Sam Fisher retorna com fôlego renovado, embora sem o mesmo carisma de antes [vídeo]

Apesar de ter feito sucesso, Tom Clancy's Splinter Cell: Conviction gerou controvérsia entre os fãs mais antigos da série. Isso porque o jogo deixava de lado a exploração cautelosa dos ambientes para priorizar o combate direto com os inimigos — antes um agente silencioso, Sam Fisher era apresentado como um soldado raivoso com sede de vingança, quase um “Jack Bauer” do mundo dos video games.

Ciente da mudança radical pela qual o personagem passou, a Ubisoft parece ter decidido olhar melhor para o passado da franquia durante o desenvolvimento de Blacklist. Apesar de poder continuar usando métodos letais, no novo game da série Fisher ganha novamente a opção de utilizar as sombras e o silêncio como seus principais aliados.

Dando prosseguimento à trama de Conviction, o jogo mostra o herói no comando de uma unidade especial conhecida como “The Fourth Echelon”. Como sempre, sua missão não será nada fácil: deter um grupo terrorista conhecido como The Engineers, que pretende realizar um ataque terrorista por semana caso o governo dos Estados Unidos não retire suas forças militares presentes em outros países.

Embora Tom Clancy’s Splinter Cell: Blacklist tenha seus defeitos (alguns deles mais graves que os outros), ainda assim a nova aventura de Sam Fisher faz jus à série. Ao mesmo tempo em que marca um retorno às origens furtivas da franquia, o game permite que você continue atuando de maneira agressiva sem que isso vá trazer consequências negativas à sua experiência.

Infelizmente, alguns pontos fazem com que a experiência não seja exatamente aquela que estávamos esperando. As principais críticas devem ser feitas às áreas técnicas do jogo, que entregam uma apresentação gráfica e uma inteligência artificial cujo nível está aquém do que esperamos em um título AAA lançado na atualidade.


A boa notícia é que o título consegue compensar esses pequenos tropeços ao entregar uma campanha principal interessante, cuja interligação com os modos multiplayer faz com que até mesmo o jogador mais solitário cogite se aventurar junto com um companheiro online. As opções de configuração do título também chamam a atenção, especialmente de quem faz questão de destravar tudo o que um game tem a oferecer.

Apesar de não ser tão “redondo” quanto Conviction, Blacklist representa uma bela adição à série e mostra que, já em seu início, a Ubisoft Toronto possui grande potencial. Caso a empresa pegue o que funcionou neste título e elimine seus pontos defeituosos, há grande potencial na série Splinter Cell durante a próxima geração de consoles.

Este jogo foi adquirido pelo Baixaki Jogos para a realização desta análise.

Vários estilos de jogo

Quem conhece os capítulos anteriores da franquia vai se sentir em casa ao iniciar sua aventura em Tom Clancy’s Splinter Cell: Blacklist. Após uma breve missão introdutória, na qual o game acostuma você a seus controles mais básicos, Sam Fisher se vê na Paladin, aeronave que serve como quartel-general móvel para ele e sua equipe.

Abandonando completamente menus tradicionais, o jogo obriga você a interagir com os elementos do local como forma de receber novas missões e descobrir mais detalhes sobre a trama. No entanto, ao menos no que diz respeito à aventura principal, a ordem das missões disponíveis é bastante linear, embora seja possível retornar a cenários anteriores quantas vezes for preciso após completá-los uma única vez.

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A partir do momento em que você entra em uma fase, o título lhe dá liberdade total de como reagir aos desafios que aparecem. Queira você incorporar o papel de um verdadeiro “fantasma” que passa despercebido pelos cenários ou de um soldado que não vê problemas em matar tudo o que surge pela frente, Blacklist não vai puni-lo por tomar as decisões que você julga mais adequadas a cada tipo de situação.

Assim, embora priorize a furtividade, o game não tem medo de deixar que o próprio jogador decida como chegar até o final de cada uma de suas missões. Isso fica evidente até mesmo no sistema de pontuação do título, que julga suas ações baseadas em três categorias: “ghost”, “panther” e “assault”.

Para ganhar pontos no primeiro quesito, basta passar despercebido pelos ambientes e evitar confrontos desnecessários. Já “panther” funciona de forma semelhante ao que era visto em Conviction: usando as habilidades de Sam Fisher, cabe ao jogador se esgueirar pelos ambientes para abater adversários de maneira totalmente silenciosa.

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Finalmente, o modo “assault” é para aqueles que não ligam para aproximações cuidadosas e querem simplesmente atirar em tudo o que surge pelo caminho. Felizmente, a Ubisoft conseguiu criar um sistema de jogabilidade que permite alternar livremente entre cada uma dessas filosofias, sem que você se veja em dificuldades por ter decidido optar por uma delas anteriormente.

Vale notar que, em alguns momentos, fica evidente que o game se torna mais fácil quando você opta por um determinado tipo de aproximação, mesmo que ele não seja exatamente aquele seguido até momento. No entanto, não há nenhuma hora em que seja impossível proceder utilizando algum desses métodos de jogo, embora possa se tornar especialmente frustrante insistir em seguir aqueles que não são os mais indicados no momento.

Personalização

Outro ponto que chama a atenção em Blacklist são as diversas opções de personalização que o game oferece. A partir do momento em que você inicia a aventura, é possível utilizar o dinheiro coletada por Sam Fisher para adquirir novos equipamentos, expandir as instalações da Paladin ou comprar gadgets que tornam mais fácil sua vida no campo de batalha.

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A quantidade de opções disponíveis é surpreendente, visto que, além de adquirir novas peças de vestuário e armas, é possível modificar cada uma delas para deixá-las mais adaptadas ao seu estilo de jogo. Uma metralhadora, por exemplo, pode ser personalizada para incluir um silenciador, suporte a uma maior quantidade de munição ou uma mira telescópica que facilita acertar alvos distantes.

Embora seja possível terminar a aventura principal sem investir em nenhuma melhoria, vale a pena gastar algum tempo explorando as opções disponibilizadas pelo título. Devido à grande quantidade de dinheiro que Fisher adquire a cada fase, há um senso de progressão bastante evidente conforme você destrava novas alternativas, e é bastante interessante voltar a fases anteriores equipado com armas e proteções avançadas — algo que rende ainda mais dinheiro para você comprar novos equipamentos.

Multiplayer integrado à história

Na tentativa de eliminar de vez as velhas telas de menu, a Ubisoft encontrou uma maneira interessante de integrar a aventura principal de Blacklist com seu modo online. A partir de conversas com membros de sua equipe, Sam Fisher pode acessar diversas missões paralelas nas quais ele emprega a ajuda de outros agentes (controlados por jogadores reais).

O tipo de objetivo visto nessas tarefas secundárias depende exclusivamente do personagem com o qual você fala. Enquanto Anna “Grim” Grímsdóttir pede que você invada diversos locais do mundo de forma totalmente silenciosa, conversar com Charlie Cole ativa uma espécie de modo horda, no qual é preciso que você sobreviva a diversas ondas de inimigos enquanto espera a chegada de um resgate.

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No entanto, são as missões dadas por Isaac Briggs que se mostram as mais interessantes. Funcionando de maneira semelhante ao modo single player, nelas você deve agir de maneira coordenada com outro jogador para completar uma série de objetivos, que podem ser alcançados utilizando as táticas “ghost”, “panther” e “assault” da aventura principal.

O ponto mais interessante é que, apesar de complementarem em certa sentido a campanha principal, essas missões podem ser totalmente ignoradas sem que nada seja perdido no quesito história. Assim, você pode se preocupar em cumprir as tarefas solitárias de Sam Fisher para somente depois que dominar completamente o título se aventurar no campo online junto a seus amigos.


Também vale mencionar a volta do modo “Spies vs Mercs”, que aqui surge tanto em sua forma clássica (dois contra dois) quanto na versão “Blacklist”. Além de permitir a criação de dois times formados por quatro jogadores, a atualização criada pela Ubisoft permite que você misture as características dos membros de sua equipe, que pode misturar mercenários e espiões no mesmo lado — algo que ajuda a tornar os conflitos mais caóticos e divertidos.

Apresentação datada

Antes que comecem a jogar pedras em mim, devo dizer que não considero Tom Clancy’s Splinter Cell: Blacklist um jogo feio — longe disso. No entanto, embora em 2011 ele pudesse ser considerado surpreendente, em 2013 o título parece simplesmente datado, tanto por seus modelos de personagem quanto pela construção de seus ambientes.

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Fica evidente que o time de desenvolvimento preferiu dar grande atenção a Sam Fisher, deixando de lado os detalhes apresentados em outros personagens. Embora isso não seja um incômodo durante as missões (já que você só vai ver inimigos durante pouco tempo), é difícil não se incomodar com essa disparidade enquanto você explora o interior da Paladin.

Infelizmente, a Ubisoft não conseguiu tirar proveito das capacidades da Unreal Engine 3, entregando uma experiência que não parece pertencer a este ano. O mais estranho de tudo é ver que a empresa não utilizou seus próprios motores gráficos, cuja capacidade nos entregou games como Far Cry 3 e Assassin’s Creed 3, ambos mais atraentes graficamente do que Blacklist (especialmente nos PCs).

Inteligência artificial inconstante

Independente da maneira como você decidir encarar os desafios de Splinter Cell: Blacklist, algo vai se manter constante: problemas gerados pela inteligência artificial dos inimigos. Embora em geral seus adversários se comportem de maneira coerente, em alguns momentos parece que o jogo deixa de lado a coerência, o que cria situações no mínimo estranhas.

Exemplo disso é o fato de que, em muitos momentos, é possível criar verdadeiras “filas da morte”. Basta abater um inimigo e esperar que outro se aproxime para dar um tiro certeiro em sua cabeça — procedimento que pode ser repetido com todos os adversários de uma área, contanto que você não seja visto.

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O que incomoda nessa situação é nenhum soldado estranhar o fato de que há diversos de seus companheiros mortos espalhados pela mesma área. Como os adversários sempre vão se aproximar do evento de maneira igual, na maioria das vezes isso dá a Sam Fisher a chance de despachá-los para o além de forma segura e previsível.

Outro problema relacionado à inteligência artificial do título acontece quando você está tentando passar por alguma área de forma furtiva. Sem nenhuma explicação, inimigos vão conseguir visualizar aliados inconscientes mesmo que eles não estejam dentro de seu campo de visão ou vão reagir de maneira agressiva aos sons feitos por Sam Fisher — apesar de você não ter dado qualquer indício de estar na área.

Embora devam ser corrigidas em atualizações futuras, essas pequenas incoerências acabam atrapalhando um pouco a experiência de jogo, especialmente em áreas mais avançadas. Mesmo que não impossibilitem você de terminar o game, elas acabam gerando dores de cabeça desnecessárias, especialmente caso sua intenção seja passar despercebido por todos os ambientes.

Um Sam Fisher menos carismático

Em Tom Clancy’s Splinter Cell: Blacklist, Sam Fisher parece ter rejuvenescido em relação à maneira como é retratado em Conviction, como ganhou uma voz totalmente nova. Após anos de trabalho na franquia, Michael Ironside cedeu seu lugar a Eric Johnson, ator que, apesar de competente, parece não ter dominado totalmente o que torna o personagem alguém interessante.

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Enquanto nos games anteriores o personagem era retratado como um agente veterano cansado e cínico, mas ainda disposto a fazer tiradas irônicas, aqui ele parece mais alguém que acordou irritado e disposto a arruinar o dia de seus companheiros. Em vez de alguém que, mesmo sob pressão, consegue ser carismático, temos um herói extremamente sério que em nenhum momento apresenta comportamentos diferentes.

Isso faz com que, no final das contas, acabemos acompanhando a história mais pelo que Sam Fisher foi nos jogos anteriores do que pelo que ele nos apresenta em Blacklist. Caso fosse preciso lidar somente com essa interpretação do personagem, infelizmente seria difícil considerá-lo um protagonista carismático o bastante para ser a estrela de uma série própria.

85 pc
Ótimo

Outras Plataformas

85 ps3
85 xbox-360
85 wiiu