Quase como na televisão

The Walking Dead é uma das principais séries de TV do momento. Na onda da ressurreição – sem trocadilhos – do gênero de zumbis, o seriado trouxe um foco diferente ao apocalipse, concentrando-se nos personagens. Com tanto sucesso, nada melhor do que transformar o programa em um game.

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A escolhida para fazer isso foi a Telltale, que também foi responsável por uma ressurreição. Com as adaptações de “De Volta Para o Futuro” e “Jurassic Park”, a empresa deu novo fôlego aos adventures, que até 2011 eram apenas coisa do passado. Os novos títulos, porém, aparecem com alguns incrementos para sobreviverem melhor no mercado atual. Se depender do mais recente título da desenvolvedora, esse gênero ainda tem muito o que render.


É desnecessário dizer que The Walking Dead é um título fortemente recomendado para os fãs da série ou da história em quadrinhos. O game, porém, também é perfeito para aqueles que não conhecem o universo de Robert Kirkman e procuram um título com uma boa trama e gráficos diferentes daqueles a que estamos acostumados.

Por enquanto disponível apenas pelas redes online do PC, PlayStation 3 e Xbox 360, o game da Telltale diverte na medida certa, sem se tornar enjoativo, e deixa um gostinho de quero mais ao final do primeiro episódio. Apesar dos problemas, estamos diante de um dos melhores games da desenvolvedora lançados até hoje.

Foco diferenciado

Assim como nos quadrinhos e na série de TV, The Walking Dead concentra toda sua atenção nos dramas pessoais e histórias dos personagens. Só isso já faz do game uma experiência bem diferente da que normalmente é encontrada em jogos de zumbi, nos quais o foco é apenas sobreviver.

Não entenda errado. O título tem sim uma grande quantidade de cenas de ação e os mortos-vivos desempenham um papel central em toda a história. O que a move, porém, são as relações entre os personagens. Cada um tem sua própria visão sobre tudo que está acontecendo e, como na vida real, o modo de agir e os limites variam muito de pessoa para pessoa.

Lidar com os conflitos pessoais não apenas do protagonista, mas também dos que estão ao redor dele, é um dos pontos centrais da jogabilidade de The Walking Dead. As respostas dadas em conversas com os personagens alteram o encaminhamento da história, assim como as escolhas que devem ser feitas em momentos-chave. O game não é como Mass Effect, em que tudo tem uma consequência, mas é melhor que você saiba escolher bem suas reações.

Quadrinhos digitais

Em vez de basear o game na série de TV, a Telltale preferiu seguir pelo caminho dos gibis. A decisão foi acertada do ponto de vista gráfico e permitiu que a desenvolvedora criasse visuais muito interessantes. O título, efetivamente, se parece com uma história em quadrinhos interativa.


Apesar da clara diferença de ser colorida – enquanto as HQs são em preto e branco –, os traços seguem bem o estilo consagrado nas páginas por Tony Moore. Quem lê as revistas vai se sentir em casa e até mesmo reconhecer alguns personagens que fazem uma aparição, como Hershel e Glenn.

História adicional

Com roteiro escrito por Robert Kirkman, que também escreve o argumento dos gibis, o jogo de The Walking Dead faz parte da cronologia dos quadrinhos. Sua trama, porém, não é uma adaptação direta do que acontece nas páginas, e sim, uma extensão delas, mostrando acontecimentos anteriores ao enredo central.


Isso proporciona uma série de descobertas para os fanáticos pela franquia. É possível, por exemplo, passar algum tempo na fazenda de Hershel enquanto ela ainda gozava de tempos tranquilos, ou agir ao lado de Glenn nos eventos que antecederam seu encontro com Rick e seu grupo de sobreviventes.

A escolha de seguir por um caminho paralelo também permite que o roteiro contenha reviravoltas e seja imprevisível. Afinal de contas, por mais que uma adaptação fiel também seja desejada pelos fãs, saber o tempo todo o que vai acontecer a seguir poderia deixar o game monótono, já que haveria muito pouco de inédito a ser desenvolvido.

Travamentos inexplicáveis

The Walking Dead sofre de um problema já muito criticado no game baseado em “Jurassic Park”. Principalmente em cenas de ação, a taxa de quadros por segundo cai consideravelmente, sem nenhum fator que justifique essa diminuição. O problema corta o clima tenso do game e impede que as imagens sejam acompanhadas com perfeição.

Em nossos testes, chegamos a diminuir a resolução e qualidade gráfica do título ao mínimo possível e, ainda assim, a falha aconteceu. O mesmo acontece nas versões do game para console e mostram que a Telltale, apesar de estar aprimorando cada vez mais o seu trabalho, ainda tem um longo caminho pela frente.

Leitura dinâmica


Por ser um jogo em que as reações do jogador influenciam nos rumos da trama, The Walking Dead apresenta uma série de respostas possíveis aos eventos que se desenrolam. O problema é que, muitas vezes, não há tempo suficiente para ler todas elas e dosar qual será a melhor alternativa para aquela situação.

Não responder também é uma opção e, em diversos momentos, esse será o caminho a seguir, mesmo contra a vontade do jogador. A não ser, é claro, que ele tenha desenvolvido um superpoder de leitura dinâmica.

Preso aos clichês

Assim como o seriado e o gibi, o game de The Walking Dead não foge de alguns clichês do gênero. A clássica história do criminoso bonzinho, que cometeu um erro na vida e busca redenção, está presente. Assim como o clássico acidente de carro que significa a liberdade para o prisioneiro e aquele personagem fora da realidade que nega o que está bem diante dos olhos.

Muitos podem alegar que não dá para cobrar criatividade de uma adaptação como esta. Por outro lado, o game – um arco da história que terá um alcance bem menor dentro do universo de fãs da série ou da HQ – poderia ser o cenário perfeito para inovações e ousadias, sem que elas comprometam a fórmula que ganha cada vez mais força em todo o mundo. Um teste de elementos que, mais tarde, poderiam aparecer na TV ou nas páginas.

87 pc
Ótimo

Outras Plataformas

87 ps3
87 xbox-360