Troca de desenvolvedora ressuscita um dos maiores clássicos dos videogames.

A musa dos games, Lara Croft, está de volta para recuperar-se do enfraquecimento da série que mudou o mundo dos jogos 3D. Tomb Raider ficou conhecido como um dos melhores jogos de ação, ampliando o universo dos jogos plataformas, misturando aventuras perigosas em lugares históricos no maior estilo do filme Indiana Jones. O jogo é caracterizado pela visão em terceira pessoa, você controla Lara Croft e deve arriscar-se nas tramas mais ousadas para salvar artefatos, explorar mistérios e conhecer um pouco mais sobre o passado da heroína.

Contudo, a fórmula de jogabilidade, aos longos dos títuos, ficou batida, pois o último game — The Angel of Darkness — foi alvo de críticas duras e muitos constataram, na época, que a franquia já tinha mostrado tudo o que tinha a oferecer. Esta que possui um histórico de seis jogos e ainda dois filmes hollywoodianos, estrelados pela famosa e maravilhosa Angelina Jolie em sua bagagem.

Ao alcançar as telas dos cinemas, Lara fortaleceu ainda mais sua carreira como personagem, sendo amada tanto pelos fãs antigos, como novos. Porém, a carreira do jogo entrara em decadência desde os tempos de Tomb Raider 3, quando o estilo proposto já encontrava-se saturado. Ressuscitar um dos maiores nomes dos videogames é uma tarefa bastante difícil, mas para nossa felicidade o desejo foi devidamente atendido. Tomb Raider: Legend era tudo o que a série precisava: voltar às origens. Para isso tornar-se realidade, foi necessária a volta de Toby Gard, criador e responsável pelo design de Lara, que largou a produtora ainda no final do primeiro game.

O resultado? A Lara Croft utilizada em Legend recebeu tratamento para assemelhar-se com as musas de verdade, portanto está mais bonita e detalhada, com belas expressões faciais. Ela também ganhou novas curvas, fisionomia e movimentos. Outra grande novidade é a mudança de desenvolvedor, que passou da Core Design (produtora de todos os jogos da série) para a Crystal Dynamics, responsável pelos títulos da saga Legacy of Kain.

Legend consegue dar um novo rumo à série com novidades de tirar o fôlego

Desta vez a vida da heroína é contada de forma diferente, fugindo um pouco da história passada pelos títulos anteriores. Ela está em busca de um artefato antigo na América Latina quando, numa série de reviravoltas, encontra-se intimamente ligada a acontecimentos relacionados ao seu passado.

Durante o jogo, Lara viaja para diferentes lugares no mundo, entre eles: Tiwanaku na Bolívia, Paraíso no Peru, Tóquio, Gana, Cazaquistão, cordilheiras do Himalia e Reino Unido. Todas as regiões estão representadas de forma esplêndida e altamente fiel à realidade. Agora ela possui uma equipe de suporte que se comunica via rádio e passa informações de extrema importância para sobreviver, resolver enigmas e encontrar a direção exata para prosseguir. Eles são muito úteis e previnem o tédio do jogo, pois conversam com Lara freqüentemente.

A troca de produtora foi fundamental para o produto final. A jogabilidade está mais fácil, ágil e, principalmente, divertida. O sistema de jogo agrada a todos os tipos de jogadores, permitindo uma nova experiência no gênero. As mudanças, ao contrário do último Tomb Raider, encaixaram-se perfeitamente. Lara possui mais movimentos, armas e itens. As célebres pistolas estão presentes, assim como várias metralhadoras, granadas e um item indispensável para a heroína: um chicote magnético, cujas finalidades são inúmeras.

Os ambientes estão grandes, ricos em detalhes e cheios de obstáculos, tais como: rochas a serem escaladas, tumbas, cachoeiras, animais perigosos, abismos, terrenos desmoronáveis, armadilhas, acidentes geográficos e muitos quebra-cabeças. A história, diferentemente dos últimos jogos, é cativante e atrai o jogador, prendendo-o em frente à tela para solucionar os enigmas do enredo e descobrir um pouco mais sobre o passado de Lara Croft. Existem também cenas cinematográficas onde o jogador deve interagir, apertando os botões de forma correta e precisa, para o desfecho da animação não acabar numa tragédia.

Jogabilidade reformulada para propiciar ação ininterrupta

Não há um momento tedioso em Legend, a ação rola solta e o desafio prende por horas. Lara Croft deve: escalar, saltar, agachar-se, realizar piruetas, subir cordas e postes, esquivar-se de armadilhas, atirar nos bandidos e resolver problemas que exigem paciência e concentração, sem folgas.

O modo de jogar está muito mais solto e dinâmico. Agora a protagonista possui uma destreza mais apurada, por isso o jogador tem a sua disposição acrobacias mais radicais e complexas, no entanto fáceis de executar. Ocontrole da personagem está mais ágil, veloz e estável. Até quem nunca jogou Tomb Raider vai pegar o jeito rapidamente, visto que a principal dificuldade não é manipular a heroína, mas resolver os quebra-cabeças e descobrir como transpassar os obstáculos.

São vários quebra-cabeças a serem resolvidos e eles estão, em sua grande maioria, bem formulados. Porém, como sempre há imperfeições e alguns desafios aborrecem; após morrer, o checkpoint anterior demora muito a carregar. À vista disso, torna-se cansativo perder tempo refazendo pequenos trechos por causa do sistema de carregamento (loadings). Os checkpoints, por sua vez, estão espalhados de forma concisa, deixando o jogo mais desenrolado, sem que necessitemos refazer longos percursos. Entretanto, alguns defeitos do jogo desagradam. O principal deles é quando atingimos um checkpoint e acabamos sofrendo algum imprevisto, ficando distante dele. Então, para não realizar todas as ações anteriores é mais conveniente se suicidar.

Um problema que alguns jogadores podem enfrentar no quesito jogabilidade está relacionado à adaptação nos comandos para nadar. Eles não estão complicados, entretanto leva algum tempo para se acostumar com o sistema.

Bonita, perigosa e armada até os dentes

As duas pistolas, como de praxe, são as armas mais utilizadas. A munição para elas é infinita e tampouco precisamos recarregá-las, já que o modo de combate faz tudo automaticamente. Ao eliminar os inimigos podemos adquirir metralhadoras, shotguns e granadas (todas requerem munição, ao contrário das pistolas). Entre os cenários há ainda armas fixas, como algumas metralhadoras mais poderosas e uma arma de gravidade muito útil no local em que a utilizamos.

Mas o principal item é o chicote magnético. Ele é imprescindível para a sobrevivência e realiza incontáveis tarefas: é possível arrastar itens, usá-lo como corda para saltar algumas crateras, recuperar artefatos, mover alavancas e impulsionar a personagem. Praticamente todos os quebra-cabeças acabam precisando dele. Em ambientes escuros a lanterna é indispensável para mostrar a saída ou auxiliar na busca por artefatos escondidos. Mas deve-se tomar cuidado, pois a bateria dela pode acabar. Conseqüentemente devemos utilizá-la com moderação, permitindo que ela recarregue nos ambientes mais claros.

Combates abaixo das expectativas

As batalhas são secundárias e deixam a desejar, apesar da ação constante. Os inimigos possuem pouca inteligência artificial, por conseguinte são fáceis de matar, visto que as armas não necessitam ser recarregadas pelo jogador. Basta segurar a mira e, em seguida, pressionar o gatilho para atirar, esquivando-se facilmente dos adversários pelo analógico. Em poucos segundos todos os corpos estão desaparecendo no chão.

Desta forma, a emoção fornecida no modo de combate é frustrante, pois o simples fato de não haver desafio torna algumas partes extremamente monótonas. Para balancear esta imperfeição existem os chefes, os quais requerem maior atenção por parte do jogador, que deve escolher meios alternativos para derrotá-los, como por exemplo, o uso do cenário ao seu favor. Certamente são os combates mais interessantes e instigantes.

Contudo, um dos chefes possui um bug horrível: se você utilizar alavancas do cenário (que serão utilizadas para matá-lo) antes de enfrentá-lo, terá que refazer toda a fase novamente. As fases mais empolgantes em relação às batalhas são quando Lara deve pilotar sua motocicleta e atirar em todos que estiverem no seu caminho. A jogabilidade da moto não é tão boa, mas agrada pela diversão proporcionada.

Cenários edênicos e sonoplastia surpreendente

Como era de se esperar, Legend possui os melhores gráficos da série. Os ambientes — em sua grande maioria paisagens naturais — foram bem formulados e são ricos em detalhes. Eles são vastos, repletos de perigos e prontos para serem explorados.

Cachoeiras, templos antigos, cavernas, florestas, rios, nevascas, tudo está bem modelado e com ótimas texturas, favorecendo a evolução dos consoles da nova geração. Jogar em um televisor de alta definição ou monitor torna a experiência completa, pois a renderização das fases e as animações são um espetáculo à parte. Vários locais do cenário podem ser destruídos ou utilizados, permitindo maior interatividade. O sistema de iluminação e sombreamento foi muito bem explorado, sendo essencial para o gamer descobrir lugares escondidos e artefatos.

O áudio é o ponto mais forte do jogo. A sonoplastia é magnífica e os sons do ambiente são bastante reais. Podemos escutar cachoeiras estando a vários metros delas, pressentir ciladas, apreciar o ritmo da vida na selva e participar de momentos de pura adrenalina de forma inesquecível na série. Vale ressaltar que a voz de Lara Croft recebeu tratos especiais e está muito mais carismática e harmonizada com a personalidade da personagem. Nota alta para a equipe de efeitos sonoros.

Em busca dos tesouros perdidos

O jogador deve estar atento a todos os cantos dos cenários, cada fase esconde artefatos divididos em: bronze, prata e ouro. Eles são mais difíceis de encontrar conforme seu valor. Por exemplo, cada fase possui apenas um artefato dourado, o qual é extremamente árduo de achar e capturar. Quem adora desafios vai penar para conseguir coletar todas as peças, mas vai ser nobremente compensado com os desbloqueios de conquistas no ranking da Live e de objetos liberados após terminar o game.

A mansão Croft, na Inglaterra, está de volta e pode ser acessada pelo menu principal do jogo. Completamente reformada, a residência de Lara está muito bonita e cheia de lugares a serem explorados. Infelizmente, o mordomo não pode ser trancado dentro de um refrigerador, como na segunda versão da série.

Longa vida à Lara Croft

Reviver um grande clássico foi uma maravilhosa façanha por parte da Crystal Dynamics. A desenvolvedora renovou o envelhecido estilo de jogo de Tomb Raider, trazendo alegrias para todos os fãs e simpatizantes de games de aventura e ação. Este que é de longe o melhor Tomb Raider já criado, com gráficos à altura do poder da nova geração de consoles. Os cenários e o áudio estão espetaculares; a jogabilidade é macia, fácil de aprender e, sobretudo, divertida. Para completar a obra, a história é emocionante e cheia de dramas, com ação do início ao fim!

E se não bastasse, mais um lançamento da série está chegando, desta vez para comemorar os 10 anos da franquia! Trata-se de Tomb Raider: Anniversary, um remake do primeiro título do game, mas possuindo a maravilhosa engine (mecanismo de jogo) de Legend. Vida longa à musa dos videogames!
85 xbox-360
Ótimo