Análise de World of Warcraft: The Burning Crusade

Cinzas, chamas e destruição. O retorno de Illidan marca um dos melhores MMORPGs da história.

World of Warcraft criou mais um pilar de referência no mundo dos MMORPGs (sigla para RPG multiplayer online em massa). Jogado por milhões de gamers ao redor do mundo, WoW cativa simplesmente por exibir imagens bonitas, jogabilidade completíssima e muita diversão para os fãs de RPG.

Conheça um Blood Elf.
Tudo isso sem contar que o game continua outras sagas já retratadas pela Blizzard com a série Warcraft. A franquia de estratégia causou impacto semelhante entre os fãs de RTS (estratégia em tempo real) e apresentou uma história fantástica que deixou muitas "pontas soltas", continuadas pelo MMORPG conseguinte de forma brilhante.

The Burning Crusade é a primeira expansão de World of Warcraft e simplesmente realçou os pontos bons do game e adicionou inovações espetaculares. Novos efeitos, eventos, itens, magias, raças e histórias fantasiosas surgem com a chegada de Outland, o novo continente de WoW e moradia de Illidan Stormrage.


Conheça um pouco sobre WoW

Para quem ainda não possui pleno conhecimento da jogabilidade do grande MMORPG da Blizzard, basta saber que o aprendizado depende exclusivamente do quanto que o jogador está disposto a embarcar em WoW. A Blizzard tomou precauções cruciais para que os gamers iniciantes conheçam gradativamente as magias, habilidades e missões propostas, de forma a cativar pouco a pouco todos os principiantes no épico MMO.

Missões em lugares sagrados pela Mãe-terra. Como todo bom MMORPG, WoW oferece aumento de níveis através de experiência (obtida por missões e matança), ganho de itens (também pelos mesmos métodos) e eventos envolvendo grandes quantidades de jogadores. Depois de várias horas de jogatina, já surgem missões que devem ser completadas em grupo. Após um certo tempo, há a chance de embarcar em grupos de 5, 10 e até 25 pessoas para eliminar oponentes desafiadores.

Essa é a filosofia PvE ("player versus enemy", o jogador contra a inteligência artificial). No entanto, várias pessoas apenas jogam WoW para enfrentar outros gamers. Isso é o famoso PvP ("player versus player", jogadores contra jogadores) e é um item essencial para o sucesso do MMO, visto que há campos de batalha que suportam até 80 jogadores simultaneamente, 40 contra 40.

A cruzada da Burning Legion

No entanto, o que importa aqui é The Burning Crusade, o primeiro pacote de expansão de World of Warcraft. Considerado muitos como um "perfeito exemplo de pacote de expansão", TBC surge com inovações cruciais para os jogadores de WoW. Quem não possui a expansão consegue jogar normalmente, mas a experiência definitivamente é muito melhor para quem pode adquirir TBC.


TBC agrupa uma série de novidades monstruosas. Comecemos com Outland, o novo continente do jogo. Outland é uma terra à parte de Azeroth e é o lar de Illidan Stormrage. O famoso demônio da série Warcraft reside em uma das instâncias ("dungeons") mais emocionantes e difíceis de WoW, Black Temple. Além disso, Outland apresenta várias criaturas inéditas e instâncias divertidas.

A Blizzard realizou um excelente trabalho ao interligar as duas histórias com novas missões e com o surgimento do Dark Portal, o portal de transição entre Azeroth e Outland. A maioria dos jogadores ficou convencida com a continuação da história, comprovando o sucesso de The Burning Crusade.

Terras misteriosas aparecem no outro lado do Dark Portal.

Itens + progresso = uma vida inteira de jogo

As "dungeons" do novo continente estão diferentes, pois comportam duas categorias de dificuldade separadas: Normal e Heroic. Praticamente todas as instâncias de Outland podem ser jogadas em modo Normal (dificuldade padrão de acordo com a evolução do personagem no jogo) e também em modo Heroic (dificuldade aumentada exclusivamente para os personagens de nível 70).

Isso foi criado devido ao aumento do limite de nível dos personagens. Antes, 60 era o nível máximo, enquanto em TBC há a oportunidade de chegar até nível 70. Para que os desafios propostos sejam superados, novos itens tiveram obrigatoriamente que aparecer. É aí que mora uma das maiores críticas dos gamers.

Certos bugs aparecem, mas logo são consertados.

A classificação dos itens de WoW é feita da seguinte maneira: cinza (inúteis), branco (favoráveis para profissões e outros usos), verde (mágicos), azul (raros), roxo (épicos) e laranja (lendários, extremamente raros). Em TBC, certos itens mágicos são melhores que alguns épicos do game original, o que desequilibra consideravelmente a fusão entre a expansão e WoW, no que diz respeito a itens.


Da mesma forma, as instâncias do jogo original estão semi-abandonadas, já que os itens de recompensa não são suficientes para as novas aventuras de The Burning Crusade. Vale muito mais a pena ir às instâncias de Outland na dificuldade Normal do que perder tempo com raids e instâncias antigas.


Novidades para um maior equilíbrio

Com exceção talvez dos itens, o equilíbrio entre as duas facções e também entre as classes do jogo ficou ainda mais delineado com o aparecimento de TBC. A Horda e a Aliança — as duas facções principais do game — agora possuem exatamente a mesma variedade de classes. O que também foi alvo de críticas entre os gamers.

A Blizzard foi instigada por causa das novas raças de TBC: os Draenei (para a Aliança) e os Blood Elfs (para a Horda).  Os Draenei foram criados para fazer rivalidade aos Taurens, as grandes criaturas derivadas de bois e vacas que constam na Horda. Já os Blood Elfs possuem uma misteriosa história e são considerados como os seres menos assustadores da Horda.Os Blood Elfs possuem tecnologias arcanas surpreendentes.

Com as novas raças, as classes exclusivas das duas facções deixaram de ser exclusivas. A classe Shaman pode ser experimentada através do Draenei (antes era exclusividade da Horda), enquanto a classe Paladin é passível de ser jogada via os Blood Elfs (antes era exclusividade da Aliança). Alguns jogadores não viram com bons olhos essas quebras de exclusividade.

Inovações mil

O novo limite de nível obrigou os desenvolvedores de WoW à criação de novos talentos — pontos distribuídos a partir do nível 10 para a diferenciação entre personagens de mesma classe — e, conseqüentemente, à produção de novas magias. Mais uma vez, a Blizzard se superou e criou magias poderosas para os personagens de nível 70.

Anões e Jewelcrafting: uma relação de amor. O limite de desenvolvimento de profissões também foi aumentado: passou de 300 para 375 pontos. Além disso, uma nova profissão foi criada, denominada Jewelcrafting (criar, principalmente, pedras preciosas). Ser um Jewelcrafter é vital para que os outros jogadores possam preencher os "buracos" presentes nos itens — "sockets" — com pedras de todos os tipos, também classificadas por ordem de cor.

Para coletar recursos, os Jewelcrafters devem vasculhar dentre minérios de veios metálicos. Certas pedras brutas são liberadas apenas por grandes chefes e vendedores especiais. Além disso, os Jewelcrafters podem criar equipamentos pequenos, como amuletos, anéis e acessórios.

Nem os céus escapam

Outro ponto de destaque é a inclusão das montarias voadoras. Montarias terrestres já apareciam no WoW original, classificadas como raras (60% a mais de velocidade) ou épicas (100% de velocidade extra), mas TBC propõe também a exploração dos céus. Infelizmente, as montarias voadoras só podem ser utilizadas no continente novo.

Dentre a grande variedade de estilos diferentes aplicados às missões, a Blizzard criou até mesmo facções que estão intimamente ligadas aos céus e às montarias voadoras. Certas missões fazem o jogador voar com criaturas bizarras e bombardear territórios hostis. Algumas regiões com terríveis inimigos só podem ser acessadas com o auxílio das montarias voadoras.

Entrando no Dark Portal, nem os céus escapam.

No entanto, ainda não há a possibilidade de executar ações em tempo real enquanto montado. Apenas explorar é possível, visto que executar algumas ações diretas em cima da montaria será algo possível somente em Wrath of the Lich King.

Um conjunto muito interessante

Em TBC, a mistura entre PvP e PvE é impressionante. Em muitas áreas novas do jogo, há a possibilidade de cumprir missões que envolvem matar outros jogadores. Como recompensa, medalhas e outros itens são adquiridos e podem ser trocados por pedras e equipamentos.

Mortos-vivos com equipamentos mortíferos.

Os gamers competem fortemente entre si na corrida de itens. Obter uma "gear" (conjunto de equipamentos) decente é realmente difícil e demanda muito tempo, pois não é fácil reunir uma grande quantidade de jogadores, quanto mais enfrentar criaturas monstruosamente desafiadoras.

Tecnicamente, a Blizzard é um exemplo. Produzindo um game bonito (mesmo sem gráficos realistas), com uma trilha sonora fenomenal e extremamente cativante, problemas deveriam aparecer sem parar. E realmente aparecem. Mas não é por isso que a empresa vai cruzar os braços e apenas lançar um pacote ou outro de atualizações. É constante a preocupação dos produtores com os usuários, que agora (no momento em que esta análise foi escrita) podem se comunicar via voz através do próprio game.


O resultado é que, além de várias correções de bugs e outros infortúnios, novos eventos, instâncias e até mesmo raids surgem para a felicidade plena dos jogadores. As brigas contra Kael'thas Sunstrider e Kil'jaeden the Deceiver são os melhores exemplos de atualizações magníficas. Os tamanhos dos pacotes geralmente são grandes, mas a satisfação é praticamente inevitável.
92 pc
Excelente