com recursos que vão além da espada. Já Celian é o líder, honrado, fiel e equilibrado, ele é o fiel da balança.

“Rudes cavaleiros no campo de batalha...”

O foco da jogabilidade é a ação, com direito a multiplayer cooperativo online e local (no caso do Xbox 360). O jogador pode controlar qualquer personagem, trocando de guerreiro instantaneamente com um simples pressionar de botão.

Img_normalOs comandos são simples, no entanto, abrigam uma dinâmica relativamente complexa que não limita seus ataques a simples brandir de lâminas. Os oponentes farão com que você calcule bem suas ações, para assim, medir suas manobras defensivas e ofensivas. Saber a hora de bloquear, contra-atacar e esquivar é essencial para permanecer vivo e seguir adiante.

Além disso, seu repertório de combate é expandido a cada ponto de experiência. O título conta com um sistema de evolução direto e uma árvore de habilidades interessante. Seus pontos podem ser convertidos em melhoria de atributos e movimentos especiais. Portanto, escolha bem o caminho que melhor se adéqua a sua forma de jogar.

Ataques sem arma podem ser tão eficientes quanto um golpe de espada empunhada com as duas mãos; tudo depende de como você os aplica durante as lutas. Infelizmente, o ritmo e o desafio decaem alguns níveis a partir do momento em que você está totalmente adaptado ao sistema. Mesmo assim, o sistema de combate de First Templar é envolvente e ainda proporciona alguns momentos especiais com execuções estilizadas.

Outro ponto que adiciona alguma variedade à jogabilidade é justamente o fato de o game contar com dois personagens jogáveis. Celian, o membro fixo da dupla, é invariavelmente mais forte do que o seu companheiro, todavia, cada um dos heróis possui movimentos particulares.

“...monges piedosos na capela”

Mas o jogo não se resume à pancadaria medieval. The First Templar mistura cenas de muita ação, com sequências furtivas e alguns quebra-cabeças. A exploração do cenário é outro ponto que ajuda a variar o a jogabilidade e conferir uma sobrevida ao título.

Navegar por masmorras repletas de armadilhas remete diretamente a grandes clássicos do gênero, mesmo que o jogo nunca chegue a superar tais inspirações virtuais. Os enigmas são bem trabalhados e encontrar o caminho correto pode levar algum tempo.

Img_normalOs momentos de ação furtiva também são atraentes. Nesses momentos, você pode conferir o campo de visão dos seus oponentes no radar, assim, basta se esgueirar por trás e eliminar o inimigo sem muito alarde. O melhor é que se a sua presença for descoberta não significa o fim da missão, apenas que você perdeu o “elemento surpresa”.

Além disso, você também pode despistar seus adversários arremessando objetos para chamar a atenção deles. A fórmula não é inovadora, todavia, é bom ver que um jogo de baixo orçamento conseguiu incorporar algo tão natural e divertido na sua dinâmica de jogo.

Por sinal, esse é outro grande feito de First Templar. O jogo foi desenvolvido pela semidesconhecida Haemimont — empresa conhecida pela série Tropico —, mas que nunca havia se aventurado no gênero ação em terceira pessoa. Nesta primeira empreitada, o estúdio entrega um trabalho sólido e que, apesar dos problemas, mostra grande potencial.

Um bom exemplo disso é a qualidade visual. O design dos mapas e cenários é bem trabalhado, mas a execução técnica não é muito inspirada. Os gráficos são belos, mas não trazem nenhum atributo realmente impressionante.

Sexta-feira 13

The First Templar tem vários atributos positivos, porém, em nenhum momento realmente se destaca como um grande jogo. Mesmo em seus melhores momentos, o jogador tem a nítida impressão de que algo está faltando, uma quintessência não tangível. Trata-se de algo subjetivo, mas que é percebível a todo instante. Não se trata de uma limitação técnica, não é algo que pode ser quantificado, mesmo assim está lá.

Img_normalJá em dados mais concretos, podemos apontar alguns problemas no sistema de detecção de colisões. Em vários momentos do combate, percebemos que alguns golpes não “encaixavam” mesmo quando o adversário estava diretamente na nossa frente. Mas o pior é a forma como alguns inimigos conseguem acertar ataques mesmo estando longe do seu personagem — causando dano a distância com um ataque “curto”.

Espólios de guerra

Outro ponto negativo, que realmente tiram? alguns pontos de diversão — especialmente em jogos de ação e aventura — é a escassez de itens. Apesar de incentivar a exploração do cenário, The First Templar não conta com muitas recompensas para o jogador.

A própria variedade de armas e armaduras é limitada e não permite grande diversidade de combinações. Suas expedições fora do caminho principal rendem apenas pontos de experiência e bônus temporários (buffs).

Por fim, o ponto mais baixo do jogo fica por conta dos efeitos sonoros. Esse quesito prejudica ainda mais o jogo na medida em que a história é o seu principal ponto positivo. As dublagens — que servem para desenvolver toda a trama — não passam emoção alguma e lá se vai a tão desejada imersão no jogo. Os efeitos sonoros não são tão ruins quanto às dublagens, mas também deixam a desejar, principalmente no que diz respeito à trilha sonora, que poderia fazer bom uso de vários temas medievais.

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Bom

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