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O pr3ç0 do hyp3

Durval Ramos Junior

Videoanálise

Lançar uma nova franquia é sempre uma aposta arriscada. Afinal, como fazer o público se empolgar com algo que ele não tem a menor ideia do que esperar? Sem uma base referencial, esses títulos chegam cercados de certa desconfiança. O novo é desconhecido e, portanto, não há como saber se ele é bom ou ruim.

No entanto, com Watch Dogs, a Ubisoft quebrou esse paradigma e fez com que um título inédito fosse um dos lançamentos mais aguardados do ano. Desde seu anúncio, em 2012, o game vem chamando a atenção dos jogadores e da imprensa não apenas por seu visual incrível — um dos primeiros da nova geração a dar as caras —, mas também por sua temática e pela forma como isso parecia afetar a jogabilidade. Um mundo aberto e totalmente controlável pela tela de seu celular.

Só que, assim como investir em uma nova franquia, apoiar-se na expectativa é algo bastante arriscado. Ao longo desses quase dois anos de espera, nos empolgamos com todo o material divulgado pelo marketing incessante do estúdio e usamos os vídeos e imagens para alimentar o monstro do hype. E ele cresceu demais e, como tudo aquilo que fica muito grande, a ponto de poder ser facilmente derrubado.

Isso não quer dizer, porém, que ele é ruim — bem longe disso, na verdade. O grande problema de Watch Dogs é que ele é vítima da grandiosidade que nos foi vendida e que nós mesmos criamos. Ele é refém de suas próprias promessas.

A um toque de distância

E a principal responsável pela expectativa criada em torno do jogo foi sua jogabilidade. A ideia de termos um mundo aberto que poderia ser inteiramente controlado a partir do celular do personagem pareceu bastante promissora e diferente daquilo que tínhamos até então. Era uma nova forma de interagir com o cenário.

De certo modo, é isso realmente o que acontece. Em Watch Dogs, entramos em uma Chicago ultraconectada em que todos os serviços básicos — de trânsito à segurança pública — estão integrados a um sistema operacional chamado ctOS. E as habilidades de Aiden Pearce como hacker fazem com que toda essa conveniência transforme a cidade em seu parque de diversões.

O ponto é que, embora seja muito interessante invadir o sistema e usá-lo a seu favor, ele está longe de ser a revolução que muita gente acreditava ser. Não se trata de nada inédito, apenas uma roupagem high-tech para mecânicas que já tínhamos antes.

Só que isso não é algo ruim. É divertido criar barreiras nas ruas para atrasar o avanço da polícia durante uma perseguição ou grampear ligações para descobrir uma missão secundária em algum ponto do mapa. E os ataques ao ctOS ainda geram bons momentos, principalmente durante os combates, em que você utiliza as câmeras de segurança em prol de uma abordagem mais furtiva.

E, para tornar as coisas mais interessantes, Watch Dogs não entrega tudo ao jogador logo de início. Para aproveitar todas as vantagens que o sistema que controla Chicago tem a oferecer, o jogador precisa aprimorar suas habilidades subindo de nível e adquirindo novas formas de interação. Isso libera outras possibilidades e traz um dinamismo legal ao game.

O grande problema é que, apesar de tudo isso, esse recurso acaba não sendo bem explorado em termos de variedade. Por mais que você possa interagir de diferentes formas com a cidade, o jogo não cria situações que aproveitam a versatilidade do hack.

Apesar de a primeira impressão ser bastante positiva, não demora para que você perceba o quanto esses desafios se repetem ao longo do game. São sempre as mesmas tarefas e puzzles, o que faz com que o interesse inicial se perca com o tempo. Lembra como a mecânica inovadora do primeiro Assassin’s Creed se torna cansativa devido à exagerada repetição? Pois a sensação é a mesma — embora menos maçante.

Quando GTA se encontra com Assassin’s Creed

Deixando os hacks de lado, é impossível não comparar Watch Dogs com a série Grand Theft Auto. Não apenas por se tratar de um jogo de mundo aberto em uma grande cidade, mas pela própria jogabilidade em termos de exploração do ambiente. Assim como em GTA, você tem total liberdade para simplesmente ignorar as missões e ficar brincando pelas ruas de Chicago, seja roubando carros ou espalhando o caos e atraindo a atenção da polícia.

Só que isso não quer dizer que se trata de uma cópia ou algo assim, uma vez que é praticamente inevitável fugir da fórmula utilizada pela Rockstar. Na verdade, a Ubisoft conseguiu usar essa estrutura e adicionar um brilho próprio, dando a Watch Dogs um tom bem diferente de sua “inspiração”. É como se ele fosse um GTA que se leva a sério — o que é bem legal.

Além disso, não há como negar que o mapa de Watch Dogs impressiona pelo tamanho. Por mais que ele seja menor do que a monstruosidade de Los Santos, você pode perder alguns bons minutos explorando as diferentes regiões. O único porém é que, como ele é centrado sobretudo na área urbana, você acaba com a sensação de que não há muita diferença entre os bairros (com exceção da parte rural no extremo norte), uma vez que todos são muito parecidos e sem grandes elementos marcantes.

O jogo ainda conta com influências retiradas de outras séries da Ubisoft, sobretudo Assassin’s Creed. Por mais que Aiden não escale prédios e ainda morra ao cair de grandes alturas, a construção da narrativa e o estilo das missões remetem à saga dos assassinos.

No caso dos objetivos, Watch Dogs acaba herdando também o problema de seu “irmão mais velho”. Isso porque, assim como o uso do hack, o game sofre com uma terrível falta de variedade nas missões.

Em resumo, você terá apenas três tipos de desafios ao longo de todo o jogo: invadir o sistema ou o computador de alguém, escapar de gangues/polícia e perseguir e matar um alvo. Todos os desafios que Aiden Pearce terá de enfrentar em sua jornada se resumem a isso.

E isso não se torna cansativo apenas pela repetição exagerada das mesmas missões, mas porque algumas delas não funcionam tão bem. Por mais que a Ubisoft tenha se inspirado em GTA para construir alguns elementos de Watch Dogs, outros não foram bem adaptados e tornam a vida do jogador um verdadeiro martírio.

É o caso das missões em que você precisa capturar alguém que está fugindo de carro. Embora a direção não seja tão problemática, você logo percebe que os veículos são bastante duros e, portanto, fica fácil perder o controle. Mais do que isso, não há como atirar enquanto você dirige, o que significa que você precisa ficar batendo no alvo até que ele decida sair do automóvel.

O problema é que o sistema de dano é bem mais resistente do que em outros títulos, tornando essas missões bem chatas de serem executadas. A ideia é que você aproveite os hacks de trânsito para facilitar a captura, mas eles não se revelam tão úteis assim na hora do aperto e funcionam muito mais quando você está tentando escapar.

E essa falta de variedade não é compensada nem mesmo nas missões paralelas. Por mais que o mapa seja repleto de atividades secundárias, todas elas seguem a mesma tríade da campanha principal, não dando muita alternativa para quem quer escapar da mesmice do “hackeie, mate e fuja”.

Além disso tudo, temos um sistema de cobertura bastante parecido com o utilizado na série Splinter Cell. Como a ideia é valorizar o stealth (você pode ser o Rambo, mas não é recomendado), o jogo “cola” o jogador atrás de proteções e indica pontos onde ele pode avançar sem se revelar ao inimigo. Seria algo ótimo se isso não travasse o personagem por alguns instantes.

Por conta desse cover, você fica preso e isso dificulta a fuga de um local. Se o inimigo chega pela sua retaguarda e você precisa correr para outro ponto mais seguro, pode preparar os xingamentos, pois você certamente vai se irritar no processo — ou morrer, o que é mais provável.

História de cinema

Desde que a Ubisoft nos mostrou os primeiros detalhes de Watch Dogs, ela falou muito pouco sobre seu enredo. Sabíamos que Aiden Pearce era um hacker e que seu objetivo era se infiltrar na ctOS. Mas o que mais o jogo nos reserva?

Apesar de seus clichês, a história dele é muito boa, trazendo um clima tenso e com um dinamismo digno de cinema. Não é à toa que o estúdio já começou a demonstrar interesse em levar o game para as telonas.

A trama começa quando Aiden, ainda um hacker que usa suas habilidades apenas para pequenos roubos, tenta invadir o sistema de um grande hotel e se depara com algo que ele não deveria ter visto. Diante disso, alguém tenta matá-lo e isso acaba custando a vida de sua sobrinha de apenas seis anos. E é a partir desse incidente que o herói vai mergulhar no submundo de corrupção e ganância que envolve Chicago em busca de vingança.

Como pode ser visto, a premissa básica é bastante simples e nada muito diferente do que já vimos dezenas de vezes em outros lugares. No entanto, essa fórmula funciona muito bem, sendo um dos pontos altos do jogo exatamente por motivar o jogador a sempre ir além na busca por respostas. Ele cria um senso de urgência que envolve e torna as coisas bem mais interessantes.

É claro que, se você espera uma trama profunda e complexa, pode desistir. Ainda assim, é possível se divertir em Watch Dogs sem problemas. Ele é como aquele “filme pipoca” que estreia fazendo muito barulho e anima o espectador com um roteiro simples, porém funcional.

O problema é que, se falar demais sobre ele, corremos o risco de trazer spoilers e, por mais que sejam poucos os momentos realmente impactantes, as pequenas surpresas e reviravoltas são o que dão o charme ao game.

E, não, não há qualquer relação entre a Blume e a Abstergo, fazendo com que a ligação com a série Assassin’s Creed fique apenas em nossas cabeças e nos easter eggs. Pelo menos há um gancho para uma sequência — não que alguém duvidasse disso.

Ameaça constante

Se a mecânica geral não consegue atingir o nível de inovação que muitos esperavam, o mesmo não pode ser dito do multiplayer. Watch Dogs introduz uma nova forma de interagir com outros jogadores que condiz muito bem com a temática e cria uma dinâmica completamente nova de “combate”.

Primeiramente, ele dá continuidade a uma tendência que a Ubisoft já vinha trazendo em alguns de seus jogos de acabar com as barreiras existentes entre a campanha e o multiplayer. E, se isso era apenas experimentado em outros títulos, aqui ele é usado em seu potencial máximo — e muito bem.

Sem essa distinção entre os modos, você vai se deparar com outros jogadores invadindo sua partida sem mais nem menos enquanto você caminha pelo mapa. E, como estamos falando de hackers, eles vão tentar roubar informações suas e você terá de impedir que isso aconteça mandando o maldito para o inferno.

São quatro modalidades online disponíveis que podem ser acessadas a partir do próprio mapa do game — isso se você quiser ser o invasor, é claro. E o fato de outros hackers entrarem em seu jogo torna tudo bem divertido, porque você nunca sabe quando isso vai acontecer. Durante os testes, alguém tentou roubar meus dados em meio a uma perseguição policial, o que deixou tudo ainda mais complicado. Por sorte, os ataques não acontecem durante as missões.

Além disso, Watch Dogs faz jus à sua temática e utiliza muito bem seu companion app. A partir de um smartphone ou tablet, você entra em uma espécie de mini game que se conecta ao jogo principal de maneira interessante. No Desafio ctOS Mobile, você controla um helicóptero e demais estruturas da cidade a partir da tela de seu dispositivo móvel, enquanto outros jogadores precisam cumprir algumas missões e sobreviver a esse ataque massivo.

Não se trata de nada revolucionário, mas de uma boa sacada que dá um charme a mais ao título. Além disso, o app pode ser usado de maneira independente, ou seja, você nem precisa ter sua cópia de Watch Dogs para incomodar os outros — basta uma conta no uPlay.

Só que, como nada aqui é bom o suficiente para não ter um adendo, o modo online também tem seus problemas. O maior deles é a “obrigatoriedade” do online. Apesar de você poder desligar o recurso que permite que outras pessoas invadam sua partida, isso faz com que todo o seu progresso no multiplayer seja zerado.

Isso significa que, se você avançou um bocado no multiplayer já nas primeiras horas, mas decidiu deixar os hacks de lado para se concentrar na campanha, pode dar adeus a todas as habilidades conquistadas até então e voltar do zero quando você decidir recomeçar a brincar — isso se você ainda tiver saco para isso.

Prefira a nova geração

Se você ainda não tem um PS4 ou um Xbox One e está em dúvida entre esperar ou já ir se aventurando nas versões para PS3 e Xbox 360, eis uma dica importante: Watch Dogs é um título que deve ser jogado na nova geração ou em um computador um pouco mais robusto.

Parte da expectativa criada em torno do game estava exatamente nos gráficos que a Ubisoft sempre nos mostrou, e isso só acontece nos consoles mais novos — ainda que bem abaixo daquilo que nos foi apresentado na E3 de 2012. Quem optar se manter fiel aos seus video games velhos de guerra vai receber um belo golpe e pode se frustrar bastante com aquilo que vai ver.

Ele não chega a ser feio, mas é incrivelmente mal acabando nas plataformas mais antigas. Texturas mal feitas ou que não carregam direito são o que você mais vai encontrar em Chicago, juntamente com serrilhados e objetos que simplesmente brotam na sua tela de repente. Como o draw distance não é lá grande coisa, acostume-se a ver os carros sendo desenhados no horizonte próximo.

Não é preciso ir muito longe para perceber que a Ubisoft trabalhou a engine para dar todo seu potencial no PS4, One e PC e fez uma série de cortes para que o jogo pudesse rodar nos demais consoles. E a diferença entre essas plataformas é bastante clara. Seja nos computadores ou na nova geração, tudo é muito mais detalhado e com texturas bem melhores, deixando o mundo bem mais rico.

Ainda assim, é bom que você diminua as expectativas e esqueça a primeira demonstração do jogo. Watch Dogs está bonito, mas longe de ser tão surpreendente quanto muitos esperavam. Mesmo nos computadores e nos novos consoles, você ainda percebe algumas limitações em termos de modelagem e de efeitos.

E a tão comentada guerra de resolução realmente faz diferença — mas apenas quando você coloca as diferentes versões lado a lado. Por mais que os 900p do PS4 sejam o suficiente para você aproveitar tudo o que Chicago tem a oferecer, os 1080p dos PCs tornam tudo mais bonito e vivo. No entanto, independente da plataforma escolhida, a quantidade de pixels vai ser o menor de seus problemas.

Quase lá

Diante disso tudo, fica claro que Watch Dogs está longe de ser aquilo tudo que muitos esperavam. Ele continua ainda sendo um ótimo jogo, mas tem uma série de problemas que fazem com que ele tropece diante do enorme hype que o envolveu durante todo esse tempo. Toda essa expectativa faz com que os diversos deslizes deixem o amargo gosto de frustração em nossas bocas — o que é uma pena.

No entanto, não há como negar que a Ubisoft introduziu ótimas ideias e que basta aprimorá-las para que elas se tornem aquilo que nós queríamos ver. E esse clima todo nos faz lembrar de Assassin’s Creed, que sofreu do mesmo mal no primeiro jogo e só alcançou a redenção em seu segundo game. E, como Watch Dogs deixa bem claro que haverá uma sequência, pode ser que seja ela quem vai trazer tudo o que esperamos.

Isso porque, caso essa continuação realmente aconteça, é bem provável que ela seja exclusiva dos PCs e dos novos consoles, o que significa que a Ubisoft não terá mais as limitações técnicas que PS3 e Xbox 360 possam ter oferecido durante o desenvolvimento — o que significa mais liberdade. Além disso, com uma engine mais madura e atualizada, pode ser que o retorno de Aiden (ou a estreia de outro hacker) seja bem mais marcante do que esta primeira investida.

Portanto, se você estava aguardando ansiosamente por Watch Dogs e por tudo aquilo que traria de novo ao gênero, fica o aviso: ele é divertido e vai consumir algumas boas horas de sua vida, mas não é dessa vez que você vai ver algo que realmente vai marcar sua vida. Ele segue bem a cartilha do bom jogo, mas não vai além disso.

80 ps4
Ótimo
"Watch Dogs é um ótimo jogo, mas está bem longe de ser revolucionário. Mesmo com boas ideias, ele tropeça em erros bobos e fica abaixo da expectativa."

Pontos Positivos

  • Proposta interessante
  • Multiplayer inovador
  • História empolgante
  • Ótima integração com seu companion app

Pontos Negativos

  • Missões repetitivas
  • Gráficos abaixo daquilo que foi apresentado inicialmente
  • Desligar o online zera seu progresso no multiplayer
  • Má execução de ótimas ideias

Outras Plataformas

80 pc
75 ps3
75 xbox-360
80 xbox-one