A série PGA Tour chega ao Xbox 360 e, apesar de várias melhoras gráficas, parece uma versão piorada dos jogos do Xbox e do PS2. Detalhes do controle e a diminuição dos campos de golfe quase fazem com que a versão não valha a pena, destacando-se apenas por ser o único título de golfe disponível para o console.

Transição para a nova geração

O lançamento de Tiger Woods PGA Tour no Xbox 360 faz parte de uma série de traduções de jogos entre consoles que a Eletronic Arts deve realizar. “Tradução”, pois a EA está apenas utilizando as franquias e engines conhecidas e relançando-as nos consoles de nova geração.

Por um lado é bom, pois não impõe dificuldades de adaptação aos jogadores, que se sentirão em casa ao poder jogar no 360 da mesma maneira que já jogam no PS2 ou no Xbox; e ao mesmo tempo é ruim, pois ao relançar as mesmas franquias a EA não se propõe a inovar na jogabilidade, repetindo as fórmulas já conhecidas. Em alguns casos a decisão é bem-sucedida, como quando a EA lança jogos como Fight Night Round 3, que com pequenas mudanças em relação ao PS2 tornou-se um jogo muito superior e mais imersivo, sendo efetivamente outro jogo no Xbox 360.

Já no caso de PGA Tour 06, parece que tudo foi feito de forma apressada, gerando um jogo que deveria mostrar tudo que a nova geração pode fazer, mas que se torna apenas mais um jogo de golfe, medíocre em relação às suas versões mais antigas.

Não faz mais do que a obrigação

PGA Tour 06 foi anunciado pela EA como um novo passo no nível de simulação de jogos de golfe, mas na verdade é apena um upgrade sobre as versões de PS2 e Xbox, e nem isso faz com muita competência.

Uma das diferenças mais notáveis na versão do 360 é o modo carreira, que deixou de lado o calendário de eventos e agora apresenta apenas um menu interno com desafios variados a serem cumpridos como aproximação do buraco, tirar a bola do banco de areia, etc. A única maneira de progredir no jogo, conseguindo pontos e dinheiro é vencendo estes desafios em seqüfência. O calendário de eventos era muito mais interessante e dinâmico, pois permitia que o jogador ignorasse certos desafios, concentrado esforço e paciência no que fazia melhor. Mas é compreensível que a EA tenha optado por este modo de carreira forçada, já que também diminuiu o numero de campos disponíveis.

São apenas seis campos nesta versão; o problema de existirem menos campos não é só de variedade, pois assim que você domina cada um deles, a progressão no jogo fica fácil e tediosa. Com menos campos a dificuldade e o tempo para dominar o jogo são menores também. As versões de PS2 e Xbox apresentavam mais do que o dobro de campos de jogo, o que ajudava a manter tudo novo e desafiante por mais tempo. Para quem já conhecia o jogo nas outras plataformas, a sensação é de que alguma coisa está faltando. Algo bastante negativo para um título que deveria ser revolucionário.

Dificultando a vida do jogador

Outros pequenos problemas surgem no jogo, e quando se somam podem prejudicar muito a jogabilidade. Em uma escolha de controle incompreensível, a EA optou por colocar o botão de power boost, que aumenta a potência da tacada, no gatilho esquerdo, acima do analógico esquerdo, que controla o swing. Isso significa que para dar uma tacada potente você vai usar o polegar esquerdo para dar a tacada, enquanto aperta freneticamente o gatilho com o dedo indicador da mesma mão.

É como se ninguém na EA tivesse testado o jogo antes de lançá-lo; imagine tentar desenhar uma linha reta precisa com o polegar ao mesmo tempo em que o indicador chacoalha o resto da mão. Não é apenas uma questão de costume; é impossível de realizar. O menu de opções permite que você mude a configuração de botões, mas apenas entre os analógicos. A melhor opção é realmente passar o swing para o analógico direito, o que vai contra a tradição da série e parece bastante artificial para jogadores que acompanham a franquia.

Somando-se à dificuldade de realizar a tacada, o jogo também não dá informações sobre a potência aplicada, que poderia ser facilmente demonstrada através da tradicional barra vertical graduada. Jogadores veteranos provavelmente não se incomodarão tanto, jogando por “feeling”, já que pelo menos o analógico é extremamente sensível às pequenas diferenças de distância do swing. Mas a mecânica é de difícil absorção para jogadores novos ou pouco acostumados ao sistema de tacada.

Em momentos críticos do jogo, como quando você está prestes a fazer uma tacada decisiva, é possível ouvir o coração do golfista batendo, e o joystick vibra no mesmo ritmo. De maneira pouco verossímil, toda a tela de jogo também treme, e é estranho ver o mundo todo chacoalhando por causa do seu “nervosismo”. A idéia era boa, mas a execução gera resultados controversos. Também não ajuda o fato de que ao realizar a tacada nesses momentos críticos o controle vibre com mais violência, a fim de representar o nervosismo do golfista. Certamente muitos jogadores optarão por desligar a vibração do controle.

Gráficos abaixo do esperado

Uma das maiores mudanças esperadas na tradução para o 360 residia nos gráficos; em um jogo de golfe, eles são essenciais para dar credibilidade e melhorar a sensação de ambientação. No 360, pela primeira vez temos um Tiger Woods que parece com o verdadeiro Tiger Woods. É uma cópia muito fiel até nos pequenos detalhes, como o meio sorriso de canto de boca. Outros jogadores famosos também estão representados, com algumas animações individuais. Mas a maioria das animações se repete entre eles, como os gestos de frustração com uma jogada que passa muito perto do buraco.

O nível de detalhe também está presente no modo de criação do seu golfista, onde é possível mexer em todas as características possíveis de um rosto, e até algumas do corpo. O enorme número de acessórios, roupas e equipamentos licenciados também está presente na versão do 360, garantindo um alto nível de personalização do personagem. O realismo também é ajudado pela presença de platéia, que antes era representada apenas pelos efeitos sonoros. Agora cada indivíduo é representado e reage de forma convincente. É possível inclusive acertá-los com a bola.

A atuação dos jogadores no campo de golfe também é muito boa, com uma movimentação natural, que representa fielmente a irritação ou satisfação com uma jogada. As reações extremas são as mais divertidas, como o jogador jogando o taco longe e olhando para cima com as mãos abertas, no maior nível de frustração possível. Porém, destoando da qualidade dos modelos dos golfistas, os cenários são pobres, perto do que o 360 poderia apresentar. O céu é sempre reciclado, apresentando pouca variação nas nuvens, por exemplo. As diferenças entre green, farway e rough não são tão detalhadas como era de se esperar, e as texturas não são muito melhores do que as do PS2. Até mesmo o buraco é difícil de ser visto, ainda que seja utilizada a visão de cima. Gráficos pobres, por si só, podem ser ignorados; mas quando prejudicam o principal objetivo do jogo são um problema sério.

Os componentes do cenário também decepcionam: embora o jogo apresente luzes e sombras relativamente convincentes, objetos como árvores são muito artificiais e com pouco detalhe gráfico. As folhas das árvores se movem em blocos, como se fossem placas coladas nos galhos. O console da Microsoft possui capacidade para renderizar esse tipo de modelo com perfeição, e isso é muito desejável em um jogo de golfe, onde o ritmo mais lento faz com que exista muito tempo para olhar os detalhes.

Narrações e sons ambientes prejudicados pela trilha sonora limitada

As vozes e narração do jogo são boas, mas persistem os erros de comentários, em relação às jogadas realizadas. Os comentarista falam apenas sobre sua última tacada e desconsideram o que foi feito nas tacadas anteriores e sua situação no scorecard. Sendo assim, é muito comum eles falarem, por exemplo, que “vai ser difícil se recuperar”, depois de uma tacada ruim, mesmo você estando com duas ou três tacadas abaixo do par.

As vozes dos golfistas são satisfatórias, embora seja possível observar uma falta de sincronização com o movimento dos lábios. Os comentários dos golfistas sobre suas próprias jogadas são bons e não se repetem a ponto de ficar irritantes. A trilha sonora do jogo foge um pouco ao que se costuma ouvir em PGA Tour, sendo mais inclinada para o lounge e chill-out nesta versão. Entretanto, o EA Trax apresenta apenas 13 faixas musicais, o que faz com que a trilha se torne repetitiva já na primeira hora de jogo. O uso de um MP3 player é recomendado.

Experiência decepcionante

Tiger Woods PGA Tour 06 é um jogo que decepciona, por não apresentar tantas melhoras como poderia em relação às versões “inferiores” de PS2 e Xbox. A diminuição do número de campos é inexplicável, bem como as mudanças de controle. Melhor investir no PGA Tour 07 que deve aproveitar de forma mais eficiente os recursos do Xbox 360.
76 xbox-360
Bom