Colonize e administre sabiamente todos os territórios que encontrar.

The Settlers já é um nome conhecido para aqueles que preferem gerenciar cidades ao invés de tomar conta de cada uma das unidades que enxerga na tela. Mas a série não foi muito lucrativa para os produtores da Blue Byte, pois nunca teve tanto prestígio quanto títulos famosos como Sim City ou Caesar.

Mas a última edição da série veio para arrepiar. Rise of an Empire chega aos fãs em alto estilo, promovendo aspectos técnicos de qualidade diferenciada. Considerado por muitos como o título mais completo da série, o game cativa o jogador com diversos quesitos como jogabilidade fácil e administração efetiva das bases criadas pelo gamer.


Prato cheio para os fãs da série

The Settlers: Rise of an Empire aborta uma estratégia em tempo real bastante semelhante aos seus antecessores na série. O foco é claramente direcionado na campanha do modo singleplayer, toda experimentada com uma mistura de coleta recursos (como ocorre em Age of Empires) com o desenvolvimento de várias bases nos territórios do mapa.

A maioria dos esforços do jogador é concentrada na criação de uma cidade de estilo medieval. Essa época antiga é forte no game, pois aparece em vários momentos, tanto na construção de típicos muros de pedra quanto no comércio de recursos com as vilas vizinhas.

A história ocorre de maneira contínua em relação ao último game da série, Heritage of Kings. Tudo acontece em volta da seguinte proposta: eliminar as ameaças que pairam sobre o Império de Darion (teoricamente criado em Heritage of Kings), que já foi esplendoroso um dia.

Não se iluda com as paisagens: há falhas no jogo.

Os comandantes da cidade estão tão ocupados em administrar suas bases que não há tempo a perder em batalhas. O jogador deve se preocupar diretamente com a entrega de comida ou roupas às cidades vizinhas, reprimir as invasões Vikings das vilas litorâneas, acender sinais de fogo para abrir rotas de comércio e promover festivais para aumentar a reputação de sua cidade, por exemplo.

Construções e aspectos técnicos no desenvolvimento de cidades estão mais presentes do que nunca. O jogador tem a oportunidade de criar até as estradas entre pontos distantes no mapa para que os colonos andem mais rapidamente enquanto transportam recursos.

Infelizmente, a promessa de um grande jogo em relação aos outros não foi cumprida. Em Rise of an Empire, tudo é linear e previsível, pois todos os objetivos dos cenários sempre seguem a mesma linha, embora missões tolas (como coletar uma quantia exata de um determinado recurso) foram descartadas.

A principal diferença: simplicidade

A Blue Byte já vem utilizando essa fórmula presente em The Settlers há muito tempo. Felizmente, uma grande diferença aparece na última versão da série: simplicidade. Adquirir os diversos recursos que aparecem no jogo (madeira, peixes, carnes diversas, pedras, minérios de ferro, ervas, mel e assim por diante) é fácil, pois basta criar as construções necessárias para a coleta do recurso em questão, e fim.

Estilo medieval retrata Rise of an Empire. Até encontrar os recursos no mapa é algo fácil. Pequenas imagens ilustrando os recursos aparecem tanto no mapa quanto mini mapa. Os itens são automaticamente coletados pelos colonos e então são despachados para o armazém. Do armazém, as matérias-primas são levadas para os fabricantes de bens de consumo, como alfaiates e açougueiros.

Mesmo os acordos de comércio com as vilas vizinhas ocorrem de maneira simples e automática. No momento em que o jogador dá a ordem, os comerciantes tomam conta das rotas de comércio, sem necessidade de serem controlados mais especificamente pelo gamer.

Mas, obviamente, há diversos obstáculos que promovem desafio. Para superá-los, o jogador conta com um auxílio de um herói (ou cavaleiro), que age como um líder de sua facção nas missões. Há seis deles no jogo, cada um com suas habilidades específicas. O gamer consegue desbloqueá-los à medida que avança na campanha do game, sendo que em pode escolher um deles no início de cada etapa.

Os cavaleiros constituem um papel importante na trama, mas há diferenças brutais entre eles que fazem com que o jogador escolha sempre o mesmo para realizar suas missões. Lord Marcus, por exemplo, possui a habilidade de recrutar guerreiros e arqueiros de maneira barata, enquanto Lord Elias apenas possui a habilidade de “alimentar os famintos”.

Terras diferenciadas

Outro bom aspecto presente no novo The Settlers é a separação do mapa em territórios diferenciados. Os cavaleiros têm a capacidade de tomar os territórios neutros construindo um posto avançado no lugar, enquanto regiões dominadas por inimigos podem ser tomadas através da destruição ou ocupação de seus respectivos postos avançados.

O tempo influi, e muito, na economia. Ainda assim, o aspecto militar do jogo é um tanto pobre, pois destruir um posto avançado do inimigo, por exemplo, faz com que todas as construções dos territórios se destruam automaticamente. A própria proposta do game alimenta esse pensamento: para que se estressar em tomar territórios inimigos quando sua própria terra possui recursos em abundância?

Condições climáticas constituem um ponto interessante no jogo. O jogador deve se preocupar com o clima atual na hora de gerenciar seus recursos sabiamente. Como as condições climáticas variam de um terreno para outro, a coleta de recursos deve ser realizada de acordo com o tempo atual, por exemplo: regiões localizadas no norte do mapa são mais complicadas, pois a comida deve ser armazenada em estoques, já que as plantações, por exemplo, demoram a crescer de maneira ideal para sua colheita.

Tecnicamente razoável, mas com alguns defeitos

Alguns críticos consideram Rise of an Empire como o jogo mais elaborado da série. Outros acham que o título seria o melhor da série caso os bugs que aparecem no game fossem erradicados. Mesmo com o enorme patch que o jogador é obrigado a baixar na primeira vez que executa o game, há alguns erros que podem desanimar o gamer em sua experiência.

Há algumas quedas durante a campanha. Além disso, mensagens de erros bizarros aparecem algumas vezes, e há pequenos problemas de desempenho que derivam da enorme quantidade de texturas que a placa de vídeo deve gerenciar devido ao alto nível de qualidade do visual do jogo.

A inteligência artificial peca em alguns momentos, como em ocasiões em que os coletores não conseguem encontrar recursos, mesmo que estejam ao lado da fonte de matéria-prima.

O modo multiplayer apresenta algumas falhas comuns ao modo campanha, como quedas tanto na sala de espera quanto no meio do jogo. É uma pena, pois jogar com mais pessoas é imensamente mais emocionante, visto que os mapas são mais diversificados e há muito mais batalhas (relembrando os títulos mais jogados no gênero RTS – estratégia em tempo real) do que na campanha de um jogador só.

Belo visual, mesmo com os bugs.

Os fãs da série irão desfrutar bastante Rise of an Empire, mesmo com os bugs presentes no game. Mas aqueles que não têm tempo para esperar coleta de recursos e gostam de batalhas e aspectos mais militares não aprovarão o título.
72 pc
Bom