Análise de The Incredible Adventures of Van Helsing

Em algum lugar entre o sombrio, o cômico e o high tech

É realmente difícil — quase impossível — ouvir falar de um novo lançamento com a marca “Van Helsing” hoje e não torcer o nariz. Mesmo se você for incrivelmente otimista em relação ao que é constantemente regurgitado pela indústria cultural, o rastro de clichês e abordagens descartáveis de um passado bastante recente é um sussurro sombrio e constante no ouvido de quem quer gastar algum dinheiro.

Quer dizer, a menos que se trate da obra-prima do escritor Bram Stocker — em que o personagem Abraham Van Helsing aparece pela primeira vez —, por que alguém gastaria com algo assim? Bem, no caso de The Incredible Adventures of Van Helsing, para ter um pouco de diversão descompromissada.

Img_normal

Caso você já tenha extraído tudo o que pode daquele seu RPG de ação preferido, há certamente alguns pontos que atraem a atenção para a criação da desenvolvedora Neocore Games. A atmosfera lúgubre, por exemplo, com demônios e seres sobrenaturais se esgueirando por todos os cantos — boa parte deles ostentando “melhorias” estilo steampunk.

E há ainda a relação curiosa entre o seu personagem — filho e herdeiro da profissão amaldiçoada de Van Helsing — e a sua sidekick bastante curiosa, Lady Katarina. Enfim, vale dar uma olhada mais de perto.

Se você é um fã de RPGs de ação, então pode valer a pena dar uma olhada em The Incredible Adventures of Van Helsing. Afinal, há aqui boa parte dos elementos tradicionais do gênero. Nada muito original, é verdade. Mas as coisas funcionam. Além disso, há uma boa história, a qual vem temperada por uma atmosfera rica, localizada em algum lugar entre o cômico, o sombrio e o high tech.

Img_normal

Entretanto, fica o aviso: não espere encontrar aqui o desempenho de um jogo peso-pesado como Diablo. Diversos elementos são bastante incipientes, algumas evoluções são simplesmente superficiais e... Convenhamos, a única classe disponível aqui é a “Van Helsing”. Vale a pena para uma diversão tranquila, sobretudo para quem já esgotou seus ARPGs preferidos e gostaria de encontrar alguns demônios novos.

Diretamente de um filme “B” do Drácula

Não entenda mal, isso pode realmente ser algo positivo. Quer dizer, não, não há uma história do naipe de Drácula aqui e tal.

Mas a curiosa mistura entre os elementos originais do mundo sobrenatural de Bram Stocker e as tiradas de humor — além da estética steampunk, com geringonças cheias de raios e elementos afins — realmente serve como um bom chamariz para a história contada pelo game.

Bom sistema desenvolvimento

As árvores de habilidades e dimensões físicas do personagem talvez não tenham um tratamento tão bem polido quanto o de Diablo. Mas eles funcionam — não falham em provocar aquela sensação de conquista do tipo “preciso ter esse upgrade para disparar raios com a minha novíssima espada mágica!”.

Combates épicos

É fácil subestimar The Incredible Adventures of Van Helsing, já que se trata aqui de um “cover” óbvio da franquia tradicional da Blizzard. Mas, sim, a despeito do que as origens poderiam sugerir, os combates fazem, de fato, um bom trabalho aqui.

Não que seja algo realmente complexo, nem de longe. Você simplesmente selecionará algumas armas/magias para ataques à longa distância e também manterá sempre à mão a sua garrucha.

Uma ajudinha sobrenatural

O Van Helsing aqui não é mais o caçador solitário clássico. Bem, agora você ao menos tem uma boa companhia sobrenatural. Lady Katarina é um fantasma que foi salvo certa vez por seu pai, Abraham Van Helsing. Desde então, ela tem ajudado a família Van Helsing em diversas missões ingratas envolvendo o mundo dos espíritos.

Entretanto, além da boa história de parceria — e de algumas tiradas sexistas bem colocadas —, Lady Katarina também serve com um belo reforço no campo de batalha. Além de possuir suas próprias habilidades e magias, a sua coadjuvante ainda pode ser orientada sobre como se portar durante uma batalha (atacando de longe, protegendo o seu personagem, coletando espólios etc.).

Interface um tanto bagunçada

É realmente difícil se encontrar entre as diversas janelas mal organizadas da interface de The Incredible Adventures of Van Helsing. Inventários são posicionados de forma estranha, árvores de atributos podem ser facilmente esquecidas por se localizar fora do campo de visão.

Além disso, selecionar armas e magias durante as batalhas pode ser um verdadeiro parto. Você aprende, é claro. Mas a coisa bem que poderia ser um tanto mais intuitiva.

Encare o multiplayer se puder

Desnecessário dizer, mas jogos com a proposta de The Incredible Adventures of Van Helsing têm o elemento “multiplayer” como algo incrivelmente central — tradição desenvolvida em Diablo, naturalmente.

Sim, há um multiplayer aqui. Entretanto, há apenas uma única classe disponível (o próprio Van Helsing, naturalmente), o que certamente limita consideravelmente a jogabilidade. Além do que, encontrar rivais online pode ser realmente complicado — o melhor mesmo é chamar seus próprios amigos.

75 pc
Bom