Fechando a temporada com maestria

No final de abril deste ano, A Telltale Games lançou o primeiro episódio de The Walking Dead – um game dividido em cinco episódios, situado no mesmo universo apocalíptico dos quadrinhos de mesmo nome criados por Robert Kirkman. Neste primeiro momento, os jogadores passaram a acompanhar o ex-professor de história Lee Everett e a garota Clementine enquanto os dois se unem para sobreviver no novo mundo em que os mortos retornam à vida.

Agora, sete meses depois e após alguns atrasos no lançamento de alguns episódios, chegou a vez do game chegar a seu fim. Dependendo de suas escolhas no decorrer do jogo, o grupo que chegou até o último capítulo pode variar bastante.

Independentemente de quem o jogador consegue (ou não) convencer a acompanhá-lo durante o episódio que fecha a temporada, a situação de Lee Everett não é nada fácil. É necessário reencontrar Clementine em um cidade tomada por mortos-vivos ao mesmo tempo em que as opções de fuga diminuem a todo instante.

No Time Left, como o próprio nome sugere, é o mais curto dos episódios que compõem The Walking Dead (a narrativa se conclui em pouco mais de três horas de jogo). No entanto, é também uma das experiências mais intensas a aparecer nos video games nos últimos anos. Se você chegou até aqui, não tenha medo e continue em frente. Vale a pena.

Se você está lendo a análise deste quarto episódio, já está situado nos acontecimento de Around Every Corner, o capítulo anterior da aventura. Se não, esteja avisado da presença de spoilers à frente.

Em No Time Left, a Telltale consegue concluir a história de Lee Everett com maestria. Durante os momentos finais da aventura, a adrenalina é alta e parece não haver sossego. Ainda assim, a desenvolvedora acerta a mão no ritmo e consegue concluir a trama de uma maneira que foge do óbvio e surpreende o jogador.

Assim, se alguém temia que Walking Dead se mostrasse um game episódico incrível, mas com um final decepcionante, não é necessário mais temer. A trama (que casa perfeitamente com o universo criado por Robert Kirkman nos quadrinhos) do quinto episódio não tem nada a perder em relação aos últimos episódios.

Desse modo, não tenha medo e aprecie o final criado pela Telltale Games e não vá embora depois dos créditos. Há surpresas boas para aqueles que aguardam (embora provavelmente você nem pense em sair da frente da TV, uma vez que ainda estará digerindo o final por alguns minutos). E que a segunda temporada apresente a mesma qualidade da saga que concluiu aqui.

O poder da narrativa

A jogabilidade de The Walking Dead se difere da maior parte dos grandes títulos de peso existentes no mercado. Desenvolvido como um point and click que alterna os comandos de acordo com o momento, nem sempre a forma de jogar escolhida é exatamente a mais apropriada para cada situação. Ainda assim, o game é um dos melhores títulos que saíram em 2012.


Tudo isso é resultado da incrível narrativa desenvolvida pela Telltale Games e pela temática de The Walking Dead. Em uma sociedade que entrou em colapso por conta da maldição dos mortos-vivos, o perigo é constante e sempre existe a dúvida de quem pode ser mais perigoso: os zumbis ou os sobreviventes.

Tudo isso foi aproveitado pela desenvolvedora de maneira magistral pela equipe da Telltale e pelos roteiristas de cada episódio. Desse modo, mesmo sem poder direcionar o encaminhamento dos acontecimentos com a mesma facilidade com que é possível realizar escolhas, a maneira como tudo é interligado no final faz com que The Walking Dead seja um dos maiores títulos do ano.

Encontrando o resultado das suas escolhas

Durante todos os episódios anteriores, o jogador foi confrontado com diversas decisões. Na maioria dos casos, as opções eram muito mais complexas do que apenas “o certo” e o “errado” e a necessidade de ter de decidir por uma dessas opções é responsável por criar um dos elementos mais interessantes do game.

No quinto episódio, apesar de a trama chegar ao mesmo fim independente de suas escolhas, são elas as responsáveis por definir o tipo de experiência que você terá durante a história. Se o seu Lee Everett seguiu uma linha mais paternal e cuidadosa com Clementine ou foi mais brutal e nunca escondeu a verdade dela e nem se intimidou pela presença da menina, tudo isso acaba refletindo no desenrolar desse último episódio.

Ao mesmo tempo, é necessário realizar ainda mais decisões a todo instante (incluindo uma escolha com resultados potencialmente sanguinolentos logo em seus momentos iniciais). Tudo isso faz com que cada jogador viva a sua própria experiência ao mesmo tempo em que é possível acompanhar um roteiro maior.

Adrenalina e desespero

Como já foi dito anteriormente, The Walking Dead consegue trabalhar com os limites do ser humano em situações extremas. Se o canibalismo presente na fazenda dos irmãos St. John assim como a existência da comunidade de Crawford, onde apenas os mais aptos a sobrevivência eram aceitos, revelaram um lado chocante e absurdo de como a humanidade pode se perder, a história de Lee também mostra outro extremos dos limites enfrentados pelos sobreviventes.

A dedicação a Clementine, sequestrada no final de Around Every Corner, e a necessidade de realizar decisões importantes rapidamente uma vez que o tempo de Lee pode estar se esgotando são aspectos incrivelmente fascinantes. Tudo isso faz com que, mesmo com um tempo de duração reduzido em relação aos outros episódios, Around Every Corner seja uma experiência bastante intensa.

Engasgando tudo... De novo.

Durante toda a extensão dos episódios anteriores de The Walking Dead, o game apresenta alguns problemas técnicos que persistem durante o capítulo final da aventura. Desse modo, espere por controles um pouco estranhos em determinadas situações até quedas na taxa de quadros por segundo em algumas cenas de ação.

Apesar de esses problemas aparecerem mais raramente desta vez (talvez porque esse é o mais curto dos episódios), infelizmente isso acaba prejudicando o ritmo com que a narrativa se desenrola em alguns momentos.

95 pc
Excelente

Outras Plataformas

95 ps3
95 xbox-360