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The Stanley Parable
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O final nunca é o final

Felipe Gugelmin

Provavelmente você já se deparou com um amigo tão animado por um jogo que, na hora de explicá-lo, ele simplesmente preferiu dizer para você jogar o título, já que somente assim entenderia o porquê de ele ser tão bom. Embora muitas vezes isso sirva como um substituto para a falta de um vocabulário adequado, fato é que é difícil encontrar uma experiência que não possa ser descrita ou explicada em palavras.

No entanto, se há alguma exceção a essa regra, ela é The Stanley Parable. Surgido como um mod para Half-Life 2 no já distante 2011, o game ganhou uma versão remodelada e que funciona sem o auxílio do game da Valve no dia 17 de outubro deste ano. Partindo de uma premissa simples, o lançamento se mostra não somente um jogo, mas também uma experiência narrativa pouco vista nesse meio.

Por respeito ao leitor, recomendo parar a leitura desta análise agora mesmo caso você não queira ser brindado com spoilers que possam diminuir a novidade trazida pelo game. Esse aviso é necessário pelo fato de a narrativa do título estar tão atrelada à sua jogabilidade que revelar detalhes do que acontece pode estragar um pouco sua experiência — sim, o game se trata de um caso verdadeiro em que só vai compreendê-lo quem jogar.

Portanto, novamente alerto: caso você queira aproveitar The Stanley Parable da maneira adequada, não leia nada sobre o título antes de fazer isso. Somente após terminá-lo e ver todos os finais que o game tem a oferecer é que você deve prosseguir com a leitura deste texto.

The Stanley Parable pode não ser o game mais duradouro, bonito ou emocionante lançado em 2013, mas tem grandes chances de ser o mais memorável. O título cumpre muito bem tudo aquilo a que se propõe, mostrando que o mundo dos video games ainda tem muito a explorar no que diz respeito a mecânicas e a técnicas narrativas.

Conforme dito na introdução desta análise, o título constitui uma daquelas experiências que exigem que você as vivencie para conseguir compreendê-las em sua totalidade. Divertido, intrigante, confuso e inventivo, o game é daqueles que você vai recomendar para amigos e familiares, especialmente para aqueles que não entendem o que há de tão divertido ou único no mundo dos jogos eletrônicos.

Caso meus argumentos não sejam suficientes para convencê-lo a experimentar o game, recomendo realizar o download da demonstração gratuita do título disponibilizada através do Steam. Apesar de não estar relacionado ao que é visto no jogo final em matéria de história, o DEMO dá uma ideia precisa da experiência oferecida por ele.

Em resumo, The Stanley Parable é uma experiência única que você definitivamente deve aproveitar caso uma oportunidade surja. E lembre-se: o final nunca é o final.

Este jogo foi adquirido pela equipe do BJ para a realização desta análise.

Subvertendo expectativas

The Stanley Parable conta a história de Stanley, um trabalhador que leva uma vida especialmente medíocre. Dia após dia, o protagonista da história senta em seu cubículo e segue as instruções que aparecem na tela de seu computador, rotina que ele segue sem nenhum questionamento ou busca por significado.

Tudo isso muda no dia em que, após ficar uma hora em frente a seu PC, ele não só percebe que nenhum comando chegou a ele, como não há sinal de qualquer de seus colegas ou chefes no local. Diante disso, Stanley decide pela primeira vez sair de seu lugar e investigar o que está acontecendo em busca de uma solução para esse mistério.

Enquanto anda pelos corredores vazios do local, o protagonista é acompanhado por um narrador que descreve quais os passos que ele deve dar para chegar a seu objetivo. E é justamenta a relação entre o jogador e essa figura aparentemente onisciente que torna The Stanley Parable tão genial.

Por exemplo, ao chegar a um corredor com duas portas, o narrador pode pedir que você siga por aquela localizada no lado esquerdo — e você, como jogador, pode simplesmente ignorá-lo e entrar pelo caminho à direita. Essa decisão aparentemente simples define a maneira como o jogo vai se desenvolver a partir daquele ponto, resultando em um dos 16 finais possíveis.

Conforme você progride no game, Stanley se depara com diversas situações do tipo que servem como estímulo para que o jogador tente interagir com os ambientes de maneira diferente na tentativa de “quebrar” o jogo. Isso faz com que a história saia do caminho “comum” e se desenrole de maneiras cada vez mais bizarras e divertidas.

O único ponto em comum entre os diferentes finais do game é o fato de que, independente da conclusão a que você chegar, o título sempre voltará a seu caminho inicial. Como demora no máximo 15 minutos para alcançar cada um dos finais do game, isso contribui para que você ceda àquele desejo de participar de “somente mais uma partida”.

Uma experiência narrativa única

Embora The Stanley Parable não seja o primeiro game a contar com um narrador cuja presença é essencial para a história (basta se lembrar de Dear Esther ou Bastion para comprovar isso), o título da Galactic Cafe consegue usar esse elemento de maneira inédita. Isso porque a figura onisciente parece sempre ter algum comentário sobre as ações do jogador, independente do que ele tenta fazer.

Exemplo disso pode ser visto ao tentar completar uma das conquistas do jogo, que envolve chegar ao final “principal” em um limite de tempo pré-determinado. Nesse caminho, é preciso passar por uma porta protegida por um código, que só se torna conhecido graças à ação do narrador em um primeiro momento — mas que pode estar marcado na cabeça do jogador que já passou por ali.

Caso você simplesmente deseje ignorar tudo o que é dito até chegar nessa porta, tudo ocorre normalmente até o momento que a senha é digitada. Nessa hora, o narrador interrompe o que estava dizendo e fala que o jogador está sendo apressado demais e que, por causa disso, deveria passar alguns momentos escutando músicas “new age” para relaxar — o que inicia a reprodução de uma canção do estilo durante alguns segundos.

São esses e outros momentos do game que servem para mostrar que, independente das escolhas feitas pelo jogador, não há como escapar de um roteiro pré-determinado. Isso suscita uma reflexão sobre a estrutura básica de jogos eletrônicos, que, no fundo, não passam de instrumentos que nos dão a ilusão de que realmente temos alguma influência quanto àquilo que vemos na tela.

Porém, em vez de simplesmente criticar essa situação ou apontar para sua existência, The Stanley Parable também usa isso para realizar brincadeiras e subverter expectativas. Prova disso é que, enquanto em alguns caminhos a figura do narrador se mostra benevolente, em outras o personagem assume ares arrogantes, tristes ou até mesmo agressivos perante as ações feitas por Stanley e pelo jogador (figuras que nem sempre se confundem dependendo do caminho tomado).

Faltou uma tradução

O principal (e em minha visão, o único) ponto realmente negativo de The Stanley Parable é o fato de ele se tratar de uma experiência restrita a quem possui um bom domínio do idioma inglês. Nem sequer dispondo de legendas, o game confia que o jogador é capaz de compreender sem nenhum problema frases ditas na língua estrangeira, algo que deve afastar muitos jogadores de origem brasileira.

Editado pelo analista: ao contrário do que havia sido apontado no texto original, o game conta com legendas. No entanto, conforme afirmado anteriormente, ainda não há tradução oficial para o português disponível. Agradecemos a todos nossos leitores que apontaram esse deslize.

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Supremo