A última grande história do Wii finalmente em sua casa

Por muito pouco os donos do Nintendo Wii não deixaram de poder experimentar The Last Story. Assim como aconteceu com Xenoblade Chronicles, a Nintendo só decidiu trazer o game para o mercado norte-americano após a Operação Rainfall, através da qual milhares de donos do console se uniram para mostrar que havia sim interesse nesses títulos (e em Pandora’s Tower, cujo lançamento permanece incerto).

Dirigido por Hironobu Sakaguchi e contando com uma trilha sonora composta por Nobuo Uematsu (dois dos principais responsáveis pelo sucesso da série Final Fantasy), o game chegou aos Estados Unidos no último dia 17 de agosto. O título conta a história de Zael, um jovem membro de um grupo de mercenários que se vê preso em meio a uma trama que envolve disputas políticas, paixões impossíveis e a volta de um mal ancestral.

O TecMundo Games passou várias horas explorando cada canto do jogo e traz para você a análise completa deste que pode ser o último grande lançamento para o já semiaposentado Wii.

Em uma época em que os lançamentos do Wii estão cada vez mais escassos, The Last Story chega como prova do potencial desperdiçado do console. Mesmo que fizesse parte de uma safra rica de lançamentos, o game conseguiria se destacar tanto pelo seu sistema de combates envolvente quanto pela sua apresentação, que aproveita muito bem o potencial da plataforma da Nintendo.

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Embora não fuja de convenções estabelecidas pelos RPGs orientais no que diz respeito à sua história, o game prova que ainda é cedo para decretar o fim do gênero. Apesar de apelar para muitos clichês, o título possui uma gama de personagens bastante carismática — o fato de que a aventura principal dura entre 20 a 25 horas para ser completada faz com que ela progrida em ritmo rápido, sem se tornar cansativa ou repetitiva.

The Last Story é um excelente motivo para você tirar a poeira de seu Wii e gastar mais algumas horas com o console da Nintendo. O fato de que o game, em sua primeira leva, acompanha uma caixa especial e um livro com artes conceituais belíssimas serve como um estímulo extra para que você o adicione o quanto antes à sua coleção.

Sistema de batalhas

Quem não gosta de RPGs orientais devido ao tradicional sistema de turno incorporado por eles não tem com que se preocupar em The Last Story. Misturando elementos de estratégia, momentos furtivos e muita ação, as batalhas do game acontecem em ritmo rápido, sem que você tenha que ficar se preocupando em selecionar muitos comandos ou esperar que algum medidor de tempo seja carregado.

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Durante a aventura, você conta com o auxílio de até cinco companheiros com habilidades próprias que são totalmente controlados pela inteligência artificial. Conforme você progride, são adquiridos poderes especiais que permitem aproveitar os elementos de um ambiente para seu benefício ou dar ordens específicas a seus aliados.

O destaque fica por conta do comando “Gathering”, que, ao ser acionado, faz com que a atenção de todos os inimigos seja voltada para o protagonista Zael. Isso adiciona um caráter mais estratégico ao game, já que muitas vezes é preciso atuar como uma forma de distração enquanto um aliado prepara uma magia ou se movimenta para flanquear alguma criatura poderosa.

Todo o poder do Wii

Apresentando uma direção de arte primorosa, The Last Story definitivamente é um título que tira proveito de todo o hardware limitado do Wii. Fica evidente a atenção que a Mistwalker deu para o desenvolvimento dos personagens, especialmente aqueles que fazem parte do elenco principal.

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Todos os protagonistas do título possuem um visual único, além de contarem com animações bastante impressionantes para a plataforma da Nintendo. Além disso, cada um dos ambientes pelos quais você passa durante o game conta com elementos próprios que ajudam a aumentar a imersão na história.

Outro destaque fica por conta dos inimigos, que se adaptam muito bem às suas áreas de origem e dificilmente são apresentados de maneira repetida. Claro, há momentos em que há simples mudanças de paletas de cores, porém isso não acontece em um ritmo muito frequente, e a introdução constante de novas categorias de adversários deixa o jogo com um ar de novidade constante.

Produção sonora inspirada

Conhecido por compor nada menos que o tema clássico de Final Fantasy, Nobuo Uematsu entrega em The Last Story um de seus melhores trabalhos dos últimos anos. A trilha sonora do game casa muito bem com o que é mostrado na tela, e sempre há um ótimo balanço entre os momentos em que uma música é necessária ou quando o silêncio se mostra a melhor arma para ajudar a dar o tom correto da narrativa.

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Da mesma forma, o trabalho de dublagem também se mostra surpreendente. Apesar de haver atores que desempenham vários papéis (especialmente entre os habitantes das cidades), todos os protagonistas possuem vozes marcantes e que ajudam a transmitir muito da personalidade de cada um deles — a mistura de sotaques britânicos e escoceses também ajuda a dar um charme bastante especial ao título.

Eu já vi essa história antes

Protagonista corajoso e com coração puro, princesa em apuros que se revela uma guerreira talentosa, vilão que pretende acordar um mal antigo para dominar o mundo — elementos que fazem parte do roteiro de The Last Story e de mais centenas de RPGs japoneses lançados até hoje.

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Quem procura uma história totalmente original infelizmente não vai encontrar muitas novidades no jogo da Mistwalker. Toda a aventura passa uma grande sensação de familiaridade, e é difícil não se pegar adivinhando o desfecho de alguma trama secundária ou o surgimento de alguma reviravolta.

Não que a história em si seja ruim, mas o fato de que ela se aproveita de diversos clichês acaba depondo contra os roteiristas responsáveis por sua composição. Felizmente, a presença de personagens carismáticos minimiza um pouco o problema, evitando que The Last Story acabe se provando somente uma reencenação de games lançados anteriormente.

Abusando do Wii

Infelizmente, nem mesmo o talento do time de desenvolvedores foi capaz de superar as limitações do Wii. Apesar de se adaptar bem ao hardware da plataforma, não são raros os momentos em que o título apresenta alguma espécie de lentidão, especialmente em cenas nas quais muitos elementos são exibidos simultaneamente.

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Embora isso em nenhum momento chegue a atrapalhar muito a diversão, não é nada agradável se ver em meio a uma batalha na qual tudo acontece em câmera lenta de maneira não intencional. Felizmente, ciente desse problema, a desenvolvedora deixou em um número mínimo a quantidade de confrontos em que uma quantidade muito grande de adversários é apresentada.

Multiplayer para quê?

É difícil entender os motivos pelos quais um modo multiplayer foi incluído em The Last Story. Além de não oferecer muito mais do que alguns itens extras que podem ser usados na aventura principal, essa opção sofre pela falta total de pessoas interessadas em conferi-la — durante os testes realizados pelo BJ, foi difícil encontrar alguma partida que sequer chegasse ao número mínimo de participantes recomendado pelos desenvolvedores.

85 wii
Ótimo