A hora certa, o jogo errado. Two Worlds II é atraente, mas não desenvolve todo seu potencial

O momento não poderia ser melhor. Com Elder Scrolls V: Skyrim agendado para a segunda metade de 2011, Two Worlds II chegou aos video games na hora certa, pois concorrer com o sucessor de Oblivion seria suicídio. Sem concorrentes diretos, dentro do seu nicho, o título da Reality Pump tinha tudo para arrebanhar jogadores ávidos por um bom RPG.

Cenário de fantasia sombria, nova engine gráfica e jogabilidade refinada eram as principais ferramentas para o sucesso. No entanto, o feitiço virou contra o feiticeiro e Two Worlds II acaba tropeçando no que seriam seus maiores atributos.

O jogo tem grandes valores, mas não alcança todo seu potencial. Se você jogou o primeiro título da série, encontrará um game muito melhor e mais refinado. Além disso, mesmo com todos seus problemas, Two Worlds II ainda é um jogo de qualidade, com um mapa gigantesco e um sistema de jogo interessante.

Porém, no final, o que fica é apenas a impressão de que se está jogando uma cópia inferior de Elder Scrolls IV. A comparação pode ser um pouco injusta — os gráficos de Two Worlds II são muito melhores do que os de Oblivion —, mas é difícil ignorar a marca deixada pela Bethesda, especialmente quando sabemos que Skyrim está chegando.

O sistema de criação de feitiços — por sinal, Oblivion também possui algo similar —, os gráficos de qualidade e o multiplayer online são grandes atributos de Two Worlds II. Na verdade o jogo tem vários pontos positivos, porém, a maioria deles acaba encoberta pelos vários problemas do game.

A janela de lançamento foi apropriada, Two Worlds II não concorre com nenhum grande  título do gênero. Todavia, a sombra de Elders Scrolls é muito grande e mesmo com Skyrim agendado somente para o final de 2011, a quinta edição da franquia consegue ofuscar o jogo.

No final, fica a impressão de que se está jogando uma versão genérica da famosa série da Bethesda, mesmo assim, vale a pena conferir Two Worlds II. O jogo pode não ser o melhor exemplar do gênero, mas é um bom aperitivo até a chegada de Skyrim.

Universo ao meu redor

A desenvolvedora não poupou esforços e conseguiu entregar visuais de alta qualidade. Iluminação realista, texturas detalhadas e até efeitos de motion blur deixam o extenso mapa de Antaloor (mundo do jogo) muito mais interessante.

Infelizmente, a qualidade gráfica não é acompanhada de um design inteligente. No final, todos os efeitos são gastos em cenários pouco inspirados e outros clichês do gênero — incluindo feiticeiras de guarda-roupa limitadíssimo.Img_normal

Mesmo assim, o mundo de Two Worlds II ainda possui algum apelo. São várias missões e o melhor de tudo é que todas reservam alguma variação moral para a sua resolução.

Assim, como em Fallout ou Dragon Age: Origins, cada tarefa possui mais de uma forma de ser resolvida, porém as margens entre bom e mal não são claras e tornam suas escolhas ainda mais significativas.

Outro ponto positivo é o senso de humor. Aqui o excesso de chavões relacionados ao gênero RPG acaba funcionando em favor do jogo. São cenas que tiram sarro do universo típico dos mundos de fantasia que certamente arrancarão um sorriso ou outro dos fãs.

Paus e pedras...

A jogabilidade de Two Worlds II não é das melhores e está tomada de pequenos problemas. No entanto, o sistema de armas e magias é extremamente eficiente. Primeiro, temos a boa notícia de que você não tem qualquer tipo de restrição quanto ao uso de espadas, arcos, adagas ou magias.

Você tem acesso a qualquer tipo de ataque, salvo por questões relacionadas ao nível do personagem ou força. Assim, você não precisa se preocupar com classes e habilidades especiais — por sinal, o jogo não possui um sistema de classes.

Desta forma, você pode escolher a arma que lhe convir e partir para ação. Mesmo no calor da batalha você pode alternar entre seu cajado mágico ou seu arco e flecha: basta acessar o menu e escolher o equipamento desejado.

Mesmo com animações horríveis (discutiremos isto mais tarde) o combate é envolvente e intenso. Além disso, o mecanismo para a evolução dos equipamentos e criação de magias é extremamente acessível e funcional.

Img_normalPara aprender uma técnica nova, é só atribuir pontos de experiência no quesito escolhido, simples assim. Já no caso das magias você conta com mais opções, o que não significa um esquema mais complicado.

Apoiado em uma dinâmica de cartas, você atribui um poder básico (fogo, água, ar...) e pontos para duração ou intensidade do efeito.

Você também pode criar combinações alquímicas, misturando raízes, plantas e outras substâncias encontradas ao longo das suas andanças. Suas experiências podem resultar em poções de cura ou até mesmo purgantes.

Outro destaque é o mini jogo de arrombamento de cadeados. Na maioria dos títulos os mini games relacionados a tarefas especiais são tediosos e um tanto frustrantes. Em Two Worlds II a sequência para arrombar cadeados é inteligente, descomplicada e desafiadora.

Guilda de heróis

Two Worlds II possui uma longa campanha single player e ainda encontra espaço para oferecer alguma ação em grupo. Apesar do menu nada intuitivo, o jogo conta com um mini MMORPG com suporte para campanhas cooperativas, competitivas e até mesmo uma espécie de RTS.

Em um esquema bem parecido com as jornadas de Phantasy Star Online, você será emparelhado com outros seis jogadores para que juntos realizem uma missão — normalmente envolvendo um monstro gigantesco.

A cada aventura você acumulará pontos e espólios diferentes daqueles conquistados na campanha offline. Por sinal, todas suas riquezas podem ser aplicadas em seu próprio castelo. Dentro deste modo, você poderá criar e manter uma cidade.

Boneco desarticulado

Apesar de Two Worlds II contar com visuais de qualidade o título peca nas animações. Os modelos são medonhos e se movimentam como títeres. As limitações das animações se tornam ainda mais evidentes durante os combates, quando os personagens golpeiam sem qualquer naturalidade.

De nada adiantam todos os detalhes das texturas se os modelos são tão mal definidos. Além disso, tivemos muitos problemas para fazer o Two Worlds II rodar “descentemente” nas nossas máquinas de teste. Mesmo depois de atualizações de drives e outros ajustes só conseguimos rodar o jogo com uma taxa de fps (quadros por segundo) decepcionante.

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Outro quesito que causa calafrios é a dublagem. Como as animações são problemáticas, as bocas dos personagens parecem se mover desarticuladamente e totalmente fora de sincronia com as vozes. Para piorar tudo, o elenco de atores entrega diálogos nada inspirados com um talento altamente questionável.

A música não é ruim, na verdade, e em conjunto com alguns efeitos sonoros pode ser considerada muito boa. Porém, as dublagens conseguem estragar todo o ambiente criado pelas melodias.

O que nos leva ao verdadeiro calcanhar de Aquiles do jogo, a história. É impensável que o um RPG tenha uma história ruim, mas este é o caso de Two Worlds II. Os clichês do gênero estão por todos os lados e no final você tem a impressão de que está lendo um romance de quinta categoria.

As máximas dos gênero estão por todos os lados, e em alguns casos até funcionam positivamente. Porém, na conta final, estes chavões apenas somam contra o jogo. Two Worlds II traz uma história batida que não prende o jogador.

Já vi isso antes

Apesar de não concorrer diretamente com Skyrim, a sombra da série Elders Scrolls atormenta a vida de Two Worlds II. A franquia da Bethesta diminui muito dos méritos do jogo, seja por mostrá-los em versões melhores, ou simplesmente por já possuir sistemas parecidos.

Um bom exemplo é o esquema de mistura alquímica. Na pratica, o sistema de Two Worlds II é melhor do que o presente em Oblivion, todavia, a cada mistura criada, você terá a nítida impressão de que está jogando uma cópia de Elder Scrolls IV.

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76 pc
Bom