Análise de The Legend of Zelda: Twilight Princess

Apesar de apresentar poucas mudanças em relação aos seus antecessores, o jogo é um dos mais compridos da série e tem ótima aparência.


A renomada e respeitada série de aventura e ação, The Legend of Zelda, atravessou diversas gerações, chegando ao seu 12º título, com o lançamento de The Twilight Princess para Wii. Contando com personagens de mesmos nomes e características, inimigos e cenários repletos de fantasia e um enredo cheio de reviravoltas, o novo título traz os mesmos elementos que fizeram com que a série fosse tão aclamada pela crítica. Contudo, peca em um aspecto que parecia demorar a aparecer em uma série de tão longa data: a falta de novidades.

Para quem não sabe, The Legend of Zelda é uma franquia exclusiva da Nintendo que tem mais de 20 anos — e 47 milhões de unidades vendidas até hoje. Considerada por muitos uma das mais influentes e revolucionárias séries de video game, ela traz desde o primeiro game uma fórmula fadada ao sucesso: aventuras emocionantes, puzzles de quebrar a cabeça e muita ação.

Em sua trajetória, a franquia de Shigeru Miyamoto experimentou diversos consoles. Sua estréia aconteceu em 86 no NES (Nintendo Entertainment System), com The Legend of Zelda, trazendo inovações incríveis para a época, como a possibilidade de se carregar diversos itens e salvar seu progresso no cartucho. O pulo da série para o Super Nintendo aconteceu 6 anos mais tarde, com The Legend of Zelda: a Link to the Past. Trazendo os mesmos elementos que fizeram da série um sucesso, o game teve melhoras em sua mecânica e trouxe inúmeros itens novos, que mais tarde seriam usados nos títulos seguintes, como o hookshot.

No entanto, o grande passo da já consolidada franquia foi tomado em 199,8 com o lançamento de The Legend of Zelda: Ocarina of Time para o Nintendo 64. Sendo o primeiro jogo da série lançado para uma plataforma que suporta gráficos 3D, o título deu uma nova perspectiva à maneira de se jogar não só Zelda, como todo o gênero de ação/aventura. A sensação de liberdade, o modo novo de se desenhar quebra-cabeças e a forma como o protagonista combate seus inimigos são aspectos que Ocarina of Time apresentou ao mundo, os quais foram bastante copiados por outros jogos do gênero mais tarde.
 

Os principais elementos ainda se remetem aos jogos anteriores 

 
Assim como na maior parte dos jogos da série, o jogador está, desta vez, na pele do jovem Link, que agora trabalha em uma fazenda no pacato vilarejo de Ordon. Porém, uma nova aventura começa quando seus melhores amigos são raptados e o herói, transformado em um lobo e levado a mundo estranho e amedrontador. Tal mundo recebe o nome Twilight Realm, onde são aprisionadas as almas das pessoas capturadas.
 
Link, então, conhece Midna, uma estranha criatura que o ajuda ao longo de sua aventura e se propõe a tirá-lo de lá. O enredo, apesar de soar estranho, possui os mesmos elementos das outras versões da série, no entanto muito mais extenso desta vez. Terminar o game é uma tarefa que leva em média 50 horas, tornando essa versão uma das mais longas de toda a série.

Diversos locais visitados em outros títulos de Zelda podem ser encontrados no game, como o pacato vilarejo Kakariko (que leva à entrada da perigosa Death Mountain) e o vasto Hyrule Field, proporcionando a sensação confortável ao jogador familiarizado com a série. Há ainda uma princesa chamada Zelda, como sempre, que precisa de ajuda para salvar seu reino das forças do mal. Apesar de todas essas semelhanças, o jogo se passa cerca de 100 anos após os eventos ocorridos em Ocarina of Time, sendo Link e a princesa Zelda outros que não os do aclamado título do Nintendo 64.

Um herói literalmente animal

Quem já teve a oportunidade de jogar algum game em plataforma 3D da série provavelmente deve se perguntar como diabos o controle do Wii funcionaria em um jogo tão tradicional. De fato, há mudanças, entretanto a experiência final acaba por ser bastante semelhante. Os ataques de Link agora são realizados através de movimentos do controle sensível a movimentos, do Wii. Com movimentos diferentes, obtêm-se ataques diferentes.

O recurso, exclusivo do console da Nintendo, também é requisitado no uso de certos itens. O estilingue e o bumerangue, por exemplo, agora têm um novo sistema de mira muito mais simples, que consiste no simples apontar do controle ao sensor do videogame. Há ainda outras utilidades mais específicas, como no caso da pescaria, em que o jogador deve simular o movimento do puxar da vara para conseguir pegar um peixe preso na isca, trazendo realismo à experiência e, por vezes, fazendo até com que você se sinta realmente pescando.

Outra grande novidade do game é a forma de lobo que Link assume ao entrar no Twilight Realm. Ao se transformar no animal, o protagonista corre mais rapidamente e tem a possibilidade de cavar buracos em determinados lugares para alcançar áreas que não podem ser alcançadas na forma de humano. O fato de se ter que jogar por tanto tempo como um animal pode parecer frustrante para os entusiastas da série, no entanto essa sensação logo desaparece ao descobrir o quão bem feito o personagem é como canino.

Com a ajuda de Midna, cujos poderes funcionam apenas no Twilight Realm, Link em sua forma animal tem a possibilidade de realizar ataques especiais, se teletransportar e chegar a lugares altos ou distantes demais para serem alcançados normalmente. Outro recurso de Link, quando transformado em lobo, é o comando “sense”, o qual permite ao personagem perceber coisas através do instinto. Portanto, o jogador pode achar inimigos e personagens que não encontraria normalmente.

Link, em sua forma humana, não é muito diferente das versões anteriores. Os ataques básicos são bastante parecidos com os dos outros títulos da série, porém, às vezes, respondem de forma aleatória aos movimentos realizados com o Wii Remote e o Nunchuk. Todavia, há a possibilidade de se aprender golpes novos com um guerreiro antepassado em forma de lobo, aumentando bastante o seu leque de ataques. Diversos itens das outras versões também foram mantidos, e o eficiente sistema de acesso a eles é semelhante ao dos seus antecessores; é possível usar o estilingue e as Iron Boots, por exemplo, com um simples toque no direcional.

Assim como em Ocarina of Time e Majora's Mask, Link conta com sua companheira fiel, Epona, uma égua amigável e muito útil para cruzar o vasto Hyrule Field, o principal campo de acesso aos principais lugares do jogo. Desta vez, é possível combater montado na égua, utilizando a espada para enfrentar os inimigos. A despeito disso, na maior parte das vezes é muito mais fácil simplesmente atropelar seus oponentes ao invés de combatê-los com a espada. É possível também chamar Epona e outros animais através de uma planta específica que funciona como um instrumento musical de sopro, recurso bastante semelhante à ocarina de Ocarina of Time.

O vasto mundo de Hyrule

Os extensos campos de Hyrule foram mantidos em Twilight Princess, assim como o pequeno vilarejo situado na floresta, a cidade de Hyrule, a Death Mountain e o vilarejo Kakariko, todos com nova cara e habitantes (a despeito das raças características de cara área continuarem sendo iguais). No geral, o universo no qual a série se passa não mudou muito, ganhando apenas novos aspectos e arte, o que faz com jogador que já experimentou os outros games da série sentir-se muito familiarizado.

Os templos também seguem a mesma linha, contendo puzzles com a mesma fórmula que fez sucesso em Ocarina of Time. Portanto, prepare-se para utilizar chamas e acender tochas, queimar teias de aranha ou explodir pequenas rachaduras para abrir passagens secretas. Desta vez, contudo, há quebra-cabeças mais complicados, que exigem tanto a forma humana de Link quanto sua forma de lobo, fazendo o jogador alternar entre as 2 diversas vezes até desevendar um determinado segredo.

Os sons ainda valem mais que mil palavras

A franquia The Legend of Zelda sempre foi famosa pela trilha sonora e pelos sons que sucediam a descoberta de itens importantes, ou não tão importantes assim. No novo título, grande parte deles foi mantida, sendo possível ouvir a clássica música que toca quando baús contendo itens de importância são abertos, ou quando um puzzle em determinada área é resolvido, por exemplo. Estes efeitos já são praticamente uma narração do que se passa no jogo, sendo reconhecidos até por quem pouco experimentou as versões anteriores da série.

Assim como nos títulos anteriores, em Twilight Princess não há vozes promovendo o diálogo, apenas exclamações ou manifestações verbais de dúvida, por exemplo. A única excessão neste caso é Midna, que apresenta diálogo verbal, porém em uma língua irreconhecível. Apesar das legendas apresentarem todas as falas dos personagens, nem uma única palavra do protagonista é representa em forma de diálogo, seja de modo verbal ou escrito.

Apesar das limitações, o trabalho artístico é de tirar o chapéu

É difícil falar dos gráficos de Twilight Princess sob uma perspectiva técnica, pois a capacidade do Wii neste aspecto é bastante limitada em relação aos outros consoles contemporâneos (Xbox 360 e PS3). Pode-se dizer, então, que eles não apresentam um aspecto negativo no game. Para os fãs da série, os gráficos do game são mais do que suficientes para garantir a diversão.

O título acaba ganhando mérito no aspecto gráfico por conta do incrível desenho dos personagens, além dos cenários e seus elementos. Os personagens são bastante coloridos, possuem figurino interessante e são animados o suficiente para permitirem que o jogador perceba suas emoções nas cutscenes (mesmo Link em sua forma de lobo deixa representa suas emoções através de expressões faciais).

Além disso, o clima sombrio que o Twilight Realm traz com seus portais construídos em quadrados traz um aspecto computadorizado à estética do game. Link, ao entrar nesses portais, é desconstruído em quadrados e reconstruído ao chegar ao seu destino, dando um toque de tecnologia contemporânea ao clima épico no qual o jogo se passa.

Alusão ou cópia?

Uma das principais falhas do game são os controles, que não funcionam sempre da forma como você deseja, principalmente ao se manejar a espada. Os golpes simulados pelo jogador com o Wii Remote e o Nunchuk em mãos nem sempre são interpretados da maneira correta pelo game. Portanto, um simples chacoalhar aleatório destes se torna o suficiente para se vencer os inimigos.

O título foi bastante criticado pela ausência de vozes dubladas nas falas dos personagens, o que não é necessariamente ruim. Todos sabemos que a tecnologia atual permite a adição de vozes reais e que diversos artistas famosos estariam dispostos a dublar os fantásticos personagens da série. Porém, o método usado é um quesito tão marcante da série que, se retirada, descaracterizaria um elemento importante do game. Além do mais, as legendas, aliadas às incríveis expressões faciais dos personagens, se mostram mais do que suficientes para imergir o jogador no excelente enredo do jogo.

The Legend of Zelda Twilight Princess foi bastante criticado por conta de sua enorme semelhança aos títulos anteriores da franquia. Para o jogador que procura algo completamente diferente e inovador, a experiência que este título proporciona é decepcionante, ao menos a princípio. Mas para entusiastas da série ou fãs de títulos anteriores isolados (principalmente do aclamado Ocarina of Time) esta versão é bastante recomendada, pois traz os mesmos elementos que fizeram da série um sucesso: um enredo muito bom, personagens e cenários extremamente cativantes e quebra-cabeças com dificuldade na medida certa.


87 wii
Ótimo