Viva o legado de um Samurai e torne-se o herói ou o vilão dos feudos

Os jogos da franquia Way of the Samurai possuem um público fiel no Japão e são capazes de gerar uma expectativa considerável por lá, entretanto, no ocidente eles são pouco conhecidos. Para quem nunca teve contato com a série (nem mesmo na época do PlayStation 2), cabe dizer que os jogos propõe ao jogador construir uma “carreira” de Samurai, através de atos, decisões e muito combate.

Um dos elementos cruciais neste universo é a passagem de tempo (através dos ciclos entre dia e noite, com direito a horário). Esta mecânica o torna extremamente peculiar, afinal de contas, o término do jogo não é atingido pelo progresso feito em missões, mas sim pelo avanço dos dias ou simplesmente pela decisão do jogador de dar fim à sua carreira, saindo dos mapas pela porção sul da tela.

Mas afinal de contas, como é que tamanha complexidade se traduz ao mundo dos jogos e aos consoles de nova geração?

Way of the Samurai 3 não é um jogo para todos. A jogabilidade é bem mais truncada do que a exibida pelos jogos de ação de produção ocidental, os gráficos são simplesmente péssimos (realmente reaproveitados dos jogos anteriores) e a narrativa não é o que o prenderá às partidas.

Na realidade, todo o charme de Way of the Samurai vem da liberdade de escolhas e do modo como o “mundo” responde aos seus atos. Por mais que suas decisões pareçam insignificantes no início, logo tudo será regido por elas, o que abre infinitas possibilidades ao jogador.

Interessante é também a possibilidade de carregar os seus itens para as partidas subsequentes, o que é um enorme estímulo para que o jogador continue desbravando as diferentes combinações possíveis. Isto faz com o que o jogo “cresça” aos poucos.

Imagens da abertura

Infelizmente, boa parte deste esforço de dar vida a este universo vem abaixo com as constantes falhas do título, sejam elas a falta de bússolas para localização, a repetição das missões, os bugs nos combates e os acidentes ao atacar erroneamente um personagem.

Mais agravante que isso é somente a limitação dos cenários, que faz com que as partidas se transformem em meras viagens de um ponto ao outro. O jogo é recompensador aos que se dedicam a ele, mas não pense em comprá-lo se você não tem paciência e se não pretende se dedicar ao aprendizado das mecânicas de partida.

Criando sua trajetória

A história deste capítulo se passa no período Sengoku da história japonesa, com a guerra entre os clãs devastando o território nacional e a vida da população local. No papel de um Samurai sem nome (na realidade um Ronin), você deve escolher um destes lados — dentre o clã de bandidos, os líderes feudais e os moradores da vila.

Ao todo existem cerca de vinte e dois finais diferentes (dados de acordo com cada período no qual as partidas são fechadas ou ainda relativos a como você prossegue pela sua “carreira”) e mais de cinquenta títulos — ou posições de ranking — indo de “Ninguém” até “Samurai 4 Ever!”.

Liberdade de ação?

O complemento a esta progressão de títulos e decisões realizadas durante os seus dias pelos feudos é o sistema de causa e efeito de Way of the Samurai 3, que disponibiliza a você a escolha de seguir pelo caminho do bem ou do mal.

O chefão

Praticamente tudo o que você faz tem resultado imediato no seu relacionamento com os demais personagens, desde um esbarrão até o ato de desembainhar a espada. A grande novidade fica por conta das cenas de apresentação ou de eventos, nas quais é possível pressionar L1 ou L2 quando mostrados os ícones.

Com L1 você saca a arma e vai para o combate, seja com uma criança, mulher ou até mesmo com o seu melhor amigo. Com o L2 o herói entra em posição de reverência e avança imediatamente pela animação, como se nada tivesse acontecido. Estas escolhas poupam tempo ou alteram completamente o rumo da narrativa e das suas escolhas.

Atalhos violentos para o sucesso

Isso significa que se você estiver cansado de jogar de acordo com as regras e quiser assumir o trono de um clã, por exemplo, basta assassinar o líder e alguns soldados de elite para que todos os demais se curvem diante de você. É claro que tal execução não é fácil com armas mais fracas, portanto esteja bem preparado.

Outro exemplo bastante curioso ocorre com os ferreiros. Caso um deles esteja portando uma arma de seu interesse, basta matá-lo e coletar o item do corpo, o que é bem mais fácil do que juntar dinheiro através das missões. Entretanto, em vista de seus atos toda a região pode considerá-lo como inimigo.

A vila pode 
virar uma baderna
 

Se isso acontecer, a melhor solução é executar todos os moradores da região, que posteriormente serão substituídos por outros personagens, agora mais “amigáveis”... “Moralmente incorreto” é um termo perfeitamente aceitável para descrever algumas das coisas que conseguimos fazer em nossas partidas.

Espadas, lanças e muito mais!

Quem disse que por ser um Samurai você deve ficar atrelado apenas à sua espada? Way of the Samurai 3 traz mais de cem opções de equipamentos de ataque, a exemplo de lanças e lâminas de duas mãos, que conferem ao personagem ataques letais.

Quem não se satisfizer com os equipamentos clássicos poderá recorrer a alternativas um tanto inusitadas, como galhos de árvores, peixes e até mesmo plantas para lutar, além é claro de seus próprios punhos.

O amor também 
tem vez: acompanhantes estão presentes

Mais forte a cada vida

Os atributos dos itens (força e durabilidade) vão aumentando a cada luta, sem contar que o seu personagem aprende uma infinidade de habilidades e golpes, os quais podem ser consultados através do menu do game (prepare-se, pois a lista é bem extensa).

Mas o melhor é que assim que uma partida chega ao seu fim, tudo o que você conquistou em termos de itens é mantido, ou equipado ou nos depósitos. Com o passar do tempo é possível não só progredir mais rápido pelas missões, mas como também obter mais diversão sobre as mesmas tarefas. Unindo este fator à presença das três diferentes facções e das infinitas possibilidades de alterar a narrativa, temos um jogo imprevisível.

Troca controlada de telas

Outra curiosidade interessante é que agora para trocar de área é necessário apertar um botão, ao passo que nas versões anteriores a passagem era realizada automaticamente. Antes de pensar que isso é ridículo, pare e pense por um segundo: o que aconteceria se você precisasse lutar contra cinco bandidos e acidentalmente pisasse na região de transição?

Algumas opções 
de personalização
 

Exatamente, agora você não corre o risco de perder todos os golpes por um simples passo em falso.

Visual muito louco

Se apenas as armas e as centenas de habilidades aprendidas durante as partidas passadas não forem suficientes para mantê-lo explorando o mundo de Way of Samurai 3, há ainda os itens de personalização para o seu personagem. Você começa com três escolhas de roupas e de cabeças, mas isso logo se amplia.

Algumas categorias chegam a ter vinte itens diferentes, sem contar que todos os modelos de civis atacados com a arma virada ao contrário têm seus modelos adicionados à galeria de escolhas. Sim, é possível escolher o visual do “velhinho” e dar uma surra nos bandidos.

Em japonês ou em inglês

Não há como negar que o trabalho de dublagem para o inglês ficou péssimo. As falas estão todas fora de sincronia com a animação da boca dos personagens, além de não conseguirem transmitir muita emoção.

Mas há uma salvação muito simples, que é a escolha das vozes originais, em japonês. Isso pode ser feito antes do início de cada “passagem” pelo mundo e confere muito mais emoção e veracidade à narrativa. Até as canções do músico que salva seu progresso ficam mais engraçadas.

Que lugar é esse?

Assim que a partida começar, a primeira coisa que você notará será a falta de um dispositivo que revele a sua posição (um minimapa). Infelizmente, esta sensação permanecerá até que você decore cada uma das oito regiões representadas no game.

Quem é que vai 
encarar?

O acesso ao mapa principal pode ser feito pelo menu ou através de um atalho colocado no analógico, que infelizmente é temperamental e funciona somente quando quer. Acha que pelo mapa a informação de localização é mais clara? Saiba que você está enganado. Todas as anotações nos nomes das saídas estão em japonês...

Até mesmo aprender o básico do funcionamento de Way of the Samurai pode ser uma verdadeira dor de cabeça para quem não teve contato com os jogos anteriores, lançados no PlayStation 2. Falar com a moça na entrada da vila para descobrir tudo o que deve ser feito com certeza não é um dos pontos mais divertidos do game.

Um jogo de PlayStation 2 em alta resolução

A franquia veio do PlayStation 2 e pelo visto a desenvolvedora resolveu poupar dinheiro nesta transição de gerações. O resultado é péssimo, com gráficos reutilizados que não impressionam nem de longe.

As texturas são pobres, lavadas, e a geometria é fraca, contando com poucos polígonos para cada objeto e personagem. A movimentação do herói é sofrível. Dar toques para trás nos controles faz com que o Samurai deslize de costas, sem contar que a sua roupa é atravessada pelas armas o tempo todo.

Matar ou 
deixar?
 

A água possui pouquíssimos quadros de animação e de acordo com o ângulo sob o qual ela é observada pode chegar a parecer até mesmo um enorme bloco de concreto, de tão feia. As florestas ao fundo parecem um bloco de papel colado e pelas vilas estão espalhadas dezenas de clones de modelos de personagens.

Desempenho temperamental

Outros recursos dos consoles de nova geração como a aplicação de suavização de bordas dos polígonos (o famoso Anti-Aliasing) e a filtragem anisotrópica — a qual impede que as texturas se tornem desfocadas com a distância — passaram longe do jogo da Acquire. Em algumas situações os objetos vão literalmente “brotando” pela tela.

Seleção de 
itens
 

Mais triste é perceber que, mesmo apesar do fraquíssimo trabalho no departamento gráfico, ainda existe um número elevado de quedas na taxa de quadros por segundo. Em algumas cenas a ação fica literalmente picotada.

Apresentação fraca

Além dos gráficos, a própria apresentação do jogo não surpreende. Há somente uma abertura animada com cenas pré-renderizadas (em baixa resolução) e uma narrativa com textos e imagens passando pela tela. Você com certeza não terá paciência de assistir a tudo, mas não se preocupe, pois esta introdução praticamente não faz diferença.

Malditos passarinhos!

Um dos males que assolou os games anteriores está de volta, ainda que em escala mais amena: a repetição de tarefas durante as missões. Para coletar o dinheiro você deve atender aos pedidos de diversos NPCs, resgatando crianças perdidas, encontrando um objeto, assassinando um bandido que aterroriza as ruas e atendendo a outros pedidos, que logo se tornarão extremamente repetitivos.

Outro problema é que somente uma missão pode ser aceita por vez, e algumas delas beiram o absurdo. Quer um exemplo? A primeira tarefa que a anciã da vila passará a você será resgatar a calcinha dela, perdida no bosque ao lado (não nos pergunte o motivo disso)...

Construindo 
amizadesAté aí “tudo bem”, afinal, o material radioativo estava envolto em um saco de pano. O problema é que na volta um passarinho seguia o personagem pelo trajeto. Depois de parar para conferir o animal, ficou a surpresa: ele simplesmente roubou a nossa entrega e saiu voando pelos ares. Missão perdida, adeus recompensa... Adeus confiança na vila!

Samurai dos controles

Apesar de todas as combinações de técnicas possíveis dentro do jogo e do uso de armas diferenciadas, não há como negar que a movimentação do personagem é extremamente truncada, rígida. Quando não há trava de direção é praticamente impossível desferir um golpe com precisão, ou ao menos na direção desejada.

Em meio às execuções dos golpes, você também fica completamente sem controle sobre suas ações e à mercê de todos os ataques. Em combates contra um inimigo apenas isso não é problema, mas quando cerca de cinco lutadores o cercam, você não tem alternativa a não ser recuar para não ser assassinado pelas costas e pelos flancos.

Uma verdadeira baderna

Se apenas a defesa já se torna complicada com muitos personagens na tela, imagine o ataque: as situações em que você precisa atacar um bandido e acaba rasgando o peito de um pobre pedestre que assiste a tudo serão bem comuns. Isso infelizmente pode quebrar todo o seu esforço de seguir a linha correta dos Samurais e faz com que alguns objetivos sejam perdidos.

Liberdade restrita

O trabalho realizado com o sistema de causa e efeito é no mínimo impressionante, ainda mais se levarmos em consideração as possibilidades de interação com os aldeões, soldados e bandidos. Entretanto, um fator põe por água abaixo todas estas qualidades: a falta de liberdade de deslocamento.

Este universo 
reage ao seu personagem
 

Em Way of the Samurai 3 existem apenas oito áreas que podem ser exploradas, as quais na realidade são apenas pequenas regiões fixas, dotadas de paredes invisíveis, todas com caminhos e trilhas delineadas. Isto elimina quase que completamente o desejo de exploração.

A sensação que fica é a de que o jogo se beneficiaria enormemente de mapas como os dos jogos ao estilo Grand Theft Auto.

60 ps3
Regular

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