Análise de Tom Clancy's Ghost Recon Advanced Warfighter

O México em uma crise política que só pode ser resolvida através de muita tática.

Uma grande tendência atualmente no mundo dos games é a fusão de gêneros e a implementação de novos elementos, que decorrem no surgimento de uma série de sub-gêneros. Não é raro observar uma série de títulos cujo gênero não pode nem mais ser definido com uma só palavra. Um bom exemplo disso são as franquias de tiro em primeira pessoa do escritor estadunidense Tom Clancy, que têm sempre um toque pessoal do autor.

O escritor, que foi o co-fundador da desenvolvedora Red Storm, vem há pelo menos 10 anos trabalhando na produção de jogos. Mas foi só em 1998 que o primeiro FPS (tiro em primeira pessoa) surgiu. Recheado de ação, mas com um toque de tática e espionagem nunca visto antes, Rainbow Six — como o título foi chamado — fez com que o autor começou a construir seu nome no mundo dos games.

Devido ao sucesso da franquia e a força com que o nome de Tom Clancy adquiriu ao longo dos anos, outras franquias foram criadas, cada uma delas com diversos jogos. Contando com um gênero cuja melhor descrição seria “um jogo de Tom Clancy” e enredos intrigantes envolvendo crises políticas e guerras táticas urbanas, os jogos foram ganhando força no mercado.

Uma dessas franquias foi Ghost Recon. O primeiro jogo da série conta a história de um esquadrão de elite estadunidense recém concebido, que é incumbido de acabar com uma revolta na Rússia que planeja reconstruir a cortina de ferro. Após uma seqüência também bem sucedida, a série ganha um novo nome: Ghost Recon Advanced Warfighter.

Trata-se do mesmo esquadrão e do mesmo conceito, mas em uma situação completamente diferente; o título aborda uma rebelião no México que desencadeia no seqüestro dos presidentes dos Estados Unidos e México. A jogabilidade mantém-se sólida, com uma ênfase característica na tática — para sobreviver, você deve avançar com calma, pensando bem antes de tomar cada atitude.

A unidade fantasma

Mantendo a proposta da franquia, o título na ilustre unidade Ghost das forças especiais dos Estados Unidos. Você joga na pele do capitão Mitchell, que está no comando da tropa e tem à sua disposição três soldados, que podem avançar, recuar ou dar cobertura, por exemplo, em função da sua vontade.

No entanto, com tamanha liberdade e poder você também tem a responsabilidade de manter seus colegas vivos, uma vez que eles podem fazer muita falta no decorrer de sua missão. O mais inteligente a se fazer é avançar lentamente, esgueirando-se pelas paredes e arrastando-se pelo chão, fazendo jus ao nome da tropa (ghost significa fantasma em inglês).

Justamente devido a toda a proposta do game e a temática que o cerca, Ghost Recon Advanced Warfighter se difere de longe dos outros jogos de tiro em primeira pessoa. Embora a tática tenha sido explorada já em outros games do gênero, nenhum outro título dedicou tamanha complexidade e ênfase a este aspecto.

Uma guerra cuja munição é a tática

Que cada jogo possui suas peculiaridades e procedimentos específicos que levam à vitória, todos já devem ter percebido. Entretanto, sempre há aquele jogador especialista em determinado gênero, aquele que domina a maior parte dos jogos com facilidade. Com Ghost Recon Advanced Warfighter, porém, é diferente. Com suas peculiaridades e a complexidade de suas mecânicas, o título é um desafio até para o maior dos campeões do gênero.

No entanto, um número incrível de possibilidades e a necessidade de um manejo minucioso da sua equipe, o título acaba se tornando inacessível aos jogadores menos acostumados. A linha de aprendizado do game não é nada tênue; você vai morrer muitas vezes antes de aprender qual a melhor forma de se proceder durante as missões. Um tutorial aqui caberia bem.

Felizmente, o jogador que tiver paciência o suficiente para aprender como tudo funciona vai facilmente entrar no espírito do game e se sentir um verdadeiro soldado em uma guerra contemporânea. Os recursos a sua disposição são bem variados e a possibilidade de controlar cada um dos soldados da sua unidade é bastante interessante.


Antes de cada missão, você pode escolher entre rifles de assalto, rifles sniper ou metralhadoras pesadas. Além disso, é possível acoplar ao seu rifle miras especiais e lança-granadas, por exemplo. Você carrega uma arma principal e outra secundária (pistolas ou submetralhadoras), além de granadas. Há ainda a opção de carregar um terceiro equipamento, que pode ser desde mais espaço para munição até um potente lança-mísseis.

Além de escolher suas armas, o jogador tem a opção de mudar o equipamento de seus companheiros de batalha. No entanto, há um limite de peso que pode ser carregado e isto é válido tanto para você quanto para os outros soldados. A limitação torna a escolha das armas também desafiante, uma vez que uma simples mira acomplada ao seu rifle faz com que o peso de sua mochila aumente.

Seus inimigos geralmente possuem um equipamento semelhante ao seu, quando não melhor. Não raro você se depara com tanques de guerra ou bases com lança-foguetes; ficar exposto a esse tipo de inimigo é morte na certa. Felizmente, em missões nas quais os tanques são um incômodo maior, você tem a sua disposição uma frota de aviões aliados prontos para acabar com qualquer inimigo, esperando apenas o seu comando.

As missões são muito bem estruturadas e desafiantes. Você geralmente será incumbido de proteger alguém ou eliminar determinado alvo que impede o avanço de seus aliados. O difícil não é exatamente cumprir o objetivo em si, mas avançar até o mesmo e eliminar a ameaça que o cerca. Geralmente justo na hora em que você mais precisa de um segundo de calma, tanques e caminhões repletos de inimigos chegam para acabar com a sua paz.

Em meio a tanta complexidade e desafios, o grande trunfo de Ghost Recon Advanced Warfighter é a jogabilidade. Embora a interface dos menus de seleção de armas e mapa tático (no qual é possível planejar e executar ações estratégicas) não seja tão simples e amigável, no geral a mecânica do jogo não é extremamente complicada e logo ao entender como tudo funciona, fica muito fácil executar os comandos e dar ordens aos seus soldados.

O campo de batalha contemporâneo

Se a jogabilidade é um aspecto que torna a dificuldade e complexidade do jogo menos assustadoras, os gráficos provavelmente sejam a maior motivação do jogador para não desistir do game antes de entendê-lo e aprender suas mecânicas. Os cenários são extremamente bem construídos e dão realmente a sensação de se estar em uma cidade tomada pelo caos, enquanto as texturas e modelagem dos personagens completam o show.


Não raramente você viaja de helicóptero de um lugar da cidade a outro; são esses os momentos nos quais você percebe como tudo foi minuciosamente trabalhado. Cada construção parece ser única e a estrutura dos elementos cidade da a impressão de que tudo é real.

Os cenários são bastante amplos e tão bem construídos quanto a cidade como um todo. Quando o jogador desce do helicóptero, a impressão que fica é realmente a de se estar descendo naquela cidade vista anteriormente de cima. Tudo se encaixa, o clima é basicamente sempre o mesmo, ou seja, você não se sente deslocado do jogo um momento sequer.

Não é apenas a cidade como um todo que é muito bem construída. Cada detalhe parece ter sido trabalhado com cuidado para oferecer a experiência mais realista e dinâmica o possível. Difícilmente você vai notar alguma falha gráfica ou mesmo um elemento do cenário incompatível com a qualidade do game. No entanto, infelizmente, tamanha qualidade gráfica exige um computador muito potente.

Entre a calmaria e uma chuva de balas

Não deixando a peteca cair, os desenvolvedores trabalharam muito bem na sonoplastia e trilha sonora do game. Os efeitos sonoros são bastante interessantes e realistas. Cada arma tem um som único, assim como seu efeito sob as superfícies atingidas. O barulho intenso das guerras e o silêncio indicando a calmaria alternam constantemente em Ghost Recon Advanced Warfighter, dando a sensação de se estar realmente em uma guerra urbana e colaborando significativamente para o aspecto tático do game.

A trilha sonora, por sua vez, colabora significativamente para criar o clima perfeito para o jogo. Enquanto você se arrasta silenciosamente pelas paredes, atento a possíveis ataques, a música é lenta e dá uma sensação de apreensão. Durante os tiroteios e cenas de ação, entretanto, a música é rápida e frenética, dando uma sensação de euforia e indicando que o perigo está por perto.

Estratégico

A proposta de Ghost Recon Advanced Warfighter pode assustar os jogadores que esperam deste um jogo no qual a ação é frenética e o gatilho é o único recurso. A dificuldade do jogo e a falta de um tutorial ou algo que mostre de forma amigável como sua mecânica funciona podem fazer os jogadores menos pacientes desistirem logo no começo. Além disso, a modalidade multiplayer oferece poucas opções e é praticamente descartável.
 
Entretanto, ao habituar-se com as mecânicas específicas do título, tudo fica mais tranquilo. Os gráficos e os efeitos sonoros do jogo são bastante realistas, incitando o jogador a continuar mesmo após morrer diversas vezes. A jogabilidade também colabora, uma vez que os comandos respondem bem; geralmente quando você morre, é por falta de atenção e não por problemas nos controles.

Por fim, todo o ambiente construído para a trama — incluindo o próprio enredo, uma história de ficção muito bem estruturada — é sensacional. A vista superior da cidade mexicana mostra o quão minucioso foi o trabalho dos desenvolvedores e ao descer e reparar nos detalhes menores, a impressão não é diferente. Se você gosta de jogos com uma abordagem mais tática e gráficos de última geração, Ghost Recon Advanced Warfighter é uma ótima pedida.

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