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The Walking Dead: Season Two - All That Remains
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O apocalipse não perdoa ninguém

Cássio W. Barbosa

Quem jogou os cinco episódios da primeira temporada de The Walking Dead desenvolvidos pela Telltale não deve ter se surpreendido com todo o burburinho a respeito do jogo. Afinal, o jogo surpreendeu não apenas por utilizar bem o universo dos quadrinhos de Robert Kirkman, mas também por conseguir construir uma narrativa em que praticamente todas as decisões do jogador são importantes (em especial, aquelas que devem ser feitas em questão de segundos).

Nesta segunda temporada, os jogadores assumem o papel de Clementine, uma garota com pouco mais de dez anos de idade que tenta continuar sobrevivendo em um mundo em que os mortos “voltaram à vida” e a maior parte dos humanos sobreviventes aprendeu a não confiar em ninguém.

Assim, apesar de Clementine ser bastante diferente de uma garota comum, uma vez que ela amadureceu praticamente a força desde o início do retorno dos mortos, controlar uma menina em vez de um adulto como Lee Everett (o antigo protagonista) implica em uma mudança bastante significativa para a série. A dúvida que resta é: será que a nova temporada consegue manter o legado da anterior?

All That Remains começa a segunda temporada de The Walking Dead de maneira eletrizante, fazendo jus ao sucesso de seu antecessor. No comando de Clementine, a série muda um pouco a forma como a ação acontece, uma vez que a nova protagonista conta com suas próprias limitações.

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No entanto, a escolha por Clementine como a nova protagonista faz-se bastante acertada não apenas pelo seu forte carisma, mas também por proporcionar novos desafios. Sobreviver em um mundo tomado pelos mortos-vivos na pele de uma criança não só muda a abordagem em relação a atividades simples, mas também como outros sobreviventes reagem e interagem com a nova personagem.

Por ser um jogo bastante focado na narrativa, contudo, é bastante complicado começar The Walking Dead a partir desta segunda temporada. Por mais que uma pequena recapitulação seja apresentada no início do jogo, é altamente recomendável que novatos na série vão atrás da história de Lee Everett na primeira temporada antes de continuar com Clementine. Só esteja preparado para sofrer fortes emoções.

Após o final de All That Remains, o primeiro episódio da nova temporada, acredito que é bastante seguro dizer que a Telltale sabe o que está fazendo e que a segunda temporada tem tudo para continuar pelo menos do mesmo nível que a primeira.

Para começar, a companhia não tem medo de surpreender com grandes tapas na cara logo no início do episódio, ao mesmo tempo em que ela também adiciona eventos inicialmente inofensivos para testar a percepção do jogador. E é bom não se assustar, uma vez que esta é uma forma de lembrar que estamos em mundo bastante diferente, no qual o perigo está sempre à espreita.

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Sem entregar muito da trama, a maior parte dos eventos de All That Remains se passa dezesseis meses após o final da temporada anterior. É bastante perceptível que, durante esse período, Clementine ficou bastante “curtida” por conta de tudo que viveu nesse meio tempo.

Assim, enquanto a menina conta com algumas limitações, como a baixa estatura e a menor força física, ela certamente aprendeu a se virar frente ao perigo dos zumbis e da precaução de outros sobreviventes. Isso é possível de ser notado quando pouco após os eventos iniciais do jogo, Clementine se separa de seus amigos e acaba encontrando um grupo de completos estranhos.

A nova situação é bastante interessante porque também coloca o jogador em uma posição diferente da predominante na temporada anterior. Em vez de fazer parte de um grupo cujos membros aprenderam a conviver entre si em função do apocalipse zumbi, Clementine agora é a estranha que precisa conquistar a sua confiança e antecipar eventuais respostas negativas.

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Diante desta nova situação, é possível esperar a mesma mecânica de decisões em que os outros personagens guardam tudo o que você diz e faz diante deles, construindo um sistema de relacionamentos importante para os acontecimentos futuros.

Ao mesmo tempo, os personagens com quem Clementine se relaciona são bem apresentados, cada um com traços de personalidade bastante definidos e – talvez o mais importante – construídos de maneira natural, como se pudessem existir na vida real. Afinal, nunca é demais lembrar que The Walking Dead não é uma história sobre zumbis, mas sobre os limites da humanidade.

Talvez o maior problema da segunda temporada de The Walking Dead seja o fato de esta ser uma sequência. Por mais que se trate de uma nova personagem em um novo ciclo de acontecimentos, a carga emocional de alguns eventos é muito menor caso o jogador não conheça os acontecimentos anteriores. É mais ou menos como tentar assistir a um seriado focado em uma narrativa a partir da segunda temporada. Pode até não ser impossível, mas a experiência acaba se tornando incompleta.

Ao mesmo tempo, enquanto o game cumpre como prometido a tarefa de importar os arquivos salvos da primeira temporada para aproveitar todas as decisões tomadas pelo jogador, o sistema deixa novos jogadores na mão. Isso porque há apenas a opção de gerar as decisões aleatoriamente.

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Se houvesse alguma forma de realizar escolhas anteriores, quem está chegando agora poderia compreender um pouco melhor os antigos acontecimentos ao mesmo tempo em que aqueles que já jogaram a primeira temporada, mas perderam o seu arquivo salvo ou trocaram de plataforma, poderiam continuar a aventura com as mesmas decisões realizadas anteriormente.

90 pc
Excelente

Outras Plataformas

90 ps3
90 xbox-360