Salve vidas, realizando cirurgias cada vez mais complexas nesse diferente e divertido jogo no Wii.

Com a diferente proposta de salvar vidas ao realizar cirurgias cada vez mais complexas, Trauma Center: Second Opinion chega como uma ótima adaptação para o novo console da Nintendo, utilizando-se perfeitamente de seus controles e de seu sensor de movimento. Neste jogo, você é o Dr. Stiles, um médico recém-formado que, ainda não muito confiante quanto às suas habilidades como cirurgião, terá que provar para os colegas e para si mesmo que merece o cargo que acabou de ocupar. Os primeiros estágios facilitam a aprendizagem do esquema de controles a ser utilizado na sala de operações e, apesar da simplicidade da narração, que faz referência ao estilo narrativo de mangás, a diversão é garantida pela tensão das cirurgias que ficam cada vez mais complexas com o seu progresso no jogo.

Salvando Vidas no Hope Hospital

Second Opinion está mais para uma adaptação para o novo console da Nintendo, do que propriamente uma seqüência narrativa do Trauma Center: Under the Knife (lançado em 2005 para DS), que conta com o mesmo protagonista e enredo. Nesse novo título, além da qualidade gráfica melhorada e novas situações encorporadas, um novo esquema de controles foi desenvolvido, de forma a contemplar as novas possibilidades que o Nintendo Wii oferece.

Em Trauma Center: Second Opinion, o jogo se passa no Hope Hospital, no centro da cidade de Angeles Bay, onde o inseguro Dr. Stiles vive os primeiros dias de sua carreira como cirurgião, contando com o apoio e compreensão de seus chefes e colegas de trabalho. Mas essa história apresentará reviravoltas e os outros profissionais passarão a cobrar melhores resultados com o passar do tempo. Além disso, o enredo de Trauma Center tem uma importância maior do que simplesmente uma pausa levemente humorada entre uma cirurgia e outra, pois é preciso estar atento às instruções dos outros profissionais para se saber exatamente o que fazer durante as cirurgias.

O jogo apresenta uma progressão linear, ou seja, há um único caminho a ser percorrido e a complexidade das cirurgias vai aumentando cada vez mais. Para que haja a continuidade na narração, todas as operações devem ser realizadas até um certo limite de tempo e sem ocasionar o falecimento do paciente - caso contrário, deverão ser refeitas até se obter sucesso.

Cirurgias cada vez mais complexas

A complexidade do jogo aumenta gradativamente a cada procedimento e todos eles — desde a remoção de múltiplos tumores até o combate de um vírus letal, que irá causar graves distúrbios em seus pacientes no decorrer do jogo — trazem complicações inesperadas. Nas primeiras duas cirurgias, devem ser empregados diferentes procedimentos, como corte, sutura, retirada de tumor e drenagem, que são orientados passo a passo pela enfermeira assistente. Nas operações seguintes, cabe ao jogador lembrar todos os passos e executá-los a tempo, mantendo estáveis os sinais vitais do paciente.

Assim, Trauma Center apresenta a fórmula ideal de desafio, facilitando a aprendizagem do jogador nos primeiros momentos e aumentando a complexidade sutilmente, sem deixá-lo entediado ou totalmente perdido. Há três níveis de dificuldade e, em todos eles, é relativamente fácil ser bem sucedido, mas um tanto difícil alcançar a melhor nota. No sistema de avaliação, feito ao final de cada procedimento cirúrgico, são levados em conta o tempo transcorrido, os erros cometidos e a precisão dos cortes, entre outros quesitos.

Com o bisturi na mão

A transição de um console portátil para o sensor de movimento do Wii foi bem realizada - tanto que é difícil pensar em outro esquema de controles que se adaptaria melhor à proposta do jogo. Pode-se até dizer que este é um dos jogos que se utiliza das possibilidades do Wii de maneira mais criativa.

Com a alavanca analógica do nunchuck, você escolhe a ferramenta a ser utilizada (entre bisturi, dreno, seringa, antibiótico, ultra-som, laser e outros) e com controle remoto você realiza as operações específicas de cada objeto, pressionando o botão A e movendo o controle sobre a área assinalada. Então, para costurar um corte é preciso selecionar a agulha com o nunchuck em uma mão e, com a outra, mover o controle remoto em zigue-zague pelas bordas da ferida, a fim de imitar o movimento de sutura, fechando o corte.

Talvez o procedimento mais difícil de ser perfeitamente realizado seja o de corte com o bisturi, pois não é fácil fazer um corte reto e preciso com o controle do Wii, que responde muito bem a qualquer oscilação no movimento. A cicatriz deixada no paciente após a utilização do bisturi e a realização da sutura é um dos quesitos avaliados para conferir nota ao desempenho do jogador.

Cirurgias que não causam náuseas

Trauma Center: Second Opinion apresenta gráficos no estilo anime, o qual é peculiar na representação do rosto dos personagens e de suas expressões, como raiva ou constrangimento. Apesar de ter um visual razoável - compatível com as limitações do Wii - o jogo carece de animação gráfica durante a narração dos eventos, pois aparecem na tela apenas a imagem estática de um personagem e a sua fala por escrito.

Mas uma das maiores realizações do jogo foi representar bem, durante as cirurgias, os instrumentos utilizados e os órgãos internos, com seus tumores e ferimentos, sem agredir ao espectador. Portanto, se você tem náuseas ao assistir a uma operação, não se preocupe, pois a ação no jogo não é tão realista ou apelativa, pois parece mais um desenho animado.

Tensão Sonora

As vozes dos personagens aparecem durante os momentos importantes da cirurgia, como quando os sinais vitais estão muito baixos. A tensão das operações é provocada pelo som dos batimentos cardíacos do paciente - que caem a todo o momento - aliada à música de fundo, que fica mais forte, nesses momentos mais críticos.

Novamente, a narração perde muito, devido à falta da voz dos personagens durante suas falas, que são muito bem escritas e levemente humoradas. Apesar disso, tudo tem uma boa representação sonora, desde os passos das pessoas até o ranger de uma porta abrindo.

Diversão Garantida

Trauma Center: Second Opinion apresenta a fórmula quase perfeita de equilíbrio entre a tensão das cirurgias e o enredo envolvente. O jogador não se entedia durante a narração, que é curta e tem um roteiro bem escrito. A tensão durante as operações não é prolongada devido ao tempo que, mesmo limitado, é suficiente para prender a atenção do jogador e fazer com que ele queira repetir o procedimento, se necessário. Assim, a diversão é garantida até o último episódio desta aventura diferente e muito criativa, capaz de agradar a públicos de todos os gostos.

87 wii
Ótimo