O exagero nos minigames e uma jogabilidade frustrante compõem o péssimo The Golden Compass.

Não há como negar que boa parte dos jogos baseados em filmes não oferece uma experiência satisfatória. Muitos desenvolvedores de games aproveitam o sucesso de alguns filmes para lançar um jogo baseado no mesmo. O problema é que o tempo de desenvolvimento é relativamente curto, envolvendo, na maioria das vezes, apenas seis meses de produção. O pior de tudo é que, mesmo sendo ruins, muitos vende milhares de cópias, como é o caso de Iron Man, por exemplo. Ou seja, produção rápida, e, consequentemente, barata, com bons resultados.

Talvez sejam os motivos financeiros que ainda mantém estes péssimos jogos nas prateleiras. Você se lembra de algum jogo realmente bom baseado em filmes e lançado nesta geração de consoles? Pois é, tempos difíceis... Bem, mas ainda há esperança, pelo menos é o que os desenvolvedores sugerem.

Uma das últimas apostas das conversões foi The Golden Compass (A Bússola de Ouro, na versão brasileira), game lançado para Nintendo DS, Nintendo Wii, PC, PlayStation 2, PlayStation 3, PlayStation Portable e Xbox 360 — ou seja, todas as plataformas da atualidade. O jogo chegou às prateleiras no dia 04 de dezembro de 2007, um dia antes da estréia nos cinemas estadunidenses.

Como é possível perceber, temos sinal de mais uma produção apressada, lançada antes mesmo que o filme chegasse às telonas. Será mais um sinal de ambição, ou The Golden Compass, finalmente, irá reviver o incrível tempo em que os jogos baseados em filmes eram respeitados — como fez 007 Goldeneye, lançado para Nintendo 64 em 1997 —? Veremos se está bússola é capaz de nos orientar neste conturbado universo dos videogames.


Tradições desperdiçadas


É importante notar que The Golden Compass foi desenvolvido por ninguém menos que a Shiny Entertainment, equipe responsável também por jogos como Earthworm Jim e MDK, ambos bem aceitos pela crítica especializada. Sendo assim, as expectativas para The Golden Compass aumentam significativamente. A distribuidora é a SEGA, empresa que não contribui com grandes jogos para o mundo dos videogames nos últimos anos.

Além disso, vale citar que a obra Northern Lights, que originou o filme A Bússola de Ouro e foi escrita pelo britânico Philip Pullman, também originou uma legião de fãs. Basicamente, o livro conta a história de Lyra Belacqua, uma jovem garota que se aventura através de um universo paralelo em busca de seu amigo, Roger, e de seu pai, Lord Asriel, que está conduzindo experimentos misteriosos com uma substância chamada Dust (poeira).

Um bom livro e um bom filme. Mas e o game?

O livro foi lançado em 1995, mas a conversão para os cinemas só chegou ao ano de 2007. Nas telonas, a história é praticamente a mesma, com exceção do nome, The Golden Compass (A Bússola de Ouro). Estrelado por astros como Nicole Kidman, Daniel Craig e Dakota Blue Richards, a adaptação conseguiu captar toda a atmosfera fantasiosa da obra de Pullman, e o sucesso foi garantido.

Mas, nos videogames, as coisas são diferentes — o que é uma pena. Ao contrário do que se pode imaginar, a versão de The Golden Compass para os consoles não conta com uma trama semelhante ao filme. Se você nunca desfrutou de nenhuma das obras citadas acima, nas telas de cinema ou no formato de livros, provavelmente ficará perdido ao jogar The Golden Compass.

Uma bússola confusa


Basicamente, muitos momentos importantes da trama não são enfatizados no game. O jogo simplesmente não dá atenção para alguns eventos importantes, o que pode deixar o jogador realmente confuso. Mas, existem algumas semelhanças. Você assume o controle de Lyra, e tem de salvar Roger das mãos dos misteriosos sequestradores.

Além disso, a personagem também conta com a ajuda de alguns companheiros, como Pantalaimon (ou simplesmente Pan), a personificação da alma de Lyra e o urso Iorek. O Alethiometer, a bússola de ouro, também está presente no jogo. Para complementar, existem algumas cenas do filme que, supostamente, serviriam como auxílio para a trama. Contudo, o jogo não consegue unir os fatos para a criação de uma narrativa aceitável, o que acaba maculando a experiência do título e de toda a série.

A câmera fixa atrapalha em alguns momentos Fora a trama, The Golden Compass também decepciona em sua jogabilidade. Logo no início do jogo, você pode até achar que está domando um bom game. Ao começar a sua aventura, você irá notar certa semelhança com os jogos antigos de plataforma e aventura, em que não se pode movimentar a câmera manualmente. Esta impossibilidade nem sempre gera jogos ruins, como é o caso do excelente God of War, por exemplo.

Contudo, em The Golden Compass, a câmera é um dos elementos mais aterrorizantes. Muitas vezes, ela simplesmente se posicionará atrás de um objeto, atrapalhando a visão do jogador. Uma boa dica é usar a intuição e apertar seguidamente o mesmo botão para derrotar seus inimigos. Ou, na pior das hipóteses, reiniciar o nível e tentar novamente.

Nas costas de um urso


Mas, mesmo assim, pode-se dizer que os momentos de ação intensa, em que a câmera normalmente não colabora com o jogador, são os mais interessantes do game. Ao ser introduzido ao jogo, você assume o controle de Iorek, o famoso urso polar que aparece na capa do game. O grandalhão é capaz de se defender e utilizar suas garras para desferir diversos golpes em seus inimigos. Ao avistar os lobos, tudo o que se tem a fazer é pressionar determinado comando para iniciar uma combinação simples de golpes. O resultado é interessante, e não deixa a desejar. Passável.

Os momentos menos frustrantes estão nas costas de Iorek

Caso você elimine diversos inimigos consecutivamente, um medidor, chamado Rage, é preenchido. Tal recurso permite ao jogador desferir um golpe extremamente potente, que exerce um dano elevado a qualquer oponente que se encontre dentro do raio determinado. Além disso, Iorek também é capaz de agarrar seus oponentes e finalizá-los de diversas maneiras. Um “beat ‘em up” fantasioso, que chega a ser divertido.

A decepção em forma de minigames


Bem, após alguns minutos de jogo, a sua esperança de um jogo razoável vai por água abaixo. Quando você assume o controle da personagem feminina de A Bússola de Ouro, a ação é interrompida, e tudo se resume ao abuso dos eventos em mini-games contextuais.

Existem momentos em que o jogador deve explorar diversos locais para cumprir determinado objetivo. O problema é que tais ocasiões exigem uma exploração boba, nas quais o jogador procura bolas de gude e chaves para escapar. Nada muito divertido, e boa parte destes momentos acabam sendo frustrante.

Além disso, na pele de Lyra você também passará por alguns momentos em plataforma. Neles, você pode contar com a ajuda de Pan, que pode se transformar em até quatro formas diferentes. Cada uma delas conta com uma habilidade específica, que deverá ser utilizada para que a personagem alcance locais de difícil acesso, ou outros objetivos. É algo interessante, mas não constantemente utilizado.

Minigames e eventos como estes acabam com o jogo

Contudo, os momentos em que o jogador deve conversar com os demais personagens controlados pelo computador talvez sejam os mais irritantes do jogo. A desenvolvedora tentou criar algo interessante, mas o resultado final é uma experiência repetitiva e repleta de frustrações. Muitas vezes, você terá de conversar com os NPCs para obter informações. Para obter as respostas desejadas, o jogador não deve simplesmente conversar, mas sim completar diversos minigames.

Ao contrário do que se pode imaginar, tais eventos não possuem qualquer coesão com o jogo. São apenas minigames aleatórios, com vários objetivos diferentes. Como se não bastasse o exagero nestes eventos quando o jogador está no modo exploração, os momentos que, supostamente, seriam de ação, também acabam envolvendo estas atividades — o que é uma pena. Caso você encontre um inimigo na pele de Lyra, você terá de desviar de seus golpes através de um minigame.

Há também o Alethiometer, a bússola de ouro, outro elemento que pode ser usado em jogo por Lyra. Tal periférico é capaz de responder qualquer pergunta de Lyra, o que, aparentemente, é muito útil. Uma vez acionado, você participa automaticamente d eum minigame em que se deve manter o retículo no centro da bússola com o analógico direito, enquanto executa as demais ações pressionando os outros botões da face do controle. Mais uma sequencia de comandos.

Experiência desagradável


Como se não bastasse a terrível jogabilidade, inundada por eventos em minigames contextuais, os visuais do jogo também não são nenhum um pouco agradáveis. Pode-se dizer que a equipe de desenvolvimento não conseguiu captar toda a magia do filme ou do livro, já que a arte do jogo é extremamente genérica.

Exemplar dos gráficos do game Além disso, as animações são mal feitas, e os personagens não agem de maneira natural. Os ambientes também deixam a desejar, apresentando texturas borradas e ultrapassadas para qualquer plataforma. Ainda existem vários defeitos nos gráficos, como polígonos esquisitos e frestas pixeladas.


Felizmente, a música do título é fenomenal. Obras orquestradas regam a terrível experiência de The Golden Compass, e chegam a inibir alguns defeitos do jogo. As dublagens também não deixam a desejar, mesmo que, em algumas ocasiões, as falas dos personagens se sobreponham. Infelizmente, o restante dos efeitos sonoros são deploráveis.

The Golden Compass é apenas mais um jogo baseado em filmes que visa apenas o lucro. Infelizmente, nenhum dos elementos fabulosos do livro ou do filme está presentes no game. No lugar disso, tudo o que se tem é uma jogabilidade horrível encharcada por minigames repetitivos e frustrantes. Uma bússola realmente confusa, que nos obriga a indicar os jogadores e não comprarem este game.
Compre com o menor preço:
46 ps3
Ruim