Um novo sinônimo para "alucinante"

Se você conhece bem a atual situação do universo do entretenimento eletrônico, então provavelmente sabe que, em termos de originalidade, as coisas não estão muito boas. Basta parar e observar alguns jogos aqui no TecMundo Games para notar como existem títulos que simplesmente derivam diretamente de outros. E o pior: muitos deles não adicionam absolutamente nada a uma fórmula já estabelecida, sendo apenas repetições com uma nova roupagem.

É triste, frustrante, mas acontece direto. Afinal, quantos clones de Gears of War já vimos? Ou então, quantas cópias de God of War existem por aí? Inúmeras, não é mesmo? Mas, felizmente, ainda existem alguns exemplos que surpreendem a crítica e os jogadores. E, obviamente, esses jogos merecem atenção.

Desde seu anúncio, Vanquish veio ganhando cada vez mais atenção na mídia especializada. É claro que não poderia ser diferente, pois o título está sob responsabilidade de ninguém menos que a Platinum Games, a mesma do fabuloso Bayonetta. Como se não bastasse, o diretor do jogo é Shinji Mikami, criador da série Resident Evil e responsável por vários outros títulos de sucesso. Sendo assim, o hype era realmente inevitável.

Mas, será que o título consegue superar as expectativas? Aparentemente, temos um jogo de tiro em terceira pessoa, com pouco foco na trama e muito tiroteio — algo extremamente comum no mundo dos games. Vanquish teria que fazer tudo muito bem para se destacar entre os demais clones da geração. E aí, TecMundo Games, ele conseguiu? Confira.

Uma mente brilhante

Antes de nos aprofundarmos nos detalhes de Vanquish, temos que comentar um pouco sobre Shinji Mikami, pois seu histórico realmente prova o quão visionária é essa figura. Os primeiros jogos da Mikami foram lançados na época do Super Nintendo, sendo dois deles títulos realmente marcantes na infância de muita gente: Alladin e Goof Troop (estrelado por Pateta e Max). Mesmo na época dos 16 bits e utilizando franquias da Disney, Mikami surpreendia.

Posteriormente, Resident Evil surgiria para revolucionar o mercado de jogos. Uma obra tão grandiosa que dispensa comentários. Mas, Mikami não pararia por aí. O gênio também contribuiria significativamente para Dino Crisis, Devil May Cry, Viewtiful Joe, Onimusha e P.N. 03. O que concluímos com isso? Que se o jogo leva o nome de Mikami, então o game provavelmente é bom.

Img_normalAtualmente, Mikami trabalha na Platinum Games, ao lado de ninguém menos que Hideki Kamiya, criador de Devil May Cry e Bayonetta. Seu próximo grande projeto é Shadows of the Damned, título que está sendo desenvolvido pela empresa Grasshopper Manufacture e tem por produtor executivo Goichi Suda (o Suda51), o mesmo diretor de No More Heroes, equanto Mikami assume o papel de diretor criativo e Akira Yamaoka, que trabalhou como diretor de som em Silent Hill, cuida da música.

Mas, no momento, é Vanquish que rouba a cena. Para combinar com o clima do game, vamos direto ao ponto. A mais recente obra de Shinji Mikami é entretenimento puro, trazendo tudo que há de mais frenético e insano no gênero do tiro em terceira pessoa. Mais uma vez, Mikami surpreendeu.

Vanquish é tudo o que os fãs dos jogos de ação querem: tiroteio para todos os lados em uma experiência totalmente frenética e intensa. A mente brilhante de Shinji Mikami e do pessoal da Platinum Games foi capaz de conceber um dos grandes jogos desta geração, o qual, mesmo com vários elementos de outros títulos, consegue inovar em uma era tão derivada. Se Vanquish vale a pena? É claro que sim.

Na medida

Se você já viu alguns vídeos ou então teve a oportunidade de jogar a versão demonstrativa de Vanquish, então provavelmente sabe que o fator mais impactante do game é a velocidade. À primeira vista, qualquer um percebe que estamos nos deparando com um game totalmente frenético. E a proposta de Mikami é exatamente esta: criar um jogo totalmente insano.

O grande problema dos jogos frenéticos é que, normalmente, eles não conseguem fazer com que o jogador mantenha o mesmo ritmo. Com isso, você acaba perdido em frente à televisão enquanto tudo acontece de maneira absurda, fazendo com que o jogador mal consiga segurar o controle. Felizmente, esse não é o problema de Vanquish.

A obra da Platinum Games foca-se quase que totalmente na ação. “Então é um jogo sem história, Baixaki Jogos?”, você nos pergunta. Não é bem assim. O título conta sim com uma trama, mas, assim como boa parte de seus congêneres, ela serve apenas como um pretexto para toda a pancadaria.

No jogo, você encarna Sam Gideon, um soldado totalmente “badass” que tem como objetivo provar para tudo e para todos que ele é o cara mais... “Badass” da galera. Além de fumar constantemente para provar sua masculinidade — não que isso sirva para alguma coisa —, Sam também veste um traje com recursos tecnológicos altamente avançados, que causam inveja em qualquer um. Trata-se de uma espécie de armadura e exoesqueleto que permite ao portador utilizar propulsores a jato e realizar movimentos e acrobacias utópicas.

Fora Sam, o jogador também conhece o Tenente-Coronel Robert Burns, que disputa o cargo de cara mais “badass” com Sam. Burns é o típico sujeito bombado, com cicatrizes por todo o corpo e barba grossa que enfrenta qualquer situação, seja com seus braços ou com sua metralhadora giratória.

A grande ameaça de Vanquish surge com o vilão russo, de sotaque diabólico, que decide lançar uma espécie de laser que ferve o sangue das pessoas, causando mortes nada agradáveis para boa parte da população de São Francisco. O cara decide então anunciar um novo ataque, desta vez à cidade de Nova Iorque. Obviamente, você, Burns e toda a tropa não deixarão isso acontecer.

Como você pôde perceber, Vanquish está repleto de estereótipos: desde Sam, o herói durão que mostra seu lado humano em alguns momentos, passando por Burns, o “casca-grossa”, até pelo vilão, um russo com planos diabólicos. Todo o clichê também é reforçado nos diálogos, que soam forçados e parecem ter surgidos diretamente dos filmes B de Hollywood.

Agora, será que tudo isso é proposital? Afinal, temos um game de ação exagerada, e nada mais cabível que diálogos e uma história também “fora da casinha”, não é? Notoriamente, existem muitos momentos que acabam se tornando engraçados e, mesmo não sendo uma história totalmente impactante, ela cumpre seu objetivo, permitindo que o jogador descanse seus dedos enquanto vê uma explicação para a próxima rodada de tiroteios.

Vanquish consegue conceber uma história aceitável, com algumas reviravoltas, e, o mais importante, cria uma atmosfera totalmente coerente com a ação frenética e intensa dos momentos de jogabilidade. Não é um épico, mas cai tão bem quanto a armadura em Sam.

Boquiaberto

A Platinum Games não poupou esforços para criar um game que consegue ser intuitivo e hardcore ao mesmo tempo. Notamos isso logo nos menus, em que é possível conferir apenas duas opções: Jogar e Configurações. “Epa, então não há nenhum tutorial para Vanquish?”, você grita desesperado. Calma, a equipe de desenvolvimento sabe o que está fazendo — e sabe muito bem.

Minutos após iniciar o jogo e conferir a apresentação dos personagens e da trama, o jogador inicia uma espécie de treinamento obrigatório. Sim, é o tutorial. O mais bacana desse momento é que a Platinum consegue disfarçá-lo de maneira sensacional. As instruções são dadas pelos próprios personagens e sempre dentro do contexto do game. Ou seja, nada de “Pressione X para acionar o modo cobertura”.

O tutorial se divide em várias seções, cada uma delas explicando os fundamentos básicos de cada ação de Sam. Você vai aprender desde o básico até os movimentos mais avançados. Nas primeiras etapas, o jogo ensina a mover a câmera, movimentar-se, atirar, lançar granadas, trocar de arma e pegar cobertura.

Posteriormente, temos os elementos mais interessantes e que caracterizam Vanquish. O Boost é acionado de maneira bem simples, basta pressionar o gatilho esquerdo para que Sam acione uma espécie de turbo. Turbo? Como assim? Bem, nessa ação Sam utiliza os propulsores de sua armadura para deslizar de joelhos em altíssima velocidade. Parece um absurdo. Ok, na realidade, é mesmo um absurdo, mas algo totalmente divertido de ser feito.

A outra peça chave é o modo AR. Com ele acionado, tudo a sua volta fica em câmera lenta, permitindo que o jogador tenha a chance de eliminar seus oponentes com mais cautela. Sim, você já viu isso antes e nós também. A grande sacada de Vanquish é que esse recurso e o Boost devem ser utilizados com extrema cautela. O uso exaustivo faz com que a armadura superaqueça. E isso não é bom.

Além de ser algo provavelmente muito desconfortável para Sam — a sensação deve ser pior do que vestir uma fantasia de Banana de Pijamas no verão de Copacabana —, o aquecimento extremo faz com que o modo de segurança de seu traje seja acionado. Com isso, o jogador deve esperar até o exoesqueleto esfriar e não pode utilizar suas principais habilidades enquanto isso acontece — além de ficar um pouco mais lento.

Isso adiciona mais estratégia para todo o frenesi da fórmula e ajuda a criar uma experiência mais justa para o jogador. Nada de abusar do bullet time ou das fugas absurdas com os jatos. Vale lembrar que os golpes melee — corpo-a-corpo — são extremamente poderosos, mas também esquentam sua armadura com facilidade.

Provavelmente, você vai completar o tutorial totalmente empolgado. O motivo? Sam é totalmente “estiloso”, ou style, como alguns preferem chamar. As animações de Vanquish são extremamente polidas e bem feitas, tudo é realizado de maneira fluida e convincente, deixando a experiência ainda mais alucinante.

Não se incomode se alguém pedir para você fechar a sua boca logo nos primeiros momentos do game. E lembre-se: isso é apenas o tutorial — normalmente a parte chata dos jogos.

Queixo no joelho

Ok, o tutorial surpreendeu, mostrando como a ação é bem feita e variada. Agora, quando a ação realmente começar, prepare-se. Na hora do “vamos ver”, Vanquish empolga ainda mais, graças a uma majestosa combinação de detalhes redigida pela incrível visão de Shinji Mikami.

Quando a ação começar, você imediatamente vai sentir o quão sólida é a jogabilidade de Vanquish. Tudo o que foi visto no tutorial provavelmente será dominado em poucos minutos pelo jogador, que literalmente se sentirá na pele de Sam. Nada melhor do que um jogo cativante, não é mesmo? Ainda mais quando o segredo está justamente em nossa interação com o game: a jogabilidade.

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Deslizar, atirar, usar o AR e trocar de arma será algo tão natural que você e os espectadores irão se impressionar com os controles do game. Mirar  atirar é algo tão simples quanto em qualquer outro jogo do gênero, permitindo que o jogador dispare com ou sem a mira de precisão.

O sistema de coberturas merece destaque por ser “grudento” na medida certa. A Platinum Games conseguiu conceber um sistema que não faz o jogador se sentir preso aos objetos e obstáculos quando assume o modo de cobertura, o que é realmente importante levando em consideração o ritmo totalmente alucinante do game. Entrar e sair do modo cover é algo simples e que dificilmente vai incomodar.

Durante as batalhas, também é bacana notar como a ação está presente em todos os cantos da tela. Você será surpreendido por inimigos que avançam sem medo, robôs que sobrevoam sua cabeça e oponentes posicionados em locais estratégicos. Tudo isso gera um verdadeiro show na tela e amplia ainda mais a intensidade do ritmo que caracteriza Vanquish.

Quando as coisas se complicam, o modo AR é acionado automaticamente, dando ao jogador mais uma chance de continuar batalhando. Basicamente, quando Sam é atingido de maneira brutal, sua armadura aciona o modo de segurança para salvá-lo — no caso, o AR. Com isso, o jogador vive alguns momentos em câmera lenta, permitindo que elimine os alvos mais perigosos enquanto corre para encontrar um local seguro. Uma vez a salvo, basta aguardar até que a armadura se recupere — semelhante ao que acontece quando ela esquenta. É claro que, quando Sam for atingido por um míssil, por exemplo, você não terá uma segunda chance.

Em suma, a jogabilidade de Vanquish beira a perfeição. Depois de dominar os controles, tudo se tornará muito natural e a diversão será inevitável.

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Olhos esbugalhados

Como se não bastasse a ação intensa, Vanquish ainda consegue conceber um universo atraente e sem qualquer empecilho técnico — nada de quedas de FPS ou bugs totalmente bizarros. O próprio ambiente do game já surpreende, graças às paisagens artificiais e ao ambicioso design da equipe, que gera espaçonaves que desafiam as leis de Newton.

Tudo se torna ainda mais interessante durante os momentos em que a chuva de balas está em andamento. Nas batalhas, você se impressiona com a quantidade de efeitos de partícula na tela, assim como a grande variedade de inimigos e eventos que ocorrem simultaneamente. Isso sem contar os chefes gigantescos que, além de serem excelentes desafios, também são verdadeiros shows na telona.

Um dos grandes destaques vai para a iluminação de Vanquish. Em geral, o jogador pode notar reflexos nas armaduras, oriundos de explosões ou mesmo de luzes artificiais. Outro elemento que merece ser ressaltado é a animação. Conforme já mencionamos, tudo flui bem e com muito estilo. Repare na maneira como Sam troca de armas para saber do que estamos falando.

Abra seus ouvidos

Por fim, mas não menos importante, temos o áudio de Vanquish. Mais uma vez, a Platinum Games mostrou que sabe o que está fazendo, trazendo trilhas totalmente cabíveis com a atmosfera do jogo. O resultado são músicas predominantemente eletrônicas e que conseguem destacar bem as emoções do game.

Os efeitos sonoros não se limitam a simples explosões que parecem ter sido retiradas de um banco de arquivos de áudio. Aqui, você escuta não somente o “boom”, mas os circuitos entrando em curto, o ferro sendo distorcido e diversos outros detalhes.

Rápido até demais

Sem dúvidas, um dos maiores problemas de Vanquish é a sua velocidade. “Opa, mas como assim?”, berra o usuário. Calma. A velocidade em questão está relacionada ao tempo de jogo. Mesmo contando com quatro dificuldades diferentes — incluindo a opção “automática” — não existem muitos motivos para voltar a desfrutar do game uma terceira vez depois de terminá-lo. A campanha dura de 7 a 9 horas e depois disso o jogador abre as salas de desafios, que empolgam, mas não são o suficiente para saciar a sede por mais Vanquish.

Sentimos também a falta de um modo multiplayer, que cairia muito bem no universo do game. Um modo cooperativo seria completamente maluco, mesmo que o modo AR tivesse de ser retirado. Mas a presença de modalidades competitivas realmente ferveriam o sangue e nos prenderiam em Vanquish por mais algumas dezenas de horas. Quem sabe na sequência.

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