Copie-se e se reinvente

The Swapper é um jogo de plataforma baseado na resolução de quebra-cabeças criado pela desenvolvedora filandesa Facepalm Games. O seu projeto inicial foi desenvolvido pelos estudantes Otto Hantula e Olli Harjola durante o tempo livre que possuiam, até que os dois conseguiram financiar o desenvolvimento do título por meio do Indie Fund.

No game, o jogador assume o papel de um astronauta que tenta fugir da estação espacial Theseus. Para acessar novas áreas deste local abandonado, o protagonista conta com uma arma especial que o permite criar até quatro clones de si mesmo. Com a sua ajuda, é possível que ele resolva os desafios escondidos na nave, avance pelos seus cômodos e descubra os seus segredos.

Um dos grandes trunfos deste sistema, no entanto, é a possibilidade de transferir a sua consciência para algum de seus clones (permitindo, inclusive, abandonar o seu corpo original). Com isso, é possível acessar novas áreas e até mesmo “voar” – basta criar um clone no ar e rapidamente trocar de lugar com ele, repetindo o processo até chegar ao local desejado.

The Swapper é um jogo baseado em uma mecânica de jogo bastante interessante. Com base na possibilidade de se clonar e trocar de lugar com as suas cópias, o protagonista consegue acessar lugares improváveis e resolver complexos quebra-cabeças.

Enquanto a dificuldade dos últimos desafios chega a ser bastante alta, a progressão dos níveis se dá de maneira bastante natural e intuitiva. Deste modo, quando estes últimos quebra-cabeças são apresentados, mesmo longe de uma resposta, a sensação de que a solução é impossível não chega a ocorrer. Em compensação, quando a resposta finalmente vem à mente, a satisfação é sempre recompensadora.

Com cerca de seis horas de duração, The Swapper é um excelente título para os fãs do gênero, Com seu visual sombrio e granulado (com cenários produzidos a partir de modelos de argila e objetos do cotidiano) e cerca de seis horas de jogo, o game reforça o conjunto de títulos que mostram por que gostamos tanto dos desenvolvedores independentes e de sua criatividade.

Faça um clone, seja um clone, dispense um clone

Durante a sua aventura em The Swapper, o jogador explora os segredos da estação espacial Theseus, sala a sala, no melhor estilo Metroidvania. Diferentemente do gênero consagrado pela Konami e pela Nintendo, no entanto, a principal mecânica de jogo para vencer os desafios propostos já está nas mãos do jogador desde o início do game.

Com a sua “arma de clones” (a “Swapper” do título), o viajante do game consegue utilizar até quatro cópias de si mesmo (criadas com o botão direito do mouse) para resolver os quebra-cabeças que protegem esferas especiais – as quais são utilizadas para acionar mecanismos que abrem novas seções da nave.

Para isso, basta utilizar os seus clones, que vão repetir todos os seus movimentos. Assim, se um clone estiver a dois passos de distância de você, ele vai manter-se nesta distância, a não ser que ele encontre um obstáculo, que ele caia em um buraco, que ele morra ou passe por uma luz branca (mais sobre as luzes em breve).

Com um clique do botão esquerdo sobre qualquer uma de suas cópias, o jogador também consegue transferir a sua consciência para o clone, podendo passar a ignorar o seu corpo original. Apesar de um tanto macabra, essa possibilidade traz algumas conveniências bastante interessantes, permitindo a travessia de grandes distâncias e alturas com dois simples cliques.

Ensinando a jogar sem guiar pela mão

Essa mecânica simples, somada à criatividade dos desenvolvedores, gera resultados geniais. Afinal, The Swapper foi feito para aqueles que gostam de quebrar a cabeça em busca da satisfação do momento em que sua mente encontra uma resposta para um desafio especialmente complicado.

No entanto, mesmo oferecendo alguns desafios torturantes, os desenvolvedores do game souberam dosar tudo para não complicar a sua vida logo de cara. Assim, enquanto os principais pontos da mecânica são ensinados logo no início do jogo, cada puzzle ensina o jogador a dar um novo passo com as suas possibilidades.

Por exemplo, se no início é preciso preocupar-se apenas com a colocação dos clones, logo aparecem locais iluminados por luz azul (que impede a criação de clones na área), luz vermelha (que impede que o jogador “dispare a sua consciência” no local onde estiver disposta) e luz roxa (lembra da combinação de cores?) – o que aumenta o nível de desafio de cada nova seção.

Ao mesmo tempo, a inclusão de caixas, feixes de gravidade e teletransportes também ajudam a variar a jogabilidade, aumentar o nível de dificuldade e a “educar” inconscientemente o jogador sobre suas habilidades.

Falta de respostas

“Reclamar de algo pela sua subjetividade, como assim?” poderão se perguntar alguns dos leitores, e eu não os culpo. Sem ser exatamente um ponto negativo, este aspecto de The Swapper pode apenas ser frustrante para quem gosta de universos fechados e detalhados.

À medida que o jogador avança pela nave, é possível encontrar diários dos antigos habitantes de Theseus e estranhas pedras falantes que oferecem informações sem explicar diretamente o ocorrido no local.

Conforme segue em sua jornada, o jogador pode imaginar algumas possibilidades para o que aconteceu, mas, de maneira geral, boa parte é apresentada implicitamente ou deixada em aberto pelo jogo juntamente com alguns questionamentos resultantes disto.

90 pc
Excelente