Análise de The Secret of Monkey Island: Special Edition

O bom humor e a simplicidade são os pilares deste jogo fantástico da LucasArts.

Em 15 de outubro de 1990, um jogo curioso apareceu. The Secret of Monkey Island — ou O Segredo da Ilha dos Macacos — cativou milhares de jogadores ao redor do globo com uma proposta hilariante através de uma ambientação que sempre desperta a atenção dos fãs de aventura: pirataria. Os mares do Caribe, portanto, foram invadidos por Guybrush Threepwood, um jovem com a única ambição de se tornar um temível pirata.

Sem olhar nenhuma imagem do jogo, pode-se pensar que essa ideia é um tanto violenta e agressiva, não? Só que a ideia central da série Monkey Island não tem nada a ver com isso, visto que a franquia da LucasArts aborda esse contexto de pirataria com diálogos bem humorados, cenários bastante coloridos e diversão constante.

Quem diria, não? Pois, quando o assunto é point-and-click, a trama e os quebra-cabeças contidos no game devem ser muito bons para que os jogadores mais críticos fiquem satisfeitos. Bem, The Secret of Monkey Island é o começo de uma série espetacular. Os desenvolvedores simplesmente acertaram em cheio durante a criação da fórmula básica dos games de Guybrush.


Enfim, o charme do primeiro jogo voltou à tona quase 19 anos depois de seu lançamento. Ron Gilbert e sua turma decidiram recriar o game original, refazendo toda a trilha sonora, revigorando os visuais, adicionando vozes às falas dos personagens e alterando completamente a antiga interface de comandos. O resultado? Bom é pouco.

"My name is Guybrush Threepwood, and I want to be a pirate!"

Esse é uma das frases mais encontradas no game, ao lado de "Look behind you, a three-headed monkey!". Deu para perceber o humor descontraído? Os diálogos de The Secret of Monkey Island contêm muitas afirmações desse tipo, desde a chegada de Guybrush Threepwood à Mêlée Island até o encontro com o terrível pirata LeChuck na Ilha dos Macacos (Monkey Island).

E o que um "aspirante a pirata" deve fazer para se juntar aos vilões dos mares? A premissa básica consiste em três objetivos: dominar a espada, ser um expert em furtos e embarcar fundo na caça a tesouros. A primeira parte do game, portanto, leva Guybrush a buscar o sucesso em cada um desses três pontos. É claro que nada é tão fácil e direto quanto parece.

Conversar é primordial Desde o início de The Secret of Monkey Island, o jogador é capaz de perceber a riqueza dos desafios apresentados pelos desenvolvedores da LucasArts. Criatividade é algo que o gamer precisa ter para relacionar certos itens com outros objetos para sobrepor as dificuldades. Sim, a jogabilidade é extremamente simples (puro point-and-click com alguns atalhos nos controles), mas os quebra-cabeças podem se tornar complexos.

Prestar atenção e compreender os diálogos entre Guybrush e os demais personagens é essencial para o sucesso. Afinal de contas, o game é fortemente embasado nas relações entre o protagonista principal do game e os outros figurantes da trama. A interação com itens também é crucial. Portanto, não se segure: o pessoal da LucasArts fez um game no qual é impossível perder (sem Game Over), mas é interessante salvar o progresso de vez em quando para não perder ainda mais tempo com os desafios.

Se você ainda não conhece as diferenças entre a pirataria do game e as demais ideias abordadas em outros jogos e filmes, conheça Grog. A bebida mais consumida pelos bucaneiros do jogo contém os seguintes itens: querosene, ácido sulfúrico, rum, acetona, ácido de bateria, pepperoni (opcional) e outras substâncias. Qualquer utensílio de cozinha empregado para a fabricação da beberagem é desintegrado em poucos minutos, devendo ser trocado de tempos em tempos. Por favor, não tente "cozinhar" isso em casa.

E por que fazer uma edição especial?

Primeiramente, deve-se considerar que a nostalgia é praticamente inevitável. O jogo é feito para os dois tipos de jogadores: aqueles que adoraram o game original e têm muita vontade de reviver os bons tempos, e aqueles que nunca ouviram falar em Monkey Island e procuram por um bom jogo de aventura. Para isso, os desenvolvedores precisaram caprichar no estilo geral dos visuais e dos sons do título.

O velho......e o novo

O trabalho foi mais que bem feito. Um dos quesitos que mais faz a diferença é a adição de vozes nos diálogos entre os personagens. Agrupando Dominic Armato — que dubla Guybrush nos dois últimos títulos da série — e a equipe que participa das vozes nos últimos games, a LucasArts acertou: é quase impossível deixar de rir com a personalidade de Guybrush Driftweed... Quer dizer, Bobbin Threadbare... Quer dizer, Guybrush Threepwood.

Até os momentos de narração escrita (descrevendo a alternância entre os eventos da trama) receberam uma voz grave e profunda. As vozes, de modo geral, são essenciais para realçar a importância do Insult Swordfighting, o combate de Monkey Island.

As espadas são praticamente secundárias nos duelos entre piratas, pois a principal arma dos combatentes são os insultos. Hilárias e criativas, as ofensas entre espadachins formam um dos divisores de águas entre a série da LucasArts e as demais franquias de aventura. Se você espera derrotar a Sword Master, deverá vencer mais de dois duelos contra piratas fétidos.

Um treinamento nada comum

O trabalho de arte cuidadosamente refeito também conta a favor da edição especial. O contexto e todas as peculiaridades de Monkey Island ganham ainda mais destaque com cores vibrantes, efeitos especiais e animações interessantes.

A interface geral também sofreu alterações drásticas. Tanto na versão para PC quanto no game para Xbox 360, as opções de comandos não aparecem diretamente na tela, como ocorre no clássico. Para conhecer os comandos, basta ativar uma pequena tela que fica em "background" durante o jogo. Bem, a ideia funciona, por mais que muitos fãs prefiram o estilo antigo.

Marcante é um bom termo

Uma das maiores vantagens da edição especial é a possibilidade de alternar entre as versões a qualquer momento do jogo. É isso mesmo: com um simples comando, o cenário, a trilha sonora e a interface do título original aparecem na tela. Pressionando o mesmo comando, a edição especial retorna, exibindo o estilo revigorado. A mudança entre as versões é fluida e direta, e é um dos itens mais interessantes da edição especial.

LeChuck que se cuide Outro ponto que merece a atenção é a ambientação sonora. É possível constatar que Jesse Harlin trabalhou fortemente na trilha sonora, a julgar pelos excelentes resultados apresentados. A execução das faixas originais conta com instrumentistas de primeira, sendo que há momentos nos quais surge a vontade de parar de jogar e apenas ficar escutando as músicas. Mas não há tempo a perder: Elaine Marley, o amor de Guybrush, está em perigo.

É claro que, como a interface, há itens que os fãs do game original podem criticar. Um deles é a falta de uma opção de pausa na edição especial, útil para a solução de determinados desafios. Os próprios visuais podem ser contestados para quem reeeeeeeeealmente gosta do estilo clássico. Bem, isso é plenamente contestável, visto que as épocas de desenvolvimento são diferentes.

Em geral, The Secret of Monkey Island retorna mais cativante do que nunca. É uma parada imperdível para os fãs da série, e uma excelente opção para quem procura aventura, simplicidade, diversão, bom humor e praticidade em um só jogo.


95 pc
Excelente

Outras Plataformas

95 xbox-360