As crônicas do cavaleiro branco não são tão memoráveis

Uma das maiores decepções de 2010. Apesar de soar pesada, essa é uma triste verdade com a qual os fãs de JRPG (aqueles tradicionais jogos de RPG japoneses) terão que aceitar. Desde que fora anunciado, White Knight Chronicles vem chamando a atenção dos fãs do gênero.

Sob os cuidados da Level-5 (a mesma por trás de grandes títulos como  Dark Cloud, Rogue Galaxy, Dragon Quest VIII e Jeanne d'Arc), os jogadores esperavam uma obra de qualidade, do mesmo nível das outras produções do estúdio e talvez por isso mesmo a decepção seja tão grande.

O jogo não é necessariamente ruim, mas está aquém do que qualquer fã do gênero e da Level-5 poderia esperar. Distante do conceito original e graficamente bem inferior aos primeiros trailers, o jogo conta com um sistema de batalha falho, história pouco inspirada e uma série de problemas técnicos.

Superficialmente falando, White Knight Chronicles acerta em vários sentidos. O universo, as criaturas e alguns dos modelos são inventivos e os gráficos não são exatamente ruins. A campanha single player é longa e variada, sendo que o jogo também oferece muito suporte para partidas multiplayer online (na forma de missões secundárias).

Todavia, a soma de todos os problemas acaba pesando mais do que os pontos positivos, diminuindo consideravelmente a apreciação do título. O combate confuso e a história previsível minam a já escassa diversão da campanha principal.

A beleza e o escopo épico de White Knight Chronicles não conseguem esconder as várias limitações deste tedioso e nada memorável título da Level-5.

Um por todos...

Antes de começar o jogo você deve criar o seu próprio personagem. O editor é extenso e repleto de recursos que possibilitam a personalização do seu “avatar”. Alguns modelos pré-fabricados ajudam o jogador a não se perder entre tantas opções.

Infelizmente todo o trabalho e dedicação empreendidos na criação da sua contraparte virtual acabam passando despercebidos durante a jogabilidade, pois esse personagem não é o protagonista e, além de ser secundário, ainda pode ser sacado da sua equipe a qualquer momento.

… e todos por um 

O modo multiplayer, com suporte para até quatro jogadores simultâneos (na sua equipe) é constituído por uma série de side-quests (missões secundárias), sendo que nelas você utiliza o seu personagem — aquele criado no início do jogo — em partidas online.Img_original

O disco já vem com aproximadamente 50 sendas diferentes, algumas mais interessantes do que outras, mas razoavelmente diversificadas. Além disso, os desenvolvedores já confirmaram a produção de novas missões, que serão distribuídas via download.

Monstruoso

As criaturas, cenários e efeitos especiais são visualmente deleitantes. São monstros que variam das tradicionais aranhas e outras criaturas de tamanho avantajado a verdadeiros colossos mitológicos como quimeras, ogros e dragões (todos de proporções gigantescas).

Super mega combo

Por pior que seja o sistema de combate (já entraremos em detalhes), a ideia de possibilitar que o jogador crie os seus próprios combos — combinações de golpes, habilidades, magias e outros afins — mostra-se verdadeiramente interessante.

Além de produzir um efeito de ataque mais impactante o sistema também confere maior noção tática ao combate - forçando o jogador a criar combinações eficientes e que levem em consideração seus vários indicadores, como nível de magia, pontos de ataque e assim por diante.

Apanhando sozinho

O grande problema de White Knight Chronicle é o seu sistema de combate. O jogo aposta em uma dinâmica em turnos com ação em tempo real (pense em Final Fantasy XII). Todavia, os monstros (por mais belos e ameaçadores que sejam) não são nada desafiadores e toda a construção do sistema é falha.

Um bom exemplo é o fator distância. Vários ataques e magias só podem ser desferidos ou conjurados a uma determinada distância do seu alvo. Assim, se você estiver muito longe não será capaz de atacá-lo, no entanto a mesma regra parece não se aplicar aos oponentes, que podem acertá-lo de onde estiverem.

Img_originalMagias e ataques em área sofrem um bocado com outros problemas técnicos, tornando-os virtualmente impraticáveis. Como o jogo não oferece nenhum suporte visual para a área de efeito do seu ataque não há como determinar quais alvos serão afetados, ao mesmo tempo em que criaturas obviamente próximas do centro aproximado do ataque não são afetadas.

Além disso, tudo é muito tedioso. As criaturas são enormes e assustadoras, mas não causam muito dano e demoram bastante para efetivamente matar um dos membros da sua equipe. Entretanto são dotadas de barras de vida estendidas, o que alonga desnecessariamente um conflito cujo resultado já está determinado.

Que confusão

Outra questão importante é a interface. O “hud” (tela com as informações de jogo) é mal-organizado e poluído, tornando tudo muito confuso. Por incorporar um elemento MMO, os desenvolvedores acharam certo inserir um “log” (registro de atividades) na tela - que durante os combates entra em frenesi com as diferentes ações acontecendo ao mesmo tempo.

Ventriloquismo

Aparentemente vários personagens de White Knight Chronicles são hábeis ventríloquos, já que falam sem mover os lábios. Mas estamos falando de algo pior do que uma simples dessincronização dos modelos (normalmente ocasionada pela mudança na língua do jogo): sequências de diálogos inteiras nas quais os participantes simplesmente se “esquecem” de mover os lábios.

Clichê

A trama não é nada inspirada e já na primeira cena de corte (cutscene) você terá um vislumbre de tudo o que está por vir. A história é um recorte amador de vários outros títulos do gênero, temas recorrentes e figuras carimbadas de outros jogos aparecem de forma levemente modificada, deixando tudo muito previsível e genérico.

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