Quem precisa de gráficos refinados quando todo o resto é fantástico?

Existe, na atualidade, uma noção equivocada de que se o jogo não tiver gráficos absurdamente realistas e cheios de detalhes, ele é automaticamente colocado em um nível abaixo do e outros títulos mais “visualmente agradáveis”. Esse tipo de ideia acaba evitando que muita gente acabe se deliciando com games que tentam fazer o que poucos conseguem ser hoje em dia: diferentes.

Seja um jogo que coloca o jogador no controle de um jovem que comanda o tempo, um boneco de carne em busca de seu amor, ou formas geométricas com personalidade, existe a possibilidade de um jogo que parece ser muito simples envolver todo mundo como poucos conseguem. Jogos como Thomas Was Alone.

Thomas Was Alone é o tipo de jogo que à primeira vista parece a coisa mais sem noção do mundo. Como um game com um bando de quadrados pulando para chegar ao final da fase pode ser divertido?

A criação do desenvolvedor Mike Bithell consegue inspirar, divertir, ser engraçada, instigar e emocionar o jogador, mesmo com personagens desenvolvidos apenas através de um narrador. O jogo é uma das provas do que a cena independente pode fazer, mostrando que não é necessário ter um orçamento milionário, explosões por todos os lados ou campanhas de marketing dignas de Hollywood para poder gerar um game que pode cativar o jogador e criar uma experiência única.

Quando um retângulo ganha consciência

Thomas Was Alone conta a história de uma empresa que trabalha com inteligência artificial. Quando ocorre um problema de conexão, alguns elementos ganham consciência, observando o mundo em que habitam em uma versão 2D e se vendo como formas geométricas.

Uma dessas formas é Thomas, um retângulo que começa a trafegar pelos estágios, buscando um sentido para a sua existência, assim como outros seres como ele, já que ele não quer ficar sozinho no mundo. Eventualmente, ele consegue localizar outras formas:

  • Chris: um quadrado mal-humorado;
  • John: um retângulo maior e convencido;
  • Claire: um quadrado grande que, apesar de não conseguir pular muito bem, pode nadar;
  • Laura: um retângulo deitado que pode servir de trampolim para os outros personagens.

Nenhum dos personagens de Thomas Was Alone tem uma voz, sendo que a história é contada toda por um narrador (o comediante Danny Wallace), mas a maneira como tudo é apresentado consegue fazer com cada forma geométrica que você controla tenha uma personalidade própria. É impressionante notar que, em dado momento, você não vê mais, por exemplo, um grande quadrado azul, mas sim Claire, alguém que pensou que morreria, descobriu que é a única que consegue nadar e, por isso, deve ser uma super-heroína.

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Isso é um grande trunfo do jogo, já que uma parte do seu cérebro ainda vai gritar que você está controlando formas geométricas pelo cenário, mas outra parte vai responder com “Não são formas geométricas. São o Thomas e o John tentando passar para o próximo estágio”. Sem esse cuidado na maneira de fazer os personagens terem personalidades e interagirem entre si, sem pronunciar uma palavra ou ter formas bem definidas, é algo que muitos desenvolvedores de jogos AAA deveriam levar em consideração.

Outro elemento muito interessante são os temas abordados pela trama. É possível notar que os criadores de Thomas Was Alone se preocuparam em falar sobre questões como a busca por um propósito, o quão livre realmente somos, noções de amizade e relacionamentos. Tudo em um jogo com um monte de quadradinhos e retângulos pulando pela tela.

Simplicidade, mas sem abrir mão da diversão

Thomas Was Alone, em termos de jogabilidade, é extremamente simples. Você tem um botão para pular, utiliza os gatilhos para escolher qual personagem controlar e pronto. Sem controles complicados ou que não respondem tão bem.

O objetivo dos estágios também é bem simples, sempre fazendo com que as formas se encaixem em pontos específicos do cenário. Quando todos os envolvidos estão nos seus devidos lugares, você avança para a nova fase.

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Essa simplicidade pode agradar a alguns jogadores, que querem apenas um bom puzzle para resolver e passar o tempo. É válido lembrar que Thomas Was Alone nasceu como um jogo em Flash, o que pode explicar bastante o caminho que o seu criador, Mike Bithell, resolveu trilhar na versão para PC, Mac e consoles.

Os cenários, apesar de terem uma apresentação parecida uns com os outros, apresentam desafios diferentes, impressionando pela variedade de ideias para impedir que os personagens cheguem até o final. Dessa forma se você ficar preso em um deles (o que é um pouco difícil), não precisará passar por outros 30 cenários idênticos logo em seguida.

Quando a facilidade complica a diversão

Conforme falamos acima, Thomas Was Alone é um título divertido e simples de se jogar. Só que, ao mesmo tempo, ele é fácil. Muito fácil em alguns momentos, e isso irrita.

No início, é compreensível que os desafios não sejam complicados, já que você está se acostumando a cada um dos personagens que pode controlar. O problema é que ele não te mostra mais desafios depois disso. Você acaba agindo de maneira mecânica, sem parar para resolver como fará para chegar ao fim da fase.

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Lá pela metade do jogo, você acaba deixando a jogabilidade no piloto automático, podendo, até mesmo, se distrair da história que o jogo tenta contar.

85 pc
Ótimo

Outras Plataformas

85 ps3
85 psvita