Pura e simplesmente: pancadaria.

Muitos RPGs online tentaram fazer sistemas sólidos e envolventes de batalhas entre jogadores (PvP). A maioria apelou para a simplicidade gráfica e optou por oferecer comandos práticos, diretos e simplórios. Com isso, poucos RPGs de peso realmente cativaram os gamers com embates épicos. Nos MMOs, isso é ainda mais raro. Mas Age of Reckoning é um daqueles que constam na lista de bons títulos competitivos. Até demais, diga-se de passagem.

Warhammer Online, da Electronic Arts, tenta conquistar os gamers com a famosa saga da série Warhammer. Ainda assim, o resultado foi um game estritamente competitivo e pouco desafiador para quem busca um MMO PvE (Player versus Enemy, os jogadores contra a inteligência artificial). Mas Age of Reckoning não deixa de entrar para a elite, ao lado de World of Warcraft e Age of Conan: Hyborian Adventures.


Inicialmente único

Logo de início, é possível reconhecer que Age of Reckoning foi uma tentativa da EA Mythic em superar os demais concorrentes. O vídeo de introdução é avassalador e abre alas para uma interface interessante. A própria Mythic recomenda um servidor mais vazio para que o gamer povoe. Após isso, basta selecionar a facção, a classe e partir para a diversão

Order X Destruction. Como de praxe, duas facções opostas tomam conta do game: Order e Destruction. As raças e classes da caça facção são curiosas (por exemplo: há os famosos anões para a Order, mas não há orcs para a Destruction, e sim "greenskins", o mesmo que "peles-verdes"), causando uma excelente primeira impressão. No entanto, os entendedores de MMO questionarão fortemente o que vem a seguir.

Ao escolher uma classe, é possível perceber que a Mythic tentou dar um rumo à escolha dos jogadores. Cada classe é especializada especificamente em um papel. Com isso, os Marauders, por exemplo, nunca serão bons "tanques", pois foram feitos para dar bastante dano o caos em forma de ataque corpo-a-corpo. Os tanques, para quem não sabe, são personagens que ficam na linha de frente dos embates, absorvendo bastante dano, bloqueando com vários tipos de defesa e utilizando itens com bônus de vida e armadura.

Comparando com a referência dos MMOs (World of Warcraft), isso é uma falha brutal. As classes de jogos RPG sempre foram criadas com um certo direcionamento, mas o game da Blizzard deixa possível a escolha das habilidades mesmo no nível máximo. Em Age of Reckoning, é decidir o destino logo de início. Mais fácil para alguns, restritivo para outros.

Belas tripas, gorducho!

É guerra!

Devido ao fato que o MMO da Mythic tem como foco a própria guerra, as nomenclaturas são curiosas. Uma raça não é exatamente uma raça, mas sim uma Army (exército), enquanto uma classe não é uma classe, e sim uma Career (carreira militar). Sugestivo, não?
Um belo MMO.
 Bem, mesmo que a definição prévia de funções de cada Career seja algo um pouco restritivo, há adições interessantes nas habilidades dos combatentes. Os Engineers conseguem montar rapidamente pequenas torres de ataque para o auxílio em linhas de fogo; os Disciples of Khaine sugam a energia de inimigos para a cura de aliados; os Sorcerers causam um estrago brutal nos inimigos, mas ao custo de suas próprias vidas.

Personalizar os personagens é um ponto muito interessante. Há várias opções de mudanças faciais e corporais. Mas uma das melhores é a tatuagem, capaz de diferenciar (pelo menos até que não cubram o corpo inteiro com vestes militares) personagens um tanto semelhantes.

Uma das primeiras missões que o jogador pode encontrar é a que incita os gamers a embarcarem diretamente em grandes combates PvP. É isso mesmo: para cumprir com sucesso a missão, basta entrar na fila para um Scenario (campo de batalha entre jogadores) e jogar. O melhor é que a missão pode ser repetida infinitamente, tornando relativamente fácil a aquisição de pontos de experiência nos primeiros níveis.

Prepare-se para um PvP de qualidade!

Com essa primeira impressão espetacular, era de se esperar que os Scenarios fossem suficientemente divertidos. Como anunciado pelos desenvolvedores, embates fenomenais são travados em competições que envolvem pontos estratégicos em alguns lugares e captura de bandeiras em outros. Um espetáculo de cores, magias e pancadaria pura.

Muitas opções

Os Scenarios são apenas uma das opções interessantes de PvP. A mais impactante delas é a tomada de torres inimigas em meio aos próprios mapas de Age of Reckoning. Cumprindo os objetivos e destruindo os jogadores das facções opostas, é possível até mesmo invadir a cidade principal dos oponentes. Com batalhas envolvendo NPCs (personagens controlados pela inteligência artificial) e gamers, o caos toma conta, especialmente se há armas de artilharia pesada, como aríetes.


O menu denominado Tome of Knowledge é um excelente diferencial. Acessando esse item, o jogador tem a possibilidade de contemplar uma das estruturas mais completas de interface já vistas em um MMO. A quantidade de conquistas, fatos, eventos, missões e a maneira com que tudo isso aparece é simplesmente assustador. Uma tempestade de informações.

De qualquer maneira, o universo de Age of Reckoning é tão amplo que, mesmo esperando na fila para entrar no servidor desejado, o jogador pode sentir a impressão de que está estranhamente solitário. No momento em que esta análise foi escrita, não há muitos gamers online e, portanto, poucos atrativos PvE. Sozinho, não há muito o que fazer, a não ser fazer as missões — cujos objetivos são bastante genéricos para um MMO — designadas de forma simples e tradicional.

Tente não fazer as missões sozinho.

É aí que entram as missões públicas, uma oferta original dos desenvolvedores da Mythic. Se o jogador encontra uma dessas missões em aberto, é possível entrar em um grupo de gamers e partir quase que automaticamente para o cumprimento dos objetivos. E o melhor: no final, surge um baú de tesouros que oferece itens para o jogador que teve a maior participação nas missões públicas, que propiciam embates divertidos (até mesmo contra chefes poderosos).

Ousado e intrigante

Alguns jogadores podem estranhar a disponibilidade de Scenarios logo no início de jogo, mas deve-se levar em conta que não há muitos níveis em Age of Reckoning. O jogador pode levar seu personagem do nível 1 ao 40, mas há muito o que aprender e criar em cada um deles.

Sinistro, não?O Tome of Knowledge exibe, dentre muitas outras informações, as recompensas, conquistas e títulos que o personagem recebeu até o momento. Conhecendo, clicando, matando e morrendo, há a possibilidade de adquirir títulos como The Fearless (O Destemido), bem como de conhecer mais sobre a história de Age of Reckoning.

Matando jogadores, os Renown Points são adquiridos, aumentando gradativamente o nível do personagem nesse quesito. Quanto mais o gamer batalhar, maior a chance de receber itens e habilidades melhores através de NPCs. Aparentemente, quase tudo em Warhammer Online é transformado em recompensas, títulos, itens, pontos, dinheiro e diversão.

O conteúdo e o desenrolar das missões não são nada inovadores, mas é claro que as batalhas conseguem rapidamente preencher esse vazio. Mesmo durante uma missão, o jogador pode estar em uma fila de espera para alguns Scenarios e, com isso, a chatice é rapidamente quebrada pela entrada em um campo de batalhas.

Mas nem tudo é maravilhoso

Animações de cair o queixo. Como todo MMO fervorosamente novo, há uma série de pontos fracos em Age of Reckoning. É fácil perceber que ainda há muitos quesitos a serem melhorados, como uma diversidade de ambientes e muitas das profissões. Essas últimas ainda estão bem cruas e desbalanceadas, o que quebra a harmonia entre os vários pilares do game. O limite de 20 missões simultaneamente também não é muito interessante.

Caso o personagem controlado pereça em combate contra inimigos do mapa, não há como recuperar o corpo no local da morte. Ao contrário de Age of Conan e World of Warcraft, o jogador deve observar seu herói renascer em um acampamento relativamente próximo ao local da queda e percorrer todo o trajeto novamente até retomar a missão em andamento.

Tecnicamente, a proposta é fora de série, pois é possível constatar que os visuais de Age of Reckoning possuem um potencial avassalador. No entanto, ainda há certos cenários curiosamente vazios (provavelmente esperando um pacote de atualizações) e muitas texturas demoram a aparecer. Apesar de graficamente e sonoramente bom, o jogo é um tanto pesado para os computadores do público-alvo de seu lançamento.


Warhammer Online: Age of Reckoning não é o melhor dos MMORPGs, mas o modo de batalha PvP é um dos mais interessantes e ainda há muitos ramos a serem aparados.
80 pc
Ótimo