Encare a 3º Guerra Mundial nesse RTS repleto de ação

A trama de WIC pode não ser a mais original do mundo, em meados da década de 80, auge das tensões político-militares entre Estados unidos e União Soviética, vulgarmente conhecida como a Guerra Fria, um acidente fictício durante o cerco de Berlim (um evento real) desencadeia o que poderia ter sido a terceira grande guerra mundial.

Mesmo que o conflito entre EUA e URSS não seja nenhuma novidade, a forma como o enredo é conduzido certamente faz inveja a qualquer roteirista de cinema. Desde a invasão do território estadunidense, até as contra-ofensivas da OTAN no fronte europeu. A contratação do ator Alec Baldwin (o Major Jimmy Doolittle de Pear Harbor) para fazer as dublagens também contribui muito para o clima cinematográfico do jogo.

A ameaça vermelhaQuanto a jogabilidade fica evidente como World In Conflict é diferente da maioria dos RTS disponíveis no mercado. Como o próprio cenário já o difere de grande parte dos títulos do gênero, a jogabilidade apenas adapta-se ao ambiente.

A ação dita a velocidade do jogo, sempre frenética, o que em alguns casos pode causar muita estranheza e um sentimento de caos instalado. A interface de rápido acesso e os atalhos intuitivos fazem com que o jogo flua naturalmente sem muito esforço, o que torna tudo ainda mais rápido.

A construção de “fábricas”, coleta de recursos e avanço tecnológico dão lugar ao remanejamento direto de reforços. Avanços tácticos e fortalecimento estratégico são a palavra chave.

Para representar tais batalhas os gráficos não poderiam ficar para trás. Explosões realistas e um alto grau de detalhamento combinam-se com sequências de animações bem produzidas (mesmo que repletas de clichês) que servem de introdução para as missões.

RTS vs. RTT (ou Real Time Strategy versus Real Time Tactics)

World in Conflict não baseia a sua jogabilidade na estrutura clássica da maioria dos jogos do gênero RTS, ao invés de fazer com que o jogador construa bases (centro de treinamentos, fábricas, instalações de pesquisa, etc), colete recursos (minérios e fontes de energia) o jogo utiliza-se de sistema de reforços.

Reforços são tropas que podem ser chamadas para auxilia-lo em sua campanha, ao início de cada missão, lhe é conferido uma quantidade de “pontos de reforços”. Com esses pontos você pode adquirir quaisquer unidades do seu painel de unidades (sendo que cada unidade possui um valor diferente).

Quando sua unidade é destruída os pontos utilizados para compra-la são repostos de forma gradual. Assim você poderá sempre convocar uma unidade para substituir a tropa perdida, entretanto terá que manter suas forças bem equilibradas já que não poderá faze-lo instantaneamente.

Essa jogabilidade é mais conhecida como Real Time Tactics (RTT), mesmo esquema apresentado no jogo Ground Control — considerado o “pai” de World In Conflict. O RTT é popularmente conhecido como um subgênero da família de jogos RTS (Real Time Strategy).

Geopolítica e história...

A década de 80 viu alguns dos maiores embates políticos da história, os confrontos entre EUA e URSS, renderam boicotes a olimpíadas, escândalos envolvendo a posição de ambas superpotências em conflitos exógenos, a guerra nas estrelas e discursos inflamados de ambas as partes.
O dia seguinte!
Em
World in Conflict você irá controlar as forças dos Estados Unidos da América, que temtão impedir os avanços soviéticos que invadiram seu território, já em outra parte do jogo a ação volta-se para o fronte europeu onde a União Soviética também expande seu domínio. Para impedir as forças vermelhas você assume controle das tropas da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) — NATO no original em inglês.

Enquanto apenas duas facções, EUA e OTAN, estejam disponíveis na campanha singleplayer, todas as três (EUA, OTAN e URSS) tornam-se disponíveis nos confrontos multiplayer online.

Manual de campo

A ação é o fator predominante em World In Conflict, e como esta pode tornar-se caótica no calor da batalha, qualquer centímetro de tela é essencial para que o jogador possa identificar seus inimigos e pontos estratégicos a serem ocupados.

Com o propósito de oferecer maior visibilidade do campo de batalha, ao mesmo tempo que torna os menus mais acessíveis aos jogadores inexperientes, a interface do jogo é menor do que na maioria dos títulos de RTS.

A interface do jogo limita-se aos quatro cantos da tela. Nos cantos superiores estão dois menus, no da direita encontram-se as unidades e na esquerda os apoios tácticos. Na parte inferior estão os outros dois menus, na direita um referente a unidade selecionada (com uma lista de ordens e habilidades) e na esquerda um mini-mapa que proporciona acesso rápido a qualquer ponto do terreno.

No modo multiplayer você ainda pode se comunicar com os outros membros do seu time através de uma caixa de texto (algo essencial nos confrontos online), caso você não possua um microfone já que o jogo também oferece suporte Voip.

As faces da guerra

Como em qualquer exército bem estruturado cada unidade possui uma habilidade técnica específica, por exemplos pilotos são capazes de comandar caças a jato, enquanto os soldados do corpo de fuzileiros possuem um treinamento especializado em armas e combate corpo-a-corpo.

Em World in Conflict as coisas não são muito diferentes e você pode agrupar suas unidades conforme as suas principais funções no campo. Divididos em quatro grupos, infantaria, ar, apoio e blindados, cada um desses grupos possui exércitos especiais, com propriedades inerentes a sua ação.Vai um cogumelo termonuclear ai?

A i
nfantaria destaca-se por sua especialização, os pelotões anti-tanques, equipes de demolição, atiradores de elite e infantaria leve, vão direto para o calor da batalha sem qualquer medo do inimigo. Auxiliados por veículos leves de transporte, os esquadrões servem como excelente armas tácticas, já que podem assumir posições elevadas de tiro, esconder-se em edificações ou florestas, além de mostrar-se incrivelmente eficientes contra os blindados inimigos e seus helicópteros.

Os blindados variam de leves a pesado tanques de guerra, além é claro dos tradicionais lança foguetes, veículos anfíbios e de transporte. Os helicópteros, de reconhecimento, ataque e transporte constituem as forças aéreas ao seu dispor.

A equipe de apoio é formada basicamente por veículos que prestam suporte a outras unidades. Sejam os tanques de reparos, capazes de recuperar outros blindados, os transportes rápidos, mais velozes do que os outros transportes terrestres, as armas anti-aéreas que provem cobertura contra helicópteros para as outras unidades de terra e a artilharia pesada, enormes canhões que podem disparar enormes ogivas através de grandes distâncias.

Reco

O sistema de controles de WIC é bem familiar a todos os jogadores de RTS, ao mesmo tempo que mostra-se acessível a qualquer novato. Com o mouse basta selecionar a unidade com o botão esquerdo, para mover-se basta clicar no destino com o botão direito.

Você ainda pode ordenar que suas unidades de infantaria ocupem edificações, como prédios e torres, para isso basta selecionar a unidade e clicar com o botão direito em cima da edificação escolhida.

Outra opção recorrente em outros jogos de RTS é o agrupamento de várias unidades em um pelotão, utilizando as teclas Ctrl e os número de 1 a 9, você pode agrupar várias unidades em um único bloco que responderá a ordens em conjunto. Esse sistema facilita muito o acesso rápido a suas tropas, fator crucial quando você estiver travando batalhas em frontes múltiplos, bastando pressionar o número indexado a cada um de seus batalhões.

Suporte Táctico

Utilizando-se de um sistema análogo ao presente em Command & Conquer: Generals, você pode convocar suporte táctico para auxilia-lo em suas campanhas. Os suportes tácticos variam de tiros de morteiros à bombardeios completos.

Conforme seus avanços e cumprimento dos objetivos das missões você receberá pontos tácticos que podem ser utilizados para convocar o suporte aéreo. Aviões podem trazer tropas de para-quedistas ou despejar armas químicas em seus inimigos, além é claro da grande Bomba H.

Cada tipo de apoio táctico possui valores e eficácia singulares, sendo que uma é proporcional a outra, ou seja, quanto mais eficaz mais pontos de suporte tático serão necessários para convocar o apoio aéreo.

Os horrores da guerra

No menu principal você poderá optar entre três modos de jogo, a campanha singleplyer, as batalhas isoladas (skirmish)
e multiplayer. Na campanha solo você acompanha assume o papel do Tenente Parker, oficial encarregado de uma companhia. Sendo assim você controla somente parte das forças em combate, enquanto a IA responsabiliza-se pelas outras ações do jogo.

Entardecer rubro!Um critica fica por conta da IA pouco desafiadora, principalmente na campanha solo e em um grau menor nas batalhas isoladas. A inteligência artificial comporta-se de forma previsível o que torna toda a experiência mais fácil e menos recompensadora.

Ao fim de cada missão você receberá medalhas pelo seu desempenho, cada medalha reporta-se a um feito ou comportamento específico. Além das medalhas você também pode conferir uma lista de estatísticas referentes a sua performance.

Conflito global

U
m destaque do jogo é o seu sistema de partidas multiplayer online. Com suporte para até dezesseis jogadores simultâneos, o modo multiplayer divide-se em três opções de jogo, domination, assault e tug of war.

No modo
domination (dominação), o seu time deve controlar vários pontos de comando (indicados no mapa com círculos brancos que mudam de cor conforme a equipe que os está controlando.

O modo assault (assalto) divide-se em dois turnos, no primeiro você deve defender uma série de pontos de comando que estão sob o seu controle, enquanto os inimigos tentam quebrar a sua defesa. No segundo turno as posições invertem-se e você deve avançar sobre as posições defendidas pelos exércitos inimigos. A equipe vencedora é a que possuir a melhor média entre pontos defendidos e conquistados.

Em tug of war (cabo de guerra) os pontos de controle são dispostos em linha, a cada ponto conquistado você avança a sua formação na linha de fronte (frontline), forçando seu inimigo a recuar. Vence quem conquistar todos os pontos de comando, empurrando o oponente para fora do mapa.

As batalha online destacam-se por enfatizarem o trabalho em equipe, que é essencial para alcançar a vitória. Tanto que o jogo suporta comunicação Voip, permitindo que os jogadores conversem em tempo real, elaborando estratégias e colocando-as em prática rapidamente.

Ao entrar em um dos modos de jogo você deve optar por um papel no exército, infantaria, blindados, aeronáutica ou apoio tático. Ao escolher um dos papéis você poderá utilizar todas as unidades referentes a tal corporação. E é justamente isso que torna a integração da equipe tão importante, para que a infantaria não seja dizimada rapidamente ela deve ter apoio dos blindados, pra que os helicópteros de combate não destruam os seus blindados você deve ter um bom apoio tático. Comunicar-se torna-se importante na medida em que você controla somente unidades de uma especialidade. Se você precisa de cobertura aérea terá que chamar o seu colega de equipe.

Sangue e fumaça

World in Conflict apresenta gráficos excelentes, seu grau de detalhamento é incrível. Seja nas explosões realistas ou no desenho dos soldados, você poderá conferir de perto todos os elementos do jogo, graças a câmera livre capaz de girar 360º e aproximar com o zoom.

Os detalhes não ficam presos a belos desenhos, já que o cenário acomoda toda e qualquer alteração. Uma explosão deixa marcas no terreno, crateras que terão que ser desviadas por veículos mais leves. As construções acumulam danos visíveis até o momento de sua total destruição.

Entretanto tamanha qualidade gráfica vem com um custo, o jogo necessita de configurações de hardware elevadas para rodar o jogo no nível máximo de qualidade.

Um som de trovão

Os comunistas estão chegando!Dos tiros dos rifles da infantaria a explosão avassaladora de uma bomba atômica, todos os sons estão fielmente representados em World In Conflict. Além dos efeitos sonoros que permeiam todo o jogo, um elenco de vozes entrega os diálogos de forma convincente e bem produzida.

Além é claro da narração durante as sequência entre as missões. O ator Alec Baldwin (o Major Jimmy Doolittle de Pear Harbor), narra a história do ponto de vista do Tenente Parker (você) e descreve a história conforme ela se desenrola.

Retornando as bases

World In Conflict mostra que ainda há muito espaço para inovações no mundo dos dos jogos de RTS. Mesmo que sua jogabilidade atraente e veloz não seja realmente uma novidade, a forma como o jogo apresenta-se é inteligente.

Um enredo interessante, uma apresentação final bem produzida, gráficos de alta qualidade, som convincente, interface simples e acessível, todos esses são fatores que contribuem com o título. Entretanto alguns problemas como a IA pouco desenvolvida e os altos requerimentos de hardware acabam minando o que poderia ser uma experiência de satisfação completa.

Com World In Conflict os fãs de RTS terão muitas horas de jogo, mesmo que a campanha singleplayer não seja tão desafiadora e dure aproximadamente dez horas, as partidas multiplayer online são incrivelmente atraentes e farão você voltar várias vezes para o jogo.

Na logística final dessa guerra World In Conflict soma mais acertos do que erros e certamente agradará aos fãs de RTS, nem que seja apenas como passa tempo até o lançamento de Starcraft 2.

90 pc
Excelente