Quando um agente falha em sua missão

A franquia Splinter Cell, para quem ainda não conhece, é famosa por retratar as missões de Sam Fisher, membro da  Third Echelon — uma divisão mais do que secreta da NSA (Agência de Segurança Nacional, em inglês).

Splinter Cell 3D é a primeira aparição do agente no Nintendo 3DS, ao mesmo tempo em que é um remake de Chaos Theory, o terceiro game da franquia. Dessa vez, Fisher se vê envolvido em uma série de eventos capazes de deslanchar a Terceira Guerra Mundial.

Para impedir isso, o agente deve realizar aquilo que sabe fazer de melhor: infiltrar-se furtivamente no território dos conspiradores para registrar provas criminais, impedir que informações sigilosas sejam transmitidas e eliminar conspiradores. Tudo isso para evitar um possível desastre nuclear.

Splinter Cell 3D oferece uma aventura consagrada nos consoles e controles adaptados ao Nintendo 3DS. No entanto, a má utilização dos recursos do portátil, a ausência de muitos recursos presentes na versão original e a falta de cuidado em alguns aspectos do desenvolvimento enfraquecem o título, que não possui muito a oferecer até mesmo para os maníacos por Sam Fisher. Desse modo, o jogo vale, no máximo, um aluguel.

Contextualização eficaz

Img_normalAntes de cada missão, a equipe do seu departamento entrega a Fisher todas as informações necessárias para que a missão seja concluída. Desde o que deve ser feito, em que local e como. Além disso, quaisquer mudanças nos planos também são informadas imediatamente pela sua equipe ou por avisos nas paredes, fazendo com que compreender os seus objetivos e realizá-los não seja uma tarefa penosa.

Use o escuro

A série Splinter Cell fundamenta-se na furtividade, sendo que o uso da escuridão com esconderijo é recorrente. Sendo assim, parece óbvia a escolha da equipe de desenvolvimento em priorizar os efeitos de iluminação do jogo — os quais ajudam a tornar o título uma experiência interessante.

Boa transposição dos controles

Chaos Theory foi lançado originalmente para consoles de mesa cujos controles possuem uma melhor disposição de botões do que a do portátil da Nintendo. Ainda assim, a versão para o 3DS não faz feio nesse quesito.

Img_normalPara isso, o controle da câmera é realizado por meio dos botões da face do 3DS, de maneira semelhante ao ocorrido em Metal Gear Solid: Peace Walker do PSP. Para movimentar o personagem, então, basta rotacionar a câmera enquanto se utiliza o direcional analógico para fazê-lo andar. Embora a princípio esses comandos soem estranhos, não é difícil se acostumar com eles.

O inventário, por sua vez, pode ser acessado a qualquer momento pela tela de toque com os dedões. Assim, é fácil acionar e desabilitar os óculos de visão noturna, por exemplo. Ações específicas, como abrir portas e desligar interruptores, também são realizadas por meio da mesma tela.

Contudo, nem tudo funciona tão bem assim. Algumas ações, como escalar e esgueirar-se pelas paredes, requerem o uso não muito prático do direcional digital. Por sorte (ou falha dos desenvolvedores) tais movimentos não são muito necessários durante o decorrer do game.

Está faltando alguma coisa aqui...

Splinter Cell 3D sofre com o corte de diversos elementos que tornaram Chaos Theory tão famoso nos consoles. O multiplayer, tanto competitivo como cooperativo, não existe mais. Alguns equipamentos (como os óculos de visão térmica, por exemplo) sumiram e — uma das mudanças mais irritantes — não é mais possível salvar o jogo a qualquer momento.

Não faz jus ao 3DS

Img_normalSplinter Cell possui gráficos tridimensionais, faz uso do acelerômetro do console e da tela de toque. Ainda assim, a sensação de que o potencial do portátil foi desperdiçado é recorrente. A começar pelos gráficos em 3D, cujo uso é desnecessário na maioria do tempo. Além disso, embora alguma sensação de profundidade seja obtida, não são poucos os momentos nos quais é necessário checar se a função está realmente ligada.

O acelerômetro, por sua vez, é utilizado enquanto Fisher usa uma câmera especial para descobrir o que há do outro lado de uma porta antes de abri-la. Assim, para mexer a câmera para os lados, basta movimentar o 3DS. No entanto, seu uso é tão limitado que não impressiona.

(Falta de) Inteligência Artificial

Quem começa a jogar Splinter Cell até se cansa com o número de avisos informando o jogador da necessidade do uso da furtividade. É preciso apagar luzes para utilizar a escuridão ao seu favor e fazer pouco barulho e isso é um dos grandes atrativos do jogo.

No entanto, no portátil da Nintendo isso pode ser ignorado sem maiores consequências. Os oponentes gostam de ficar parados nos mesmos lugares e, por exemplo, se você abandonar um corpo no meio de um saguão dificilmente os alarmes serão acionados por alguém que o encontrar.

Outro sentido para “Conflitos nada bonitos de se ver”

Há uma série de defeitos gráficos que irritam um pouco a experiência de Splinter Cell 3D, sendo o mais notável a baixa taxa de quadros por segundo constante do game. Além disso, mesmo as sombras, bem trabalhadas do jogo, apresentam serrilhados perceptíveis.

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Outro ponto incômodo a esse respeito é a falta da possibilidade de configurar a luminosidade do jogo. Isso porque em ambientes luminosos é difícil visualizar o cenário escuro direito. Desse modo, esqueça qualquer chance de comandar Sam Fisher durante uma viagem de ônibus ou de avião, por exemplo.

55 3ds
Fraco