Uma aventura que agrega classe e notoriedade musical

Transistor é a mais nova produção da Supergiant Games, uma companhia que já conta com algum histórico de se preocupar com os elementos técnicos (audiovisuais, para ser mais exato) de suas produções. E, seguindo essa mesma prerrogativa, o mais novo título da empresa cumpre muito bem essas atribuições que se esperava que lhe fossem cabidas.

Pra começo de conversa, em junho do ano passado, o pessoal do TecMundo Games ficou boquiaberto ao testar as primeiras versões dessa maravilha dentro dos estandes da feira de Los Angeles. Daquela época, trouxemos para nossa redação a impressão de que Transistor seria mais um ícone das produções focadas em estilo — saindo um pouco dessa exigência de refinamento gráfico acima de tudo.

Além disso, a mecânica do jogo pareceu muito boa, incluindo o fato de que ela soou familiar ao pessoal que gosta de RPGs de ação deste tipo e jogou Bastion (para o Xbox 360). Mas o que chamou mesmo a atenção certamente foi a trilha sonora da obra, que transformou o ambiente onde o game estava sendo exibido em um verdadeiro chamariz para os apreciadores de uma boa música.

Sobre isso, as comparações com o majestoso Bastion (que não por acaso é justamente o trabalho anterior da Supergiant) são inevitáveis, o que pode ser considerado bom ou ruim. Já que a qualidade da base da comparação é bem alta, e a expectativa pode se tornar matadora para os gamers, funcionando como um tiro que sai pela culatra — em um viés negativo.

Por outro lado, se a produção está sendo comparada com algo que é reconhecidamente bom, então a tendência é que essa semelhança assegure a equiparação de pontos positivos — fazendo com que a expectativa ande de mãos dadas com a vontade de jogar o novo game. E é justamente nessa segunda pedida que podemos encaixar Transistor, tanto em sua versão para os computadores quanto para o PlayStation 4.

Silêncio... Roubaram sua voz

Transistor é um daqueles games que se utiliza da própria inteligência dos jogadores para construir uma narrativa perspicaz que não vai simplesmente jogando elementos e mastigando a historinha para os gamers. A proposta usa elementos modernos de montagem de enredo, sendo que o conteúdo é composto por peças esparsas, que unidas formam um só conjunto.

O título se inicia logo de cara com os jogadores no papel de uma cantora de cabaret, vivendo o que parece ser seu pior período da vida. Sem dar maiores (nem menores) informações sobre o que pode ter acontecido na noite anterior (ou sabe-se lá há quanto tempo), o mestre do joystick é convidado a mergulhar profundamente na experiência, sem saber o quão fundo será preciso chegar até alcançar o assoalho das respostas.

Falando em profundidade, também se deve dizer que a aventura conta com belos elementos bem diferenciados do convencional, chegando a ter uma pegada até meio transcendental em termos visuais. Em outras palavras, os ambientes de Cloudbank (que, por mais improvável que pareça, trata-se do nome da cidade) são um verdadeiro misto de tecnologia, dados binários de computação (Tron), fantasia, espiritualidade e até mesmo um pouquinho de magia.

O algoritmo de um mundo de sonhos

Em termos visuais, Transistor roda em uma resolução de 1080p tanto no computador quanto no PlayStation 4 (ou 1440p) sem que a taxa de quadros por segundo fique abaixo dos 60 fps. Com isso, você já pode imaginar a grande beleza por trás dos elementos que compõem os cenários da aventura, o que inclui as escolhas de design de personagens e do traço das animações, que remetem a trabalhos muito modernos — realmente datados como parte da segunda década do ano dois mil.

Mas seguramente o game da Supergiant não seria tão interessante se não fosse pela existência de um sistema de batalha tão surpreendente e eficiente. Diferentemente de outros RPGs de ação (como seu próprio antecessor espiritual), Transistor conta com uma jogabilidade diferenciada, que inclui momentos de batalha em tempo real e eventos de turno — sendo que ambos funcionam simultaneamente.

Esse sistema, além de inovador e praticamente único, permite que você ataque seus adversários de maneiras diferenciadas, com rapidez ou parcimônia (belo termo!). Se uma briga contra múltiplos inimigos fracotes parece que pode ser encarada de uma vez, então é isso mesmo que você vai fazer. Desfira múltiplos ataques, esconda-se e detone todo mundo.

No entanto, se os inimigos forem maiores ou mais poderosos, vale a pena utilizar a funcionalidade de programação de seus movimentos, o que exige que você planeje rapidamente cada jogada, a fim de causar o máximo de estrago e de receber o mínimo de danos.

No entanto, é claro que cada uma das escolhas conta com pontos fracos específicos. As batalhas francas permitem que a protagonista sofra muito mais danos causados pelos inimigos, o que pode encurtar seu período de jogatina. Já a segunda modalidade resulta em um determinado tempo sem que sua personagem possa usar praticamente nenhuma habilidade de seu arsenal — o que implica em uma fuga pelo cenário em busca de proteção.

Evolução inteligente

Sobre o arsenal de habilidades disponibilizado em Transistor, encontramos funções com uma grande variedade de utilidades, variando entre a emissão de um simples projétil e a evocação de um companheiro. Mas a parte mais incrível de todas é que cada uma das habilidades pode ser usada como atribuição direta de poder ou ainda para adicionar novas funcionalidades a outros armamentos que já estiverem equipados.

Com isso, é possível montar uma infinidade de combinações entre os poderes, o que também garante que você pode criar padrões para situações de necessidades distintas. Aliás, isso deve ocorrer bem mais vezes do que você gostaria, pois, em vez de sua personagem perder a vida, ela se “desfaz” de uma habilidade, o que recupera a barra de vitalidade.

Mas não se preocupe (muito), pois esses poderes perdidos podem ser recuperados após o acesso a duas torres de comando diferentes. Então, podemos concluir que é preciso pensar cuidadosamente em suas ações, uma vez que os combates parecem que foram feitos para testar sua inteligência e sua capacidade de aliar ações amplamente ativas com planejamento em tempo real.

Simplesmente um prazer

Para terminar, é importante frisar que um dos pontos mais legais de Transistor é a sensação de satisfação ao vencer um combate difícil. Essa combinação de tipos de jogabilidade é sensacional e o nível de dificuldade do game contribui bastante para um bom aproveitamento dos gamers que gostam de vivenciar muito os jogos.

Sobre a versão para o PlayStation 4, é preciso dizer que a função que transmite a voz de sua espada pelos alto-falantes do controle é simplesmente fenomenal. Isso confere um caráter muito mais intimista à aventura, fazendo com que o objeto animado pareça estar realmente falando direta e especificamente com você. Por isso, a versão do console é um pouco mais legal do que a dos PCs.

Além disso, a trilha sonora do game é simplesmente incrível, como você pode conferir no vídeo acima disponibilizado pela própria desenvolvedora. Enfim, que o espírito do jazz habite as paredes desse universo fantástico de Transistor e que a magia das canções possam transportar seus corações para dentro do universo do game, garantindo que essa seja uma das melhores experiências da oitava geração nesse primeiro semestre de sua existência.

90 pc
Excelente
"Um RPG de ação brilhante, que envolve ao mesmo tempo pancadaria e muita estratégia, resultando em uma experiência realmente marcante!"

Pontos Positivos

  • Sistema de batalha mesclado entre turnos e ação direta
  • Visual estiloso e trilha sonora arrasadora
  • Essa maneira de não contar a história toda de uma vez prende a atenção do jogador

Pontos Negativos

  • Os controles não respondem com 100% de precisão

Outras Plataformas

90 ps4