Ação ininterrupta em uma violenta guerra entre soldadinhos de plástico

Quem nunca viu uma criança brincar inocentemente com soldadinhos de plástico, derrubando as peças eventualmente como se tivessem sido abatidas? Ninguém se engana nessa hora, na imaginação infantil certamente ocorrem violentas guerras entre soldados furiosos com direito a todas as atrocidades que a criatividade delas consente.

É muito provável que a linha de raciocínio dos geniais criadores de Toy Soldiers tenha origem nostálgica de brinquedos sobre guerra. Enfim, a obra é uma verdadeira joia que merece destaque entre outros títulos da XBLA. Não é à toa que é um dos arcades mais baixados, avaliado positivamente pelos jogadores.

Trata-se de um jogo de ação com tower defense, sendo que o jogador deve ser rápido e inteligente para posicionar as defesas e logo partir para a luta assumindo controle direto de suas unidades. A palavra "tower" é apenas uma alegoria, visto que nem sempre são torres que cumprem o papel de defesa nesse gênero.

Neste caso, as "torres" são metralhadoras montadas, canhões, morteiros, artilharia antiaérea e armas químicas, todos fixos em áreas específicas. No campo haverá dois tipos de espaços entrincheirados, um pequeno e outro grande. Os grandes podem acomodar a artilharia terrestre e antiaérea, enquanto os pequenos servem para o resto das opções.

Apesar de ser mais comum colocar as peças e esperar de braços cruzados pelas ondas de inimigos, em Toy Soldiers é impossível vencer mesmo na dificuldade casual sem "suar e sangrar no calor da batalha". O problema é que mesmo que suas unidades controladas pela IA (Inteligência Artificial) ajam com precisão, a horda de inimigos é grande demais e só pode ser detida quando o jogador está controlando pessoalmente os defensores.

A grande vantagem de controlar alguma de suas torres é o grande bônus de eficiência. Se você escolher o morteiro, a plataforma de lançamento será capaz de lançar três projéteis de uma vez. Já com o canhão de artilharia é possível controlar a trajetória da bala com a "câmera do cartucho" para auxiliar.

E, ainda, é possível dar um upgrade em cada unidade, havendo três níveis com diferentes efeitos. Evoluir as armas químicas substituirá o jato de gás, que serve para diminuir a velocidade dos invasores com uma labareda de fogo que derrete os soldadinhos. Alternativamente, arames farpados podem ser colocados no meio da trilha dos adversários, atrasando as tropas que precisarão se arrastar para passar pelos obstáculos.

Outras habilidades notáveis são a de pilotar aviões e dirigir tanques de guerra, muito efetivos em táticas mais ofensivas. Uma torre de sniper (franco atirador) também pode ser utilizada, porém não parece ser tão útil quanto as outras opções – em outras palavras, o potencial de matança é limitado pela competência em precisão do jogador.

Toy Soldier é o melhor jogo de tower defense do XBLA, recomendado apenas para quem tem um pouco de experiência em shooters, pois você terá que atirar bastante. Fazia tempo que algum arcade tão plausível dava as caras na seção de arcades. Vale a pena testá-lo, pelo menos a demo, só para ver como o jogo é diferente.

O preço do game é 1200 MP (equivalente a US$ 15,00), sendo diversão garantida para quem gosta de shooters, Primeira Guerra, Toy Story e tower defense (mistura estranha, não?). Considerando que uma partida dura em média dez minutos, ele também é uma boa opção de jogo casual.

Proteja o que você tem de mais precioso, a sua caixinha de brinquedos!

Toda a temática do título foi muito bem construída para criar a atmosfera de estar brincando com um jogo estratégico de tabuleiro e soldadinhos de brinquedo em uma casa familiar. O objetivo das partidas é proteger a sua caixa de brinquedos, comprovando que o ambiente é um lugar para brincadeira.

Algumas telas de carregamento mostram diversos slogans que claramente remetem a campanhas militares da época da Primeira Guerra Mundial (entre 1914 e 1918). Outras telas exibem curiosidades sobre o conflito – como o fato de os combates aéreos começaram com pilotos tentando acertar tijolos nos inimigos? – ou mostram partes da caixa do tabuleiro do brinquedo, incentivando as crianças a brincar de guerra.


Durante o jogo, você pode claramente ver os limites do campo de batalha restrito no campo estratégico do tabuleiro do brinquedo, sendo possível observar poucos detalhes do ambiente externo. Hasbro Family Game Night lembra um pouco esse tipo de experiência ao estilo Toy Story.

E para ajudar ainda mais a entrar no clima, as músicas são adequadas baladas de batalha com estilo antigo – parecem de fato canções usadas nas épocas de guerras do passado.

Enfrente o temível Tsar Tank, se for capaz!

O nível de desafio em Toy Soldiers é outro aspecto muito agradável. Mesmo a dificuldade casual consegue manter o jogador bem ativo no campo de batalha, é curioso o fato de, segundo o próprio desenvolvedor, quem não tenha "dignidade para jogar em dificuldade menor que a normal" seja claramente provocado a evitar a casual.

Tudo funciona como um jogo de tower defense tradicional, pelo menos no começo, havendo trilhas até o objetivo que você deve defender e os lugares para posicionar as torres. Não precisa de muito tempo para entender o jogo, já nas primeiras ondas de soldados você deve tomar a atitude de não só observará-los, invadindo e derrotando-os pessoalmente.

A estratégia ganha refinamento quando diferentes tipos de inimigos chegam ao front, então o jogador precisa reformular seu sistema de defesa e assumir o controle de outra peça militar. Se um grande grupo de infantaria está chegando, é melhor colocar vários arames farpados no caminho e usar metralhadoras montadas contra eles (ou qualquer outra arma, eles morrem facilmente). Contra tanques, os morteiros e os canhões são as melhores escolhas.

As coisas ficam mais difíceis quando aviões começam a perturbar junto com a distante artilharia na fronteira inimiga. Dificilmente algumas baterias antiaéreas cuidarão do problema. A melhor solução seria lidar pessoalmente com as aeronaves e o barão vermelho é a sua melhor arma nesta luta, só depende das suas habilidades como piloto. Não se esqueça do exército em terra, tente eliminar a artilharia e minimizar a quantidade de invasores!

Como golpe de misericórdia, um chefão o aguarda no final de cada fase. O primeiro deles é o Tsar Tank, baseado em um protótipo de um tanque russo o qual nunca chegou a ser usado de verdade (o trambolho não conseguia sair do lugar), porém sua missão é enfrentar um totalmente funcional. Será difícil derrotá-lo de primeira, mas não se preocupe, pois assim que suas táticas forem corrigidas ele pode ser derrotado. E há chefões muito mais poderosos para “matar a saudade de perder” no jogo.

Quem não gosta nem um pouco de aprender através do método "tentativa e erro", talvez não se dê muito bem com Toy Soldiers. Todavia, é inquestionável que se trata de um jogo desafiador e casual (mistura perfeita). Uma experiência hardcore em um título arcade que pode ser desfrutado em partidas que duram em média dez minutos.

Para quem conseguir terminar as 12 fases da campanha, mais desafios são desbloqueados. O modo Campaign + oferece mais estorvos em versões noturnas das fases, sendo que você assume o papel das forças germânicas. A dificuldade em Elite é ainda mais difícil, pois suas unidades não atacarão automaticamente e você precisará fazer tudo sozinho. Por último, existe o modo Survival em que você será inevitavelmente derrotado, restando saber até aonde consegue ir.

Ei! Não era para você estar cortando caminho!

Uma ocorrência chata em muitos jogos de qualquer gênero é observar a falta de vida dos personagens. No caso de tower defenses, dúzias de criaturas idênticas, fazendo a mesma coisa em fila indiana chegam a ser desanimadores. Agora em Toy Soldiers a história é outra.

Sempre há movimentação no campo de batalha e, nas trilhas, os soldados podem seguir caminhos variados no campo de batalha. Eles também realizam movimentos diferentes como pular cercas, realizar disparos, enfrentar corpo a corpo um adversário (há alguns soldados aliados no mapa, mas eles são inúteis) e por aí vai. Somado com muitas explosões, aviões, tanques e incessantes metralhadoras, a arena vira um local bem agitado.

Outro detalhe pode causar ainda mais a animação: toda fase tem um objetivo opcional, como combinar dez mortes usando a metralhadora, gratificando o jogador com itens colecionáveis chamados ration tickets.

Ao coletar todos os tickets, o jogador recebe a opção de jogar as fases com gráficos mais coloridos. Se todos os tickets forem coletados no modo Campaign +, a opção muda para gráficos ao estilo retro preto e branco.

Chega de defender! Hora de atacar outro jogador!

Os desenvolvedores criaram um terceiro gênero para o modo multiplayer, chamado de tower offense. É igual ao modo campanha, só que os jogadores podem pressionar "Y" para mandar uma onda de atacantes contra a base do opositor. Ganha quem destruir a caixa de brinquedos do outro.

Em partidas privadas, com convidados ou amigos, as configurações sobre as regras de uma das cinco fases escolhidas podem ser feitas. No entanto, em disputas contra jogadores aleatórios nada pode ser decidido, o que é bem inconveniente. Tirando isso, a experiência multiplayer é divertida e recomendável para quem adquirir o título, mas de preferência jogue contra um amigo.

Desequilíbrio online

A impossibilidade de decidir as regras é um empecilho apenas em partidas públicas, como explicado no tópico acima. O problema é causado pela jogabilidade caótica causada por jogadores que, sabiamente, só selecionam aviões e tanques para o ataque (as duas unidades que são desproporcionalmente poderosas).

Outra ocorrência é um rush (ataque rápido) em direção à caixa do oponente, possível ao controlar diretamente um avião e ignorar as defesas, que serão incapazes de impedir a jogada. Em resumo, a experiência multiplayer se distancia da single player.

Na primeira tentativa de jogar multiplayer, foi feito tudo o que está descrito acima e o resultado foi o outro jogador desistir da partida ao não ser perdoado. Já ao desafiar um amigo, os aviões foram desabilitados, deixando a experiência muito mais divertida.

Bem que eu podia ganhar mais brinquedos!

Uma segunda queixa é sobre a falta de quantidade de conteúdo. As doze fases até que são boas – ainda mais se levar em consideração os desafios adicionais (Campaign +, Survival e Elite) –, contudo não faria mal adicionarem mais estágios no pacote.

E são só cinco opções de unidade com três upgrades, além do arame farpado. Seria um game épico caso colocassem mais elementos de defesa junto com inimigos mais poderosos, ou seja, estendessem o jogo.

87 xbox-360
Ótimo