Uma viagem rítmica pelas melhores canções da Square Enix

Antes que o nobre leitor reclame que o BJ está fazendo a análise de um game antigo, admitimos que esse é justamente o caso. Ao vasculharmos nosso histórico de textos para o Nintendo 3DS, percebemos que deixamos de lado a avaliação de alguns dos principais títulos exclusivos do portátil — algo que procuramos corrigir em partes com esta avaliação de Theatrhythm Final Fantasy.


Apesar de a Square Enix não ser tímida no que diz respeito a produzir spin-offs de sua franquia mais famosa, somente em 2012 a empresa decidiu explorar adequadamente seu rico histórico de trilhas sonoras. Lançado originalmente para o Nintendo 3DS (e posteriormente para o iOS), Theatrhythm é um game de ritmo que apresenta canções conhecidas pelos fãs de maneira diferente.

O título apresenta uma história simples, na qual o temido Chaos ressurge para tentar conquistar o mundo. Agora, cabe a um grupo de heróis (cada um pertencente a um lançamento numerado da série até Final Fantasy XIII) se reunir para conquistar um elemento como Rhytmia, única arma capaz de salvar o universo de um destino terrível.

Theatrhythm Final Fantasy é um prato-cheio para os fãs da principal série da Square Enix. Reunindo algumas das músicas mais marcantes da franquia, o game possui uma jogabilidade sólida que, combinada a uma trilha sonora marcante, resultam em uma experiência bastante divertida.

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Infelizmente, muita dessa diversão se esconde sob horas de esforço e repetição, o que acaba desestimulando a realização de partidas longas. Assim, recomendamos experimentar o título em doses curtas para evitar irritações provocadas pela repetição constante da mesma canção no modo “Chaos Shrine”, que se torna rapidamente a única forma de desbloquear conteúdos inéditos.

Mesmo um ano após seu lançamento, Theatrhythm Final Fantasy continua sendo um dos títulos mais interessantes para o Nintendo 3DS. Só não espere encontrar aqui a mesma genialidade por trás dos títulos que emprestaram suas trilhas sonoras para essa experiência rítmica.

Trilha sonora clássica

O ponto que mais se destaca em Theatrhythm não poderia ser outro a não ser a aparição de alguns dos temas mais clássicos da série Final Fantasy. Desde o tema comum a todos os games da série até “One Winged Angel” (do sétimo capítulo) e “Waltz for the Moon” (do oitavo jogo), é difícil encontrar uma canção que não marque de alguma maneira quem possui familiaridade com a franquia.

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O que mais chama a atenção é o fato de a Square Enix ter mantido cada uma das músicas disponíveis na forma mais próxima possível à original. Assim, enquanto as melodias dos primeiros RPGs são marcadas por teclados MIDIs, os capítulos mais recentes são marcados pelas orquestrações e temas grandiosos.

Embora a maioria das canções esteja bloqueada em um primeiro momento, bastam poucas horas de jogo para que você possa aproveitar cada uma delas de forma individual em diferentes níveis de dificuldade. Caso você seja realmente fanático pela série, também é possível investir na compra de faixas adicionais disponibilizadas como DLCs.

Música e RPG

Apesar de ser um jogo de ritmo, Theatrhytm não abandona as raízes que a série tem no gênero RPG. Prova disso é o fato de que cada um dos personagens disponíveis ganha pontos de experiência a cada canção terminada, o que rende a eles novas habilidades e itens especiais — algo que se mostra essencial nos níveis de dificuldade mais avançados.

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O game é divido em três modos diferentes: “Series”, no qual você seleciona um capítulo da franquia e joga quatro canções seguidas baseadas nele, “Challenge”, que permite escolher livremente a canção desejada, e “Chaos Shrine”, que apresenta músicas de forma totalmente aleatória. Finalmente, há um modo galeria no qual você pode ouvir novamente temas desbloqueados ou conferir uma coleção de cartas especiais que são conquistadas durante as partidas.

Entre as opções disponíveis, a “Chaos Shrine” se mostra mais interessante por permitir acessar trilhas que não fazem parte dos demais modos. Para que isso seja possível, no entanto, é preciso vencer desafios conhecidos como “Dark Notes”, que possuem graus variantes de dificuldade.

Muito para destravar

Caso você seja daqueles que gosta de destravar todos os conteúdos que um game disponibiliza, prepare-se para passar centenas de horas em Theatrhythm. O título possui uma quantidade invejável de itens desbloqueáveis, em uma lista que inclui canções famosas da série, personagens extras e um álbum de cartas virtual no qual é possível conferir a descrição de cada herói e monstro que aparece no jogo.

Tarefa desgastante

Embora a seleção das músicas disponíveis desde o primeiro instante em Theatrhythm seja vasta, o que mais prende você no jogo é a necessidade de desbloquear conteúdos. Infelizmente, isso acontece de forma bastante lenta, seja pelo ritmo de evolução dos personagens ou pela característica aleatória do modo “Chaos Shrine”.

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Não raro, você vai encarar um desafio aleatório que conta com uma canção que você já desbloqueou — algo que irrita depois da décima vez seguida que você se depara com o mesmo desafio. Da mesma forma, muitas vezes a única maneira de passar de um trecho difícil é elevar o nível geral de sua equipe, algo que pode demorar um bom tempo para acontecer.

Assim, recomendamos que você jogue Theathrytm em partidas curtas, já que o game se torna chato rapidamente devido à repetição constante de conteúdos. Afinal, por mais que amemos “One Winged Angel”, é difícil querer viver em um mundo no qual ela constitui a trilha sonora de todos os momentos.

Visual poluído

Embora Theatrhythm Final Fantasy possua um estilo visual simpático, é difícil não ficar com a sensação de que o game incorpora elementos demais na tela em alguns momentos. Isso fica especialmente evidente quando você interage com as cenas animadas dos games da série, que passam em segundo plano enquanto você segue os comandos do título.

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Mesmo que isso dificilmente impacte negativamente em seu desempenho, é difícil não se sentir incomodado com o excesso de animações e elementos apresentados pelo jogo. Isso se mostra especialmente frustrante para os fãs da franquia, que vão ter que decidir entre acompanhar as homenagens a suas produções favoritas ou a inserir corretamente os movimentos necessários para progredir.

80 3ds
Ótimo