Análise de The Lord of the Rings: Aragorn's Quest

Versão para o console da Sony vem acompanhada de muitos deslizes técnicos

Com a destruição do grande anel e de Saruman, uma era de paz e de reconstruções finalmente paira sobre a Terra Média. Muitos dos heróis partiram rumo a novas descobertas, no entanto, Samwise Gamgee — eterno escudeiro de Frodo — decidiu permanecer no Condado, servindo à comunidade no papel de prefeito.

A vida também trouxe uma esposa e quatro filhos ao nobre Hobbit, que agora tem como dever renarrar todos os fatos aos pequenos da região.

Img_normal

É a partir da imaginação das crianças que se desenvolve parte de The Lord of the Rings: Aragorn’s Quest. Inimigos são idealizados e surgem como espectros, fora da narrativa central, enquanto a história de Aragorn recebe um visual bem mais leve, com traços desenhados e pouquíssima violência.

Infelizmente, a versão para PlayStation 3 é uma mera conversão do jogo lançado para Wii, tendo recebido um tratamento inadequado no que diz respeito aos controles e aos gráficos. Abaixo, você confere a análise completa do TecMundo Games.

Muitos podem alegar que The Lord of the Rings: Aragorn’s Quest é um jogo mais leve, voltado ao público infantil. No entanto, tal ideia não pode, em momento algum, servir para justificar a falta de qualidade do projeto, notável do início ao fim da campanha principal.

Img_normal

O conteúdo das versões para Wii e PlayStation 3 pode ser basicamente o mesmo — e entediante em muitos setores —, mas o jogo se sai melhor no console da Nintendo por apresentar controles melhor adaptados e gráficos compatíveis com o que permite a plataforma.

Tanto com o Move quanto com o DualShock, a resposta é terrível na versão para PS3, frustrando os jogadores até mesmo nas pequenas ações, muito embora o combate fraquíssimo e repetitivo seja o principal responsável pela perda de pontos no que diz respeito à jogabilidade.

Ainda que com temáticas diferentes, os jogos da série LEGO e os próprios episódios de Shrek conseguem traçar estilos de partida similares, oferecendo mais qualidade aos jogadores. The Lord of the Rings: Aragorn’s Quest sinceramente não faz jus à obra de Tolkien e deixa muito a desejar.

Cooperativo livre de restrições

Não importa se Gandalf esteve ou não presente em certos pontos da jornada descrita por Tolkien. The Lord of the Rings: Aragorn’s Quest toma muitas liberdades frente à narrativa (uma vez que a saga foi transformada em um conto para crianças), permitindo que o segundo jogador pegue os controles e saia disparando rajadas mágicas contra os oponentes a qualquer instante.

Toda a campanha pode ser jogada dessa forma. No momento em que um dos jogadores se cansar de destruir orcs, bastará um toque sobre o botão Start para que o outro prossiga normalmente pela partida, sem a necessidade de reinícios — o que é praticamente um requerimento para a maioria dos jogos atuais.

Img_normal

A voz dos astros

Em vista da importância de Sam no jogo, sendo ele o grande narrador das histórias, a equipe da Warner Bros. decidiu investir na recontratação do ator Sean Astin, que interpretou o personagem nos filmes da trilogia dirigida por Peter Jackson.

A qualidade das gravações e da própria trilha sonora — que apresenta elementos clássicos, ao lado de ritmos mais acelerados, para as passagens de combate — é incontestável, muito embora o conjunto de animações e efeitos sonoros não mereça grande destaque.

Sem respeito à plataforma

Aragorn’s Quest para PlayStation 3 é uma conversão direta do jogo lançado para o Wii. A falta de cuidado no processo de produção acarretou em problemas por diversas áreas do game (os quais abordaremos mais adiante, nas reclamações referentes aos controles), mas podemos dizer de imediato que os gráficos são os que mais sofreram.

Por todos os cantos do cenário, o que se vê são texturas borradas de baixa qualidade, efeitos cortados de iluminação direta que distorcem o visual da paisagem e um sombreamento que literalmente dança sobre o cenário e pelos corpos dos personagens, quebrando qualquer consistência gráfica remanescente.

Img_normal

É como se, ao aumentar a resolução do game de 480p para 720p, os desenvolvedores tenham simplesmente se esquecido de retrabalhar certos aspectos, transformando o console da Sony em um tipo de emulador para o código nativo. Basta uma olhada rápida sobre a folhagem das árvores para que isso fique extremamente claro, devido à falta de resolução das folhas que balançam, exibindo contornos estourados.

O desempenho também não é dos mais constantes, uma vez que ligeiras quedas na taxa de quadros por segundo podem ser notadas, enquanto o screen tearing (fenômeno que “corta” a imagem, sempre que há a perda de sincronia entre as taxas de atualização da televisão e do sinal enviado pelo console ou computador) rola solto pela tela, dividindo a imagem em duas partes.

Ainda no que diz respeito a falhas técnicas, temos o problema constante de objetos surgindo e desaparecendo no horizonte — como a própria vegetação, que em uma das curvas pelas fases simplesmente “brotou” na tela — e os vídeos de baixa resolução, que em momento algum aproveitam o potencial da plataforma ou dos discos Blu-ray.

Img_normal

Indecisão gráfica

Não há consistência no estilo artístico do jogo. Partes das paisagens são desenhadas, lembrando animações antigas, enquanto alguns dos personagens (como Legolas) receberam feições extremamente semelhantes às dos atores que participaram dos filmes de O Senhor dos Anéis.

Pode parecer exagero nosso, mas a impressão que fica é a de que todos são anões na tela, tendo alturas semelhantes e desenquadradas em relação aos objetos de cena. Para compensar a similaridade entre as raças, os designers reduziram as pernas de alguns dos participantes do elenco, como Gimli.

O que agrava ainda mais a dissonância visual é a falta de um sistema de iluminação adequado, uma vez que tudo parece chapado na tela, sem a profundidade adequada de imagem.

Caminhos óbvios

A primeira metade de The Lord of the Rings: Aragorn’s Quest é verdadeiramente lenta. As missões de Frodo Gamgee, pelo Condado, servem como ferramenta de aprendizado, recompensando o jogador apenas com algumas moedas. Até mesmo a primeira parte da história de Aragorn se resume a uma caça entediante por objetivos.

Img_normal

Basta seguir de um local ao outro, matando os poucos inimigos que surgem em seu caminho — o que não anima, em vista da jogabilidade extremamente truncada. O ritmo do jogo não muda até as porções mais avançadas dos conflitos da Terra Média, quando finalmente é permitido que o jogador cavalgue pelos cenários.

As missões paralelas são enjoativas e não apresentam reais recompensas aos jogadores, que recebem mais dinheiro ou alguns itens que compõem a lista de referências aos livros.

Espasmos musculares ou dores nos dedos

Você pode tentar pegar leve com o jogo, fazer força para se adaptar aos comandos e até mesmo comprar o PlayStation Move visando obter movimentos livres para suas espadadas, mas não há como negar que os controles em The Lord of the Rings: Aragorn’s Quest são terríveis durante o jogo inteiro.

De um modo geral, o jogo não obedece ao jogador. Em situações nas quais você precisa conferir o mapa ou visualizar o caminho, o que fica no ar é uma sensação de confusão, já que o game pede para você pressionar um botão, mas nada acontece quando o pedido é atendido. O jeito é segurar o botão por alguns segundos ou pressioná-lo como louco, até que haja uma resposta de má vontade na tela.

Os combates sofrem do mesmo mal: as lutas se resumem a meras sessões de Button mashing, isto é: qualquer um que ficar apertando o botão de ataque eventualmente derrotará até mesmo os chefes. A estratégia não é requerida nas lutas e os jogadores que tentarem se dedicar ao desenvolvimento de uma técnica mais apurada de guerra sairão decepcionados, por verem que o jogo não recompensa os mais hábeis.

Img_normal

Com o Move em nossas mãos, ficamos ainda mais frustrados. A jogabilidade torna-se pior por uma série de motivos, dentre os quais podemos destacar:

  • Presença de atrasos gravíssimos entre os movimentos e a resposta na tela;
  • Falta de precisão na leitura dos comandos, mesmo quando os controles estão devidamente regulados;
  • Reconhecimento errôneo dos movimentos (ao tentar dar uma espadada para baixo, você verá que o jogo registra o comando oposto); e
  • Ponteiro inconsistente, que fica tremendo na tela, mesmo quando o controle está apoiado sobre uma superfície fixa.

Tudo o que foi citado acima pode ser considerado como reflexo de um trabalho mal realizado na plataforma, já que vimos muitos outros testes positivos com o PlayStation Move. Na prática, os jogadores podem simplesmente virar as costas para a tela e continuar balançando as mãos... É mais fácil fazer isso a tentar coordenar cada corte da lâmina.

Carregando...

Se você pretende circular por todas as áreas existentes no jogo, se prepare, pois a mudança brusca de cenários vem acompanhada de longas sessões de telas de carregamento. O problema não é tão grave, mas é suficiente — quando somado a tudo o que já foi citado nesta análise — para desanimar os jogadores.

Compre com o menor preço:
55 ps3
Fraco