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The Last of Us Part II
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The Last of Us Parte II é uma experiência INCRÍVEL, INTENSA E BRUTAL

Ruan Segretti

The Last of Us é um fenômeno. O primeiro capítulo, lançado em junho de 2013, conquistou centenas de milhares de fãs em todo o mundo. O game conta a cativante história de Joel e da jovem Ellie que atravessam os Estados Unidos para ter uma chance de livrar a humanidade do Cordyceps. Um tipo de fungo endoparasita, que cresce principalmente em insetos e outros artrópodes.

Em algum momento, esses fungos sofreram uma mutação e passaram a infectar seres humanos. Falando beeeem por cima, esse é plot de The Last of Us. Sete anos, um remaster, uma dlc e uma HQ depois, a Naughty Dog está pronta para apresentar ao mundo a continuação dessa história. 

The Last of Us Parte II se passa quatro anos depois do final do primeiro. Ellie agora já não é uma garotinha assustada com uma arma, muito pelo contrário: ela se tornou uma jovem forte e decidida que tem uma vida que pode ser considerada bem “normal” dentro da comunidade de Jackson. Sair para fazer patrulhas, matar infectados e garantir a segurança de todos que moram ali estão entre seus afazeres diários. 

A primeira vista vendo aos trailers o jogo parece se tratar de uma simples “história de vingança”, mas quando nos aprofundamos e conhecemos novos personagens e locais, temas bem mais profundos ficam à tona. Passamos a encarar a narrativa não só como uma corrida pela vingança, mas também sobre como difamamos e desumanizamos as pessoas que não pertencem ao nosso convívio social, não pertencem a nossa bolha.  

The Last of Us Parte II também é sobre quando nos tornamos obsessivos. Existem momentos no game que faz você se questionar e colocar em uma balança, “quando é hora de deixar para lá e quando você deve aguentar a qualquer custo”. Esta é uma história de trauma, redenção e empatia.

Ao contrário do primeiro game que mostra o ciclo do amor, aqui a narrativa está voltada para o ciclo do ódio e de maneira brutal. Cada cutscene colocada à frente dos seus olhos tem o objetivo de fazer você ter os mais diversos sentimentos, a intenção da Naughty Dog é óbvia: fazer o espectador passar exatamente a mesma coisa que os personagens estão passando. E eles acertam em cheio nesse ponto. Você vai a todo instante aflorar diferentes sentimentos e ficar, puto, feliz, aliviado, nervoso, tenso, absolutamente tudo enquanto acompanha a saga da protagonista rumo a cumprir seu objetivo. 

Toda essa montanha russa emocional é sustentada por um alicerce: um gameplay bem estruturado e evoluído, que apesar de não reinventar a roda, se mescla perfeitamente ao que o jogo pretende ser: uma viagem de autoconhecimento da protagonista.  

A Naughty Dog não poupou esforços para construir este mundo, que é real e palpável como poucos que já vimos – e olha que estamos falando da produtora que fez games como a franquia Uncharted. 

Apesar de ter uma proposta de linearidade, ele esbanja criatividade e uma estratégica construção de ambientes que faz você querer andar por cada centímetro dos locais por onde você passa. Como o próprio Neil Druckmann falou durante uma das lives de apresentação do jogo, The Last of Us Parte II recompensa quem for minucioso na exploração. Não só com munição e suprimentos, mas também com arquivos com informações de pessoas, códigos para abrir cofres, colecionáveis e armas. 

Por mais que o jogo se atenha a um objetivo principal em cada sessão, você vai passar algumas horinhas vasculhando cada gaveta, baú, armário, só para ter certeza que pegou tudo. Pode parecer trivial, mas essa atividade não é maçante e acaba sendo realmente recompensadora. 

Mas é importante ter cuidado para onde você anda, infelizmente, ao cair em algum buraco ou atravessar alguma cerca pode ser impossível retornar, a não ser utilizando o bom e velho salvador da pátria “Load Game”. Isso indica que você acaba de passar por um tipo de checkpoint, Apesar de parecer quebrar o clima da exploração  é feito de uma maneira natural e não de modo brusco como colocar uma parede invisível que o personagem não pode atravessar.  

Mesmo que você não queira andar por aí caçando quinquilharias, só de poder admirar o ambiente, já vale o esforço. Graficamente, o jogo é maravilhoso. Vale a pena entrar no modo foto e admirar as paisagens e feições dos personagens e até dos animais. Talvez todo esse capricho tenha gerado um problema: a reutilização exagerada do mesmo modelo para os inimigos humanos. 

Não é raro ver um NPC hostil e poucos instantes depois, sem nem precisar nem ir muito longe um outro igualzinho, como se fossem gêmeos idênticos. Isso entra em conflito com uma característica bem presente no game: a humanização dos inimigos comuns. Se prestarmos atenção às falas dos adversários, é possível reparar que eles se tratam por nomes, é comum ouvir um “Sarah, dá uma olhada na rua, acho que o intruso está por lá” ou quando encontram seus companheiros mortos chamam por eles e parecem até sentir a dor de perder um colega. 

Então é de se estranhar que a desenvolvedora tenha se preocupado nessa parte  de diferenciar um do outro dando nomes e não tenha se atentado a diversidade dos modelos dos inimigos.

Exploração e Mecânicas: o casamento perfeito

Toda essa parte de exploração casa muito bem com as novas mecânicas adicionadas ao jogo, uma delas é o salto. No primeiro capítulo da série existia um botão para escalar, agora esse botão evoluiu para um pulo. Ao me embrenhar pelos ambientes do game reparei bem contente que essa novidade não foi colocada aqui só para passar por buracos em sequências scriptadas. 

Existem diversos locais não obrigatórios que o jogador deve usá-lo para adquirir itens e munições. A protagonista vai encontrar por aí pedaços de trapos, garrafas, álcool e outros materiais para fabricar itens que vão ser uma mão na roda na hora de enfrentar inimigos, sejam eles infectados ou humanos. 

Esse material todo é utilizado em sistema de crafting que é totalmente chupinhado do primeiro game, quando precisar fazer um molotov, por exemplo, basta abrir o menu e selecionar o item e prontinho, é fácil, entretanto é bom tomar cuidado para não tomar umas bordoadas enquanto está produzindo seu item. É importante lembrar também que estamos em um mundo pós apocalíptico e materiais não são tão abundantes assim, melhor pensar bem ao escolher o que fazer, contudo apesar de toda essa neura de economizar materiais, por várias vezes me peguei com o inventário cheio de mais para pegar coisas novas, então não precisa também ser TÃO mão de vaca com seus itens.

Outra mecânica que está de volta é a de arremessar objetos para atordoar os inimigos ou chamar a atenção. Garrafas e tijolos podem ser usados para dar uma forcinha na hora do combate e “abrir” a defesa dos inimigos - eu só não entendi muito bem porque não podemos usar essas garrafas para fazer os molotovs, mas tudo bem vai. 

Se você achou que ta tudo muito parecido com o primeiro jogo nesses últimos pontos, você está certíssimo, mas agora vamos falar sobre uma outra novidade: a esquiva. Depois de tantos anos em um apocalipse com infectados correndo atrás de você, é de se esperar que a galera aprenda um truque ou dois. Quando apertado no momento correto, o botão L1 faz a protagonista desviar de ataques simples, como uma coronhada, ataques com armas brancas ou agarrões e pancadas de monstros. Essa novidade dá uma diferenciada naquela movimentação pesadona de Joel em The Last of Us Parte I e traz uma nova dinâmica e camada extra de profundidade aos combates. 

Às vezes correr e se esconder é a melhor solução 

The Last of Us Parte II permite ao jogador escolher seu estilo de jogo: um jeitão mais cadenciado e na base do stealth ou pegando a 12 e estourando miolos de tudo quanto é ser que ousar atravessar seu caminho. É claro que o segundo método não é tão simples quanto parece, afinal munição é bem escassa no jogo.

Para evitar essa dor de cabeça, a solução é ir na miúda usando outra novidade: deitar-se no chão. Esse movimento permite que praticamente fiquemos invisíveis para alguns inimigos, – ok não realmente invisíveis, mas MUITO bem camuflados. Além disso, enquanto estiver deitada, a personagem pode fazer diversas coisas, como mirar, atirar, usar medicamentos, acessar o menu de melhorias etc. dá pra usar e abusar disso.

O que às vezes gera até uma confusão. Existem momentos que os adversários conseguem te ver a distâncias ABSURDAS e em outros você simplesmente passa DO LADO deles, apenas abaixado, e eles nem dão bola ou demoram séculos para reparar alguma coisa.

É óbvio que temos que entender esse tipo de coisa e não levar tudo para o realismo, senão seria impossível termos jogos de stealth, mas é bem engraçado ver o inimigo confuso e pensando: "Deve ter sido o vento" ou "Ué, eu tinha certeza de que havia algo ali". 

Um pouco diferente do que acontecia em The Last of Us Parte 1, aqui se eu companheiro NPC for visto por algum inimigo eles vão ficar meio em alerta, não vão sair por aí atirando desenfreadamente, mas também não é como antes quando Ellie praticamente dançava a Macarena no meio de um grupo com 20 soldados e ninguém nem ligava. 

Outro ponto legal de comentar sobre os companheiros é vez ou outra quando você atacar alguém furtivamente e um oponente te ver, seu colega vai dar uma forcinha acabando com ele para você ou atacando outro bicho que esteja distraído é bom ver essa mecânica funcionando, pois mostra algumas interações entre os personagens e um aprofundamento na relação deles. 

Mas mesmo quando você está sozinho acabar com grandes grupos não é uma tarefa tão complicada já que você pode fazer uso do Modo Escuta para ajudar a detectar seres vivos que fazem barulho nas proximidades e também revela o caminho do cheiro que os cachorros percorrem antes e te encontrar e te abocanhar. 

Se mesmo assim algum inimigo te ver correr pode ser a melhor solução. Depois de um breve tempinho a galera te perde de vista e você pode voltar à sua matança desenfreada, tranquilamente, mas eles ficarão em estado de alerta e ao menor sinal de  intruso, descarregarão saraivadas de tiros e em você

Upando para vencer

Outra mecânica que está de volta são os upgrades de armas e das habilidades. Da mesma forma que em seu antecessor, esses melhoramentos são feitos usando suprimentos e peças. Ao encontrar uma bancada de ferramentas podemos dar um tapinha nas armas, como acoplar uma mira telescópica no rifle.

Já no caso das habilidades usamos os suplementos para liberar uma nova competência para a protagonista. Mas não é só isso, para descobrir novas árvores de habilidades é preciso encontrar manuais espalhados por aí, então, tá aí mais um motivo para explorar direitinho. Mas não importa o quanto de exploração você fizer, será impossível upar todas as skills, isso só vai rolar em um New Game+. Mas não se preocupe, você com certeza vai ter vontade de jogar mais uma vez. 

Acredite, você vai precisar desses upgrades na hora de enfrentar os infectados, principalmente um novo filho da mãe conhecido como trôpego. O bicho não chega a ter a defesa de um Baiacu (um monstro com uma camada dura de fungos que o protege de tiros), mas ele conta com um ataque à longa distância que espalha um tipo de nuvem corrosiva. Você vai também querer estar longe quando ele morrer, com seu último suspiro de vida, o desgraçado explode esse mesmo material ácido. O design e a movimentação desses monstros são bem legais e eles também oferecem uma luta divertida e intensa. 

Os Espreitadores, estão de volta, eles apareceram apenas uma vez bem rapidinho no primeiro game. Eles são bem complicados, não por serem difíceis de derrotar, mas por serem sorrateiros. O Modo Escuta não funciona muito bem neles, só conseguindo detectá-los quando já estão próximos suficiente para atacar. Isso sem contar os sustos e o clima tenso que eles dão ao ambiente - o que às vezes é muito bem vindo para dar aquela sensação de terror. 

Na verdade, tudo é construído para oferecer sensações ao jogador, desde a construção dos monstros e os relacionamentos entre os personagens até o tom de voz das pessoas que falam com você, o que me lembra que o trabalho de dublagem em português-brasileiro está magnífico. A atuação vocal é impecável e o timbre passa exatamente aquilo que o jogo tem a intenção de passar.

Vale a pena?

The Last of Us Parte II é maior, mais detalhado e mais difícil que seu antecessor. Apesar de trazer algumas novidades para a jogabilidade, ele não reinventa a roda quando pensamos em outros games do gênero. Isso não é necessariamente um ponto negativo, já que para um jogo ser ótimo, não é necessário que ele invente algo totalmente inédito e revolucionário. Na minha primeira gameplay, que é bom enfatizar teve 25 horas no total, não consegui encontrar um ambiente que eu não tenha achado bonito em algum aspecto. 

Mas me incomodou o fato de os inimigos serem muito confusos em relação ao campo de visão, uma hora parecendo ter a visão além do alcance dos ThunderCats e outra hora sendo mais míopes que o Mr.Magoo essa inconsistência dá uma quebrada no clima de tensão que algumas partes do jogo impõe. Além  da quantidade de modelos iguais.

Infelizmente, outro ponto que me desagradou um pouco não posso comentar, porque seria considerado spoiler e como citei lá no início da análise, estamos bem restritos com o que podemos mostrar e falar... por enquanto. O que posso dizer é que algumas histórias de personagens parecem ou ficar sem um desfecho ou não terem sido tão bem aproveitadas. 

Resumindo, mesmo com alguns pequenos escorregões, The Last of Us Parte II é uma experiência INCRÍVEL, INTENSA E BRUTAL.

The Last of Us Part II foi gentilmente cedido pela PlayStation para a realização desta análise

97 ps4
Excelente
"uma experiência INCRÍVEL, INTENSA E BRUTAL"

Pontos Positivos

  • Exploração que te faz querer visitar cada pedacinho do mapa
  • Uma história brutal, comovente e profunda
  • Dublagem impecável
  • Fator Replay com um New Game+ diferenciado

Pontos Negativos

  • Pouca diversidade de modelos dos inimigos
  • O campo de visão dos inimigos humanos é inconsistente
  • Algumas histórias secundárias poderiam ter sido BEM melhor aproveitadas
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