Luz, câmera... Tiro!

O PlayStation Move — periférico sensível a movimentos da Sony — está aparecendo cada vez mais em jogos eletrônicos dedicados ao PlayStation 3. Em alguns casos, o controle se mostrou bastante eficiente, propiciando muita diversão aos gamers. Já em outras ocasiões, o uso do Move simplesmente não foi capaz de contentar os portadores do console de sétima geração da Sony.

Em The Shoot (FPS — jogo de tiro em perspectiva de primeira pessoa — do tipo on-rail: não há controle do movimento do personagem central), você utiliza o dispositivo de uma das formas mais óbvias: mirar na tela e atirar. Embora o game desenvolvido pela Cohort Studios permita o uso do Move “sozinho”, o ideal é adquirir a pistola de plástico da Sony e encaixar o controle nela. Dessa forma, a experiência — além de mais realista — fica um pouco mais confortável.

Há uma versão do game em português de Portugal, portanto quem não compreende inglês pode conhecer a fórmula por meio de um idioma mais amigável. Além disso, existe a possibilidade de calibrar o Move logo no começo da experiência. Basta seguir os passos simples mostrados na tela e escolher uma posição fixa (nem muito próxima e nem muito longe da PlayStation Eye, a câmera do PS3). É muito importante calibrar o controle com precisão e conforto.

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Rapidez no gatilho

E qual a proposta deste título? The Shoot coloca o jogador na pele de um “astro de cinema” em vários longas-metragens. Sim, você atira em vários inimigos, mas eles são feitos de madeira (bem como o cenário à volta). Os oponentes são movimentados por plataformas e mecanismos diversos. Até os pássaros “voam” pendurados por cordas. Por mais que o atirador destrua tudo, não há sangue ou cenas absurdas de violência.

Quanto mais eficiência você tiver na ação, mais contente ficará o diretor. Não só isso: ser eficiente ajuda a aumentar o multiplicador de pontos pouco a pouco. Errar, é claro, faz com que esse número diminua. E levar tiros, bombas ou facadas deixa o diretor cada vez mais furioso. Quando a situação fica realmente crítica, o gamer perde uma das cinco “tomadas” (“vidas”) disponíveis. Gastando as cinco, é fim de jogo.

Isso ocorre no modo Carreira, mas o game oferece outras formas de diversão. Infelizmente, a maior parte do conteúdo é bloqueada até que você siga os passos obrigatórios. Para desbloquear o segundo filme, por exemplo, é necessário atingir 400 mil pontos na primeira fase.

A primeira etapa é o Estúdio 101, o tutorial do game. Praticando um pouco, fica fácil compreender os princípios básicos da jogabilidade. E há, ainda, os modos Desafios e Ataque à Pontuação, ambos suportando até dois jogadores.

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Um astro dos tiroteios

Além de atirar e se desviar de ataques inimigos (mexendo o Move para os lados), o jogador pode fazer uso de três artifícios extras — por um curto período de tempo, obviamente — se fizer um bom trabalho no caminho: deixar tudo em câmera lenta, executar uma poderosa onda de choque que dizima os adversários na tela e causar “tumulto”, o que permite disparos desenfreados sem que o número multiplicador seja reduzido por erros.

É possível, ainda explodir barris de TNT para mandar os inimigos pelos ares e obter mais pontos. Mais bônus? Que tal pôsteres espalhados pelos ambientes, malas de dinheiro e donzelas presas por correntes e cadeados destrutíveis?

Outra característica intrigante é o Holofote, ocasião na qual encarna o “espírito do faroeste” e tenta sacar a arma mais rápido que o oponente. Em certos momentos, você precisa mexer o Move — respeitando o que é exibido na tela — para ter sucesso na ação, seja se esquivando de mísseis ou movimentando um pequeno veículo com uma alavanca em um trilho de trem.

No menu de opções, existe a possibilidade de configurar o áudio e a tela (posição da imagem). A área de Perfil permite que o gamer reinicie os tutoriais e visualize o EULA (Acordo de Licença do Usuário Final). Por fim, há os créditos do jogo e uma opção que possibilita mudanças relativas ao comando de movimento (sensibilidade, fluidez e calibrar novamente).

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The Shoot não é ruim... Mas não é bom o suficiente para receber uma nota alta do Baixaki Jogos. Por quê? Pelo simples fato de que o nível de diversão deixa um pouco a desejar. São pequenas falhas e algumas deficiências que impedem o game distribuído pela Sony de causar bastante impacto. O uso do PlayStation Move é satisfatório, mas...

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Portanto, certas modificações e uma diversificação um pouco mais expressiva realmente poderiam fazer a diferença. Ainda assim, é impossível deixar de gastar vários minutos consecutivos nos tiroteios empolgantes dos sets virtuais de filmagem. Tendo cuidado para deixar o diretor satisfeito e gastando algumas horas com o game, fica interessante dominar a jogabilidade.

Apurando os reflexos

Frenesi, empolgação... Dar tiros — ainda mais com uma pistola de plástico em mãos — é bem emocionante com o PlayStation Move. The Shoot explora bem o potencial do periférico e consegue cativar os fãs de tiroteios em poucos minutos. Gradativamente, a ação fica mais dinâmica, o que é muito interessante em um título deste gênero.

Há cenas que exigem bastante reflexo, gerando disparos bastante velozes. Errar diminui o multiplicador, mas é preferível metralhar a tela e eliminar os inimigos (pelo menos no começo) a atirar pausadamente e correr o risco de levar bala.

Treinamento recompensador

Como citado acima, é bacana passar algumas horas “pegando o jeito” dos tiroteios. Calibrando bem o Move e mantendo a posição (é possível brincar até mesmo sentado), o jogador tem a possibilidade de ficar cada vez mais eficiente e, consequentemente, desbloquear outros modos e filmes após o Estúdio 101.

O multiplayer também vale a pena. Com dois jogadores já acostumados com a mecânica do game, a experiência fica empolgante. Somente o modo Carreira — considerando os itens escondidos nos diversos cenários — é capaz de prender a atenção do atirador por um bom tempo.

Sem problemas de desempenho

A precisão dos tiros é satisfatória. Por mais que exista um pequeno atraso no tempo de resposta dos movimentos e a mira esteja sempre “tremendo” (a não ser que você possua um braço robótico ou extremamente estável), é difícil encontrar graves problemas com os controles do jogo. A pistola de plástico foi uma adição e tanto.

Além disso, os visuais e os sons são reproduzidos tranquilamente. Não há quedas na taxa de quadros por segundo — fps — que prejudiquem a jogabilidade de uma maneira enervante. A ideia é bem simples: mirar e atirar em ambientes diversificados, tendo a companhia de um amigo ou não. E essa ideia é colocada em prática com clareza.

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Desafiador é pouco

Sim, os primeiros minutos são impactantes. Para muitos (principalmente para aqueles que nunca tiveram intimidade com FPS on-rail), o contato inicial pode ser um tanto perturbador... Mas isso depende unicamente das capacidades do gamer. Uma boa mira e reflexos apurados — tanto para o ataque quanto para a esquiva — formam a melhor combinação possível para o sucesso nos embates.

Conciliar as habilidades extras com o modo de tiro padrão também é um desafio a ser superado com o passar do tempo. Para adquirir números espantosos de pontos, é crucial fazer uso da câmera lenta, explodir os inimigos com ondas de choque e abusar do recurso conhecido como “tumulto”. Assim, fica mais acessível manter um alto multiplicador de pontos.

Muita espera... Para quê?

Pois é, os tempos de carregamento de dados (o famoso Loading) são elevados. É fácil ficar irritado com as telas que exibem essa atividade. Não que a diversão a ser prestigiada não compense essa espera, o fato é que observar a engrenagem por vários minutos não é comum na maior parte dos video games... Ainda mais nos FPS on-rail.

E o mais curioso é o seguinte: os gráficos e os sons não são tão majestosos assim. Os visuais vibrantes são aprazíveis, mas há muitas bordas serrilhadas e a física do jogo destoa completamente da realidade. Isso é verídico principalmente no que diz respeito à quebra das partes de inimigos e de objetos do cenário. Curiosidade: barris de TNT explodem apenas inimigos em ocasiões oportunas.

Cansaço inevitável

Jogar apenas com o Move — sem a pistola — não é muito interessante. Porém, mesmo com a pistola da Sony, ficar atirando por muito tempo gera uma fadiga cada vez maior. Parece que o acessório fica mais “pesado” com o passar das horas, portanto o ideal não é jogar sem parar, mas sim estabelecer intervalos para o descanso do braço, do pulso e dos dedos do atirador.

A pistola é bem feita (alguns acham que ela é mais caprichada do que certos acessórios para Nintendo Wii), mas há alguns infortúnios. Certos jogadores podem considerar o gatilho um tanto fundo, o que dificulta a execução de tiros repetitivos. Outro porém é que a vibração do Move não faz tremer o periférico de forma significativa.

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Problemas gerais? Sim, senhor...

Fracassando pelo menos uma vez, o gamer tem a oportunidade de conferir um dos principais problemas do jogo no modo Carreira: a falta da escolha de “tomadas”. Perdendo na terceira das quatro cenas de um filme, por exemplo, você é obrigado a repetir toda a experiência novamente. É impossível escolher uma “tomada” e iniciar os tiroteios a partir daquele momento.

Outros aspectos do game também não contam a favor do título. Em primeiro lugar, não existe a possibilidade de escolher um nível de dificuldade. Em segundo lugar, a arma portada pelo jogador possui munição infinita e não precisa ser recarregada. Nunca. Ao contrário de muitos títulos para fliperamas (nos quais você tem um número limitado de balas e abaixa a arma ou atira para fora para obter munição), a jogabilidade segue uma tendência bastante arcade nesse quesito.

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Bom