Assim como o Mjolnir, o DS é a maior arma de Thor

Quando falamos em jogos baseados em filme, você provavelmente já imagina que algo ruim vem por aí. Afinal de contas, não poderia ser diferente, já que praticamente todas as adaptações desta geração foram um fiasco — com exceção de alguns títulos infantis. Tudo bem, nós até tivemos alguns títulos que conseguiram, ao menos, escapar de notas tenebrosas em nossas análises, mas, mesmo assim, esses jogos dificilmente conseguem oferecer alguma experiência realmente interessante.

E, ao contrário do que alguns podem imaginar, existe material de sobra para a criação de bons jogos baseados em filmes. A Marvel, por exemplo, está em alta com suas dezenas de adaptações cinematográficas, que transformam grandes heróis dos quadrinhos em personagens de carne e osso nas telonas.

Mesmo assim, as desenvolvedoras insistem em falhar. Ultimamente, quem andou pisando na bola foi a SEGA, que lançou terríveis adaptações como Iron Man e The Incredible Hulk. Agora, a companhia surge novamente para trazer aos games mais um sucesso dos cinemas: Thor.

Aparentemente, a maldição dos jogos baseados em filmes também caiu sobre o Deus do Trovão. Sites como Metacritic, que agrega pontos de diversos veículos, já indicam que o título é um fracasso: Thor tem uma média inferior a 40 pontos na versão para Xbox 360. No PlayStation 3, o jogo também não se sai bem, gerando um pontuação semelhante.

Incrivelmente, há uma salvação. E ela está no Nintendo DS. O tímido portátil da "Big N", que, normalmente, sofre ainda mais nessas adaptações, acabou recebendo a melhor versão de Thor. Isso porque quem ficou responsável pelo desenvolvimento foi ninguém menos que a WayForward, a mesma equipe que criou o belo Contra 4.

Thor no DS serve como prova de que não é necessária uma arma enorme para fazer um belo estrago, como o próprio Mjolnir, o mítico martelo utilizado por Thor, ilustra. A versão para o portátil de duas telas condensa um combate satisfatório, gráficos belíssimos e um bom ritmo de jogo, criando uma fórmula que relembra os clássicos jogos de pancadaria. Preparado? Então, que comece a tempestade!

Thor é um exemplo concreto de que um jogo não precisa arriscar muito para satisfazer seus consumidores. A WayForward apostou numa fórmula clássica e conseguiu superar as versões “maiores” do game com muita folga, em termos de qualidade, criando um game com um ritmo bacana, visuais estrondosos e conflitos épicos contra os chefes. O DS definitivamente martelou os demais consoles com Thor.

Bela primeira impressão!

Sem dúvidas, um dos elementos que mais chama a atenção em Thor é o seu visual. Logo de cara, o jogador percebe que a WayForward realmente caprichou nos gráficos, trazendo imagens detalhadíssimas dos personagens e sprites de alta qualidade.

Mas, antes de nos aprofundarmos nos visuais, vale a pena mencionar um pouco da história do game. Muitos pensarão que Thor, o jogo, trata-se apenas de uma conversão do roteiro dos cinemas para o game. Entretanto, a verdade não é bem essa. A desenvolvedora trouxe uma trama que antecede os eventos exibidos no filme, algo que, certamente, deve agradar aos fãs do personagem.

Aqui, os jogadores vivem na pele de Thor, que está sendo manipulado por ninguém menos que seu próprio irmão, o terrível Loki, para embarcar numa jornada em busca de Sif, sua amada. A situação só piora quando uma multidão de trolls (a raça, e não as pessoas que gostam de "trollar") acaba invadindo Asgard, provocando o total desequilíbrio do local.

Voltando aos gráficos, podemos dizer que os personagens até compartilham algumas semelhanças com os atores reais que aparecem no filme, o que gera uma familiaridade bacana aos jogadores.

O grande destaque, contudo, vai para as animações. Os personagens se movimentam com uma fluidez bem convincente e acima dos padrões do Nintendo DS, criando uma experiência que oferece bastante detalhes nos gráficos, contribuindo ainda mais para a diversão. Até mesmo os pingos da chuva são rebatidos pelo martelo de Thor, exemplificando o quão caprichosa a WayForward foi durante o desenvolvimento.

Além de animações bacanas, o título também oferece minúcias no ambiente. Você passará por diversos locais com paisagens diversificadas, desde planícies em ruínas até lugares congelados. Tudo com um aspecto bem natural, reforçado por vários detalhes, como combates de outras tropas em segundo plano, e muito mais.

Descendo a lenha... Ou melhor, o martelo

Felizmente, Thor não se limita a apenas uma boa primeira impressão. Na realidade, o título tem um desenvolvimento bacana, principalmente no combate. Inicialmente, o personagem conta apenas com um simples, mas poderoso, golpe com seu martelo. Mas, logo após alguns minutos, o jogador aprende várias outras habilidades que só contribuem para diversificação da jogabilidade.

O esquema de jogo em Thor é bem simples, como todo Side Scroller deve ser. O jogador enfrenta guerreiros com golpes comuns e ainda pode realizar combinações ao pressionar várias vezes o botão de ataque. Como se não bastasse, o herói também é capaz de lançar o Mjolnir como um bumerangue, causando um estrago devastador.

Achou pouco? Thor também é capaz de atacar furiosamente seus oponentes durante um salto, basta pressionar para baixo e o botão de golpe. Isso faz com que o personagem caia como um trovão em cima de seus inimigos, jogando-os para longe e causando estrago até mesmo nos guerreiros de maior porte. Se tudo der errado, você pode pressionar o R para rolar e desviar dos ataques.

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Durante sua jornada, Thor aprende ainda mais golpes, que podem ser aprimorados com as Runes. Essas pedras místicas são encontradas em locais não muito óbvios, o que estimula a exploração e, certamente, oferecem uma bela recompensa, pois tornam seus ataques ainda mais poderosos.

Falando em exploração, o jogador tem ao seu dispor as duas telas do DS que, juntas, comportam as fases do game. Durante o jogo, Thor aparecerá tanto na imagem superior quanto na inferior, algo que oferece muito mais dinamicidade e, certamente, faz um bom uso dos recursos do portátil.

A tela sensível ao toque também não ficou de fora. Ao tocar nela, o jogador ativa um ataque poderosíssimo, capaz de aniquilar várias criaturas ao mesmo tempo. Um recurso que deve ser muito bem administrado, pois é necessário batalhar bastante para poder carregar sua barra especial.

Como se não bastasse, Thor também oferece uma bela interação com o cenário e com os próprios inimigos. O jogador pode quebrar pilares ou então utilizá-los como armas — o personagem simplesmente arranca a estrutura e parte para cima dos oponentes. Nem mesmo os inimigos escapam das mãos de Thor, podendo substituir tranquilamente seu martelo durante alguns instantes.

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Em suma, o sistema de combate de Thor é bem satisfatório. O jogador enfrentará hordas e hordas de inimigos e, ocasionalmente, terá de se deparar com criaturas mais fortes, as quais exigem uma estratégia diferenciada para serem derrotadas. O esquema relembra bastante jogos como Castlevania e ainda traz uma bom sistema de detecção de colisão, permitindo que o jogador acerte os oponentes até mesmo quando eles estão em queda.

Os verdadeiros chefões

Felizmente, a experiência de Thor não se resume a confrontos com vários inimigos que sequer fazem cócegas no herói. O título também oferece alguns dos encontros com chefões mais bacanas do Nintendo DS.

Logo de cara, o jogador já enfrenta uma criatura gigantesca, que ocupa as duas telas e ataca ferozmente, sem deixar espaço para o guerreiro. Posteriormente, os conflitos só tendem a melhorar. Não vamos estragar a surpresa, mas garantimos que, ao finalizar um chefe, você vai estar com um sorriso estampado no rosto enquanto imagina como será o próximo conflito.

Se os combates ordinários trazem mecânicas simples, as lutas contra os chefes compensam, exigindo estratégias e muita agilidade do jogador. Isso sem contar que o design dos monstrengos é bem interessante, acompanhando toda a qualidade gráfica do game.

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Mesmo após toda a campanha, Thor ainda oferece mais momentos intensos. Há um modo survival, em que o jogador deve eliminar o máximo de inimigos possível, e outra opção de jogo, na qual você controla três personagens diferentes. Uma boa adição para o modo principal, que deve render ao jogador seis horas de pura destruição.

De novo?

Infelizmente, mesmo com toda a essência do gênero, Thor pode acabar se tornando um jogo repetitivo. Primeiramente, temos vários inimigos genéricos que, infelizmente, prejudicam um pouco a qualidade gráfica do game. Como se não bastasse, a própria mecânica do game não consegue escapar de seu fatal destino e, quando o jogador perceber, notará que está repetindo as mesmas ações fase após fase.

Sem dúvidas, a repetição é um dos maiores problemas do game. O resultado poderia ser melhor se as fases fossem um pouco mais curtas ou se Thor tivesse ainda mais habilidades para serem descobertas. São vários inimigos e você não conta com muitas opções para derrotá-los, o que acaba tornando o jogo maçante.

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Uma chuva de pedras

Aparentemente, a WayForward gastou todas as suas fichas nos gráficos, tanto tecnicamente quanto na parte artística, e acabou se esquecendo de caprichar no áudio. Embora o jogo conte com alguns efeitos sonoros bacanas, existem muitos elementos que simplesmente estão destoados da atmosfera e da própria proposta do jogo.

Os ruídos durante os diálogos, por exemplo, relembram jogos clássicos da era 8-bits. Além disso, ao adquirir um item, ouve-se um som agudo, que também remete aos clássicos da década de 1990. Isso se contrasta com efeitos até bacanas, como quando Thor acerta uma martelada no oponente. Quanto à trilha sonora, ela até combina, embora também pareça um pouco fora de contexto — mas não tanto quanto alguns ruídos.

Já acabou?

Thor traz uma campanha bacana, embora repetitiva, mas não oferece muito mais que isso. Os outros dois modos de jogo até podem divertir os jogadores mais persistentes, mas vale lembrar que eles acabam sofrendo ainda mais com a repetição da fórmula. Uma modalidade multiplayer, de preferência cooperativa, cairia muito bem.

80 ds
Ótimo