Um voo alto, mas uma geração atrasado

War Thunder é o primeiro título da Gaijin Entertainment para PlayStation 4 da — o jogo, aliás, já havia sido lançado para PC em agosto, mas chegou para à PSN europeia apenas no último dia 29 de novembro. O game revive a Segunda Guerra Mundial e coloca à sua disposição algumas das principais forças envolvidas no conflito.

Você escolhe entre União Soviética, Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, Itália, Austrália ou Japão (de fato, você começa em uma nação, mas as demais vão sendo liberadas aos poucos dentro do jogo) e inicia a sua jornada. São diversas formas de batalha, mas, basicamente, seu objetivo é derrotar o inimigo atacando não somente seus aviões, mas também suas unidades terrestres e sua base principal.

O game é online e separa os jogadores em dois grupos numerosos, o que cria um combate dinâmico e ameaçador até certo ponto. De modo geral, as novidades ao longo do jogo, que aprimoram suas habilidades e liberam novas aeronaves, não conseguem livrá-lo da monotonia, mas é sempre importante lembrar que War Thunder é um freemium: um título gratuito no qual você pode usar dinheiro de verdade para adquirir algumas vantagens.


A quantidade pontos positivos é maior do que a de pontos negativos em War Thunder, disso não há dúvida. O fato de ser um jogo gratuito chama ainda mais atenção, afinal jogar e não gostar não vai significar nenhum prejuízo a qualquer jogador. Mas isso tudo não significa que este seja um game incrível.

Seu sistema de evolução e de danos é coerente, há sempre desafiantes online prontos para as mais variadas guerras e novos conteúdos são liberados aos poucos, características que podem ser suficientes para prender o jogador por um bocado de tempo. Porém, a pobreza de detalhes no cenário e a repetição acabam limitando a diversão por aqui, tornando a experiência de jogo cansativa em médio prazo.

O trabalho feito pela Gaijin Entertainment merece destaque, e isso não se questiona em nenhum momento. Mas a impressão geral depois de algumas horas de jogo é de que o game poderia ter mais opções para dinamizar a jogatina, como maior variedade de modos de jogo, mais missões para serem realizadas em um cenário e um sistema de conquista mais claro e objetivo.

Por fim, a parte visual também não é um grande atrativo e contribui para a impressão geral de que War Thunder parece estar uma geração atrasado.

Combates intensos

Quando você começa a jogar, está o mais cru possível: seu avião é básico e não há pontos suficientes para adquirir novas habilidades. Isso cria uma série de desafios especialmente porque seus adversários não necessariamente serão calouros como você, algo que torna War Thunder interessante na questão nível de dificuldade.

Você pode utilizar metralhadora, foguetes e bombas (os dois últimos estão disponíveis somente em aviões de assalto). As unidades terrestres, comandadas pela inteligência artificial do jogo, podem ser móveis ou fixas e também vão tentar derrubar você, configurando outro obstáculo interessante para testar suas habilidades.

Evolução é o caminho

Em War Thunder você tem à sua frente um caminho longo até conseguir evoluir em todos os aspectos possíveis. Uma característica valiosa do game é a possibilidade que ele dá de você escolher em que tipo de aprimoramento a sua nação deve pesquisar (com foco na melhoria dos aviões, é claro).

Com isso, novas aeronaves são liberadas e também podem ser adicionadas novas características às já existentes. Esse tipo de evolução tem um custo (de tempo e de créditos acumulados dentro do jogo), mas vai permitir que você tenha mais opções de tripulação para batalhar contra os seus inimigos.

Aos poucos, você “compra” novas tripulações, contando assim com três, quatro ou até mais aeronaves que podem ser utilizadas em um único duelo. A quantidade de máquinas ao seu dispor é a quantidade de vezes em que você pode ser destruído e retornar à guerra dentro de uma mesma batalha.

Essa dinâmica toda é, sem dúvida, o ponto mais interessante de War Thunder e pesa muito a favor da jogatina. É também o único recurso que estimula você a seguir adiante, afinal, é por aí que você tem acesso aos vários tipos de arma, à melhoria das suas próprias habilidades e também às mais de cem aeronaves disponíveis no game.

Sistema de danos coerente

Um jogo de guerra provavelmente nunca vai ser, de fato, um simulador da vida real — o que provavelmente deixaria tudo mais sem graça. Contudo, pode-se afirmar que War Thunder conta com um excelente sistema de danos, inteligente e bem coerente com a proposta do jogo.

Aqui você pode receber (e causar, obviamente) disparos normais e críticos, sendo que os últimos têm mais chance de comprometer a sua pilotagem. Quando seus inimigos acertam o alvo, é possível ver uma reprodução de seu aeroplano na tela, com as partes mais danificadas marcadas em vermelho.

Ainda é possível seguir adiante, causar danos e até derrubar adversários, mas a situação pode ir piorando aos poucos. Em determinados momentos, danos críticos tiram completamente a sua noção de direção, exigindo muito mais do piloto para controlar o avião e aumentando o nível de dificuldade substancialmente, algo positivo e que engrandece o jogo.

Equilibrado

Este jogo oferece recursos extras caso você queira pagar e, além disso, é possível também acumular créditos de forma mais ágil caso opte pela assinatura de uma conta premium. Isso poderia causar uma profunda desigualdade na jogatina, como é até comum em sistemas desse tipo, mas não é o caso de War Thunder.

Quem quer jogar sem pagar nada continua tendo possibilidades reais de evoluir suas máquinas e suas habilidades, o que resulta em um jogo mais equilibrado. É óbvio que quem paga tem mais vantagens, mas a jogatina gratuita também é repleta de opções.

Para leigos e experientes

Outra questão equilibrada em War Thunder é o controle dos aviões. Ele conta com um modo básico de pilotagem, ideal para novatos, mas também permite o uso de formas mais avançadas de controle de uma máquina dessas. Isso quer dizer que tanto gamers mais experientes em jogos do gênero quanto aqueles que nunca brincaram nem em F-22 nem em Ace Combat poderão se divertir da mesma maneira.

Sensação de que falta algo

Para começar a disputar uma das inúmeras campanhas disponíveis em War Thunder, você terá que mostrar bastante serviço no modo multiplayer do jogo. São diversos pré-requisitos, como quantidade de veículos comprados e níveis de pilotagem, que definem se você poderá ou não ter outra experiência que não online.

Além disso, o modo de campanha histórica e também dois países anunciados (Austrália e Itália) não podem ser escolhidos nem mesmo no multiplayer. Apesar de as alternativas serem variadas, tais ausências deixam uma má impressão, especialmente por parecerem injustificáveis.

Loop infinito

Não é que War Thunder seja chato, ele até passa longe disso, mas aos poucos a impossibilidade de mudar torna tudo enjoativo por aqui. Quando você começa, o fator novidade faz a diferença e você se empolga com disputas bem elaboradas e competitivas, várias opções de personalização e tudo mais, mas isso passa.

Aos poucos, a impressão que se tem é de que você está sempre fazendo a mesma coisa (o que é verdade até certo ponto) e o que muda apenas é o cenário. Essa é outra característica frustrante de War Thunder e que tira alguns pontos de sua avaliação, mesmo para um jogo gratuito.

Aprenda na raça

O tutorial em War Thunder vai ensinar você o básico e nada mais do que isso. Nele, você aprende como levar sua aeronave de um ponto a outro e também a como atacar, o que definitivamente não é o suficiente para começar a se dar bem enfrentando outros jogadores.

Faltaram, por exemplo, algumas dicas sobre como controlar seu avião em caso de emergências e também como se esquivar de ataques adversários. Claro que a intenção de um tutorial não é deixar você craque, mas os ensinamentos aqui são básicos demais.

Next gen?

Este é um game gratuito e às vezes reafirmar isso acaba fazendo qualquer problema não tão grave ser facilmente relevado. Esse é o caso do visual de War Thunder, que apresenta um bom trabalho em relação ao desenho das aeronaves, mas deixa a desejar quanto aos cenários.

Vistos à distância, os ambientes nos quais a guerra acontece não têm grandes falhas, mas basta uma leve aproximação para que o encanto acabe. Quando você se aproxima, algo comum especialmente para o ataque às unidades terrestres, os problemas gráficos de War Thunder ficam ainda mais evidentes.

As casas e árvores não apresentam qualquer interação com o cenário (jamais são danificadas) e o sistema de sombras do jogo também soa muito artificial. A representação de fumaça e fogo também não são o que nós podemos chamar de realista, muitas vezes parecendo elementos deslocados do cenário de jogo.

A impressão que fica é que War Thunder subutiliza todo o potencial gráfico do PlayStation 4.

65 ps4
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