Afie seu espírito de governante latino e rume ao Caribe!

Good morrrrrning, Tropico! O que seria da vida sem os estereótipos... E Tropico 3 é um jogo cheio deles. Nada como comandar uma república das bananas na qual o governante é um bigodudo que fuma charutos e fala um inglês carregado. Ou mesmo colocar sua boina e deixar o fervor revolucionário comandar a nação rumo a um futuro incerto e obscuro.

Fãs de simuladores de gerenciamento de cidades certamente se sentirão à vontade neste game. Afinal de contas, a temática pirata (literalmente) do segundo jogo da série foi abandonada em favor de algo que trouxesse de volta as raízes da franquia. Um objetivo que foi atingido, embora existam falhas neste gerenciador de ilhas caribenhas — nada que impeça o jogador de se divertir bastante, contudo.

Diversão esta que certamente não era compartilhada pelos reais habitantes de um país desse tipo na época da Guerra Fria. Afinal de contas, ver navios de guerra estrangeiros circulando a ilha ou mesmo rebeldes tentando dar golpes de estado a todo momento — além de viver em barracas e casas de pau-a-pique — não é exatamente uma boa definição de qualidade de vida.

Mas como se trata apenas de um jogo, o melhor a fazer é entrar no clima, preparar os ouvidos para muita música caribenha e afinar as habilidades matemáticas — afinal de contas, embora você possa ser incrivelmente corrupto ou um burocrata fantástico em Tropico 3, você ainda precisa fazer com que sua nação prospere; caso contrário, rebeldes o matarão, militares darão golpe de estado ou nações estrangeiras o invadirão.

Vale. Se você é fã de gerenciadores de cidade, Tropico 3 é uma excelente adição que revigora o gênero e explora ramos previamente negligenciados nesse tipo de produção. Seja ao controlar um Fidel estereotipado ou mesmo alguém que reflita sua personalidade, a diversão é garantida. Encarne “El Presidente” e faça com que sua república das bananas seja muito mais do que uma exportadora de frutas e charutos!

Direto...

Ao contrário de outros games do gênero, como SimCity, em Tropico 3 você não constrói zonas de determinado tipo de atividade e espera elas se desenvolverem de acordo com a vontade de seus habitantes. Aqui, a influência de “El Presidente” é muito mais direta e sua voz é o que determina os edifícios que aparecerão no cenário.

Assim, você escolhe se construirá um prédio de apartamentos, um hospital, uma escola, um aeroporto... Até mesmo um quartel-general de uma polícia secreta, um zoológico ou um jornal! A partir daí, seus trabalhadores irão dirigir-se às construções em andamento para completá-las, de acordo com um sistema de prioridades, no qual você determina quais obras devem ser terminadas primeiro.

Nesse sentido, existem alguns recursos básicos para o funcionamento de sua cidade, que todo jogador deve dominar. O primeiro é a quantidade de construtores civis, que pode ser aumentada através da criação de novas construtoras. Eles são a base da força de trabalho e é preciso ter certeza de que existem construtores suficientes para dar conta de todas as obras do lugar.

O segundo é a logística de recursos, já que é preciso fazer com que os recursos das diferentes formas de produção cheguem aos consumidores, através de restaurantes e mercados, ou aos exportadores, através de portos. Ou seja, é preciso também ter transportadoras suficientes para que os recursos da ilha circulem e cheguem aos lugares que necessitam deles.

O terceiro é a logística dos habitantes, que precisam chegar aos lugares o mais rapidamente possível. Isso inclui posicionar as ruas de forma adequada e construir estacionamentos suficientes, em locais apropriados, para que o tempo de transporte dos cidadãos seja minimizado. Como a diferença entre o público e o privado em Tropico 3 é muito pequena, pode-se dizer que todo transporte é coletivo e pessoal ao mesmo tempo.

Mas profundo!

No entanto, enquanto um jogador pode considerar apenas as habilidades básicas de gerenciamento e ser razoavelmente bem-sucedido, os melhores precisam dominar inúmeros sistemas de jogo — incluindo alguns exclusivos ao título. Isto significa que é preciso analisar estatísticas, fazer cálculos econômicos e levar em consideração diferentes fatores.

Fatores esses que variam desde a felicidade dos habitantes até a satisfação deles com serviços específicos, como moradia. Aliás, os cidadãos de Tropico são muito mais envolvidos com os assuntos da ilha do que os de outros games, já que possuem preferências, necessidades e visões diferentes dos diversos acontecimentos que ocorrem nas partidas.

Eles apoiam diferentes facções, pertencem a grupos específicos, têm habilidades próprias, se aperfeiçoam na profissão em que trabalham (até mudarem ou serem demitidos)... Ou seja, o nível de interação e gerenciamento em pequena escala — “micro” — pode ser absurdamente grande. O jogador pode até mesmo demitir trabalhadores um por um, caso não ache que estão fazendo um bom trabalho.

Isto só é possível graças à temática do jogo, de um governante que está sempre envolvido na vida de seus compatriotas. O resultado é fantástico, já que abre um leque de possibilidades imenso para que o usuário jogue da forma como achar melhor — e que se sentir mais confortável.

Personalizado

O último ponto do tópico anterior é algo que pode ser visto claramente nesse game. Afinal de contas, o jogador cria um avatar que estará presente em sua cidade, e pode andar pelos lugares, visitar obras, dar discursos e até mesmo lutar contra rebeldes. E possui uma personalidade que influencia enormemente o estilo das diferentes partidas.

Você controlará um ditador maníaco e impiedoso? Ou talvez um intelectual de Harvard? Ou quem sabe um trabalhador que está buscando representar sua classe? Embora de forma estereotipada, Tropico 3 permite que você defina a forma como irá governar, de uma maneira pouco vista em outros títulos do gênero.

Ele também não impede que você defina o caráter de seu avatar. Você aceitará e dará subornos para se manter no poder? Eliminará oponentes políticos na bala? Ou talvez seja um incorruptível que mostrará que a democracia livre e representativa é o melhor caminho para o progresso da nação?

Política faz parte

Qualquer governante do mundo real terá que lidar com política. É algo inerente à função. E em Tropico 3 você terá de fazê-lo constantemente. Lidar com greves, com países mais fortes, com países mais fracos, com líderes de classes, com parceiros... Tudo ao mesmo tempo, nas horas boas ou ruins. É preciso ter tato e tomar as decisões certas, pois todas tem consequências — que podem se revelar catastróficas.

A influência, tanto interna quanto externa, se faz presente em todos os níveis da sociedade e impacta a economia de seu país diretamente. Mais reputação com os EUA pode gerar renda, já que eles enviarão auxílio financeiro. Ao mesmo tempo, se existirem muitos revolucionários em sua nação eles irão sabotar prédios de produção — colocando bombas em suas fábricas, por exemplo.

No final das contas, o maior desafio do jogo é equilibrar-se no poder enquanto faz malabarismo com o progresso econômico, social e os inúmeros interesses que se fazem presentes em sua pequena “república”.

Humor

Não era possível deixar de lado este fator. O humor se faz presente em todo momento, tanto naqueles em que você está rico e rindo à toa como nos trágicos, quando sua economia está mais afundada do que o Titanic e as revoltas proliferam. Tudo regado a uma música animada que pode ser, ao mesmo tempo, comemorativa ou irônica — já que ela toca independente do que está acontecendo a você ou seu país.

O DJ Juanito, em especial, é o responsável pela maior parte da narração falada. Ele discorre sobre os mais diferentes assuntos, geralmente com um tom sarcástico ou irônico. Em alguns momentos você terá vontade de dar um tiro nele, mas logo perceberá que a coisa toda seria bem menos engraçada se ele não estivesse ali para tirar uma com a sua cara nos momentos difíceis.

Até mesmo os assessores de “El Presidente” falam sobre assuntos sérios em um tom escrachado. O resultado é uma experiência ao mesmo tempo profunda e descontraída, algo difícil de ser atingido em games desse tipo.

Vários modos de jogo

Campanha, desafios, “sandbox”... O que você quiser, está disponível. Até mesmo partidas online, para competir por pontos com outros jogadores que jogaram o mesmo mapa que você. Assim, a experiência de Tropico 3 é sempre variada, e a possibilidade de mudar a personalidade do governante faz com que até um mesmo mapa possa ser jogado de inúmeras formas diferentes.

Falta de informação

Os tutoriais do jogo não são muito compreensivos. Pela quantidade de sistemas existentes, e que o jogador deve acompanhar ao mesmo tempo, gostaríamos que existisse muito mais auxílio — um compêndio de Ajuda seria bom. Afinal de contas, às vezes você acaba esquecendo o que faz determinada estatística ou ícone, e gostaria de poder solucionar a dúvida sem ter que olhar na internet.

Interface

Existem alguns problemas razoavelmente sérios com relação à colocação de estruturas no mapa — especialmente ruas. Estas últimas fazem curvas completamente absurdas, e ao invés de serem diretas e permitirem ao jogador criar naturalmente a estrutura viária, elas complicam a coisa toda. Ruas não passam por certos pontos, não podem ser alargadas ou estreitadas, além de interagirem de forma estranha com o terreno.

As construções também não são muito intuitivas nesse sentido, já que apenas algumas poucas precisam estar conectadas às ruas. Outras podem simplesmente ser colocadas no meio do nada e os cidadãos irão até elas à pé. Só que isso não é explicado adequadamente, e pode deixar iniciantes perdidos até que se acostumem.

Pouca variedade musical e gráfica

Embora os gráficos e os sons sejam bons, eles realmente poderiam existir em maior número. Você, com frequência, irá ouvir o mesmo tom inúmeras vezes, as mesmas frases do DJ Juanito e verá o mesmo estilo de ilha, construções e visuais em geral. Escutar aquela música caribenha pela primeira vez é engraçado, pela milionésima... nem tanto.

84 pc
Ótimo