Análise de The Lord of the Rings Online: Shadows of Angmar

O universo de Tolkien fielmente representado... Finalmente

Devido à quantidade de games existentes no mercado, muitas vezes deixamos passar alguns títulos. No entanto, sempre que possível tentamos olhar um pouco para trás e analisar aqueles que ainda não tínhamos testado, o que é o caso de Lord of the Rings Online. O game recebeu sua terceira expansão há apenas alguns dias, no ínicio do mês, e resolvemos ver do que se trata.

A premissa básica é bastante conhecida do público: transportar o universo do Senhor dos Anéis para o universo dos MMORPGs. O que é uma tarefa bastante grandiosa, especialmente se considerarmos que não foi utilizado nenhum recurso proveniente da trilogia de filmes de Peter Jackson. Portanto, existe uma aproximação muito maior à mitologia de Tolkien.


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Antes que alguém se engane, vale dizer logo no início: não se trata de encarnar um dos integrantes da Sociedade do Anel, mesmo porque isso seria inviável em um jogo online. Porém, o estilo de interação se baseia fortemente nas relações exploradas pelo autor em seus livros, tanto que os grupos são chamados de “Fellowships”, o termo em inglês que foi traduzido como “sociedade”.

Passemos a nossa experiência. Como se trata de um MMORPG, vamos tratar da nossa jornada pelo game através dos olhos de uma classe que escolhemos, uma que foi adicionada com a expansão Mines of Moria: Warden. Ela é uma de nove disponíveis, que abrangem grande parte das figuras que podem ser identificadas no universo do Senhor dos Anéis.

Decidimos pela raça élfica. Logo que começamos nossa aventura, estávamos em plena batalha — a cidade em que nos encontrávamos estava sendo atacada por um grupo de anões e goblins que se aliaram para tentar roubar relíquias que estavam em poder dos elfos. Esta área servia como tutorial para aprendermos o básico sobre a jogabilidade, e ao final ficamos sabendo que se tratava de um flashback.

Após este tutorial, partimos para uma introdução que expôs o resto do que precisávamos saber a respeito do game para nos virarmos sozinhos, e saímos dela no nível 7. O interessante é que já no início encontramos figuras grandes da mitologia, como Elrond e Dwalin — este último foi um dos anões que acompanhou Bilbo em sua campanha contra Smaug.

Nestes primeiros momentos, o que nos chamou imediatamente a atenção foram os detalhes dos visuais. O trabalho de arte tentou reproduzir fielmente cada estilo das diferentes raças e o contraste é flagrante entre os elfos e os anões — mas, ao mesmo tempo, tudo parece fazer parte de um mesmo mundo, e o toque de Tolkien é visível, o que era essencial que acontecesse.


Adivinha onde é!
Evoluímos nosso personagem através de diversas áreas até o nível 15, quando fomos informados pelo game que podíamos agora comprar uma casa e adquirir hobbies — como, por exemplo, a pescaria. Durante o percurso, tornamo-nos exploradores (uma vocação que libera certas profissões) e ganhamos vários títulos referentes a ações que realizamos.

Sendo um MMORPG, é difícil julgar — sem passar inúmeras horas jogando — se o game possui apelo contínuo. No entanto, no que diz respeito a fazer parte de um mundo de fantasia inigualável e colocar o jogador neste meio sem que destoe ou estrague o universo de Tolkien, o título é fantástico. A Turbine realizou, sem dúvida, um trabalho digno.
É sempre arriscado dizer sim ou não a esta pergunta, quando se trata de MMOs. Mas arriscarei e direi que sim, vale a pena. No entanto, não é para todos. O game explora muito bem o universo de Tolkien e os fãs certamente se sentirão muito bem ao explorar tudo aquilo que eles já conhecem de forma visual e interativa.

No entanto, o game possui um foco bastante grande na história, na exploração dos personagens e na temática, o que pode não agradar aqueles que preferem bastante ação, direta e frenética. Quem não quer entender a forma como as coisas funcionam na Terra-Média certamente não se sentirá muito atraído pelo título.


Quem são esses?
Ou seja, se você está interessado em explorar o universo de Tolkien e visualizar alguns dos elementos sobre os quais já leu — ou viu no cinema sob outra perspectiva — vale a pena dar uma conferida, nem que seja através do sistema de testes por dez dias gratuitos. Mas se você é fã de Tolkien, este MMORPG pode ser uma excelente pedida.

As modificações trazidas pelos patches e expansões certamente moldaram o game de forma muito boa, e ele está bem melhor do que era na época de seu lançamento. Quem sabe após passarmos mais tempo com ele traremos a vocês o conteúdo exclusivo para níveis mais altos que as expansões trouxeram...
Polimento

É a primeira coisa que se nota. Desde os gráficos até a interface, passando pelas animações, o jogo parece ter sido bastante refinado pelos desenvolvedores desde seu lançamento. Tendo jogado a versão beta, posso dizer que este era um ponto falho anteriormente, mas que hoje em dia está impecável.

Enquanto em outros jogos o personagem realiza ações que nem sempre são contínuas — por exemplo, ao mirar com um arco e movimentar-se para cancelar a ação — neste título o personagem o faz de forma fluida e coerente, não há “corte” das animações. O que é bastante satisfatório e contribui para uma imersão muito maior. Isto pode ser visto claramente quando você está nadando e alterna de um nado frontal para um de costas.


Até as animações de pesca são bem-feitas
A interface também é clara e altamente modificável. Ao contrário de World of Warcraft, que “mods” individuais alteram certos elementos dela, aqui você pode alterar todas as suas características dentro do próprio jogo. Basta pressionar “Ctrl + ]” (em um teclado ABNT2) para que sejam destravadas todas as partes componentes da interface.

Universo fiel

Outra coisa que se percebe desde cedo — já na criação de personagens — é a fidelidade com o universo de Tolkien. Desde as convenções para os nomes dos habitantes até os diferentes locais, houve uma preocupação genuína em manter o estilo retratado nos livros e anotações do autor, de forma a gerar algo familiar para os fãs e envolvente para os novatos.

É óbvio que existem certas liberdades que tiveram de ser tomadas com relação a determinados pontos, especialmente aqueles que não foram descritos com detalhes por Tolkien, mas tudo é feito de forma coerente e adaptada ao cenário geral. A inclusão de figuras importantes das histórias, permeando a narrativa do jogador, também é um ponto excelente.

Fazendo você se sentir importante

O último comentário do parágrafo acima faz com que isso aconteça já de imediato, mas existem vários outros fatos que ressaltam esta filosofia — típica de MMOs mas elevada ainda mais neste título. Um outro bom exemplo é a existência de títulos para as mais diferentes ações realizadas.


Você pode ser O cara!
Se você matar muitos goblins, será conhecido como um exímio exterminador destas criaturas. Caso realize muitas missões para uma determinada região, todos saberão que você é uma figura importante ali. Se fez algo digno de nota, sua denominação também pode refletir isso. O conceito é muito bem explorado, através de um sistema de conquistas completamente integrado à jogabilidade.

Variedade

Como na Terra-Média não existe magia no sentido em que a vemos em outros jogos de fantasia, todas as classes acabam por incorporarem os diversos elementos necessários para que sejam boas explicações do caráter do personagem. Em inúmeros games, se você escolhe uma classe furtiva, esse será o estilo de jogo exclusivo.

Não aqui. Todas as classes experimentam habilidades variadas, em maior ou menor teor, o que faz com que a variedade seja bastante grande e caiba ao jogador especializar-se da forma como achar melhor — mas sem ser absurdamente limitado. Nossa classe, por exemplo, a Warden, possuía habilidades de furtividade e causar dano — mas sua principal função é aguentar pancada e chamar atenção para si.

Outra coisa muito interessante é a possibilidade de tocar música dentro do jogo. As classes possuem a habilidade de tocar instrumentos, sendo que as notas vao de Dó a Si e podem ser levemente modificadas. Quem sabe os mais dedicados consigam até mesmo criar bandas com os instrumentos de época!

Vale a pena ressaltar que a variedade não se limita ao conteúdo do jogo. O título possui uma enorme tolerância com relação às especificações dos computadores em que roda, podendo ser modificado para PCs baratos ou até mesmo um avião, como o que possuímos aqui no escritório para testes. Assim, uma grande quantidade de pessoas pode experimentar a aventura.

Sendo guiado, mas de leve

Assim como na maioria dos MMORPGs, existe um caminho básico pelo qual o jogador é levado quando está no início, aprendendo. No entanto, em LOTRO existe sempre a possibilidade de parar e fazer alguma outra coisa, sendo que ela ainda contribuirá para o desenvolvimento de seu personagem.


O povo de Gimli muito bem representado
Um bom exemplo é, caso o jogador não queira seguir exclusivamente a linha principal de missões, fazer as paralelas, enquanto mata monstros para ganhar títulos ou pratica seus golpes em inimigos. Como existe grande variedade, é preciso bastante tempo para conseguir evoluir todos os aspectos de sua classe, especialmente se estiver interessado em alternar o foco no futuro.

Foco PVE, mas existe um leve “PVP”

Como no mundo da Terra-Média o inimigo é claro (Sauron), não existem facções. Todos jogam no mesmo campo e possuem um inimigo comum, o que torna o jogo bastante direto. No entanto, aqueles que querem testar suas habilidades contra outros jogadores possuem uma opção, a partir do nível 10, chamada de Monster Play.

Nela, você pode encarnar um servo de Angmar e lutar contra os jogadores, num modo conhecido como “PvMP” — Player versus Monster Player. Não é tão desenvolvido quanto o resto do título, mas ainda assim proporciona uma experiência de guerra e conflito, o que serve para mudar um pouco de ares.

Forte tom próprio

O que queremos dizer com isso? Que o jogo não se deixa levar exclusivamente pelas tendências de outros MMOs maiores, como World of Warcraft. Embora tire, sim, bastante inspiração para sistemas de combates e outras fórmulas já comprovadas, ele se mantém fiel a suas premissas no que diz respeito às temáticas e formas de entendimento de seu mundo.

Isto se reflete na personalização dos personagens, já que o jogador deve realizar tarefas para conquistar coisas diferentes, e não somente passar de nível; nas convenções para os nomes; na inexistência de anãs mulheres, já que em Tolkien elas não possuem papel ativo no mundo externo... Tudo para manter a coerência.
Falta de certos elementos

Um bom exemplo é a impossibilidade de mergulhar na água. O personagem fica somente na superfície e não há o que fazer a respeito. Outra é sensação de estar deslizando, ao invés de caminhar, em vários momentos. Isto porque a interação com o terreno é, em alguns momentos, bastante insatisfatória e produz resultados indesejados.

Inexistência de instruções para Monster Play

Enquanto existe um tutorial para o jogo tradicional, quando tentamos nos aventurar no modo “PVP” de LOTRO nós ficamos completamente perdidos. Não havia direcionamento e foi preciso adivinhar como se joga com os servos de Sauron, já que existe considerável modificação dos sistemas de itens e habilidades.

Estamos do outro lado do mundo?

Na tela de seleção de personagem, é possível determinar a origem de seu avatar. Escolhemos Lórien, mas estávamos em Ered Luin, do outro lado do mundo, quando começamos nossas aventuras. E isto sem uma explicação clara, já que tínhamos a espectativa de ver Mallorns e, quem sabe, Galadriel quando escolhemos esta história para nosso personagem.
85 pc
Ótimo