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Tomodachi Life
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Em algum lugar entre The Sims e um bichinho virtual

Carlos Eduardo Ferreira

Poucas coisas vão prepará-lo para Tomodachi Life, esse curioso título tipicamente nipônico da Nintendo. Não que o código genético seja realmente difícil de divisar. Afinal, há doses constantes de The Sims, Animal Crossing e o famoso “bichinho virtual” da Bandai, o Tamagotchi — aquele mesmo, o que ganhou dezenas de cópias genéricas nos anos 90. Mas a combinação é um tanto quanto única, não se pode negar.

Eis a proposta: você agora é o proprietário de uma imensa ilha paradisíaca localizada em algum ponto de “sabe-se-lá-qual” oceano. Inicialmente, não há muito mais do que algumas belas áreas verdes e praias desertas... De maneira que alguém precisa “consertar” isso. Como? Despejando na paisagem os anõezinhos cabeçudos da Big N, os Miis.

São eles que vão ocupar o único prédio de apartamentos da região, e também são eles que darão origem aos vários negócios que trarão vida para o local — no meu caso, a “Ilha de Ciricutico”. E o melhor: os sujeitinhos bem podem ser os avatares de alguns dos seus amigos, o que certamente pode deixar tudo um pouco mais cômico.

Como revés, entretanto, há que se reconhecer que Tomodachi Life falha ao oferecer desafios mais associados a “jogos” propriamente ditos — embora você seja desafiados pelos seus pequenos habitantes com hidrocefalia de tempos em tempos, trata-se de minigames tão incrivelmente simples que a coisa toda pode se tornar rapidamente entediante. Mas, ei! Sempre se pode comprar uma roupa nova, certo? Vamos aos detalhes.

Um organismo vivo

Embora os Miis da sua ilha necessitem da sua ajuda para comer, trocar de roupa ou até mesmo para espirrar — o que realmente soa um tanto quanto excêntrico —, para boa parte das suas ações diárias, eles até são bastante independentes. É provavelmente daí que sai a coloração mais característica do desafio de Tomodachi Life.

Inicialmente, você será convidado a criar ou importar um Mii — que pode ser o seu próprio ou dos seus amigos. Assim que entram em seus pequenos apartamentos, os novos habitantes pedem por uma boa refeição... E então, curiosamente, seguem com suas vidas, reservando a você mais o papel de um “orientador” do que do déspota potencialmente sádico de The Sims.

Dessa forma, embora ainda caiba a você escolher adereços e conteúdos de lancheiras, os Miis vão naturalmente se relacionar com seus vizinhos, tanto para angariar bons amigos quanto para partir em um relacionamento de natureza romântica. E, sim, pode ser realmente interessante buscar um Mii em seu apartamento... Unicamente para descobrir que ele foi até o vizinho para jogar uma partida de qualquer coisa em um novíssimo Wii U (tá, o que você esperava?).

Personalidades complementares/conflitantes

Mas o que poderia se tornar apenas um amontoado de idas, vindas e relacionamentos aleatórios ganha eu Tomodachi Life uma preciosa dimensão reguladora: as personalidades dos Miis. São os gostos pessoais e as inclinações que, em grande medida, determinam os relacionamentos possíveis para os anões cabeçudos — embora a coisa toda sempre possa ser encorajada ou frustrada por você, aqui uma espécie de cruzamento entre gerente, confidente, psicólogo e conselheiro sentimental.

Embora grande parte da personalidade dos seus habitantes seja construída no momento em que o Mii é adicionado à ilha, há também um desenvolvimento constante de atributos e inclinações.

Quer dizer, é ao longo do jogo que ele descobrirá as comidas que ama (e odeia), as roupas de sua preferência e em que lugar da ilha pode ser mais interessante passar o tempo livre — embora a coisa toda sempre seja direcionada pelas definições dadas no início, é verdade.

Em constante expansão...

Cada novo objetivo conquistado traz para a ilha de Tomodachi Life novas lojas e locais de recreação. Embora, inicialmente, não seja possível fazer muito mais do que simplesmente comprar algumas panquecas na lanchonete, o espaço acaba rapidamente ganhando lojas de roupas, um parque de diversões, um porto, um café etc.

Cada novo estabelecimento ganha uma pauta no telejornal local (“Mii News”), em uma forma bastante elegante de tutorial. Igualmente interessante é que, além de dar as notícias, são também os seus próprios Miis que passam a gerir os negócios da ilha — evitando a adição de personagens empregados genéricos... E ainda dando aos cabeções o que fazer da vida.

Destaque para algumas saídas bastante criativas, como a loja de importados. Basicamente, é aqui que você encontrará itens normalmente indisponíveis para os habitantes — itens que vem realmente “de fora”, sendo coletados por meio da funcionalidade StreetPass do 3DS.

E há também a casa de shows da ilha. É aqui que os seus Miis poderão se apresentar após aprender algumas músicas (coletadas como “gifts” a cada nível conquistado). E o melhor: você poderá reescrever as letras das músicas de vários estilos, fazendo com que o Mii cante a sua própria paródia — desde que não apareça ali nenhum termo que ofenda a moral e os bons costumes, é claro. Isso é prontamente vetado pela Big N.

...Mas pouco personalizável

Sim, é verdade que a ilha de Tomodachi Life seguirá se expandindo, com novas estruturas pipocando em todos os cantos. A questão, entretanto, é que você terá muito pouca liberdade para determinar como se dão as coisas aqui.

Embora a presença relativamente diminuída nas decisões pessoais dos Miis seja algo relativamente interessante, seria difícil dizer o mesmo sobre a forma como a própria ilha se expande. Quer dizer, por que não posso ser eu a definir que novo negócio vai abrir e onde ele será localizado?

Os minigames podem ser um pé naquele lugar

Conforme dito anteriormente, embora não haja realmente um padrão de “jogo” presente, Tomodochi inclui, vez ou outra, uma “oportunidade” de jogar algo. São as várias ocasiões em que os seus moradores vão convidá-lo (de forma absolutamente aleatória) para encarar um dos minigames disponíveis.

Inicialmente, pode ser algo curioso, mais pela forma como complementa a imagem da ilha e dos seus habitantes do que como desafio propriamente dito. Entretanto, quando você começa a ser convidado constantemente para “fazer um par de cartas de baralho” ou adivinhar a silhueta de algo... A coisa toda acaba ficando realmente meio sem propósito. Principalmente porque os minigames são extraordinariamente fáceis — tornando-se rapidamente maçantes.

As vozes robóticas até têm sua graça

Não, os habitantes da ilha de Tomodachi Life não compartilham nenhum tipo de linguagem própria incompreensível. Em vez de um “Simlish” ou algo semelhante, eles fala mesmo é o idioma inglês... Mas com umas vozes muito singulares.

É claro que a entonação, o sotaque e as frases a serem ditas serão escolhidas por você. A questão, entretanto, é que não tem como escapar do mecanismo de leitura robótica ao melhor estilo “aplicativo gratuito para Android”. Em outras palavras, as vozes certamente não convencem. Vai de você considerar isso parte do humor da coisa... Ou algo simplesmente cansativo.

Conservadorismo nintendista

Eis aqui algo que gerou muita controvérsia mesmo antes do lançamento de Tomodachi. Embora vários relacionamentos possam se formar naturalmente na ilha, você não verá nada muito “vanguardista” aqui, por assim dizer. Isso porque a Big N limitou as relações românticas aqui a apenas casais heterossexuais. Ponto para The Sims, portanto.

Humor nipônico

Não se trata aqui de um ponto negativo, na verdade. Fica mais para um aviso. Tomodachi Life é um típico game com humor nipônico. Em outras palavras, espere encontrar piadas exageradas, expressões faciais desconcertantes e esquisitices pululando por todos os lados.

Há quem realmente goste... E há quem não tenha muita paciência. Aí vai do seu gosto mesmo. Particularmente, tenho que confessar que uma ou outra tirada de humor nonsense me fez rir um bocado.

Um bom game para relaxar

Seria difícil considerar Tomodachi Life como um “jogo” em sentido estrito. Não há aqui uma trama que vai mantê-lo ligado em seus desdobramentos. Também não é exigido aquele nível de tensão que mantém um jogador calejado sentado na ponta do sofá, com olhos vidrados. Mas é uma diversão relaxante, sem dúvida. Relaxante e viciante.

Na verdade, considerando-se a combinação mencionada anteriormente, é fácil colocar Tomodachi na ponta do espectro mais próxima do bichinho virtual. Caso a proposta pegue os seus tornozelos, você provavelmente sentirá uma vontade incontrolável de voltar de tempos em tempos para ver como os seus Miis estão se virando. Isso enquanto tem a certeza de que nada de realmente trágico ocorrerá caso a ilha siga por si só por várias horas.

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75 3ds
Bom
"Mesmo não sendo exatamente um jogo, a combinação curiosa de Tomodachi Life vai fazê-lo voltar constantemente para ver como andam as coisas na ilha."

Pontos Positivos

  • Ambiente orgânico (as coisas acontecem mesmo sem a sua assistência)
  • Jogar com os Miis dos seus amigos e familiares pode ser realmente cômico
  • Bom humor

Pontos Negativos

  • Minigames realmente entediantes
  • As vozes robóticas podem cansar depois de algum tempo
  • Por que limitar os relacionamentos a casais de sexos opostos?